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Generalidades

Generalidades

11
Fev24

Lisboa regista aumento de denúncias de uso de animais para mendicidade em especial na Baixa


Vagueando

No passado dia 9 deparei-me com esta noticia no portal Sapo - Lisboa regista aumento de denúncias de uso de animais para mendicidade em especial na Baixa.

A dado passo lê-se que “As denúncias chegadas à Provedoria têm vindo a aumentar significativamente, resultado da indignação de transeuntes que assistem à presença de animais junto a pedintes, utilizados com o intuito de estimular a esmola” e também me indignei, porque a dado passo da notícia também se lê que a realização de ações inspetivas aos pedintes, tiveram como objetivo “assegurar que os tutores cumprem com todas as suas obrigatoriedades legais e deveres gerais para com os animais”.

Parece obvio que um pedinte não terá condições para ter o seu animal tratado de acordo com as melhores práticas de saúde e conforto animal, pela mesma razão que não tem capacidade para assegurar as mínimas para si.

A  minha indignação (já explico o porquê da mesma) abrandou um pouco com a declaração, na mesma notícia em que Provedor do Animal referiu estar a “trabalhar na melhor forma de contribuir para a implementação de medidas que possam mitigar a prática do uso de animais para a mendicidade, sempre salvaguardando as soluções necessárias para assegurar o bem-estar dos mesmos, bem como o canalizar os seus tutores para as respostas de apoio e ação social existentes”.

Tabém me parece evidente que as respostas de acção social existentes não conseguem assegurar o bem estar destas pessoas.

A minha indignação tem a ver com a suspeição (posso estar errado) de que as denúncias se preocuparem mais com o facto de o animal estar a ser “explorado” pelo tutor para tirar proveito de uma melhor esmola, do que efetivamente com o pedinte - a pessoa.

Ou seja, pedintes sim, mas nada de “engrinaldarem” com os animais as suas misérias, nem os usem para obter esmolas.

Fui buscar o engrinaldar a uma notícia publicada no Jornal de Sintra em 15 de Julho de 1951, ou seja há 73 anos, em que se pedem providências, a quem de direito, para retirar os pobres e os aleijados das ruas de Sintra para não incomodar o turismo.

É que segundo o Jornal de Sintra e passo a citar – Ninguém tem mais dó dos pobres do que nós. Todavia, não estamos de acordo com a sua teimosia em voltarem a “engrinaldar” com as suas misérias, os seus andrajos, as suas feridas, os seus defeitos, as ruas que vão dar à feira quinzenal de S.Pedro. Estarão de acordo connosco as autoridades de Sintra? Assim o cremos.

E eu que julgava que após 73 anos tínhamos evoluído como seres humanos.

Deixo abaixo a foto da notícia com o título - Mendicidade pedem-se providências.

Mendicidade.jpg

 

09
Fev24

Isto não é um Desafio III


Vagueando

Continuando com a proposta de “Isto não é um desafio”, hoje vou acrescentar mais algumas novidades.

Para os que chegaram aqui pela primeira vez, recordo que este texto vem na continuação de dois anteriores que podem ser lidos em aqui Post I e Post II com objetivo de vos convidar a fazer um pequeno passeio pedestre que começa nas Terras do Burro e acaba no Castelo do Mouros em Sintra.

Por sua vez estes dois post's surgiram depois da publicação de um conto de Natal, integrado num projeto nascido aqui na Comunidade Sapo.

Dando então sequência à proposta do passeio pedestre já apresentado, mas sem data ainda definida e ainda sem participantes inscritos, acrescento a possibilidade de, se os participantes assim o quiserem, almoçarmos depois do percurso, em local a definir.

Acrescento mais 3 fotos (já são seis) mistério de locais por onde passaremos que deverão ser identificados pelos participantes, durante o passeio.

Por último mais uma  histórica, neste caso sobre a toponímia de uma rua que atravessaremos de uma ponta à outra, a Rua Albino José Batista.

No próximo mês de Março, farei o último post sobre este tema e apresentarei as últimas fotos mistério, bem como mais uma história sobre um local por onde passaremos.

19
Jan24

Relembrar as portas durante a pandemia


Vagueando

No auge da pandemia de Covid19, perturbou-me o facto de ver muitas portas fechadas.

Foi mesmo doloroso, ainda que tivesse a felicidade de sair todos os dias à rua, fazer as compras, ver os estabelecimentos fechados mexeu comigo.

Houve mesmo alturas em que dava a minha volta a pé por Sintra, umas vezes só, outras vezes acompanhado e regressava a casa com a sensação de que estava sozinho no Mundo.

Não via carros, não via pessoas e via as portas todas fechadas.

Nestas voltas fui colecionando palavras que me surgiam para descrever o que sentia e fui colecionando fotografias de portas. Em Setembro de 2020, avancei para um post – As Portas – para descrever o que via e juntei, no final,  um link para um álbum com as fotos de várias de portas.

Posteriormente, as fotos de portas tornaram-se um vício e nestes três últimos anos fui fotografando portas por tudo quanto é sítio, em Portugal e fora dele, nas cidades e nas aldeias e fui gravando-as no àlbum.

E assim cheguei ao dia de hoje que assinala um marco importante, porque ultrapassei a barreira de mil portas gravadas no tal álbum.

Fica o convite para passarem pelas portas agora que já voltaram a ter gente, mesmo sem bater à porta podem passear por elas e se tiverem curiosidade de saber onde as encontram, basta ler o comentário que associei a todas elas.

Não se assustem, algumas podem ranger.

09
Jan24

Isto Não é um Desafio II


Vagueando

Blank 10 Grids Collage.png

 

No dia 10 do mês passado, deixei aqui a proposta, para quem estiver interessado, de fazer a parte final do percurso que descrevi no meu conto de Natal deste ano – O Natal Faz-se Caminhando, uma vez que todo o trajeto descrito no conto é real.

Ainda é cedo para pensar numa data, até porque não sei se haverá interessados, mas o ideal, havendo quórum, será aguardar pela chegada da Primavera.

Contudo, como também não me parece honesto, propor seja o que for, sem que os eventuais aderentes saibam com o que contar, fui fazer o trajecto para vos deixar algumas notas.

Distância 2.75Km

Atura mínima 253 metros

Altura máxima 405 metros

Tempo de percurso 44 minutos

Grau de dificuldade – Médio. Existe uma escadinha (dos Clérigos que é longa e ingreme, mas há uma alternativa mais fácil).

A distância corresponde apenas ao trajeto de ida e para regressar existem várias possibilidades - mais que não seja voltar para trás pelo mesmo caminho ou utilizar outro caminho (a distância é mais ou menos igual) mas sempre a descer e em caminho direito sem mais subidas. Existe ainda terceira hipótese de regresso que divulgarei no próximo mês.

O tempo que demorei a fazer o percurso foi muito rápido, já que praticamente não parei, a não ser para fazer umas fotos, o meu objectivo era medir a distância e verificar a altimetria para vos dar detalhes e poderem visualizar a azul no mapa.

Terras do Burro Map.jpg

Para vos tentar, vou acrescentar alguns aliciantes que consistem em;

  • Publicarei desde já 3 fotos (ver aqui) que servirão de atrativo, ou seja, enquanto caminharmos, deverão estar atentos, tipo Peddy Paper, para que identifiquem os locais destas 3 fotos mistério.

 

  • Em 10 de Fevereiro e 10 de Março, publicarei mais 2/3 fotos mistério, pelo que no início da atividade, teremos no máximo 9 fotos mistério para identificação durante o passeio.

 

  • Nesta publicação e nas outras duas acima descritas deixarei sempre uma história sobre alguns locais onde vamos passar. A de hoje é do nosso ponto de encontro (caso isto vá para a frente), a Casa das Queijadas do Preto.

Por hoje é tudo, sendo certo que podem ver desde já as fotos (não mistério no link abaixo) dos locais onde passaremos.

https://photos.app.goo.gl/X66TkbQsrXhJ2W869

No próximo dia 10 de Fevereiro, voltarei com mais novidades.

02
Jan24

A propósito de árvores


Vagueando

Há poucos dias publiquei aqui Fui Abraçar Árvores sendo que estas árvores se encontravam em ambiente rústico ou rural se preferirem, pelo que para além de acrescentarem muita beleza à paisagem, contribuírem para tornar o ar mais respirável e para a economia local, servirem de local de abrigo para aves e ainda, no Verão projetarem uma sombra generosa, a probabilidade de atingiram alguém se caírem ou se partir uma pernada é mínima.

A coisa pia mais fino em ambiente citadino, de tempos a tempos lá se parte uma pernada ou cai uma árvore grande porte e, para além dos prejuízos materiais, matam e ferem pessoas com gravidade.

Gosto de ver árvores dentro das cidades, deve ser promovida a sua plantação, ainda que me cause algum arrepio o tamanho de algumas, em especial em dias de vento, nomeadamente quando estão implantadas em zonas muito frequentadas, como é o caso de Sintra.

É que estes acidentes, quando acontecem, a primeira coisa que oiço é que estavam de boa saúde e nada fazia prever a sua queda. Não percebo nada de árvores, muito menos de podas ou desramagens, mas parece-me que quanto maior é a árvore maior o risco de queda ou quebra dos seus ramos.

Vem isto a propósito de uma notícia de 27 de Fevereiro de 1955, publicada no Jornal de Sintra nº 1098, com o título "Árvores Perniciosas" e que reproduzo abaixo, onde era solicitada à JAE - Junta Autónoma das Estradas (aquilo que é agora as Infraestruturas de Portugal) o corte de plátanos, justificando-se com vários constrangimentos que o seu porte provocava.

Ora hoje ninguém pensa em cortar árvores e talvez até de forma um pouco fundamentalista, parece que não se pode também podar árvoes. Assim os plátanos em Sintra atingem hoje nalgumas zonas, altura superior a 20 metros e continuam a crescer. Onde há cabos eléctricos alguns estão sob uma pressão enorme e não parece existir nenhuma preocupação com tal situação, nem da parte da Câmara nem da ERedes.

Ora se não existe vigilância sobre o cabos eléctricos que estão em risco de se partir, deduzo que também não exista vigilância sobre o estado de saúde das árvores.

Pela parte que me toca, o ano passado sofri vários cortes de energia por via do encontro destas ramagens com as linhas eléctricas e até se registou um princípio de incêndio em cabos que estavam a roçar num plátano que foi desramado posteriomente.  A menos de 100 metros do local onde ocorreu este incidente, outros cabos estão na mesma situação, mas parece que ainda não é altura de fazer alguma coisa, espera-se - eventualmente - pelo próximo incêndio.

A outra parte que me toca é que o tal pó referido na notícia de 1955, é um regalo para a minha asma a para os meus olhos que ficam vermelhos como deve estar o peixe fresco e nem o uso da máscara e de óculos me salvam dos transtornos causados.

Nem quero imaginar se um dia, por via de Sintra ser considerado Património Mundial da Humanidade se decidir enterrar os cabos de energia e telecomunicações, retirando os inestéticos postes, até onde podem crescer as árvores em ambiente urbano.

O que vale é que já passaram 28 anos desde que lhe foi atribuída essa classificação e não me parece que tão cedo se proceda ao enterramento dos cabos, na minha rua estava previsto ser em 2023, o que será sempre uma boa desculpa ou, quem sabe, uma boa prática para desramar ou podar alguns dos plátanos existentes.

Não haverá por aí um meio termo entre o fundamentalismo atual e a exigência feita em 1955?

Plátanos.jpg

10
Dez23

Isto não é um desafio


Vagueando

A Primavera já vem a caminho e nada melhor do que nos fazermos ao caminho para a apanhar e, de caminho, celebrar não só a sua chegada, mas a passagem de um conto de Natal, algures por Sintra.

Se o Natal é para estarmos com a família, a Primavera também pode ser para estar com a família e em família (blogs Sapo), mas na rua, ao Sol.

Daí que me lembrei, não de lançar um desafio, mas de fazer uma proposta que consiste em fazer parte do percurso do  meu conto de Natal deste ano.

Acredito que fazer todo o percurso descrito no conto seria desonesto da minha parte e até uma via-sacra mas não tenho nenhuma vontade de vos “obrigar”a fazer uma penitência.

Assim faríamos uma pequena parte do percurso pedestre (pequeno) que vos prometo com poucos carros a rondar as pernas mas com muita paisagem e ar puro.

20231210_104259.jpg

A ideia seria partirmos, junto à placa da Rua das Terras do Burro, não é que tenha alguma coisa de interessante para ver, apenas porque num presépio existe um burro e seguirmos o percurso descrito no conto até à antiga Igreja de S.Pedro de Canaferrim.

Fica a proposta, vão pensando nisso que eu vou dando mais pormenores até à Primavera, se houver interessados, claro.

Nota de 12/12/2023

Parece que há mais propostas e já para este ano.

https://www.nit.pt/fit/ginasios-e-outdoor/vem-ai-uma-caminhada-natalicia-por-sintra-com-direito-a-sonhos-para-todos

 

01
Dez23

O Natal faz-se caminhando


Vagueando

 

Nota prévia - Este conto de Natal reúne ficção com realidade. Comecemos pela ficção - Todas as frases com link, correspondem a um autor da comunidade de blogs da Sapo e do livro Contos de Natal, editado em Novembro de 2022, pelo que fiz questão de usar uma frase de cada um deles neste conto. Não encontrei o link para os contos de Alice Vieira e Zé Onofre, mas identifiquei as suas frases em itálico e com as notas 1 e 2 . Daí que a fição dos contos de Natal do ano passado, tenha acabado por me ajudar a ficcionar o meu conto de Natal deste ano.

A realidade - Todos os nomes das ruas e das casas são verídicos e são visíveis neste passeio e as fases da Lua referidas ocorrem nas datas indicadas. As ruínas da antiga Igreja de S. Pedro de Canaferrim existem junto ao Castelo dos Mouros. O passeio pedestre entre Mafra e Sintra é real, pode ser realizado por quem tiver pernas e ânimo, já o percorri várias vezes e passa pelas localidades mencionadas no conto, sendo que todo o seu percurso é maioritariamente feito fora das estradas alcatroadas. Só a partir da frase no conto - “À entrada de Sintra”é que deixa de corresponder ao percurso real, mas pode ser realizado (fica o desafio para a comunidade de bloguers da Sapo, fazê-lo a partir da Rua das Terras do Burro). Contudo, no mapa que anexo em foto, está assinalado o desvio que permite fazer o caminho do conto até à antiga Igreja de S. Pedro de Canaferrim.

SM.jpg

20231112_182629.jpg

Mapa do percurso e do desvio (a vermelho) , bem como uma foto tirada da Rua Albino josé Batista onde é visível o convento de Mafra, é o pontinho mais brilhante da lado esquerdo da foto, na linha do horizonte.

António, Teresa e a sua filha adolescente, Mariana, falavam entre si e comentavam, mais um ano, mais um Natal. Este deveria ser especial, mas Mariana desde que cresceu deixou de ter tempo para essas futilidades,. Deixara de acreditar no Pai Natal, dizendo - a magia dissipou-se e não consigo que se instale.

Contudo, os pais sonhavam com um Natal em Belém. Eles adoram livros e tinham comprado vários para pesquisar tudo sobre essa viagem. Quando se levantou essa possibilidade Mariana não ficou muito entusiasmada, contudo depois dos seus pais lhe explicarem a importância que Belém tinha no Natal, os seus olhos brilhavam como duas estrelas de Natal.

As guerras, justificadas tantas vezes pela adoração (fanática) a diferentes deuses, estragou-lhes os planos e, pior do que isso, acrescentaram mais um conflitos ao Mundo numa antítese ao que deve ser o espirito de Natal.

Assim resolveram fazer algo de diferente, para celebrar o Natal. Personificar os três Reis Magos recriando um percurso real, para entregarem uma prenda simbólica de paz, carinho e amor ao próximo. Restava encontrar o sítio, sendo certo que tinha que ser simbólico, porque não, onde vários deuses já se tinham cruzado e ali mesmo deveriam ter feito as pazes e encontrado o perdão.

O Natal, não é as pessoas desejarem muita paz aos outros?

Por mais que procurassem, não encontravam nada que os satisfizesse. O caminho parecia cada vez mais sem volta, mas recusavam-se a desistir, a família estava habituada a fazer longas caminhadas, devagar e em silêncio. Mariana, no final do dia, já em pleno Outono, foi à janela da sua casa em Mafra e surpreendeu-se com a serra de Sintra, iluminada por uma Lua Cheia fortíssima que lhe realçava a silhueta.

Não é por acaso que a serra é conhecida por Monte da Lua.

Era para ali que iriam fazer a entrega do seu amor e carinho, ali no Monte da Lua. A estrela Polar que guiou os Reis Magos, seria substituída pela Lua que os guiaria até à serra e lhes iluminaria o caminho. O Pai, antes de recusar a ideia, foi consultar as fases da Lua e reparou que a 20 de Dezembro estariam em Quarto Crescente e a 24 em Crescente Gibosa, sendo a Lua Cheia a 27, que coincidência maravilhosa. Nem o nevoeiro típico de Sintra se atreveria a estragar tão nobre propósito.

A ideia foi aprovada por unanimidade, embora soubessem que de Mafra a Sintra, são 28 km, por estradas longas, mais curtas, a subir até provocar vertigens e a descer ao ponto de sufocar, isto não seria o problema, mas sim o estímulo.

Por outro lado, recordavam-se do Natal em que tinham ficado enclausurados obrigatoriamente em casa, naquele tempo viviam-se receios de um terrível micróbio que tinha mudado a forma de viver de todos, em todo o mundo, pelo que este percurso seria também uma homenagem à libertação.

Eram duas horas da tarde, o sol não aquecia, parecia que as estrelas estavam contra, mas tinha chegado o dia da partida. Munidos de uns cajados de madeira, iniciaram a caminhada.

À medida que iam atravessando as aldeias, foram-se deparando com as entradas das portas onde eram colocadas pinhas e azevinhos tornando as aldeias ainda mais belas do que eram no resto do ano. Trajavam roupas normais mas eram alvo de observação dos aldeãos que os cumprimentavam com reverência e lhes desejavam boa viagem, como se adivinhassem ao que iam e o que representavam.

De repente…e sem saber porquê alguém se aproximou de Mariana e disse-lhe; Espalha essa prenda por todos por favor. Mariana surpreendida com o inusitado momento, afinal não tinham contado a ninguém ao que iam, resolveu apenas sorrir, deixei-o pensar assim.

Depois de descerem ao Carvalhal e subirem de novo em direção a Odrinhas, a noite começava a cair e as luzes coloridas alegravam as ruas, já no alto da longa e ingreme subida, repararam no espectáculo, graças à luz que todas as janelas com uma simples vela tinha criado. Afinal anoitecia cedo no monte, até porque nesta altura do ano os dias são muito pequenos pelo que a vista era deslumbrante.

À entrada de Sintra, seguiram por uma vereda, sempre a subir até que chegam à Rua das Terras do Burro e entroncam no Alto da Bonita, daqui já avistam de perto o Monte da Lua. Avançam em sua direção pela Rua Albino José Batista a partir da qual se avista Mafra e até as ilhas Berlengas em dias cuja visibilidade anuncia chuva e que desemboca no Miradouro da Vigia. Deste local, avista-se todo o Monte da Lua e esta exibia-se com orgulho. O Monte da Lua agrega três montes, em cujos topos repousam o Castelo Gregório, também conhecido por Monte Sereno, o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros.

Agora que estamos no Natal, toda a vista deste miradouro, parece um autêntico presépio. Cintilam as luzes da Igreja de Stª Maria, do casario da rua da Trindade e da Calçada dos Clérigos, ao lado esquerdo as da Casa do Cipreste do arquiteto Raul Lino e um pouco mais acima, à esquerda, um dos mais belos Chalets de Sintra, o Chalet do Roseiral. O Plátano plantado na caldeira principal do miradouro, agora despido de folhagem, não tem frio e abana ligeiramente ao sabor da brisa e a energia da sua seiva já trabalha na roupagem para próxima campanha Primavera-Verão, saúda tão ilustres visitantes, vergando-se perante tão grandioso cenário.

Descem as Escadinhas da Vigia e sobem as dos Clérigos, entram na Calçada com o mesmo nome, onde do lado direito existe uma gruta, a Mariana espanta-se ao ver lá dentro um vulto que personificava o Pai Natal, esperou que o pai ou mãe tivessem visto mas não.

Continuaram a subir pela calçada, a Igreja de Santa Maria está a sua esquerda, mais à frente entram na Rampa do Castelo e que rampa, não perdem o fôlego, continuam escadaria acima.

A Mariana um pouco confusa diz que voltou a acreditar na existência do Pai Natal. Os pais, reiteram a sua convicção de que o Pai Natal não existe. Mariana pergunta então quem era aquele que estava na gruta?(1)

Bem falamos nisso mais tarde, agora temos que chegar ao cimo.

Antes de chegarem ao Castelo encontraram as ruínas da Igreja de S.Pedro de Canaferrim que, com a fixação das populações cristãs no Castelo dos Mouros, o Bairro Islâmico foi desaparecendo e deu lugar a uma vila medieval, cuja ocupação se estendeu até ao século XV, altura a partir da qual foi sendo progressivamente abandonada uma vez que, pacificados os conflitos entre mouros e cristãos, as populações já não necessitavam de se abrigar junto da fortificação. Integrava essa vila medieval a Igreja de São Pedro de Canaferrim, construída entre as duas cinturas de muralhas.

Foi aqui neste local onde existem as ruínas da Igreja de S. Pedro de Canaferrim onde crentes em duas religiões diferentes se combateram, que António, Teresa e Mariana, vieram deixar a sua prenda, de valor incalculável, o seu amor, carinho e paz natalícia, na noite de Natal e de Lua Cheia.

Este é o caminho para um futuro de paz.

Regressaram a casa, transportados por um amigo, que, devido ao frio tinha ligado a chauffage do carro. António disse-lhe logo, onde já se tinha visto os pequenos aparelhos dominarem o mundo e substituírem o calor de um abraço, desliga isso e venha daí esse abraço.

Chegados a casa juntaram-se à mesa onde a família os esperava para cear, ouviu-se uma gargalhada geral que animou toda a casa, em vésperas de Natal. Afinal, o Natal era isso mesmo juntar pessoas e coisas a momentos.

Pouco tempo depois Mariana pediu licença e levantou-se, não regressando à mesa. A sua mãe preocupada, levantou-se e foi até ao seu quarto e, incrédula viu o Pai Natal sentado na cama da Mariana, contava-lhe uma história.

No dia seguinte, os pais voltaram à questão do pai natal na gruta e a Mariana só lhes disse, as coisas aconteceram como deveriam ter acontecido (2) e que ficaria com esta história para contar aos filhos, que começaria assim; Houve um Natal em que não conseguimos resistir à curiosidade.

 

09
Nov23

Esqueço-me das horas transviadas


Vagueando

Dia há em que os deafios não trazem inspiração, nem vontade, nem ânimo. Mas, pelo menos, decidi que iria participar, inspirado nas inspiração de outros e não podia ter escolhido melhor do que Fernando Pessoa.

Assim para o desafio 1 foto 1 texto, de hoje, resolvi recorrer a um poema de Fernando Pessoa para ilustrar a minha foto montada (são duas), tiradas ontem durante um passeio pedestre em Sintra. 

Blank Collage Template.png

 

Esqueço-me das horas transviadas

o Outono mora mágoas nos outeiros

E põe um roxo vago nos ribeiros…

Hóstia de assombro a alma, e toda estradas…

 

Aconteceu-me esta paisagem, fadas

De sepulcros a orgíaco… Trigueiros

Os céus da tua face, e os derradeiros

Tons do poente segredam nas arcadas…

 

No claustro seqüestrando a lucidez

Um espasmo apagado em ódio à ânsia

Põe dias de ilhas vistas do convés

 

No meu cansaço perdido entre os gelos

E a cor do outono é um funeral de apelos

Pela estrada da minha dissonância…

 

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

06
Out23

O meu amigo fez anos ontem


Vagueando

No topo dos topos da nossa vida, depois da família, estão os amigos. Os amigos são para as ocasiões e as ocasiões fazem os amigos.

O meu amigo (fomos colegas na mesma empresa) do pedal fez anos ontem, telefonei-lhe para lhe dar os parabéns, atendeu-me e disse-me que estava no topo, até me mandou a foto que deixo  abaixo.

Imagem WhatsApp 2023-10-05 às 10.05.05_4aaf5a95.j

A alegria de lhe dar os parabéns coincidiu com a minha tristeza de já não o poder acompanhar neste desafio que fazíamos juntos e ainda menos nos muitos e longos passeios que fizemos de bicicleta.

Este desafio era especial, no dia dos nossos aniversários ou no fim-de-semana logo a seguir, subíamos a Serra de Sintra até este marco geodésico, através de uma estrada de terra bastante íngreme. Era a prova de vida com mais um ano em cima, era uma forma de festejarmos e conseguirmos carregar até aquele monte, o peso da idade. I

Infelizmente, por razões de saúde já não posso andar de bicicleta, o ultimo passeio que fiz, foi com o meu amigo numa volta no Alentejo, Alvito, quase há dois anos.

Esta é uma das coisas que já não posso fazer e fez-me lembrar o post recente de José da Xã, com as mesmas queixas.

Achei interessante, para me alegrar, ligar a impossibilidade de já não poder fazer o desafio com o meu amigo mas (ainda) poder contribuir para o desafio 1foto 1 texto de IM Silva.

03
Out23

Sintra tem mais encanto com silêncio


Vagueando

Troco com a maior das facilidades e prazer a manhã na cama por um passeio a pé pelas ruas de Sintra.

Se nos tempos da pandemia a sensação era estranha e até medonha, agora é um prazer imenso.

Vagueio por Sintra, os turistas ainda não chegaram, os habitantes deslocam-se para os seus empregos, seguem noutras direções de carro pelo IC 19 e de comboio através da Linha de Sintra.

Os comerciantes ainda não abriram as lojas, os cafés e esplanadas das zonas turísticas ainda repousam, os carros, tuk tuks, trotinetas, autocarros e outras gerigonças motorizadas, ainda aguardam condutores para os movimentar, apenas algum movimento de entrega de mercadorias circula pelo centro histórico.

E eu vou passeando pelo silêncio e pela nudez das ruas e passeios, ainda sem carros mal estacionados, desfrutando desta paisagem, assim sozinho, mas muito bem acompanhado por este magnífico património cultural na capital do Romantismo

Tudo só para mim, incluindo o silêncio, tudo meu, sem nada me pertencer, por breves instantes vou carregando imagens na minha memória e enviando outras, para a memória do meu computador.

Seria muito egoísta se não partilhasse aqui algumas destas imagens.

Nota Final: A primeira foto, talvez a mais surpreendente porque foi captada às12h59m, hora de almoço, no local mais caótico do centro de Sintra. Em condições normais, quer a passadeira de peões, quer a paragem de autocarros bem visíveis na foto, estariam tão atulhadas de gente e veículos de toda a espécie, mesmo os que não são autocarros, que não seria possível ver nenhuma delas na foto. Esta é a única foto que foi tirada durante a pandemia, 03/06/2020 e foi dos primeiros almoços que fiz num restaurante nesta altura.

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