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Generalidades

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06
Nov19

Vestir a camisola da Web Summit

Vagueando

Paddy Cosgrave, o mentor da Web Summit apresentou-se ao público, aos media, à comunidade de seguidores, com uma camisola de lã. De imediato, como é a apanágio das novas tecnologias, foram colocadas à venda, online, outras 50, mas numeradas (é preciso acenar com a cenoura ou dar mote ao jargão “vestir a camisola” do empreendorismo). Rapidamente, foram todas vendidas por 780 euros cada, ainda que, de acordo com Paul, não se tenha tratado de um negócio.

A Web Summit está feliz num país pobre, que até lhe cedeu o Panteão para um jantar, não se importa de receber 11 milhões de euros anuais, do bolo da contribuição fiscal dos portugueses e de permeio, vender mercadoria associada ao evento, embolsar o dinheiro, sem nos pagar qualquer imposto.

Mas não foi só a camisola de lã que esgotou, outros artigos, nomeadamente os sweater também esgotaram, ao que parece porque só custavam 850 euros cada e até as camisolas com carapuço para criança ao preço unitário de 240 euros cada, foram um sucesso de vendas. Tudo isto em nome do mais puro altruísmo, relacionado com a defesa de empresas sustentáveis, mas supostamente não rentáveis, para as quais pura e simplesmente o mercado se está borrifando.

O melhor de tudo isto reside na explicação para esta anormalidade (sim o mercado e os consumidores são racionais e só pagam pelo produto aquilo que ele vale). Tratou-se de uma venda destinada a apoiar uma pequena indústria que está a desaparecer na região rural irlandesa, Condado de Donegal, onde a mulher nasceu, sendo que a esposa não tem interesse nenhum em lançar um negócio com objectivo no lucro.

Se Paul Cosgrave soubesse quantas pequenas indústria foram á vida no nosso mundo rural, ficaria chocado por saber que mesmo com o contributo do seu enorme altruísmo não chegaria para salvar nem metade e em Portugal, pelos vistos, não há maridos nem com dinheiro, nem com a mesma astúcia ou influência, para montar um expediente do mesmo tipo.

Por outro lado, imaginemos que um qualquer ministro, de qualquer parte do Mundo, aproveitaria um evento num país que não o seu, através de um site localizado noutro país, para promover uma quermesse deste tipo. Salvar uma pequena indústria da aldeia da sua mulher, onde os seus familiares tinham trabalhado.

E por fim, imaginemos que esse ministro tivesse dado uma entrevista com a mesma eloquência e tranquilidade de Paul Cosgrave, para explicar tão boa intenção.

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