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Generalidades

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21
Mai18

Os Bancos


Vagueando

Bancos.JPG

 

Os Bancos diferenciaram-se dos bancos de jardim porque levaram os velhinhos a levantarem-se destes para colocarem as suas poupanças nos primeiros.

Assim os Bancos (do dinheiro, nada de confusões) começaram por pagar aos depositantes para lhe confiarem o seu pilim e, depois de conquistada a confiança, abandonaram esta boa prática para começar a apregoar que estavam a operar no mercado segundo as melhores práticas.

Ora se uma boa prática é substituída pelas melhores práticas, seria lógico que a coisa fosse  para melhor.

Contudo, as boas  práticas não corresponderam às expectativas legítimas diga-se, das pessoas. Os Bancos praticamente deixaram de ter interesse no dinheiro dos depositantes para passar a ter interesse nas comissões que cobram aos clientes (depositantes ou não). Dá muito menos trabalho.

Os Bancos acham que guardar o dinheiro dos depositantes é uma grande seca e ainda por cima cara e, vai daí, que se lixe o dinheiro para remunerar, nós queremos sim é emprestar, para receber juros e cobrar comissões.

Os Bancos passaram assim a inventar dinheiro, tipo como se tivessem uma fotocopiadora, afinada de acordo com as melhores práticas e voilá, dinheiro para emprestar e dar lucro era coisa que não faltava, era o que faltava!  Para apimentar a coisa, aos juros recebidos, os Bancos juntaram-lhe umas comissões.

Acontece que a malta, vulgo ex-depositantes, gastou o que tinha e o que não tinha, obtiveram crédito (barato é certo, melhor dito, ao preço da uva mijona) para tudo e mais alguma coisa, inclusivé para comprar um casal de periquitos. Se não me engano, chegou a existir crédito bonificado para compra de casas para jovens casais de periquitos, com dispensa abastecida com umas boas arrobas de alpista.

Ainda que as boas e melhores práticas associadas a códigos de ética, de conduta e de bons relatórios anuais aprovados pelos accionistas e certificados pelos melhores experts,  o negócio deu para o torto e o que era barato, como diz o povo, saiu caro.

Saiu caro aos depositantes que ficaram sem poupanças, saiu caro aos clientes que agora estão amarrados a empréstimos que têm de pagar (às vezes até de casas que já não têm, porque as entregaram ao banco), bem como as respectivas comissões e saiu caro a todos (mesmo que não fossem clientes ou depositantes) porque ficaram a pagar impostos, a preços de mercado, o preço (custo) da prática destas boas práticas.

Os Bancos que andavam satisfeitos com as boas práticas e os reguladores adormecidos pelas suas más práticas, conseguiram, o que parece, fazer o impossível e irracional. Colocar os devedores (quiçá até aqueles grandes que não pagam e o sigilo protege) a receber juros pelos seus empréstimos e por arrasto os depositantes a pagar pelos seus depósitos. É assim como a história da cigarra e da formiga em que o moral da história passou a ser premiar a cigarra e penalizar a formiga. Ainda bem que já não se contam estas coisas às criancinhas, elas iam perceber

Ainda dizem que a inovação é o futuro. Os Bancos concluíram agora que os seus grandes gestores só eram bons em tempos de vacas gordas e agora dizem, ai, ai, que não pode ser.

Até o vendedor da banha da cobra, que tem fama de vender gato por lebre, não conseguia fazer uma coisa destas.

Enquanto espero que os Bancos se recomponham vou até aos bancos do Miradouro da Condessa de Seisal, também conhecido por Jardim da Vigia, não para vigiar coisa nenhuma, apenas para contemplar os três montes, o do Castelo, o do Palácio e o do Monte Sereno. Ao menos ali, quando não há tuk tuks, sereno e não pago comissões.

06
Abr18

Tuk-Tuk versão gourmet ou high tech do Triciclo de carga?


Vagueando

motalli marina frente (2).jpg

tuktuk-sintra-cascais.jpg

 

Nos anos 80 andava eu de triciclo motorizado por Sintra, coisa que adorava. Fazia-o com prazer mesmo estando a trabalhar de graça, era apenas pelo divertimento, just for fun, como se diz agora. Na altura usava um capacete modelo evoluído do célebre penico que, segundo os entendidos, oferecia uma melhor proteção.

Os meus amigos, que também viviam em Sintra mas em prédios e perto da estação de caminho de ferro, diziam que eu vivia no mato, porque estava fora deste ambiente urbano.

Não era bem no mato, era numa quinta onde, algumas pessoas apareciam a oferecer a sua força braçal. Cavavam a terra (tractores existiam poucos e o aluguer com condutor era caro) ganhavam comida, vinho e às vezes até ficavam mais tempo e tinham direito a alojamento (sem roupa lavada). Os terrenos cavados, semeados e adubados com estrume de vaca, retribuiam  com diversos produtos, couves, batatas, cebolas, fruta, que eram vendidos na Praça (Mercado Municipal de Sintra que data de 1951).

Temo que este Mercado, não esteja à altura dos Mercados e que, por isso, não venha a celebrar 100 anos de vida. É a evolução dos tempos e da proliferação dos Centros Comerciais e Supers e Hiper-Mercados que secam tudo o que é negócio à sua volta , mesmo em anos de chuva abundante.

O que nunca me passou pela cabeça é que o Triciclo, Famel Zundapp, que eu conduzia e com o qual me divertia, viria a degenerar num Tuk –Tuk. Ainda não percebi se os Tuk-Tuk sintrenses ou de qualquer outra cidade são a versão gourmet ou a hight tech do triciclo rural.

Um belo dia resolvi transportar uma pessoa, que se sentou, melhor se ajeitou como pode naquela caixa cheia de serapilheiras e outras caixas velhas de madeira, durante um pequeno trajecto de cerca de 2Km. Essa pessoa pediu-me boleia, porque ainda não havia a moda das caminhadas e ginásios, muito menos dos personal trainers para nos ajudar a manter a linha.

O pessoal não gostava de andar, especialmente com as compras do Mercado na mão e como também não tinham dinheiro para os autocarros da Sintra Atlântico ou da Palhinhas e muito menos para um carro, mesmo que fosse um mata-velhos, pediam, frequentemente, boleia a conhecidos.

Passei, pela Estefânea,  pela Avenida Heliodoro Salgado, onde o trânsito ainda circulava (agora também mas é proibido) e parei no entroncamento em obediência ao Polícia Sinaleiro.

À sua ordem avancei em direção a Chão de Meninos e, como de costume, cumprimentei-o porque o conhecia muito bem.

No dia seguinte, deu-me um valente raspanete. Disse-me ele, que eu não podia transportar pessoas naquele triciclo, porque era proibido e perigoso e portanto se me apanhasse outra vez levava uma multa. 

Como respeitinho era muito bonito, nunca mais dei boleia a ninguém até porque considerei que era realmente insano transportar uma pessoa ali atrás, sem qualquer proteção.

Como é possível que actualmente se autorize o transporte de pessoas, sentadas em cima daquela caranguejola a que chamam agora  tuk-tuk, quando continua a ser proibido transportar uma só pessoa num triciclo normal. Ainda por cima um tuk-tuk leva um ror de gente sentada, o que eleva o centro de gravidade da coisa (ao contrário do triciclo de carga) e a proteção que têm é um cinto de segurança que em caso de tombo, o que é fácil ocorrer, não protege de coisa nenhuma. Mas esperem,  têm um toldo muito bonito que pode ser eficiente para os raios UV mas não para a segurança.

Ou seja, um tuk-tuk, continua a ser um triciclo de caixa aberta, ainda que virtualmente coberta pela lona mas abonecado (queria dizer apaneleirado, mas parece que não é politicamente correcto) com uns autocolantes e outros acessórios apelativos para os turistas. 

O Polícia Sinaleiro, se a função ainda existisse e/ou se ainda fosse vivo, teria hoje muita dificuldade em explicar o raspanete que me deu naquela altura.

 

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