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Generalidades

Generalidades

06
Jan23

Cabeleira Sportinguista


Vagueando

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Hoje ao vaguear por Sintra, como eu adoro vaguear a pé por Sintra, já que o trânsito dentro desta bela vila, onde tenho o prazer de residir, me irrita solenemente.

Esta irritação deriva do estacionamento se fazer sem respeito por outros automobilistas e por peões, já para não falar no desrespeito pelo Código da Estrada e onde a única coisa que parece interessar é o negócio gerado pelo escasso estacionamento pago, tal é a fúria com que se fiscaliza este e o desleixo com se deixa acontecer o que efectivamente gera problemas de fluidez e coloca em causa a segurança dos peões.

Mas pronto isto foi um desabafo.

Centro-me agora na verdadeira essência do que me levou a escrever hoje. Claro que foi uma foto, a foto acima. Olhei para este muro, naquele momento, naquele exato momento em que o Sol fazia brilhar a mini cabeleira deste muro e pimba, sai o disparo.

Acho que sou um caçador de imagens, passo pelo mesmo local meses a fio e de repente descubro que pode estar ali uma coisa diferente. Já perdi a conta quantas vezes passei por este muro, mas hoje estava verdadeiramente diferente.

Daí que o fotografei e fiquei a observar a foto, que gostei de imediato, mas queria atribuir-lhe outro significado. Vai daí lembrei-me das poucas pessoas que conheço dentro da comunidade Sapo. Como sei que pelo menos uma é do Sporting e se chama José, resolvi atribuir o título de "Cabeleira Sportinguista", a esta foto.

Bem sei que o verde é ligeiramente diferente, a luz do Sol dá-lhe outra tonalidade e outro brilho, mas que é verde é. 

Só peço desculpa não pedir que o clube brilhe este ano como esta cabeleira, porque, com todo o respeito, não é o meu clube do coração.

 

 

01
Jan23

Já cá canta mais um


Vagueando

 

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Hoje é o primeiro dia do ano de 2023.

Mais um ano que será igual a todos os outros, na medida em que continuará a haver mortes e nascimentos, ganância e bondade, guerras e ou conflitos e paz, demissões de ministros e secretários de estado e nomeação de novos, quedas de governos e posse de novos, acidentes rodoviários, mais derivados de irresponsabilidade de quem conduz do que causas fortuitas que só gerarão exigência de responsabilidade, caso envolvam alguma figura pública .

No final do ano as estatísticas, obtidas pela recolha de dados através de métodos cientificos/matemáticos e certas porque estão validades pelas ciências ditas exatas, servirão para demonstrar ao nível político, a incompetência de quem nos governou e evidentemente, a competência de quem, estando na oposição, indicava outro caminho.

Não há volta a dar, é sempre assim, só não percebo é porque quando os governos mudam apenas se aletram os discursos e as culpas.

Bom isto foi só um desabafo, agora vamos ao que interessa e ao que trouxe até aqui.

Hoje repeti o meu ritual, que consistiu em sair de manhã cedo, observar o primeiro dia do ano, sem gente na rua e conclui que estando tudo igual, está tudo tão diferente.

A rua vazia fez-me lembrar os tristes dias dos confinamentos, mas mesmo estando vazia sentia-se vida, a vida que dormia, que descansava depois de uma noite de folia. A humidade assente no chão deixava ver sulcos de automóveis que por ali circularam durante a noite, a infeliz lixeira que muitos foliões largam nos passeios, para depois com o ar mais cândido deste mundo, carregado de direitos cívicos, alegam que têm direito a ruas limpas.

Até as árvores se bamboleavam de forma diferente alegradas pelo vendo moderado que se fazia sentir.

O comércio fechado mas com o letreiro a indicar que “estamos encerrados dia 1 de janeiro", lembram-nos que amanhã lá estarão de novo para nos receber. É como se as portas não estivessem fechadas mas apenas encostadas à espera de serem  empurradas e puxadas de novo, pelo vaivém do entra e sai.

Este passeio matinal, sozinho, pelas ruas de Sintra, fez-me sentir vivo e acompanhado mesmo sem ver ninguém porque sabia que ali por trás daquelas portas, daquelas janelas, daquelas paredes há gente que daqui a pouco sai à rua para confirmar se 2023 efetivamente chegou.

Eu fui o primeiro a confirmar, sinto-me assim como aqueles carolas que vão à praia tomar o primeiro  banho do ano.

Certamente nos encontraremos por aqui, porque ainda não perdi (vamos ver até quando) a vontade vaguear.

Bom Ano de 2023.

16
Dez22

Sintra mais uma vez


Vagueando

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A minha paixão por Sintra condede-me o privilégio de poder andar a pé a diferentes horas do dia por esta vila magnífica. Este fim de tarde de inverno, com frio e chuva, permitiu que, por breves instantes, as nuvens deixassem que o Sol, na sua despedida, espreitasse a Serra.

Se o amor é fogo que arde sem se ver, este espetáculo de fogo, sem arder, é o amor que Sintra merece ter.

 

20
Out22

(A)linha!


Vagueando

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Fim do dia, últimos raios solares, estou sentado em casa com tempo, a desfrutar o tempo sem o contar ou com a preocupação de que não o tenho para fazer isto ou aquilo, mas que disponho dele para, obviamente, não fazer nada.

E então descobri que não fazer nada cansa.

Mais que não seja de tédio.

Devia de perceber os desportistas mas não.

Isto porque vão para o ginásio correr no tapete elétrico, em que a energia gasta por este último é superior à energia consumida por quem o usa. Gostava mais de os ver a correr em tapetes rolantes que se movessem com o seu esforço e que este movimento produzisse eletricidade em vez de a gastar.

Desculpem o desvario, mas isto de estar sentado, a pensar na morte da bezerra, no meu caso, dá-me para isto.

Voltando ao dolce far niente . Desfruto da vista para a janela, não há nevoeiro, tão típico de Sintra, vou observando as tonalidades do céu ao por do Sol, deslumbro-me.

Ao longe observo um avião, certamente voa em cima do mar, a mais ou menos 20km de distância da minha janela, ali ao largo da Praia Grande, segue em direção a Norte.

Sigo-o com o olhar, dentro dos limites da minha janela, imagino de onde vem para onde vai, sem querer saber se quem lá vai, vai de férias ou vai em trabalho ou se afinal, vai de volta a casa.

O que lá vai, lá vai, seguramente que a noção de tempo daqueles passageiros será mais longa ou mais curta se estão de férias ou em trabalho.

Por maior que fosse a minha janela, mesmo que fosse do tamanho do horizonte, aquela máquina voadora sairia – como saiu - do meu campo de visão, mas isso não impediu que deixasse a prova da sua passagem, o rasto de condensação ou a esteira de condensação.

Como se fosse um Polícia, resolvi fotografar a prova e como se fosse Polícia, publico a prova com a legenda “Procura-se”.

Procura-se o autor deste rasto – Poluidor para muitos – beleza para tantos outros.

Uma linha reta, do ponto de vista geométrico, é ilimitada e infinita, logo não é possível determinar o seu comprimento.

Contudo, este rasto, este pedaço de linha reta, ainda que fosse muito maior do que a minha lente conseguiu captar, não é mais que um segmento da linha que separa a origem e o destino deste voo, quiçá, ultrapassando vários fusos horários e fronteiras.

Esta é afinal, a linha que deu origem as despedidas e vai dar origem a saudações e reencontros, a linha da condensação deixa no céu a prova da passagem de gente, de cabeça no ar, que anseia por ter os pés bem assentes no chão.

Não resisto a citar uma frase Mário Quintana, não só porque a acho perfeita, mas também porque encaixa bem neste texto. “O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.”

Ao fotografar esta linha percebi o sentimento do grande fotógrafo Henri Cartier-Brensson quando afirmou que “ Fotografar, é colocar na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração”.

E assim, nesta linha está a minha cabeça, os meus olhos e o meu coração e ainda cabem as cabeças, os olhos e os corações de todos os que passaram nesta altura, à altura de aproximadamente 33 mil pés, cerca de 10.000m, dentro daquele avião que já passou, ao passar pela minha janela.

18
Out22

Sintra Património Mundial da Humanidade!


Vagueando

Alturas houve em que toda a gente dizia mal dos táxis, melhor dos taxistas.

Contudo, (não estou a fazer a defesa dos taxistas, nem tão pouco a fazer o contrário) os taxistas são sujeitos a uma série de exames prévios para obterem as licenças que lhes permite transportar passageiros. O mesmo se passa com os candidatos a condutores de transportes públicos.

De repente eis que surgem, não sem polémica, a Uber, os tuk tuk, os veículos de animação turística, as trotinetas etc. 

Implantaram por todo o lado de acordo com as regras de mercado, não necessáriamente de acordo com a legislação em vigor nos vários países europeus e a lei foi obrigada a ajustar-se depois de se estar perante um facto consumado, apenas e só para garantir que podem exercer a actividade (à balda).

E se os condutores de trotinetas não fazem serviço de transporte de passageiros, exceto aquelas que levam o condutor e mais um passageiro, o que até é proibido, mas isso nãointeressa nada, lá está a lei a estorvar, os restantes fazem, efetivamente, transporte de passageiros. Não obstante, os condutores de trotinetas são grandes angariadores do serviço para os transportadores de pessoas ao hospital.

Ainda assim, parece-me que o problema maior reside nos condutores destes veículos (os tais que não foram sujeitos às regras dos taxistas) que transportam pessoas, mas não lhes oferecem segurança, antes pelo contrário e a lei mostra-se incapaz de os fazer cumprir as regras mínimas de segurança.

As primeiras sete fotos abaixo, são apenas um exemplo que se repete diariamente em Sintra, onde a linha contínua no pavimento, numa estrada com dois sentidos, não é respeitada por estes condutores, colocando em risco não só os passageiros que transportam mas todos os utentes que por aqui circulam. 

O condutor deste tuk tuk, transportando pessoas/turistas, ultrapassa vários veículos que circulam em fila, acabou de praticar  uma contraordenação muito grave, nos termos do artigoº 146, alínea o) do CE e poderá ser sancionado com uma coima entre os 49,88 euros e os 249,40 euros, nos termos do artigoº 65.º, alínea a) do Decreto-lei 22-A/98, de 1 de outubro. Mas não há quem fiscalize, logo, reina a impunidade.

Mais grave, isto não é o ato isolado, e também ocorrem noutros locais sem qualquer visibilidade mas que a CMSintra insiste em permitir a ultrapassagem através das pinturas no pavimento, como se comprova na última foto. Acresce a tudo isto,  a circulação destes veículos por ruas onde o acesso lhes está vedado.

Quando vier a Sintra, antes de dar uma volta nestes veículos pense nisto, afinal a vida é sua.

Foi para isto que se classificou Sintra como Património Mundial da Humanidade?

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03
Out22

Ranholas


Vagueando

Ranholas é a principal porta rodoviária de entrada em Sintra. Chega-se apressado, do IC19, com três faixas de rodagem, para desembocar mesmo no limite nascente desta localidade. E chega-se apressado porque o limite de velocidade, antes de chegar ao local da foto abaixo é de 100 km/h.

Este risco indesculpável foi reportado à Infraestruturas de Portugal em Março de 2021, Processo 2021REC01422. Em 01/04/2021, recebi a seguite resposta deste organismo; "Esclarecemos que sendo uma zona de transição de gestão da via entre a IP e o município de Sintra, vamos proceder à alteração da sinalização vertical de forma a resolver a situação o mais rapidamente possível."

Talvez porque a resposta da Infraestruturas de Portugal foi transmitida no dia das mentiras, explique o facto de, até agora, nada ter sido corrigido.

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É aqui que as três faixas de rodagem do IC 19  se transformam apenas numa, as outras duas, uma segue para Cascais (via A16), a outra segue em direção às praias de Sintra . É por dentro desta localidade que se acede ao centro de Sintra. (Atente-se no limite de velocidade, já lá irei).

A toponímia  Ranholas, ao contrário do que se pensa, nada tem a ver com ranho ou ranhoso, mas sim com o diminutivo de "ranha" termo que é usado em Portugal e na Galiza para designar declive no leito de um rio - "José Pedro Machado Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa." 

E por se tratar de uma pequena localidade, não se pense que não tem a sua importância na historia de Sintra, porque tem e muita. Foi em Ranholas que nasceram as queijadas mais antigas de Sintra, as queijadas da Sapa, pela mão de Maria Sapa. 

"As Queijadas da Sapa tiveram a sua origem em Ranholas em 1756, momento que terá marcado o início da produção industrial de queijadas, com uma produção diária de vinte dúzias, vendidas aos fidalgos que se dirigiam a Sintra.

Em 1887 o comboio a vapor chegou à Estefânia e Ranholas deixou de ser a porta privilegiada de entrada em Sintra, devido à chegada do comboio. Desta forma as queijadas de Maria Sapa, mudam-se então para a Volta do Duche, onde desde então e, passando de geração em geração se mantém até hoje, a produção diária das tradicionais queijadas de Sintra." Ler em comércio com história Queijadas da Sapa.

Em Ranholas, viveu Raul Solnado, até existe uma Avenida com o nome deste artista muito próximo desta localidade e este conhecido artista usou a localidade de Ranholas nas suas paródias, ouvir aqui Raul Solnado Exército de Ranholas

Em Ranholas vive também o conhecido ator Rui Mendes.

O primeiro comboio que chegou a Sintra, em 1873, o Larmanjat, entrava por Ranholas onde tinha uma paragem. Em boa hora, a Pousada da Juventude em Sintra, inaugurada este ano, decidiu atribuir o nome de Larmanjat ao seu café restaurante. Larmanjat.

Estou aqui a vaguear pelo passado para chegar à situação actual da localidade de Ranholas. 

Sendo o IC 19 uma das estradas mais movimentadas do país, o fluxo de trânsito que desemboca em Ranholas é brutal e por isso facilmente se transforma em infernal. O limite de velocidade,  visível na foto acima, nunca é cumprido excepto nos congestionamentos de trânsito, infelizmente  é habitual. Os moradores de Ranholas reclamam e bem, por uma segunda travessia de peões, ainda que de pouco sirva, porque é raro os carros pararem na que existe. Os automobilistas têm medo -fundado, diga-se - de serem abalroados se o fizerem.

Aos Domingos, os motoqueiros passam por Ranholas a velocidades bem superiores ao permitido, ultrapassando ( é proibido ultrapassar dentro desta localiadade) vários carros em simultâneo. Os acidentes são frequentes.

A fiscalização  não existe, quer em termos de controlo de velocidade, quer no toca ao desrespeito diário e frequente do trânsito proveniente de Lisboa,  pela sinalização que proíbe a viragem à esquerda em dois entroncamentos existentes em Ranholas. O piso apresenta-se muitas vezes escorregadio com a humidade que é habitual em Sintra aumento o risco de acidente.

Desconheço se se está a estudar alguma solução para o problema do trânsito desta localidade, mas há uma que, sem necessidade de qualquer obra,  aliviaria bastante o trânsito dentro de Ranholas. 

A solução passaria pela eliminação da portagem entre Sintra e Cascais, uma vez que a maioria do trânsito que provem de Lisboa ,  segue na direção de Cascais. Assim escoaria-se-ia o grosso do fluxo de trânsito pela A16 e não por dentro de Ranholas.

Com esta solução, cada veículo proveniente de Lisboa que segue na direção de Cascais faria  menos dois quilómetros por dia,  um para cada lado, para além de descongestionar o trânsito na localidade e, consequentemente a qualidade do ar, a qualidade de vida das pessoas que ali residem, ainda aumentaria a segurança e fluidez rodoviária.

Segundo um estudo sobre o fluxo de trânsito, levado a cabo pelo IMT, nos primeiros 6 meses de 2021, atravessaram diariamente Ranholas, entre 37 mil a 56 mil veículos. Partindo do pressuposto que metade (é muito mais) se dirige na direção de Cascais, teríamos entre 18 a 28 mil veículos diários fora de Ranholas.

Fazendo uma média, cerca de 12 mil veículos deixariam de atravessar Ranholas todos os dias. Estes 12 mil veículos deixariam de fazer os tais 2km a mais diariamente, ou seja menos 24 mil Km.

Cada carro consome aproximadamente 7 litros aos 100km, diariamente teríamos uma poupança de combustível de 1.680 litros, qualquer coisa como 2.856,00 euros  e ainda uma redução de CO2 na ordem dos 38kg. Anulizando estes valores.

  • Poupança de combustível 613.200 litros
  • Poupança no pagamento do combustível 1.042.440,00 Euros
  • Redução da emissão de gases (CO2) 13.870 kg

Neste caso, a inflação, os custos da guerra, os custos para o ambiente, o custo da importação de combustível, já para não falar da segurança e tranquilidade da população de Ranholas, não serão mais importantes que o custo ambiental que recai sobre todos?

Deixo esta mensagem, porque estou de acordo com o Presidente da República, deve-se explicar aos portugueses, o que aí vem, nomeadamente as consequências da inflação, da guerra e da gula financeira, (ah isto de falar da gula financeira não é politicamente correto)  cujo impacto se refletirá negativamente na vida das pessoas.

Entretanto, como não sou Presidente da República, reconheço que não tenho estaleca sequer para poder candidatar-me, limito-me a alertar para o que já cá está e, como nos podemos enganar uns aos outros com uns galardões.

Se Sintra, mesmo com este problema consegue ser um dos 100 destinos mais sustentáveis Sintra destino sustentável, parece-me que a tarefa de querer salvar o planeta uma utopia. 

Até porque o planeta está-se marimbando para nós, porque ele fica, com bom ou mau ambiente, nós é que podemos desparecer.

Nota Posterior à data do post (17/10/2022) - Entretanto leio o artigo, A Batalha do Nosso Futuro, de Diogo Queiroz de Andrade, na revista do Expresso, Edição 2607, de 14 de Outubro de 2002 e fiquei totalmente esclarecido sobre a questão ambiental , na versão de uma corrente de gente rica, denominada "longtermism" e fiquei esclarecido sobre todas as questões ambientais. Sugiro a leitura, mais que não seja, para ficarem a saber como o Mundo dos "influencers" ricos funciona.

 

 

 

19
Set22

Encontro de raridades em Sintra e um fenómeno


Vagueando

 

Sintra é conhecida, mesmo em pleno Verão, pelo seu microclima, nevoeiro, frio, humidade, chuva e vento, em especial de manhã e nos finais de tarde.

Talvez por isso, muitos espetáculos ao ar livre são cancelados devido a este microclima.

Contudo, tal como apregoavam os cauteleiros antigamente (agora as cautelas até já nos são impingidas nos balcão dos CTT) há horas de sorte e ontem, em Monserrate, não foi só uma hora de sorte, foi um final de dia fantástico.

Isto porque;

  • A temperatura estava excelente.
  • Não havia nevoeiro.
  • A despedida do Sol foi incrivelmente bela.
  • Não estava vento, nem sequer uma brisa.
  • O Teor de humidade era baixo.
  • A luz estava fantástica, a chuva caída na semana passada limpou toda a poeira do ar, aumentando a qualidade dos raios solares em todo o parque.
  • Esteve presente o fenómeno do piano - Mário Laginha - que acrescentou à beleza paisagística do anfiteatro relvado de Monserrate, a beleza musical .

Sintra é sempre uma descoberta, até para mim, residente há 64 anos, nunca tinha visitado o parque no final do dia e ainda por cima nestas condições.

Porque se trata de uma raridade, partilho convosco as fotos do evento.

https://photos.app.goo.gl/inAbWAbAP1YvdaK2A

 

24
Jul22

As histórias e toponímias que cabem em 692 metros da Rua Albino José Batista - Sintra


Vagueando

Placa Fim da rua.jpg

A Rua Albino José Batista, com 692 metros de comprimento e de largura irregular, inicia-se junto ao Jardim da Vigia e termina na Estrada de Chão de Meninos, junto à Casa das Queijadas do Preto.

A história (possível) sobre esta rua, completa uma trilogia de posts que já escrevi, ligando assim as histórias do Jardim da Vigia Ler aqui  e da Casa das Queijadas do Preto Ler aqui.  Nasceu de uma conversa com D. Carlota, 86 anos, a sua habitante mais velha, residente na mesma há 64 anos, que me disse com a certeza de uma memória fresca e bem viva, que antigamente se chamava Rua Campo do Arrabalde.

Não existe na CM de Sintra qualquer registo sobre a atribuição desta toponímia à rua, ainda que tenham indicado que este topónimo seja anterior a 1969, data a partir da qual estes registo foram organizados.

José Alfredo da Costa Azevedo, ex-presidente da CM Sintra, refere no seu livro Bairros de Sintra, que o comerciante lisboeta com o mesmo nome, residiu nesta rua, sendo que, segundo a D. Carlota, viveu no nº 47, na altura Vila Eliza e atualmente Vila Stª Maria.

Albino José Batista, fundou em 6 de Julho de 1876, uma loja na Rua Nova do Almada, nº 92, razão pela qual lhe atribuiu o nome de Loja 92, especializada em artigos de senhora. Sugiro uma consulta ao blogue Restos de Coleção neste link Albino J Batista

Curioso é o facto do dia da inauguração da loja (dia 6) e nome atribuído à mesma (92), formar o número igual ao comprimento da rua com o seu nome, os tais 692 metros.

Para confirmar a informação dada pela D. Carlota, recorri a documentos da família da minha mulher e de alguns dos moradores, que me deram acesso a escrituras e contribuições prediais dos anos 30 e até mesmo anteriores. Desta consulta conclui que a rua era designada por Campo do Arrabalde ou Sítio do Campo do Arrabalde e também, popularmente por Rua Bairro do Ingleses e que os terrenos que a ladeavam eram conhecidos por Terras de Cima e Terras de Baixo.

Deduzo que a designação oficial seria mesmo Rua Campo do Arrabalde, isto porque a história contada pela D. Carlota parece confirmá-lo; Quando esta necessitou de realizar um acto público que envolvia a sua casa, referiu que se situava na Rua Bairro dos Ingleses, toponímia que não constava oficialmente e que impediu a realização deste ato. Neste sentido, foi obrigada a fazer um novo registo da casa na Rua Campo do Arrabalde.

Num testamento de 1950 de um familiar da minha mulher, faz-se referência a uma casa situada no Campo do Arrabalde (não referia rua) ou Bairro dos Ingleses. Por curiosidade, nesse mesmo testamento, também é referida uma casa na Escadinhas do Arrabalde, as quais, em sessão de Câmara de 16 de Abril de 1955, adotaram a toponímia de Escadinhas da Vigia, sendo que estas Escadinhas começam junto ao Miradouro da Vigia, onde se inicia também a Rua Albino José Batista.

O Arrabalde, começava no Largo Sousa Brandão (local onde existia uma Casa de Cantoneiros, transformada em Posto de Turismo de Sintra) e estendia-se para nascente, abrangendo toda esta zona onde se situa a rua e o jardim.

Há cerca de 7 anos, cruzei-me na rua Albino José Batista, com um casal italiano que me perguntou onde era a Vila Alecrim do Norte. Disse-lhes que não havia nenhuma Vila com este nome, nesta rua.

Perante a sua insistência e convicção inabalável de que estavam certos, tinham viajado propositadamente até Sintra para ver o local, telefonei à minha mulher, nascida nesta rua e perguntei-lhe onde era esta Vila. A resposta foi, para minha vergonha e contentamento do casal, que era muito perto do local onde tinha nascido e pela sua explicação percebi que estávamos mesmo à porta da Vila Alecrim do Norte e, pela primeira vez em muitos anos, reparei que estava lá escrito Vila Alecrim do Norte.

Curioso, perguntei-lhes a razão do seu interesse para viajar de Itália em busca deste local. Referiram-me que leram um livro cujo título era o “Diário de Sintra”, que relata a experiência de 3 jovens ingleses S. Spender, C. Isherwood e W.H.Aunden, que viveram nesta casa ente Dezembro de 1935 e Agosto de 1936.

Efectivamente nos anos 30 e até aos anos 70, viveram nesta rua vários ingleses, nomeadamente na Casa Cerrado da Eira e na Vila Alecrim do Norte, que conviveram com portugueses, alguns dos quais ainda vivos.

No Cerrado da Eira vivia a Srª Enid Mitchell, que manteve com os habitantes portugueses uma excelente relação de amizade e até de solidariedade social, chegando a doar casas a alguns deles, quer nesta rua quer em ruas adjacentes, alguns dos quais ainda as habitam. No alto de S.Pedro, mesmo junto à escola, existia uma taberna conhecida por Carlos Mitchell, dado que o dono, o Sr Carlos, chegou a ser motorista da Sra Mitchell.

Enid Mitchell pintava quadros com motivos de Sintra e foi a mentora de um pintor natural de S.Pedro de Penaferrim, Pinheiro de Santa Maria, que foi viver para os Açores, nos anos 70,  mais precisamente na Ilha Graciosa, infelizmente, falecido já no decorrer de 2022.

Devido à “colónia” de ingleses a viver nesta rua e arredores, conta-se que foi um dinamarquês de nome Anderson, residente na casa conhecida por Achadinha, com acesso quer por esta rua como pela Rua Dr. José Neto Milheiriço, que resolveu “batizar” a rua, com o nome de Rua Bairro dos Ingleses, e terá mesmo colocado uma placa com esta designação.

Não estava mal visto e parecia fazer sentido e não terá havido contestação popular ou eventualmente, dos serviços oficiais, pelo que a designação pegou!

A toponímia não oficial de Rua Bairro dos Ingleses, explica-se então assim.

Nos anos 30, vieram viver para uma casa, alugada pela Srª Mitchell, a Vila Alecrim do Norte, os 3 jovens escritores ingleses, Stephen Spender, Christopher Isherwood e Wystan Hugh Aunden. Este jovens fugiam do preconceito existente em Inglaterra sobre os homossexuais e vieram para Sintra em busca da tranquilidade e inspiração que lhes permitisse escrever obras teatrais e poesia e que mais tarde concretizaram.

Enquanto habitaram esta casa, entre Dezembro de 1935 e Março de 1936, escreveram um diário (Diário de Sintra) que deu origem a um livro, editado em italiano e traduzido para espanhol. Este livro só foi possível após o filho de Stephen Spender, Mattew Spender, radicado em Itália, ter descoberto por volta de 2012, o diário escrito pelo seu pai, enquanto aqui viveu.

Depois da história contada pela D. Carlota, resolvi procurar o livro, o qual, infelizmente não está traduzido para português, e adquiri a versão espanhola.

Ao ler as histórias foi como tivesse visto filme da época, a forma como os ingleses nos viam “os portugueses eram engraçados e simpáticos, dado que em Inglaterra segue-se a tradição de que todos os estrangeiros não o são”, e as tarefas levadas a cabo por estes ingleses, que iam desde a construção de casotas em madeira para acolher a criação de coelhos, à construção de galinheiros para criação de galinhas, à construção de um canil, para além das tarefas de jardinagem e, pelo meio, iam escrevendo, quer o diário, quer outras obras.

C.Isherwood escreve uma carta à sua mãe em Dezembro de 1935, que consta do livro, a relatar que encontraram casa em Sintra, mais precisamente a Vila Alecrim do Norte e chama a atenção da mãe para a morada que segue na carta. Infelizmente, pese embora tenha conseguido contatar Matthew Spender, não foi possível apurar qual a rua ou local que era referido naquela carta.

Segundo o Diário de Sintra, Enid Mitchell terá referido aos jovens ingleses que foi a segunda mulher a tirar a carta de condução em Portugal.

Enid Mitchell, viveu com os pais em Portugal, com o início da guerra vai para Inglaterra servir o seu país como enfermeira regime de voluntariado e regressa a Portugal com o fim da mesma.

Após a morte dos seus pais, vende a casa onde viviam, “O Cerrado da Eira”, a outro inglês o Senhor Shaw e vai viver numa pequena casa que autonomizou do Cerrado da Eira, com uma criada portuguesa, de nome Domingas. Esta casa foi deixada em testamento à sua criada Domingas que, por sua vez, a deixou em testamento a outro habitante de S. Pedro que ainda nela reside.

Quando se dá o 25 de Abril em Portugal, Shaw decide vender "O Cerrado da Eira", que foi comprado pela família Rocha Neves, cujos herdeiros a habitaram até há pouco tempo.

Regressando à toponímia Albino José Batista. Existem mapas camarários, um dos quais editado pela C.M. Sintra em 1978, que relativamente a esta rua, coincide com outro publicado na página 304, do livro de José Alfredo da Costa Azevedo – Bairros de Sintra, que mostram que a rua Albino José Batista, não chegava até à Casa das Queijadas do Preto, onde hoje termina.

Principiava igualmente junto ao Jardim da Vigia, mas terminava no final da Travessa da Boavista. E era esta Travessa da Boavista que ia terminar em Chão de Meninos, junto à Casa das Queijadas do Preto. (ver foto abaixo)

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A azul a extensão da Rua Albino José Batista no mapa da CMSintra de 1978.

A vermelho a Travessa da Boavista no mesmo mapa

A verde a atual Rua Albino José Batista

Ainda assim, em conversas tidas com alguns residentes das redondezas asseguraram-me que a parte final da rua, ou seja, junto à Casa das Queijadas do Preto, não era a Travessa da Boavista, mas sim Rua do Forno da Cal, dada a existência de um forno mesmo junto ao parque de estacionamento da desta casa de queijadas.

Como já referi acima as pesquisas que efectuei, na CMSintra, Biblioteca Municipal e no Arquivo Histórico da Câmara, não consegui apurar, quando é que foi atribuída a toponímia Albino José Batista, muito menos se se estendeu até Chão de Meninos. Nem tão pouco a empresa que fez as placas toponímicas, Cerâmica Isabel Garcia, me conseguiu esclarecer. A ser verdade que a Travessa da Boa Vista se estendia até à Casa das Queijadas do Preto, também faria sentido, não só devido à existência da Quinta da Boavista, mas também porque que nalguns locais da rua é possível ter uma excelente vista, para Norte e Poente. À vista desarmada é possível ver as Berlengas, o Convento de Mafra e a serra de Montejunto.

Diz o povo e muito bem, como posso confirmar, que quando daqui se avista as Berlengas (normalmente a bruma ou o nevoeiro o impedem) é sinal de chuva o que é verdade.

Para baralhar ainda mais esta história, um contrato de promessa de compra e venda, datado de 30 de Novembro de 1979, que também consultei, faz-se referência a um mesmo imóvel, como estando em ruas diferentes. Efectivamente o promitente-comprador era o arrendatário do andar superior, é referido no contrato como estando sedeado na Rua Albino José Batista e o imóvel completo, é referido no mesmo contrato como estando sedeado na Rua Bairro dos Ingleses.

Em resumo; Parece não existir dúvidas que a Rua Albino José Batista recebeu esta toponímia devido ao facto de este comerciante aqui ter vivido e não teria a extensão atual. Anteriormente seria era designada por Rua Campo do Arrabalde, conhecida popularmente por Rua do Bairros dos Ingleses. Mais tarde, penso que nos anos 70, especulo eu, que a CM de Sintra terá constatado que a residência do referido comerciante estava localizada não na rua com o seu nome, mas sim na Travessa da Boavista ou Rua do Forno da Cal e resolveu prolonga-la. Lembro perfeitamente de ser colocada a placa toponímica junto à Casa das Queijadas do Preto, ainda que não consiga datar o acontecimento.

Já que a Rua principia junto ao jardim da Vigia e porque estamos a falar de uma contadora de histórias invisual, vai para 10 anos, no decorrer das conversas, a mesma perguntou-me pela pedra dos Cinco Dedos que era visível deste Jardim quando foi inaugurado em Maio de 1939, (ver foto abaixo do local onde foi construido o Jardim da Vigia e onde é possível ver a pedra dos cinco dedos).

Arrabalde.jpg

 

Disse-lhe que a pedra não se vê.

Respondeu-me, que era impossível aquela mão de pedra é tão grande, não me diga que caiu.

Não D. Carlota, não caiu, foram as árvores que cresceram muito e a taparam.

Ficou triste!

Sendo a cegueira uma doença, infelizmente no caso da D. Carlota incurável, ela não esperava que natureza cegasse todos aqueles que ainda vendo, já não conseguem ver a pedra dos cinco dedos.

25
Mai22

Trânsito em Sintra


Vagueando

20220525_105823.jpg

De tempos a tempos dedico-me a consultar as edições mais antigas do Jornal de Sintra, algumas do tempo em que nem sequer ainda tinha nascido, como é o caso desta. A notícia acima veio publicada, neste jornal, no número 757, de 01 de Agosto de 1948.

Setenta e quatro anos depois, com a brutal evolução educacional, eis que estrangeiros, supostamente sempre mais respeitadores das regras que nós portugas,  imitam hoje,  os nossos comportamentos de 1948.

20220427_092245_LI.jpg

Isto não quer dizer que os nacionais, residentes ou não, tuk tuk's e afins, não façam o mesmo. Apenas achei interessante, daí ter fotografado, os estrangeiros, que tanto nos criticaram e criticam (ainda me lembro muito bem " do gastar tudo em copos e mulheres") fazerem o mesmo, ao contrário daquilo que fazem nos seus próprios países.

Para além da coincidência de comportamentos, falta de respeito pelos passeios ou passagens de peões, estacionando do lado esquerdo e a ocupar parte da faixa de rodagem, dificultanto o trânsito, coincide também o facto de (infelizmente) a fiscalização policial atualmente também ser escassa, em contraste com a fiscalização regular e intensiva que se faz aos lugares de estacionamento pago, sendo certo que estes lugares, não causam nem insegurança, nem prejudicam a fluidez do tráfego.

 

 

 

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