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Generalidades

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30
Jan26

A depressão Kristin e as árvores


Vagueando

Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

A depressão Kristin, deixou uma marca de destruição grave no país e causou estragos consideráveis no concelho de Sintra, nomeadamente no centro histórico devido à queda de muitas árvores, algumas delas classificadas.

No caso de Sintra e da queda de árvores, algumas centenárias leva-me à discussão sobre como as devemos preservar.

A defesa das árvores, nomeadamento do Grupo de Amigos das Árvores de Sintra  é a de que a CMS quando realiza podas, usa más práticas, abusivas e criminosas, exemplificando com podas recentes, em alguns locais. 

A ideia com que fiquei ao ler este seu artigo de opinião no jornal de Sintra, de 14 de Novembro de 2025, é que  as podas levadas a cabo pela CMS serão exageradas, mutilando desnecessariamente as árvores.

Não percebendo absolutamente nada desta actividade, sendo residente em Sintra desde que nasci, já lá vão 68 anos, habituei-me a ver nos meus tempo de juventude as árvores podadas de forma a que a sua copa nunca ficasse muito grande, o que deixou de se fazer. As árvores possuem atualmente copas enormes, altura considerável e isso aumenta a sua resistência ao vento nomeadamente quando atinge velocidades como as que foram registadas nesta depressão. Por outro lado, creio que a ausência de poda pode alterar o seu equilíbrio estrutural e até a sua saúde a longo prazo porque ficam mais suscetíveis a fungos e pragas que podem fazer apodrecer a madeira internamente.

Esta forma de estar na preservação das árvores, obviamente que defendo a preservação das árvores, mas não acredito que poda-las para que não ofereçam risco, as impeça de capturar CO2,  as impeça de se tornarem centenárias ou as mate.

Contudo, serve como desculpa ideal para que os privados deixem as suas árvores e até vegetação invasora, crescer muito para lá do admissível, impedindo que a circulação de peões e automóveis se faça em segurança e no limite caiam para a via pública, como aconteceu na Estrada de Chão de Meninos (ver as duas fotos abaixo) .

20260128_103307.jpg

 

 

20260128_101454.jpg

 

Esta duas fotos que tirei na Quarta Feira, mostra como o crescimento da vegetação leva os peões para a estrada e obriga os autocarros a circular fora de mão, nas curvas para se desviar da mesma, alguma da qual grossa e que já causa danos nestes veículos. Nesta estrada ocorreu um grande número de quedas de árvores, levando ao encerramento da mesma durante a noite e toda a manhã de quarta feira.

A queda de árvores de grande porte causa acidentes graves e mata como infelizmente já aconteceu em Sintra e aconteceu agora com este temporal. Não obstante e voltando ao artigo de opinião acima referido do Grupo de Amigos da Árvores, quando tal acontece, segundo este Grupo, basta acionar o seguro que existe para estas situações, tal como se faz em qualquer ocorrência ou acidente.

Se preservar árvores tem a minha total concordância, sobre os riscos da sua queda é claramente divergente. A segurança de pessoas e bens, está primeiro e deve acautelada de forma a que mitigue ao máximo o acidente ou a ocorrência, recorrendo a dois conceitos muito mais importantes e eficazes, a prevenção e a segurança.

No Expresso é feita uma referência à queda de árvores no Centro Histórico , onde o atual presidente afirma; "Percebi quando tomei posse que desde março de 2025 que não havia nenhum procedimento de poda das árvores”. Haver havia, foi publicado em Maio de 2025 (pode ser consultado aqui) mas não me parece que fosse cumprido na íntegra porque mal se começa a podar alguma coisa em Sintra salta alvoroço nas redes sociais.

Em ambiente urbano, prefiro ver árvores podadas e mais pequenas do que árvores tombadas, partidas e caídas com resultados péssimos para todos. Para os amigos das árvores que as perdem, para o ambiente porque deixam de capturar CO2, para a paisagem porque desaparecem, para os bens porque ficam destruídos, para as pessoas porque podem ser gravemente feridas ou mortas e neste caso, o seguro pode compensar monetariamente a recuperação dos bens (nunca compensa na totalidade) mas nunca compensa o sofrimento de uma pessoa ferida ou a família de um morto.

25
Jan26

Eu cá não sou de intrigas mas!


Vagueando

Hoje vivemos sobre intenso bombardeamento mediático, quer através dos meios tradicionais, televisões, rádios e jornais, intensificado nas redes sociais em que especialistas não só bombardeiam com mais intensidade, como criticam quem não ignora as bombas lançadas.

Uma das áreas em que isso acontece é o tema ambiente/alterações climáticas.

Declaro desde já compreendo a necessidade de defender o planeta, afinal é a nossa casa comum, ele é bondoso e não nos cobra renda mensal mas, de tempos a tempos, irrita-se e faz-nos pagar caro a nossa presença. Contudo, tenho dúvidas se tudo o que os estudos indicam, nomeadamente o nosso estilo de vida, é a única causa das alterações climáticas e se abdicarmos desse estilo de vida, resolvemos o problema.

Partindo do pressuposto que sim, o nosso estilo de vida é a causa do problema, a ciência e a tecnologia tem vindo a desenvolver esforços para reduzir o seu impacto. Não obstante, se o está a fazer, não está a resultar ou ainda piora a situação, razão pela qual tenho dúvidas sobre se esse esforço é eficaz ou se é atirar areia para os olhos.

Ao longo da minha vida tenho vários exemplos de que a inovação para resolver problemas de consumo de energia e desperdício de componentes, a maior parte não reciclada, está em contraciclo com o que se aperegoa.

Deixo apenas um.

Como resido em Sintra a humidade faz parte da minha casa, em especial no Inverno, daí que tenha sempre pelo menos dois desumidificadores ligados.

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Em Janeiro de 1994, comprei um na Tele- Sintra (loja que já não existe) hoje é um notário privado, de uma marca portuguesa "FNAC", não tem nada a ver com as lojas de hoje, era sim a Fábrica Nacional de Ar Condicionado. Como se pode ver pela venda a Dinheiro na foto, custou-me 41.500$00, ou seja pouco mais do que 200 uros atualmente. O Manual de Instruções (capa também visível na foto), era publicado em língua, portuguesa, francesa e inglesa, formato A4, parecia uma fotocópia do original. Tudo muito simples, um botão de ligar e desligar o aparelho, um balde para recolha de água e uma luzinha que fica vermelha quando o balde está cheio, deixando o mesmo de funcionar, para evitar derramamento de água em casa.

Curiosamente ou não, continua a fazer o seu trabalho e nunca avariou.

De lá para cá, já comprei mais 7, de valor sempre superior a 200 euros. Apenas dois (recentes) estão a trabalhar e um deles já não faz algumas funções.

Mandei reparar três, as reparações foram sempre mal feitas, as deficiências mantinham-se não obstante as ter pago.

 

 

O problema destes novos aparelhos são dois;

1 - Como se produzem muitos modelos, as peças de reposição na maioria das vezes já não existem quando avariam, modelos descontinuados, pelo que a solução é enviá-los para o lixo.

2 - As avarias ocorreram sempre nos componentes electrónicos (coisa que o da FNAC não usa) que estão lá para garantir a eficiência energética, para aquecer o aparelho quando está frio, para assegurar isto aquilo, ou seja, coisas que não damos por elas e/ou não temos como confirmar se produzem o efeito anunciado.

Já ouviram falar de obsolescência programada, a estratégia comercial para conceber produtos com duração limitada, ficando obsoletos e por isso temos que comprar novos?

Não sei se é verdade, mas a ser, é uma das causas para o enorme aumento de resíduos eletrónicos.

Para quem não sabe todos os desumidificadores possuem um motor elétrico com uma turbina (normalmente de plástico) para fazer a circulação de ar. Se existissem apenas dois ou três modelos de motores e turbinas era fácil aproveita-los mesmo para a aparelhos novos porque é material que dura muito e sem avarias, como são todos diferentes vão para o lixo o que é um desperdício.

Dai que me pareça que o marketing e as suas estratégias façam mais pelos lucros do que pelo ambiente. Não obstante o marketing já pegou na palavra da moda "Sustentável" e usa-a estrategicamente para continuar a vender e a lucrar.

20
Jan26

Muros e musgos de Sintra


Vagueando

Sintra é a minha casa desde que nasci e confesso que não gosto de ver por aqui muros pintados, por duas razões;

1 – Porque não há cor como a cor da natureza e a pintura, por melhor que seja, acaba por sucumbir à humidade, à chuva e a tudo o que estes dois eventos climáticos potenciam e bem - fazer crescer o verde da erva, dos fetos, dos musgos.

2 - Tentar vencer esta realidade é gastar dinheiro em tinta que polui e a (suposta) beleza dura pouco. Os meus muros são de cimento e polvilhados a terra o que ainda ajuda mais ao crescimento do musgo que lhes acrescenta beleza natural, com cores que não se conseguem obter por via da pintura, poupando dinheiro e não expulsando a natureza da nossa porta.

Como o inverno tem sido abundante em chuva e a humidade da serra é uma constante, andei por aí a vaguear pelas ruas, só para fotografar muros e musgos.

Gostei do resultado que compilei num álbum que partilho, basta clicar neste link de  Musgos e muros de Sintra.

Boa viagem e agasalhem-se porque a voltinha foi realizada com muito frio e humidade.

16
Jan26

A crise na habitação da escrita


Vagueando

 A juntar à crise da habitação em Portugal, rebentou recentemente – na SAPO – a crise da habitação onde estava alojada a minha escrita e a de muitos outros.

A Sapo Blogs vai fechar (agora diz-se descontinuada) no final de junho do corrente ano, não vai para obras, nem indemniza os inquilinos da escrita (em abono da verdade também não pagavam renda, mas foram um polo de dinamização do portal).

Quem não se puser a pau com o conteúdo do seu blog, alojado nesta casa da escrita, perderá todo o seu espólio mesmo que a casa não vá abaixo ou se venha a transformar num Alojamento Local para as redes sociais, que estão fartas de ser nómadas digitais e querem assentar nalgum lugar.

Não me indigno, de indignação está o mundo cheio, como o inferno está cheio de boas intenções, mas tenho pena ver a casa da escrita desaparecer, destronada pela velocidade e alcance das redes sociais que trituram tudo à sua volta.

Faz-me lembrar o processo dos grandes centros comerciais que quando começaram em Portugal, foram matando todos os negócios de bairro que, a par do turismo desenfreado, contribuíram para desalojar (se calhar é melhor ler-se expulsar) as pessoas que neles viviam.

É o rolo compressor do progresso que se constrói destruindo.

Já lá diz uma das leis fundamentais da Física - a Lei da Impenetrabilidade da Matéria – um corpo não pode ocupar o mesmo lugar no espaço que outro corpo ao mesmo tempo , só confirma que o espaço dos gananciosos é pequeno e fechado a sete chaves.

É por isso que a riqueza não ocupa o mesmo espaço da pobreza, não há partilha, há divisão clara.

Parece que estou a chorar sobre leite derramado, mas não estou, nem sequer ainda decidi se vou ocupar outro espaço para guardar a minha escrita. Para já, segui o conselho da Sapo Blogs e pedi para descarregar os meus conteúdos (são quase oito anos a vaguear por aqui) e vou aguardar.

Afinal não sou escritor nem profissional da escrita, não tenho nenhuma obrigação nesta área, nem nenhum compromisso com ninguém, mas gostei de partilhar aqui algumas opiniões e prazeres da vida com quem me quisesse ler.

O curioso no meio desta velocidade estonteante de mudança que nos enrola como se fossemos arrastados por um tornado, por uma cheia, deslizamento de terras ou avalanche é que temos uma certeza comprovada ao longo de séculos; o papel, os livros, as fotos impressas, são o suporte duradouro mais fiável, desde que bem guardados e hoje conhecemos e dominamos bem as técnicas de conservação deste tipo de documentos.

20260116_150529.jpg

Uma página do Foral de Sintra

A comprova-lo está o documento que hoje tive a oportunidade contemplar – O Foral de Sintra – com 511 anos, foi exibido apenas hoje e pela primeira vez nos Paços do Concelho no edifício da Câmara Municipal de Sintra é um exemplo vivo do que afirmei acima.

Quanto às novas tecnologias de armazenamento, sendo um leigo, a minha experiência com as mesmas diz-me que de um momento para o outro o nosso suporte de armazenamento estoira a uma velocidade superior a qualquer publicação nas redes sociais e a sua eventual, repito eventual recuperação, custa os olhos da cara e mesmo que aceitemos esse custo, os resultados não são garantidos.

O segredo é a redundância, que também é cara e trabalhosa de manter.

Vai daí, não sei por onde vou, só sei que não vou pelos caminhos das redes sociais.

De qualquer modo, obrigado Sapo Blogs pelos anos em que estivemos juntos

03
Dez25

Pelos caminhos do silêncio


Vagueando

 Caminhar, mesmo que seja repetir os mesmos trilhos, oferece-nos sempre uma perspectiva diferente, por duas razões.

A primeira é a luz com que a natureza nos brinda, difusa, forte, suave, agressiva, baixa alta, altera as tonalidades das cores que se espelham em nosso redor, em suma torna o mesmo sítio, a mesma árvore, a mesma vegetação totalmente diferente.

A segunda é a nossa postura perante o caminho, umas vezes mais atento, outras mais distraído, umas vezes sozinho, outras de companhia, a paisagem confunde-nos saudavelmente iludindo o esforço que por vezes fazemos para chegar a determinado local.

Caminhar por Sintra, mesmo no Verão, não é o mesmo que caminhar descontraidamente à beira-mar, com os pezinhos na areia.

É, para usar uma só palavra – Sublime.

Hoje regressei aos caminhos que apelido do silêncio, onde a natureza abafa até o som das minhas pegadas e onde os restantes sons silenciosos da floresta, impedem a chegada do ruído, aquele que também sendo som é irritante e stressante.

Mesmo que muitos se aventurem por estes espaços, nunca temos a ilusão de esmagamento ou sufoco humano.

6.jpg

 

Começo cedo, aqui no Jardim da Vigia, quando o Sol ainda se apresenta tímido e baixo alcançando apenas o Palácio o Castelo, lá em cima na Serra, para onde vou e de onde regresso menos cansado do que quando iniciei a caminhada.

Este rejuvenescimento não é o mistério da fé, nem tão pouco mistério nenhum, é o benefício de mergulhar na natureza e gozar o seu silêncio.

Se quiserem dar uma volta pelos caminhos do silêncio podem fazê-lo AQUI

14
Nov25

Uma garça montada num dragão


Vagueando

 

Desafio Uma foto Um texto de IMSilva

Imagem WhatsApp 2025-11-14 às 12.36.10_7cfad5b3.j

 

No meio deste temporal, que tem trazido chuva e vento por todo o lado, uma garça resolveu aproveitar uma pequena trégua e voar até às proximidades da minha janela. Por mero acaso estava a olhar para a rua e apercebo-me do seu voo (que já não consegui captar), pego no telemóvel e sai a foto.

Não vale nada em termos de qualidade, mas vale pelo momento, que foi breve, muito breve e por depois de ter olhado para a foto, verificar que aquele pedaço de árvore parece um dragão.

E assim nasceu o título deste post.

 

10
Nov25

Sintra, não posso pedir mais


Vagueando

Que mais posso pedir depois de sair para uma volta a pé e me deparar com esta Sintra, brilhante, vibrante de cor,  suave de luz, com o Sol a despertar e sem a gente que ainda não despertou ou que está tão atarefada, que fica sem tempo para a contemplar.

Fracas as minhas palavras para beleza das imagens que vos deixo, AQUI pelo que as faço acompanhar com a força das palavras da poesia "Outono" de Miguel Torga.

20251109_162440.jpg

Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

07
Nov25

Sintra Património Mundial

Na Categoria Paisagem Cultural


Vagueando

Desafio Uma foto Um texto de IMSilva

Blank 3 Grids Collage (1).png

 

A foto documenta a última inovação para se apreciar tranquilamente e no sofá a paisagem cultural de Sintra. A primeira tentação é culpar os serviços de limpeza,  a segunda tentação é culpar a Câmara, a terceira é culpar a falta de fiscalização.

Por mim fico-me pela falta de civismo, não vivemos num estado policial, nem tão pouco os serviços de limpeza servem para este tipo de limpeza e higiene.

Contudo,  existe um serviço de recolha de monos em Sintra que efectua a recolha deste tipo de equipamentos, que não terá sido requisitado uma vez que o depósito do mono deve ocorrer na véspera da recolha e estes dois sofás já se encontram no local há algumas semanas.

26
Out25

Ranholas - Sintra


Vagueando

Vou voltar ao tema de Ranholas por duas razões;

Primeiro - porque vai tomar possse o novo Presidente da Câmara Municipal de Sintra - Dr Marco Almeida e espero que desta vez seja resolvida a questão do trânsito dentro de Sintra, nomeadamente dentro da localidade de Ranholas onde o IC19 há muito já não devia desembocar.

Já abordei este tema num post de 03/10/2022, ou seja há mais de três anos, com o título Ranholas

Segundo - porque foi criada em Outubro de 2024 uma petição pública que tem a ver com Ranholas, com o título "O Larmanjat é um património de Ranholas Sintra" com o objectivo de não se perder esta ligação histórica desta localidadde ao primeiro comboio que chegou a Sintra em 1873 e que de algum modo se ligou à história das queijadas mais antigas de Sintra, as queijadas da Sapa, tema que abordei em Fevereiro de 2020 no post Divagações, histórias e estórias sobre as queijadas da Sapa.

Para quem desconhece a história do Larmanjat e das suas peripécias, deixo aqui também um link do autor do blog Histórias com História, que documenta e ilustra de forma muito bem conseguida, a história do Larmanjat no post com o título Caminho de Ferro Monocarril Sitema Larmanjat em Portugal e que dedica uma descrição pormenorizada da passagem deste comboio por Ranholas, nomeadamente na rua referida na petição pública acima sssinalada.

 

 

17
Out25

Casamento toponímico


Vagueando

Desafio Uma foto Um texto de IMSilva

Quando a Serra de Sintra estava ainda despida de vegetação e coberta de pedra e onde foram deixados vestígios a ocupação romana, cirandavam à sua volta carreiros cruzando-se no seu sopé. Os carreiros foram as primeiras vias de comunicação conhecidas. Eram percorridos a pé e por animais que ajudavam os humanos a transportar os seus parcos haveres.

Já me falaram, mas não consegui comprovar, que descendo as Escadinhas da Vigia, passando pela Travessa dos Avelares, atravessando depois a Calçada de S.Pedro, em direção às Escadinhas de Stª Maria, passando pela igreja com o mesmo nome, de onde parte uma subida ingreme (Rampa do Castelo) até ao Castelo dos Mouros, terá sido o primeiro caminho de acesso a este monumento.

Ainda hoje este percurso só é possível fazer a pé.

Com a existência de povos nómadas e invasões, os carreiros foram tornando-se mais visíveis eventualmente mais largos, aparecendo por vezes veredas que serviam de atalhos entre os carreiros. A multiplicidade de carreiros cruzavam-se em diversos pontos de Sintra.

A orientação para que usava estes carreiros era crucial, na medida em que os mesmos não possuíam qualquer sinalização.

O crescimento da população, transformou carreiros em caminhos, estes em estradas, estas em avenidas, à medida que passaram a ser utlizados por mais gente, por mais veículos de tração animal e posteriormente, por veículos de combustão.

20251017_080940.jpg

As ruas com nome começaram a ser conhecidas pelos negócios que as ocupavam. É comum ainda hoje termos ruas designadas por Rua dos Mercadores (Porto), Rua dos Correeiros (Lisboa). Posteriormente, com os estudos desenvolvidos sobre a origem dos lugares – Toponímia – começou-se a atribuir nomes de personalidades ilustres às ruas do País.

Ainda que pertencendo ao Século passado, estas duas placas toponímicas de Sintra tão juntinhas, distinguem uma Avenida de um Largo.

Vai daí, pelo poder que me foi instituído pela Imaginação, já que estão aqui juntas e sempre se deram bem, resolvi celebrar hoje o casamento do Largo com a Avenida.

Afinal o Largo resulta da confluência de vários carreiros em Sintra e a Avenida resulta da evolução de um ou mais carreiros, que necessitaram de ser alargados para deixar avançar a civilização.

Fica aqui registada em foto a união hoje celebrada por mim, das duas placas toponímicas.

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