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Generalidades

Generalidades

13
Ago25

CASA


Vagueando

Não, o tema não é habitação, mas sim automóvel.

CASA -  Centro de Arbitragem do Sector Automóvel ,  o centro de arbitragem para o sectro automóvel, cessou funções em 2024.

Desconheço as razões para esta decisão, não vou especular sobre ela, mas deixou o consumidor nas mãos dos fabricantes de automóveis em caso de litígio uma vez que, como toda a gente sabe, recorrer à Justiça é (muito) caro e demorado.

Deixo duas histórias, sem divulgar as respectivas marcas (ambas são premium, supostamente) senão ainda me lixo, que demonstram bem como em Portugal o consumidor é tratado com o maior desprezo.

História 1 (Marca 1) – Carro com três anos com revisões em dia realizadas na marca.

Estava em casa no final do dia a preparar-me para uma viagem que ia fazer de carro no dia seguinte. Abro a bagageira (automaticamente as luzes traseiras acendiam por questões de segurança) e noto que o farolim traseiro do lado esquerdo, cintilava e alternava entre acesso e apagado.

Pensei que poderia ser um mau contacto, como o acesso à lâmpada era feito através da bagageira, removi a tampa de proteção e tentei encaixar melhor a ficha no farol. Queimei imediatamente os dedos e o senti cheiro a plástico queimado. Constatei que a ficha estava a derreter e com a ajuda de um pano desliguei-a.

Retirei rapidamente toda a bagagem do carro para conseguir aceder à bateria que desliguei de imediato.

Tive sorte, sabia como reagir e tinha as ferramentas necessárias para desligar a bateria.

Mantive a vigilância ao carro durante uma hora, para verificar se não existiam outros sinais de alarme, sempre com a bateria desligada e adiei a viagem.

No dia seguinte, com a ficha desencaixada do farolim, experimentei ligar a bateria, fiquei ali uns minutos para ver se aquecia, o que não aconteceu. O Concessionário da marca ficava a pouco mais de 3 km da minha casa pelo que me dirigi ao mesmo, sem que o farolim do lado esquerdo funcionasse. Parei carro no concessionário e voltei a desligar a bateria, informando o recepcionista do que se tinha passado.

Pediram-me que aguardasse, cerca de uma hora que resolveriam o problema, e resolveram, com uma conta na ordem dos trezentos e muitos euros, que me recusei a pagar.

Veio um responsável da oficina falar comigo e disse-me que tinham substituído os chicotes (fios) quer do farolim esquerdo (o que deu problema), quer do farolim direito, alegando que se tratava de material de desgaste. Peguei no livro de revisões, onde se detalhava os pontos a verificar em cada uma delas e pedi ao responsável que me indicasse onde estava referida a necessidade de inspecionar o desgaste dos tais chicotes nos farolins traseiros.

Obviamente, não existia nada. A instalção elécrtica de um veículo, nomeadamente a cablagem dura toda a vida de um veículo e era obvio que a marca já conhecia o problema, passando o custo e pior, o risco, para o consumidor.

Acabei por pagar mas não me dei por vencido e facilmente resolvi o problema, graças às autoridades de outro país, os EUA, onde existe o NHTSA – National Highway Traffic Safety Administration. Numa pesquisa no site desta entidade, constatei que vários veículos do mesmo ano e do mesmo modelo, os farolins traseiros tinham pegado fogo, situação que nalguns casos tinha resultado em acidente, pelo que a marca foi chamada a corrigir a situação, que se devia a defeitos justamente naquelas fichas e chicotes.

Pegando nesta informação voltei ao concessionário e ameacei o responsável que iria colocar um processo em Tribunal, pelo que prontamente me devolveram o dinheiro que havia despendido. Ainda alertei a marca, para o risco situação e para a necessidade de fazer um recall a estes veículos, não me tendo apercebido que tal tenha sido feito.

Quando ouvirem falar que um veículo, registado em Portugal, pegou fogo e cada vez são mais, parece que se trata de uma situação normal e raramente se noticia a origem destes incêndios. Nestas casos, não está apenas em causa a perda do veículo ou o custo da sua repação, existem riscos para os utilizadores e para terceiros.

História 2 (Marca 2) – Carro com cinco anos e revisões feitas na marca.

É normal os veículos hoje serem vendidos com uma garantia contra a corrosão por 10 ou mais anos. Deixa-nos descansados ainda que saibamos que temos que respeitar algumas regras, nomeadamente levar o veículo às revisões oficiais de acordo com o preconizado pelo fabricante.

Ora perante o aparecimento de corrosão numa barra de tejadilho deste veículo, comprovada pelo concessionário da marca, o fabricante recusou-se a efectuar a reparação ao abrigo desta garantia, cujo prazo de 12 anos estava muito longe de expirar.

Alegou o fabricante, que o local onde apareceu a corrosão, não era na carroçaria mas sim num acessório.

De salientar que nenhum dos veículos deste modelo, vendidos em Portugal e na Europa, era ou é actualmente, comercializado sem aquela peça metálica (duas barras longitudinais no tejadilho) nem aquela peça metálica constava, nem consta do catálogo de acessórios do veículo em causa.

Acabei por apresentar uma queixa na CASA - Centro de Arbitragem do Sector Automóvel tendo pago para o efeito o valor definido para abertura do processo e, enquanto este decorria, informam-me que não o iriam concluir porque este organismo fôra extinto.

Fiquei sem o valor pago à CASA – Centro de Arbitragem do Sector Automóvel e ainda tive que suportar os custos da reparação da corrosão antes que aquilo alastrasse mais causando ainda maiores danos.

04
Jul25

Do uso ao abuso, até ao não uso


Vagueando

Os (maus) hábitos, proibidos por lei, instalam-se aos poucos e rapidamente se tornam numa praga.

Quando estamos na fase da praga, não há volta a dar, assume-se como regra, fechando os olhos, “legalizando” assim a praga.

Foi assim com o estacionamento abusivo em cima dos passeios, em frente a portões e até de portas de casas de habitação, foi assim com as trotinetas e bicicletas a circular em contramão e em cima do passeio, foi assim com o uso dos quatro piscas.

Hoje em dia dentro das cidades a praga dos quatro piscas instalou-se. TVDE’s usam-nos para tomar e largar passageiros no meio das faixas de rodagem, em que estes entram e saem pela porta do lado esquerdo ou os condutores deste veículos estacionam do lado esquerdo, fazendo os passageiros saírem pelo lado direito para a estrada em vez dos passeios.

Ainda se lembram das criticas que se faziam aos fogareiros (taxistas) em, Lisboa, nos anos 80?

São os particulares que param em segunda fila (bloqueando o trânsito) e vão tomar o seu café ou comprar o jornal e os veículos comerciais que, por verem os lugares destinados a cargas e descargas ocupados por veículos particulares, que legitimam a infração que estão a cometer, ligando os quatro piscas.

Curiosamente também se tornou uma praga, não usar os piscas para assinalar as mudanças de direção.

Vá lá entender, esta relação de amor pelos quatro piscas e ódio pelos dois e a forma como as autoridades não conseguem controlar a praga.

Não se pode pedir uma desinfestação para eliminar a(s) praga(s)?

21
Mar25

Tótó


Vagueando

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Há uns bons anos discutia (amigavelmente entenda-se) com um amigo o uso do cinto de segurança do automóvel. Estávamos nos primórdios da obrigatoriedade do seu uso e existia muita resistência dos condutores em coloca-lo. Esse meu amigo defendia que o uso deste dispositivo era mais perigoso do que não o usar, dando como exemplo, a maior dificuldade em sair do carro em caso de incêndio após acidente e acrescentava, só o uso para não ser multado.

Eu defendia que o usava porque acreditava que me oferecia uma proteção extra. Nessa altura já tinha lido uns artigos sobre o tema e como fui comissário no Autódromo do Estoril, convivi com pessoas ligadas ao desporto automóvel, pelo que estava convencido dos seus benefícios, o que o tempo feio comprovar de forma inequívoca.

Também é justo dizer, que a construção dos automóveis modernos, ajudaram bastante na mitigação dos ferimentos em caso de acidente.

Atualmente assistir-se-à discussão da obrigatoriedade do uso de capacete em ambiente citadino, quando se conduz uma bicicleta ou trotineta. Sou claramente a favor do seu uso e tenho dificuldade em engolir os argumentos para não o usar, mas coloco-me de fora desta “guerra”.

Vem isto tudo a propósito de um componente de uso obrigatório nos automóveis movidos a Diesel, o Catalisador.

Quando este componente avaria, a maioria dos condutores opta por retira-lo porque se trata de um componente bastante caro. Esta decisão fez-me recordar a discussão do uso do cinto de segurança, acima referida. Os que optam por retirar o catalisador fazem-no porque (ao contrário do uso do cinto) não têm medo de ser multados, a fiscalização não existe e até se diz por aí que os Centros de Inspeção não possuem a tecnologia que permite detetar a falta deste componente.

Por outro lado, também se diz por aí, que a multa pela falta deste componente é ridiculamente barata, pelo que mesmo que se seja multado várias vezes, ainda fica muito mais barato do que montar a tal peça. Obviamente quando refiro a “que se diz por aí”, estou a dizer que desconheço a veracidade de tais afirmações.

E lá entro outra vez na discussão porque o meu catalisador pifou e resolvi montar um novo, o que me custou uma nota preta, como se costuma dizer.

Fi-lo, desta vez não por acreditar que é uma complemento à minha proteção, mas sim porque é um complemento à protecção de todos e do ambiente, afinal tenho família e da família faz parte uma neta com menos de um ano.

E como é vista esta minha acção pela sociedade e pelo meu antigo amigo? Sou um tótó.

Ainda que da minha parte esteja convicto que tomei a decisão correta e que isso me coloca de consciência tranquila mas, só o facto desta afirmação ser usada pelos políticos quando ficam sob suspeita da prática de alguma infração, dá logo uma conotação negativa à coisa.

É a vida!

17
Jan25

Risco


Vagueando

Participação XXIII, do Ano II, no Desafio  1Foto 1 Texto  de IMSilva

 

A Câmara Municipal de Lisboa disponibiliza um aplicativo que dá pelo nome "Na minha rua." O objectivo, segundo o portal consiste em poder participar problemas em espaços públicos, equipamentos municipais e higiene urbana que necessitem da intervenção da Câmara Municipal de Lisboa ou das Juntas de Freguesia.

Concordo em absoluto com este tipo de aplicativos, quer pela facilidade do seu uso, quer pela possibilidade de cada cidadão poder ajudar a resolver problemas que surgem pelas cidades, apenas e só com recurso ao telemóvel e sem perder muito tempo.

As situações que já reportei, infelizmente prendem-se com a falta de bom senso e com a maior falta de respeito dos transeuntes, pelo espaço público, utilizando-o muitas vezes ao arrepio da legislação.

Sucede, esta é parte má, que para além desta negligência (in)consciente, a falta de fiscalização das autoridades e dos serviços camarários potenciam situações de risco.

A Baixa de Lisboa, como infelizmente se viu pelo grande incêndio do Chiado, conta com zonas degradas, ruas estreitas, escadarias que em caso de sinistro podem dificultaar e muito o socorro.

A foto que trago hoje para este desafio, é o espelho de uma dessas situações.  Bicicletas acorrentadas abusivamente nos corrimãos de escadarias de Lisboa.

20250115_150149.jpg

 

Em 2024, não sei precisar a data porque o aplicativo (lamentavelmente) não a disponbiliza, abri a ocorrência  "OCO/106258/2024, relativa ao acorrentamento de bicicletas no corrimão da Escadaria da Rua Martim Vaz junto à Calçada de Santana. A ocorrência foi resolvida, mas o aplicativo também não deixa consultar o teor da resolução.

Facto é que resolvida foi mas, as bicicletas abandonadas, sem rodas, em estado de degradação ali continuam acorrentadas como se pode ver na foto tirada esta semana, prejudicando todos os que necessitam de usar o corrimão quando circulam na escadaria.

Por outor lado, em caso de emergência, estas bicletas serão certamente um estorvo e pior, fonte causadora de ferimentos a todos os que por elas necessitem de escapar e/ou ir em socorro de pessoas e bens.

Espero que a CMLisboa e as autoridades removam sem qualquer contemplação todas as bicicletas acorrentadas aos corrimãos das escadas de Lisboa.

16
Set24

Não se percebe


Vagueando

Em Abril do ano passado abordei aqui a mesma situação na N125 - o cruzamento de acesso à Praia Verde.

EPVerde.jpg

Foto Google Earth do entroncamento da Praia Verde

Volto ao tema, primeiro pelo absurdo da situação uma vez que já dura, segundo a CM Castro Marim há dezasseis anos, segundo porque se anda a investir em radares para aumentar segurança nas estradas e consequentemente, salvar vidas (resolver este problema pelos visto não melhora a segurança), terceiro porque ano após ano, vejo este local ao abandono e quarto porque as entidades envolvidas na resolução deste processo, trocam muitas bolas, culpam-se umas às outras e o público está farto, nomeadamente os algarvios.

Se há coisa que não faltam na N125 são rotundas mas neste cruzamento onde se justifica e há espaço para fazer uma rotunda, não se faz.

Nestes dezasseis anos, a culpa é da Infraestruturas de Portugal porque autorizou a construção da rotunda mas despois disse que não, depois disse que sim (em 2018 ou seja já lá vão seis anos) mas só se fosse uma rotunda definitiva.

Certo, mesmo muito certo e à vista de todos rotunda, nem definitiva, nem provisória.

Contudo, já há alguns anos, presumo que pela sua perigosidade (se calhar foi por birra) o cruzamento foi transformado em entroncamento provisório, balizado por uns plásticos vermelhos e brancos, umas luzes assim mal enjorcadas e um piso de merda, sim de merda. É aquele tipo de piso que, mesmo numa estrada municipal já seria de merda.

Entre 2008 e 2024, passaram pelo governo, como primeiros-ministros, José Sócrates, Pedro Passos Coelho, António Costa e agora Luís Montenegro.

Só faço referência aos nossos primeiros, para se perceber como a democracia muda os seus mais altos representantes, sempre acompanhadas por mudanças, que implicam tirar os boys de uns para colocar os boys de outros, mas este processo manteve-se num impasse inexplicável.

Por outro lado, nas pesquisas que andei a fazer, para além dos protestos da CM de Castro Marim, não encontrei nenhuma notícia onde um primeiro ministro ou um ministro, nomeadamente o do pelouro, viesse explicar-se ao povo algarvio ou à Câmara de Castro Marim, esta anormalidade.

Contudo, curiosamente, encontrei uma notícia de Novembro de 2023, relativa à visita que a ministra Ana Abrunhosa fez às obras da ciclovia que vai ligar Castro Marim à Praia Verde, quando nem metade dos seus cinco quilómetros estava concluída.

Ao ler a notícia, fico com as sensação que a ciclovia avança a todo o gás (atenção que esta expressão, não pode ser vista no seu sentido literal, mas sim na contabilização do tempo em que as obras portuguesas, com ou sem derrapagens financeiras demoram a ser concluídas) porque é preciso gastar rapidamente o dinheiro que nos chega da Europa, independentemente de a obra ser ou não necessária, de ser ou não viável, de ser ou não uma mais-valia para o cidadão comum, em suma não ser um elefante branco que ninguém usa mas que é moda.

Boa sorte aos ciclistas quando a ciclovia chegar à Praia e tiverem que atravessar a N125, o que agora, com o entroncamento provisório, é proibido.

Sobre esta obra de Stª Engrácia, que afeta milhares de pessoas por dia, que oferece riscos rodoviários consideráveis, até a GNR já sofreu um acidente no local, que está com um piso miserável, que obriga a consumo de combustível desnecessário, com todas as implicações que isso tem a nível ambiental, dos governos nem uma palavra.

Regressando à ciclovia, que circula ao lado da N125-6 (ligação de Castro Marim à Praia Verde) , entre Setembro do ano passado e este ano, apenas metade dos 5km foi concluída e de permeio, sem qualquer necessidade o entroncamento da Quinta da Fornalha foi transformado em rotunda. Importa aqui referir que a sinalização e o piso deste antigo entroncamento estava em muito melhores condições do que o atual entroncamento da Praia Verde na N125.

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Esta é a rotunda construída para dar aceso à Quinta da Fornalha, que não se justifica.

A metade desta ciclovia já está aberta, não dispõe de qualquer sinalização sobre quem pode ou é obrigado a nelas circular, os delimitadores que a acompanham, não são retrorrefletores pelo que de noite não brilham e, junto às propriedades particulares por onde passa, não existe qualquer sinalização para os seus utentes, das saídas e entradas das mesmas, nem espelhos que permitam aos ciclistas e aos automobilistas ver-se uns aos outros, com todos os riscos que isso acarreta.

É que para além dos pedestres e das bicicletas movidas apenas a pedal, hoje existem também as eléctricas, as trotinetas e, curioso, em Castro Marim e Vila Real de Santo António, os condutores de scooters não usam capacete, passam pela autoridade sem problema e usam esta ciclovia.

Só para terem uma ideia dos riscos das entradas e saídas das propriedades particulares a foto abaixo reflete a vista que tinha como automobilista, ao sair do turismo rural onde estive, quando pretendia sair .

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Não existe qualquer visibilidade para a direita e para a esquerda, a ciclovia não tem sinalização que indique que existe uma saída. Estão a ver uma scooter, uma bicicleta eléctrica ou uma tronieta abrandar quando passa em frente a este portão? Isto é uma verdadeira armadilha para todos.

27
Set22

O flagelo dos atropelamentos


Vagueando

 

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Mais do que tentar perceber a razão pela qual existem atropelamentos em Portugal, custa-me perceber porque razão os peões colocam desnecessáriamente, a sua vida em risco.

Não tenho dúvidas que o automobilista, ao ter a condução de um veículo, cujas características, podem infligir ferimentos graves num peão, tem a responsabilidade de assumir uma condução prudente em locais onde circulam peões.

Quanto aos peões, que são os elos mais frágeis nesta equação, resta-lhes quase sempre o consolo de não serem culpados, quando são atropelados, mas são eles que suportam o sofrimento, as incapcidades e até a morte.

Porque se expõem então ao risco desnecessário circulando onde não podem, de costas para o trânsito?

Estas imagens, que se observam diariamente por todo o país, são ilustrativas daquilo a que Herman José muito bem classificava; Não havia necessidade!  Pode ver aqui - Não havia necessidade

17
Mar22

Ucrânia


Vagueando

Com uma rapidez estonteante, com uma determinação incrível, com uma atitude digna de seres humanos, com uma solidariedade fantástica, com uma espontaneidade genuína, o povo português, o país europeu mais longe da Ucrânia, assumiu como missão, ajudar de todas as formas que poder, o povo ucraniano.

Fê-lo porque somos assim, bondosos, fraternos, amigos, porque somos dignos da nacionalidade que ostentamos.

Desde doações de bens de primeira necessidade, à oferta de alojamento, à oferta de profissionais de serviços que permitam legalizar a sua vida num país estrangeiro, à oferta de cuidados de saúde, à oferta de empregos, ao transporte de bens para a Ucrânia e na volta trazer refugiados, demonstrou que a logística foi bem montada. Tudo isto em menos de 15 dias.

Podemos ser desorganizados em tudo mas somos os enormes e coesos no desenrasque de tudo.

Existem muitas famílias ucranianas em Portugal, algumas das quais conheço pessoalmente e com quem me relaciono, pelo que não estranho esta ajuda, até porque estas pessoas estão a ser vítimas de uma guerra que julgávamos impossível de voltar a acontecer na Europa, ainda por cima, provocada por uma grande potência mundial.

De um dia para o outro, ficou disponível em Portugal tudo aquilo que antes não estava disponível para os portugueses em geral.

Isto recorda-me um livro que li recentemente, cujo título é “Economia de Missão”. A sua autora, economista italo-americana Mariana Mazzucato, de quem fiquei adepto depois da leitura do livro, parte do exemplo daquilo que foi a Missão Apollo, para demonstrar que é necessário inovar para reformular o capitalismo, o qual perdeu sentido porque se centrou em demasia no lucro proveniente de rendimentos de curto prazo, exclusivos da economia FIRE (Finance, Insurance e Real Estate).

Foi este modelo de capitalismo que empurrou os Estados para a eliminação de serviços públicos que foram entregues a privados, nem sempre com os melhores resultados em termos de eficiência.

Os Estados perderam dinheiro e aprendizagem e com isso a capacidade de gerir situações mais graves. Um dos exemplos mais recentes desta falta de experiência, veio dos serviços de saúde do Reino Unido. Com a pandemia, os seus serviços de saúde já não tinham capacidade de resposta, obrigado o Estado a gastar 438 milhões de libras com empresas de consultoria só para elaborar um plano de gestão de testagem e rastreio de pessoas com Covid 19, com resultados desastrosos.

Voltando à Missão Apollo. O Estado foi o impulsionador do projeto e definiu como foco pôr um homem na lua e trazê-lo de volta em segurança. Para isso o governo deixou de lado convenções que limitavam as suas atividades, era necessário inovar e não é possível inovar sem errar, pelo que perante uma hipótese enorme de falhanço, o risco foi assumido pelo Estado.

Um dos muitos desafios, parece ridículo hoje, era transformar um computador do tamanho de um armário, no tamanho de uma caixa de sapatos que não pesasse mais de 31 kg. Foi esta busca intensa para obter sucesso na Missão Apolo que levou a que muitas empresas também motivadas e empenhadas (o que é diferente de contratadas) na missão, à descoberta de múltiplos produtos de uso corrente nos dias de hoje, como são por exemplo, os telemóveis com câmara, lentes anti-risco, mantas isotérmicas, calçado desportivo, detetor de fumo, rato de computador, led, leite para bebés, desfibrilhadores cardíacos, pacemakers, purificação de água.

A essas descobertas, muitas delas por acaso, ou seja enquanto se buscava uma solução para um problema, apareciam soluções que, não servindo, teriam, no entanto, outra aplicação, chamou a autora serendipidade. Os acordos com as empresas (não necessariamente as mais bem apetrechadas ou com capacidade técnica) dispostas a juntar-se à Missão implicou uma cláusula de “eliminação do lucro excessivo”.

Apenas para se perceber a importância da cláusula usada no programa, que correu entre 1961 e 1972, eis um exemplo recente. O medicamento Remdesivir para o novo coronavírus, foi codesenvolvido com um subsídio de 70 milhões de dólares do National Institutes Health - NIH que é financiado pelo Estado. A farmacêutica produtora do mesmo estava a 3.120 dólares durante a pandemia, pelo comprimido. Isto só foi possível porque em 1995 o NIH aboliu a cláusula de preço justo.

O que tem tudo isto a ver com a nossa disponibilidade para ajudar a Ucrânia? Tudo!

Seremos também nós portugueses, cidadãos e Estado, independentemente de quem o representa, executarmos uma Missão, de partilha de riscos mas também de partilha de lucros, para levar a cabo os grandes desafios nacionais e através da inovação e da tal serendipidade, melhorar o nosso país, mostrando aos ucranianos que agora estamos a acolher, que também somos capazes de fazer tão bem a nós próprios como o que sabemos fazer aos outros?

Em suma, seremos nós capazes de, no futuro, disponibilizar a todos os cidadãos uma vida melhor, sem ser necessário a desenrascar uma caridadezinha, muitas vezes transformada em espectáculo televisivo, após a desgraça?

15
Ago21

A mudança do espectáculo deplorável e anárquico


Vagueando

 

Nasci no mesmo ano que a RTP. Neste sentido, cresci a ver crescer antenas agarradas às chaminés das casas e no cimo dos prédios.

Primeiro VHF para ver o único canal, a preto e branco e mais tarde de UHF, para ver o segundo canal, ainda e também a preto e branco.

Com a chegada da TV por cabo as antenas deixaram de ser necessárias. Contudo, a TV por Cabo não chegava a todo o lado. Assim foram-se montando, ao lado das antigas antenas, umas parabólicas que começaram a dar um ar de que andávamos todos à procura de um sinal de vida extra terrestre.

Sempre na vanguarda da inovação e da modernidade, o País começou-se a preocupar-se com a retirada das velhas antenas de TV e com  a montagem das novas parabólicas, para evitar a poluição visual.

Estávamos em 1989 quando se publicou o Dec. Lei 122/89 sobre a “Disciplina a instalação de antenas colectivas de recepção de radiodifusão sonora e televisiva” Como se depreende do um excerto abaixo deste Decreto Lei, já havia sido publicado um anterior que, curiosamente, mas não surpreendentemente, não produziu os efeitos desejado pela letra de lei.

Na verdade, os objectivos visados pelo Decreto n.º 41486 não foram atingidos, uma vez que não se evitou a proliferação de antenas de recepção, das quais a maior parte instaladas sem obediência mínima aos princípios estabelecidos, dando origem ao espectáculo deplorável e anárquico que hoje se pode observar em quase todos os telhados dos prédios dos grandes centros habitacionais.

Bom, mas a coisa lá foi e hoje o espectáculo deplorável e anárquico dos telhados dos prédios cheios de antenas é coisa do passado.

Missão cumprida!

O caos das antenas até era compreensível, porque se tratava de pessoas singulares que queriam ter acesso à televisão e, muitas vezes, eram as próprias que instalavam as suas  antenas.

Com advento da TV por Cabo o assunto ficou a cargo de empresas, altamente tecnológicas, inovadoras, focadas no cliente, apostadas na prestação de um serviço de excelência, de acordo com as melhoras práticas de mercado e de segurança e no estrito cumprimento da lei.

Recordo-me, em Setembro de 2018, o presidente da Altice, em nome da segurança de pessoas e bens, referia que a Vodafone estava a aceder de forma ilegítima aos seus postes e nada garantia que esses acessos, que não sabiam se era feitos ou não por um técnicos credenciados, podiam sobrecarregar esse poste com mais cabos e que as tensões provocadas por esse aumento, poderia levar à queda do poste. E acrescentava que, obviamente, a Altice estava a tomar medidas junto das autoridades competentes para, não só fazer valer aquilo que era de lei e que lhe era devido, mas também para garantir a segurança e a integridade das pessoas que circulam na via pública, junto dos postes espalhados por todo o país.

Sucede que o espectáculo deplorável e anárquico, pese embora a conversa do presidente da Altice, mudou-se das telhados para os postes.

Cada vez que olho para um poste de cabos de telecomunicações pergunto-me o porquê de tanta desarrumação e tanta anarquia e pergunto-me também se isto é que é inovação, sustentabilidade, segurança no trabalho e se as imagens dos postos que podem ver acima fazem parte do ADN destas empresas.

Não sei se existe, nem me dei ao trabalho de procurar, alguma lei que regule a montagem de cabos nos postes, mas se existe, o que está a acontecer é o seguinte; •

  • Ninguém está a respeitar a lei. 
  • Estarão à espera de uma nova lei para, aí sim, cumpri-la.
  • Ninguém fiscaliza. 
  • As alegadas medidas que a Altice tomou em 2018, não serviram para coisa nenhuma

A acescer a esta anarquia, juntou-se outra que tem a ver com a vegetação (que não sei porquê) ninguém corta nem apara, o que aumenta a carga sobre os postes, com a tensão criadas pelas ramagens da vegetação. 

Todos os postes fotografados estão em Sintra e, nenhum deles, está a mais de um 1km do centro histórico desta vila, Património Mundial.

Se isto é assim por aqui, o que não se passará de pior pelo país.

Mas que bandalheira. 

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