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Generalidades

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18
Jun24

Concertos improváveis


Vagueando

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Tempos houve em que se caminhava por necessidade, não existiam transportes coletivos ou veículos particulares, as vias de comunicação eram escassas. As primeiras vias de comunicação com que tomei contacto foram as veredas, no Algarve, pela mão, melhor pela pegada do meu avô.

Nessa altura caminhar servia para abrir o apetite, hoje, dizem, serve para regular (leia-se diminuir) o apetite. Caminha-se ainda, talvez na maior parte das vezes, o estritamente necessário quando, não sendo possível estacionar mesmo à porta do local para onde queremos ir, estacionamos no passeio (sem pilaretes) mais perto e fazemos o trajeto a pé pela estrada.

Ciente das dificuldades em estacionar o carro em Sintra, porque não existem lugares e os passeios estão pejados de pilaretes, a organização do Festival desta vila resolveu e muito bem, começar a organizar uma coisa que dá pelo nome de caminhada concerto.

E é disso que venho falar hoje.

Já o ano passado tinha feito uma e gostei, este ano repeti a dose. Depois dos tempos houve em que se caminhava por necessidade, caminhamos hoje porque se ouve música e da boa.

O percurso deste ano, em pleno centro histórico de Sintra, começou junto ao Paço, seguiu pelas ruas que ladeiam Quintas bem importantes de Sintra, “dos Castanhaes”, “dos Mouros”, “dos Alfinetes”, “do Castanheiro” e desembocamos junto ao Palácio da Regaleira e daí seguimos até ao Mont Fleuri.

Para trás tinha ficado uma subida que não sendo íngreme, foi o suficiente para um aquecimento razoável ainda que se tenha feito uma paragem para reagrupamento dos caminhantes e/ou dos espectadores.

Chegados ao Jardim Panorâmico do Mont Fleuri, fomos recebidos por uma nortada fresca que deitou por terra todo o aquecimento acumulado na subida. Valeu o Concerto de piano por Tomás Wallenstein que nos aqueceu a alma. Gostei do gosto do pianista, pela escolha do alinhamento musical com que nos brindou, fica aqui apenas um exemplo

Quando me falam em aquecimento global e sinto este fresquinho de Sintra até fico todo arrepiado.

Deixou umas quantas fotos do concerto deste ano.

23
Nov23

O conciliador amigo


Vagueando

Este é mais um post dedicado ao Desafio 1 foto 1 texto

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As cores não mentem, era um dia frio. Contudo, o ambiente era de tensão e quente. Um casal desavindo tinha a relação por um fio. Competia-me a mim, como amigo, reacender a paixão ardente.

Convidei-os, cheguei cedo, achei este local adequado. Sentei-me, observei as cadeiras onde os iria sentar, gostei do que vi. Chegaram, cumprimentaram-me sem sorrir, o ar estava pesado. Senti-me mal ao vê-los com aquele aspeto, quase morri.

Recordei-lhes os tempos passados, que foram tão felizes. Para eles, para os seus amigos e em especial para mim. Concordaram, olharam-se de novo, pareceram ter ganho novas raízes. Propus um brinde, festejámos com 3 copos de vinho tinto, voltou o amor e o rancor tinha chegado ao fim.

Foto – Adega Mãe – Torres Vedras

10
Fev23

Paloma


Vagueando

 

 

Porque sou um colecionar de coisas, em especial aquelas que se podem guardar e catalogar facilmente, hoje vou contar uma história inspirada num pequeno livro de instruções que guardo desde 1978

Em 1978 eram famosos os esquentadores Junkers e o meu pai aparece em casa com um esquentador Paloma, modelo PH-8C.

A primeira pergunta foi; porque carga de água se compra um esquentador Paloma quando o Junkers é que é bom? O meu pai atalhou de imediato, era uma marca japonesa e, segundo o vendedor, era do melhor que se fabicava em esquentadores a gás.

A minha mãe disse logo - Pois o que o vendedor queria era desfazer-se disso!

Que interese tem esta história para a sociedade?

Muito mais do que julgam e muito mais do que as notícias diárias sobre o preço de um vestido ou de uma mala usada pela Georgina Rodiguez, que é aqui referida apenas porque fica bem nas tags, pode ser que alguém venha (ao engano) ler isto.

Passemos então ao interesse para a sociedade.

Este esquentador funcionou diariamente sem nenhum problema durante mais de 10 anos, até que um dia começou a aquecer pouco a água. Chamado um técnico, diagnosticou-lhe uma avaria fácil de resolver, mas azar, não havia peças para o mesmo, portanto estava condenado.

Contudo, como era Verão (não fazia falta a água muito quente) e tinha o tal livro de instruções, o qual, para além das ditas instruções de funcionamente, tinha a morada do fabricante, Paloma Industries, Ltd em Nagoya e apresentava ainda um digrama das peças que compunham o aparelho. 

Esta empresa ainda hoje funciona, podem consultar a história da mesma Paloma History.

Vai daí, ainda que sem nenhuma esperança, indiquei as peças que precisava numa carta que remeti à Paloma Industries, no Japão.

Uns dias mais tarde recebo a resposta, com a indicação detalhada numa factura do valor a cobrar, incluindo os portes para enviar a Portugal as peças que precisava, qualquer coisa como 7.130,00 ienes, ou seja, à volta de 50 euros (cerca de 10 mil escudos).

Fui ao Banco, a emissão de um cheque em yenes, pagável no Japão era coisa barata, hoje é coisa para custar mais de 40 euros, e enviei-o à empresa com cópia da factura.

Recebi a mercadoria, mas ainda tive que convencer a Alfândega de que eram peças para o meu esquentador, montei as peças e funcionou lindamente mais 12 anos, altura em que deixei de usar gás para aquecer a água. Ainda o ofereci a um familiar que o usou durante algum tempo.

Moral da história;

  1. Este é um bom exemplo de como uma empresa pode fazer a diferença no relacionamento com os seus clientes, num tempo em que as facilidades de comunicação eram bem mais difíceis e muito mais morosas do que são hoje.
  2. Este é um bom exemplo para as empresas de hoje, que massacram os seus clientes e não clientes, aproveitando as tais facilidades de comunicação, para que comprem os seus produtos, mas são incapazes de responder a um email (quando o disponibilizam) quando se pretende algo da mesma, como pedir assistência.
  3. Este é um bom exemplo para as empresas que falam, de sustentabilidade ambiental, mas que incorporam mecanismos de obsloscência programada nos seus produtos, para que avariem e os deitemos fora, com prejuízos ambientais  e financeiros para os seus clientes e engrossar os seus lucros.
  4. Este é um bom exemplo para as empresas acabarem com peças de substituição que permitiriam reparar muitos dos aparelhos que deitamos fora.
  5. Este é um bom exemplo para quem conseguir fazer pequenos trabalhos, resolver sem problema, algumas coisas em casa.

 

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