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Generalidades

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24
Jul22

As histórias e toponímias que cabem em 692 metros da Rua Albino José Batista - Sintra


Vagueando

Placa Fim da rua.jpg

A Rua Albino José Batista, com 692 metros de comprimento e de largura irregular, inicia-se junto ao Jardim da Vigia e termina na Estrada de Chão de Meninos, junto à Casa das Queijadas do Preto.

A história (possível) sobre esta rua, completa uma trilogia de posts que já escrevi, ligando assim as histórias do Jardim da Vigia Ler aqui  e da Casa das Queijadas do Preto Ler aqui.  Nasceu de uma conversa com D. Carlota, 86 anos, a sua habitante mais velha, residente na mesma há 64 anos, que me disse com a certeza de uma memória fresca e bem viva, que antigamente se chamava Rua Campo do Arrabalde.

Não existe na CM de Sintra qualquer registo sobre a atribuição desta toponímia à rua, ainda que tenham indicado que este topónimo seja anterior a 1969, data a partir da qual estes registo foram organizados.

José Alfredo da Costa Azevedo, ex-presidente da CM Sintra, refere no seu livro Bairros de Sintra, que o comerciante lisboeta com o mesmo nome, residiu nesta rua, sendo que, segundo a D. Carlota, viveu no nº 47, na altura Vila Eliza e atualmente Vila Stª Maria.

Albino José Batista, fundou em 6 de Julho de 1876, uma loja na Rua Nova do Almada, nº 92, razão pela qual lhe atribuiu o nome de Loja 92, especializada em artigos de senhora. Sugiro uma consulta ao blogue Restos de Coleção neste link Albino J Batista

Curioso é o facto do dia da inauguração da loja (dia 6) e nome atribuído à mesma (92), formar o número igual ao comprimento da rua com o seu nome, os tais 692 metros.

Para confirmar a informação dada pela D. Carlota, recorri a documentos da família da minha mulher e de alguns dos moradores, que me deram acesso a escrituras e contribuições prediais dos anos 30 e até mesmo anteriores. Desta consulta conclui que a rua era designada por Campo do Arrabalde ou Sítio do Campo do Arrabalde e também, popularmente por Rua Bairro do Ingleses e que os terrenos que a ladeavam eram conhecidos por Terras de Cima e Terras de Baixo.

Deduzo que a designação oficial seria mesmo Rua Campo do Arrabalde, isto porque a história contada pela D. Carlota parece confirmá-lo; Quando esta necessitou de realizar um acto público que envolvia a sua casa, referiu que se situava na Rua Bairro dos Ingleses, toponímia que não constava oficialmente e que impediu a realização deste ato. Neste sentido, foi obrigada a fazer um novo registo da casa na Rua Campo do Arrabalde.

Num testamento de 1950 de um familiar da minha mulher, faz-se referência a uma casa situada no Campo do Arrabalde (não referia rua) ou Bairro dos Ingleses. Por curiosidade, nesse mesmo testamento, também é referida uma casa na Escadinhas do Arrabalde, as quais, em sessão de Câmara de 16 de Abril de 1955, adotaram a toponímia de Escadinhas da Vigia, sendo que estas Escadinhas começam junto ao Miradouro da Vigia, onde se inicia também a Rua Albino José Batista.

O Arrabalde, começava no Largo Sousa Brandão (local onde existia uma Casa de Cantoneiros, transformada em Posto de Turismo de Sintra) e estendia-se para nascente, abrangendo toda esta zona onde se situa a rua e o jardim.

Há cerca de 7 anos, cruzei-me na rua Albino José Batista, com um casal italiano que me perguntou onde era a Vila Alecrim do Norte. Disse-lhes que não havia nenhuma Vila com este nome, nesta rua.

Perante a sua insistência e convicção inabalável de que estavam certos, tinham viajado propositadamente até Sintra para ver o local, telefonei à minha mulher, nascida nesta rua e perguntei-lhe onde era esta Vila. A resposta foi, para minha vergonha e contentamento do casal, que era muito perto do local onde tinha nascido e pela sua explicação percebi que estávamos mesmo à porta da Vila Alecrim do Norte e, pela primeira vez em muitos anos, reparei que estava lá escrito Vila Alecrim do Norte.

Curioso, perguntei-lhes a razão do seu interesse para viajar de Itália em busca deste local. Referiram-me que leram um livro cujo título era o “Diário de Sintra”, que relata a experiência de 3 jovens ingleses S. Spender, C. Isherwood e W.H.Aunden, que viveram nesta casa ente Dezembro de 1935 e Agosto de 1936.

Efectivamente nos anos 30 e até aos anos 70, viveram nesta rua vários ingleses, nomeadamente na Casa Cerrado da Eira e na Vila Alecrim do Norte, que conviveram com portugueses, alguns dos quais ainda vivos.

No Cerrado da Eira vivia a Srª Enid Mitchell, que manteve com os habitantes portugueses uma excelente relação de amizade e até de solidariedade social, chegando a doar casas a alguns deles, quer nesta rua quer em ruas adjacentes, alguns dos quais ainda as habitam. No alto de S.Pedro, mesmo junto à escola, existia uma taberna conhecida por Carlos Mitchell, dado que o dono, o Sr Carlos, chegou a ser motorista da Sra Mitchell.

Enid Mitchell pintava quadros com motivos de Sintra e foi a mentora de um pintor natural de S.Pedro de Penaferrim, Pinheiro de Santa Maria, que foi viver para os Açores, nos anos 70,  mais precisamente na Ilha Graciosa, infelizmente, falecido já no decorrer de 2022.

Devido à “colónia” de ingleses a viver nesta rua e arredores, conta-se que foi um dinamarquês de nome Anderson, residente na casa conhecida por Achadinha, com acesso quer por esta rua como pela Rua Dr. José Neto Milheiriço, que resolveu “batizar” a rua, com o nome de Rua Bairro dos Ingleses, e terá mesmo colocado uma placa com esta designação.

Não estava mal visto e parecia fazer sentido e não terá havido contestação popular ou eventualmente, dos serviços oficiais, pelo que a designação pegou!

A toponímia não oficial de Rua Bairro dos Ingleses, explica-se então assim.

Nos anos 30, vieram viver para uma casa, alugada pela Srª Mitchell, a Vila Alecrim do Norte, os 3 jovens escritores ingleses, Stephen Spender, Christopher Isherwood e Wystan Hugh Aunden. Este jovens fugiam do preconceito existente em Inglaterra sobre os homossexuais e vieram para Sintra em busca da tranquilidade e inspiração que lhes permitisse escrever obras teatrais e poesia e que mais tarde concretizaram.

Enquanto habitaram esta casa, entre Dezembro de 1935 e Março de 1936, escreveram um diário (Diário de Sintra) que deu origem a um livro, editado em italiano e traduzido para espanhol. Este livro só foi possível após o filho de Stephen Spender, Mattew Spender, radicado em Itália, ter descoberto por volta de 2012, o diário escrito pelo seu pai, enquanto aqui viveu.

Depois da história contada pela D. Carlota, resolvi procurar o livro, o qual, infelizmente não está traduzido para português, e adquiri a versão espanhola.

Ao ler as histórias foi como tivesse visto filme da época, a forma como os ingleses nos viam “os portugueses eram engraçados e simpáticos, dado que em Inglaterra segue-se a tradição de que todos os estrangeiros não o são”, e as tarefas levadas a cabo por estes ingleses, que iam desde a construção de casotas em madeira para acolher a criação de coelhos, à construção de galinheiros para criação de galinhas, à construção de um canil, para além das tarefas de jardinagem e, pelo meio, iam escrevendo, quer o diário, quer outras obras.

C.Isherwood escreve uma carta à sua mãe em Dezembro de 1935, que consta do livro, a relatar que encontraram casa em Sintra, mais precisamente a Vila Alecrim do Norte e chama a atenção da mãe para a morada que segue na carta. Infelizmente, pese embora tenha conseguido contatar Matthew Spender, não foi possível apurar qual a rua ou local que era referido naquela carta.

Segundo o Diário de Sintra, Enid Mitchell terá referido aos jovens ingleses que foi a segunda mulher a tirar a carta de condução em Portugal.

Enid Mitchell, viveu com os pais em Portugal, com o início da guerra vai para Inglaterra servir o seu país como enfermeira regime de voluntariado e regressa a Portugal com o fim da mesma.

Após a morte dos seus pais, vende a casa onde viviam, “O Cerrado da Eira”, a outro inglês o Senhor Shaw e vai viver numa pequena casa que autonomizou do Cerrado da Eira, com uma criada portuguesa, de nome Domingas. Esta casa foi deixada em testamento à sua criada Domingas que, por sua vez, a deixou em testamento a outro habitante de S. Pedro que ainda nela reside.

Quando se dá o 25 de Abril em Portugal, Shaw decide vender "O Cerrado da Eira", que foi comprado pela família Rocha Neves, cujos herdeiros a habitaram até há pouco tempo.

Regressando à toponímia Albino José Batista. Existem mapas camarários, um dos quais editado pela C.M. Sintra em 1978, que relativamente a esta rua, coincide com outro publicado na página 304, do livro de José Alfredo da Costa Azevedo – Bairros de Sintra, que mostram que a rua Albino José Batista, não chegava até à Casa das Queijadas do Preto, onde hoje termina.

Principiava igualmente junto ao Jardim da Vigia, mas terminava no final da Travessa da Boavista. E era esta Travessa da Boavista que ia terminar em Chão de Meninos, junto à Casa das Queijadas do Preto. (ver foto abaixo)

20220721_183959.jpg

A azul a extensão da Rua Albino José Batista no mapa da CMSintra de 1978.

A vermelho a Travessa da Boavista no mesmo mapa

A verde a atual Rua Albino José Batista

Ainda assim, em conversas tidas com alguns residentes das redondezas asseguraram-me que a parte final da rua, ou seja, junto à Casa das Queijadas do Preto, não era a Travessa da Boavista, mas sim Rua do Forno da Cal, dada a existência de um forno mesmo junto ao parque de estacionamento da desta casa de queijadas.

Como já referi acima as pesquisas que efectuei, na CMSintra, Biblioteca Municipal e no Arquivo Histórico da Câmara, não consegui apurar, quando é que foi atribuída a toponímia Albino José Batista, muito menos se se estendeu até Chão de Meninos. Nem tão pouco a empresa que fez as placas toponímicas, Cerâmica Isabel Garcia, me conseguiu esclarecer. A ser verdade que a Travessa da Boa Vista se estendia até à Casa das Queijadas do Preto, também faria sentido, não só devido à existência da Quinta da Boavista, mas também porque que nalguns locais da rua é possível ter uma excelente vista, para Norte e Poente. À vista desarmada é possível ver as Berlengas, o Convento de Mafra e a serra de Montejunto.

Diz o povo e muito bem, como posso confirmar, que quando daqui se avista as Berlengas (normalmente a bruma ou o nevoeiro o impedem) é sinal de chuva o que é verdade.

Para baralhar ainda mais esta história, um contrato de promessa de compra e venda, datado de 30 de Novembro de 1979, que também consultei, faz-se referência a um mesmo imóvel, como estando em ruas diferentes. Efectivamente o promitente-comprador era o arrendatário do andar superior, é referido no contrato como estando sedeado na Rua Albino José Batista e o imóvel completo, é referido no mesmo contrato como estando sedeado na Rua Bairro dos Ingleses.

Em resumo; Parece não existir dúvidas que a Rua Albino José Batista recebeu esta toponímia devido ao facto de este comerciante aqui ter vivido e não teria a extensão atual. Anteriormente seria era designada por Rua Campo do Arrabalde, conhecida popularmente por Rua do Bairros dos Ingleses. Mais tarde, penso que nos anos 70, especulo eu, que a CM de Sintra terá constatado que a residência do referido comerciante estava localizada não na rua com o seu nome, mas sim na Travessa da Boavista ou Rua do Forno da Cal e resolveu prolonga-la. Lembro perfeitamente de ser colocada a placa toponímica junto à Casa das Queijadas do Preto, ainda que não consiga datar o acontecimento.

Já que a Rua principia junto ao jardim da Vigia e porque estamos a falar de uma contadora de histórias invisual, vai para 10 anos, no decorrer das conversas, a mesma perguntou-me pela pedra dos Cinco Dedos que era visível deste Jardim quando foi inaugurado em Maio de 1939, (ver foto abaixo do local onde foi construido o Jardim da Vigia e onde é possível ver a pedra dos cinco dedos).

Arrabalde.jpg

 

Disse-lhe que a pedra não se vê.

Respondeu-me, que era impossível aquela mão de pedra é tão grande, não me diga que caiu.

Não D. Carlota, não caiu, foram as árvores que cresceram muito e a taparam.

Ficou triste!

Sendo a cegueira uma doença, infelizmente no caso da D. Carlota incurável, ela não esperava que natureza cegasse todos aqueles que ainda vendo, já não conseguem ver a pedra dos cinco dedos.

16
Jun21

O peão e o veículo rápido


Vagueando

20210616_120405.jpg

 

Gosto de velharias, nomeadamente livros. Há uns dias, descobri um pequeno folheto apresentado pela Companhia de Seguros Tranquilidade, companhia fundada em 1871.

O folheto tinha como objetivo alertar para os perigos das ruas e das estradas, foi lançado em 1941, o presidente do Conselho de Administração era o Dr José Ribeiro Santo Silva e a companhia apresentava os seguintes rácios financeiros: Capital e Reservas Esc. 26.000.000$00 Receita total em 1941 Esc.41.000.000$00 Sinistros pagos em 1941 Esc. 11.600.000$00.

A informação vertida na contracapa terminava com esta nota “Se os pagamentos tivessem sido igualmente divididos por todos dos dias do ano, teríamos pago diariamente 32.000$00 escudos.”

Contudo, para além destas curiosidades, gostei particularmente de um pequeno trecho onde se aborda a questão dos atropelamentos de peões, cuja descrição é tão simples e objectiva que não resisto a transcrevê-lo na integra, com ortografia usada na altura.

Podemos dividir os atropelamentos em duas espécies, a saber: os ocorridos na faixa de rolagem, isto é no espaço da rua reservada aos veículos; e aquêles que acontecem sôbre os passeio das ruas ou bermas das estradas por onde só devem transitar peões.

Ao atravessar uma rua há sempre que ter presente que nos é mais fácil ver conscientemente o veículo, que se aproxima, do que sermos vistos pelo seu condutor. Isto explica-se, porque o campo de visão do condutor se acha limitado geralmente pelo para-brisa; porque os peões são quási sempre mais numerosos do que os veículos e porque êstes últimos, maiores do que aqueles, prendem mais a atenção.

Além disso, enquanto peão tem de livrar-se de um veículo de cada vez e cujo sentido de movimento quási sempre também conhece – o condutor, por seu lado, tem de haver-se com vários peões ao mesmo tempo que podem mudar a direcção em que se movem com muito mais facilidade do que qualquer veículo.

Dêste estado de coisas provém que um condutor,p ara se desviar de um transeunte completamente distraído, pode ir, por exemplo, colher outro mais prudente que já tenha tido o cuidado de se conservar na borda do passeio.

O pavimento por onde transitam os veículos deve ser considerado por todos os peões como «terra de ninguém». Pôr os pés nas faixas de rolagem das ruas e das estradas com muito trânsito, só para as atravessar mais ràpidamente possível, depois de haver a certeza de que se não aproxima qualquer veículo.

Ora se devemos atravessar as ruas e as estradas com cautela, o mesmo se observará quando se trate da via férrea, tendo, porém, aqui sempre presente que o vento que sopra em sentido oposto ao de um comboio que se aproxima o torna silencioso – e que além disso êste não para com a facilidade de um carro eléctrico ou camião.

Nota para os mais distraídos; Entenda-se carro eléctrico como os elétricos da Carris, os amarelos, para não se confundir com os atuais carros elétricos.

12
Jun21

A morte fascina-me


Vagueando

Costuma dizer-se que a única coisa cem por cento certa na vida de um ser humano é a de que um dia morre. Sendo verdade também é certo que antes de isso acontecer pagaremos, direta ou indiretamente, impostos.

Não venho desmentir nada disto, antes pelo contrário, é verdade, é uma verdade de La Palisse, confirmo por experiência própria, para já, a parte que se refere ao pagamento de impostos.

O que me fascina na morte, razão pela qual resolvi vaguear pelo tema é saber como sabe o morto que morreu.

Quem está habilitado a prestar-lhe essa informação? Que documento lhe é entregue como prova de morte (que eu saiba há por aí muita gente a ter que fazer prova de vida)? Como pode o morto aceder à vida eterna se não tem nenhuma prova que ateste que está morto?

Com as falcatruas que se fazem por aí, todos os dias, quem garante que não anda por aí malta a aceder, de forma ilegal, à vida eterna?

E depois?

O que faz o morto com o certificado? Como é que morto encara todas aquelas cerimónias fúnebres? Como vai organizar-se a partir daqui? Terá algum apoio para mudar de residência?

Recorremos aos especialistas para saber mais sobre determinados temas. Mas onde estão os especialistas nesta matéria? Não conheço nenhum "necrolojólogo", nem nenhum espeleólogo mental que tenha explorado e explicado esta falha grave.

O Mundo encontrou uma forma de datar os acontecimentos, diferenciando os anos em AC e DC. Será que o morto também poderá datar os acontecimentos em AM –Antes de Morto e em DM – Depois de Morto?

Será que o morto terá direito à sua nova existência, chamemos-lhe assim, a um CCM – Cartão de Cidadão Morto? E que data constará neste cartão, a sua data de nascimento e/ou a data da sua morte, ou só esta última para dar início à contagem dos anos DM? Também se lhe averba a sua condição de morto, tal como o estado civil, no CC que estamos habituados e habilitados a usar?

O autocarro funerário anda todos os dias por ruas e estradas, sem paragens certas e sem horário definido, sem cronograma dos seus percursos. Embora o ponto de partida seja diversificado, o seu destino é sempre o mesmo e onde saem todos os seus passageiros. Não tem revisor, nem fiscal, não aceita passe social, não aceita bilhetes pré-comprados nem de ida e volta, a entrada e a saída é feita sempre pela porta de trás, só leva um passageiro de cada vez, que vai deitado e não sabe para onde vai, mas também não pode dizer que sabe que não quer ir por ali.

Quando o povo diz que temos que mudar de vida estará, porventura, a referir-se a mudá-la de Antes de Morto para Depois de Morto?

Será que única certeza que um morto tem é que nunca vai saber que morreu?

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