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Generalidades

Generalidades

26
Out25

Ranholas - Sintra


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Vou voltar ao tema de Ranholas por duas razões;

Primeiro - porque vai tomar possse o novo Presidente da Câmara Municipal de Sintra - Dr Marco Almeida e espero que desta vez seja resolvida a questão do trânsito dentro de Sintra, nomeadamente dentro da localidade de Ranholas onde o IC19 há muito já não devia desembocar.

Já abordei este tema num post de 03/10/2022, ou seja há mais de três anos, com o título Ranholas

Segundo - porque foi criada em Outubro de 2024 uma petição pública que tem a ver com Ranholas, com o título "O Larmanjat é um património de Ranholas Sintra" com o objectivo de não se perder esta ligação histórica desta localidadde ao primeiro comboio que chegou a Sintra em 1873 e que de algum modo se ligou à história das queijadas mais antigas de Sintra, as queijadas da Sapa, tema que abordei em Fevereiro de 2020 no post Divagações, histórias e estórias sobre as queijadas da Sapa.

Para quem desconhece a história do Larmanjat e das suas peripécias, deixo aqui também um link do autor do blog Histórias com História, que documenta e ilustra de forma muito bem conseguida, a história do Larmanjat no post com o título Caminho de Ferro Monocarril Sitema Larmanjat em Portugal e que dedica uma descrição pormenorizada da passagem deste comboio por Ranholas, nomeadamente na rua referida na petição pública acima sssinalada.

 

 

15
Nov24

O prazer de um café com uma boa vista


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Participação XV no desafio 1 foto 1 texto

 Tenho prazer em beber café, muito prazer. O sabor, o cheiro, a espuma, a cor, tudo é beleza naquela pequena chávena branca, formam um conjunto fotogénico muito belo.

O café constitui para mim um momento de relaxamento mas raramente o bebo sentado, exceto quando almoço num restaurante.

Faz parte do meu pequeno-almoço sempre e hoje, para participar neste desafio resolvi trazer o café à baila.

Ainda que normalmente não beba café sentado à tarde ou ao pequeno-almoço, abro sempre uma excepção quando encontro uma mesa que acrescenta valor à minha paz e descontração quando bebo um café.

Há poucos dias deixei aqui um post relacionado com a recente abertura em pleno centro de Sintra - Casa da Torre - onde a mesa 6 tem uma vista fabulosa para o Palácio e hoje trago aqui uma foto de outra mesa que tem uma vista também lindíssima para o mesmo Palácio só que do lado oposto.

20241031_163626.jpg

Há uns dias, com a sala totalmente vazia, tomei um café nesta mesa, quando o Sol de Inverno já se despedia de Sintra seguindo em direção ao mar.

Esta mesa pode ser encontrada na casa mais antiga de queijadas de Sintra, ou seja desde 1756, na Volta do Duche em Sintra, cuja história já aqui postei.

Podem consultar alguns dos benefícios do café, segundo a CUF e as várias formas como se pede café em Portugal, algumas delas, confesso, desconhecia por completo.

Para mim a única coisa que faço questão para beber um café é que a chávena não seja de vidro, mas sim de porcelana branca.

Esquisitices.

04
Ago24

Casa da Torre

A modernidade com sabor a 93 anos de história


Vagueando

 

20240727_165302.jpg

No passado dia 29/07/2024, dia em que tirei esta foto, foi inaugurada em pleno Centro Histórico de Sintra, a Casa da Torre.

Encontra aqui a doçaria habitual de Sintra, nomeadamente as famosas queijadas e travesseiros, bem como um serviço tradicional de pastelaria.

Hoje, ao contrário do dia da inauguração, tive a oportunidade de entrar e apreciar a decoração. A casa, para além do balcão virado para a rua, para os mais apressados, dispõe de dois pisos com mesas e lugares sentados e outro balcão/montra no piso um.

Gostei da decoração, sóbria, com cores claras o que acrescenta luz ao interior, uma vez que as janelas são pequenas, típicas da época do edificio.

Os lugares à janela permitem observar todo o movimento habitual de um centro histórico altamente turístico e gozar da tranquilidade que o espaço transmite. No piso um, a janela da mesa 6 tem um vista fabulosa para o Paço, pelo que acredito que esta mesa venha a ser especial.

Outras fotos da Casa da Torre

Vale a pena uma visita a esta casa, implantada num edifício histórico, mesmo ao lado de um lindíssimo posto do CTT (ver abaixo) sendo ela própria uma referência histórica no património da doçaria sintrense, ao ser gerida pela Casa do Preto que já leva 93 anos de história.

Cronologia do edifício onde está implantada a Casa da Torre (também pode ser consultada aqui )

Séc. 16 - a primitiva torre devia datar do reinado de D. Manuel ou início do de D. João III; séc. 18, 2ª metade - a torre actual foi construída por iniciativa do Marquês de Pombal, após o terramoto de 1755, que provocou a derrocada da anterior a partir do piso onde se encontra a maquinaria do relógio;

1773 - data inscrita no sino voltado a E.;

1791 - data inscrita no sino voltado a S.;

1812 - por deliberação camarária são colocadas luminárias na torre por ocasião do nascimento de um Infante;

1815, 11 Fevereiro - uma acta de reunião da Câmara refere a existência de um relógio na torre;

1820, 6 de Maio - são colocadas luminárias na torre para celebrar o aniversário de D. João VI;

1822 - reedificação da antiga cadeia, a cargo do empreiteiro Pedro de Oliveira; A 4 Maio - reparação do mecanismo do relógio;

1823, 26 Outubro - são colocadas luminárias na torre para celebrar o aniversário do infante D. Miguel;

1830 / 1840 - várias gravuras, duas de William Burnett (de 1830 / 1838), uma de George Vivian (de 1839) e outra Célestine Brélaz (de 1840), representam a torre de forma diferente, designadamente no que diz respeito às sineiras;

1836, 13 Abril - uma deliberação camarária estabelece um ordenado de 60.000 reis anuais para o carcereiro, com obrigação de cuidar do relógio;

1837, 28 Janeiro - na acta da reunião camarária refere-se o arrendamento da casa do 1º piso da torre; Em 22 Novembro - a casa é arrendada a António Rodrigues Ferreira;

1839 - Aquisição de nova corda para o relógio;

1849, 29 Outubro - Pagamento pela Câmara de 4.800 reis a João Pereira Pinto, por uma reparação do relógio;

1852 - a maquinaria do relógio ainda não estava ligada aos sinos;

1857, 25 Abril - Pagamento pela Câmara de 2.680 reis a António Maria da Silva, pela reparação do relógio , colocando-lhe roldanas novas, madeira e ferros;

1873, 28 Maio - é nomeado carcereiro João Pereira Pinto, o qual já exercia, interinamente, o cargo de relojoeiro desde o ano anterior;

1882 - Data inscrita no sino voltado a N.; na mesma data parece ter-se procedido à aquisição de novo mecanismo para o relógio;

1899 - limpeza do relógio, que não se efectuava pelo menos há 4 anos, pelo que o mesmo se encontrava parado;

1907 - a pedido da Liga Promotora dos Melhoramentos de Sintra a Câmara Municipal cede ao Estado o edifício da antiga cadeia, com vista à construção de uma estação de correios;

1911 - construção do Edifício dos Correios, segundo projecto do arq. A. Marques da Silva, na qualidade de arq. do Ministério do Fomento, no local da antiga cadeia, permanecendo apenas a torre do relógio.

 

05
Mai24

Castelo S.Gregório

Monte Sereno - S. Pedro de Penaferrim - Sintra


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Destes dois bancos - de jardim - observam-se três montes na Serra de Sintra. Da direita para a esquerda, o monte onde nasceu o Castelo dos Mouros, o monte onde nasceu o Palácio da Pena e o Monte Sereno onde, muito mais tarde, nasceu um sonho que nunca se concretizou – A criação de um Hotel, Restaurant, Pousada neste monte.

Gregório Casimiro Ribeiro, o mentor do sonho, está intimamente ligado a Sintra por vários motivos.

Em 1911 associando-se a José Ambrósio, enteado de Josefa das Neves (queijadas da Sapa) começa a fabricar queijadas em Ranholas que eram vendidas no Café Pérola em Sintra. Em 1916 com esta sociedade desfeita, estabelece-se por conta própria no Largo do Regedor, actualmente Largo Dr. Manuel Arriaga em S.Pedro de Penaferrim, dando origem à marca Queijadas Recordação de Sintra, que ainda hoje existem e são comercializadas em estabelecimento próprio, “Gregório” (nome aditado pelo seu filho) também conhecido pelas queijadas do Polícia Sinaleiro. Este polícia, moldado em chapa ainda existe no estabelecimento mas numa posição mais recatada, anteriormente estava no passeio e era bem visível aos automobilistas que “supostamente” deveriam obedecer à ordem de paragem nesta Casa das Queijadas.

Blank 3 Grids Collage.png

Fotos (de cima para baixo e da direta para a esquerda) Jornal de Sintra 147 de 15/11/1936, Ecos de Sintra 391/391 de 10/06/1944 e Jornal de Sintra 172 de 23/05/1937.

Na foto de cima é possível ver, do lado direito, o Polícia Sinaleiro no passeio, com a indicação “Paragem Queijadas”. A menina em cima do burro era Vera Ribeiro neta de Gregório Casimiro Ribeiro e o homem era o actor António Ribeiro, pretendendo-se com esta foto recriar o transporte de queijadas a caminho das feiras onde eram vendidas.

Para além o negócio das queijadas fundou o jornal local “O Regional” em 1921. Promoveu a construção do Castelo S. Gregório – nome atribuído pelo povo - no Monte Sereno, que é visível de vários pontos de Sintra, nomeadamente dos bancos que deram início a esta história, ainda que o arvoredo que tem crescido à sua volta o esteja a esconder. Chegou a residir no primeiro andar de uma casa encarniçada existente no Largo Dr Manuel Arriaga, anteriormente denominado do Regedor, onde a título curiosidade, plantou em combinação com Joaquim Rodrigues Ferreira, antigo fiscal da Câmara os quatro plátanos ali existentes.

A ideia de edificar este castelo, nasce em 15 de Outubro de 1926, com o pedido de construção de uma casa de habitação, processo nº 516 na Câmara Municipal de Sintra que foi deferido em 29/11/1926.

Ainda que o pedido de construção referisse que se destinava a uma casa de habitação, a aprovação do projeto é feita na base de que se tratava de um Restaurante Hotel, pelo que o proprietário ficou isento do pagamento de taxas.

Na exposição que envia à Câmara, em 27/11/1926, solicita a classificação do projeto como turístico, fazendo questão de lembrar que a construção era demasiado dispendiosa, devido ao terreno acidentado, ainda que não se poupasse a sacrifícios, reconhecendo que eram muito superiores às suas forças, essa classificação seria uma mais-valia, quer junto da Câmara quer junto do Governo para levar o projeto a bom porto.

A licença de construção foi atribuída por 12 meses, sendo que as obras demoraram bastante mais, uma vez que só em 1942 é que Gregório Casimiro Ribeiro solicita o pedido de vistoria, indicando que a Casa de Repouso, Hotel ou Restaurant se encontra concluída, faltando apenas a respetiva ligação do esgoto, que não teria sido realizada por não ter sabido antes e na altura do pedido também ainda não o saber, qual o destino a dar à construção.

Em 1940, duas notícias no Jornal Ecos de Sintra, abordava-se a obra. Na edição nº 225 de 24/03/1940, O castelo iria ser uma pousada em breve, dado que dias antes o diretor do Secretariado de Propaganda Nacional visitou o local e que teria ficado encantado com a vista que dali se desfrutava. A outra, na Edição nº 226 de 01 de Maio de 01/05/1940, com o título “Iniciaram-se as obras na pousada do Monte Sereno”  dá-se nota que o projeto terá obtido uma comparticipação do Estado, através de um contrato assinado no dia 27 de Março do mesmo ano, com a Direção Geral da Fazenda Pública, cuja fiscalização será assegurada pela Secretaria da Propaganda Nacional e que será inaugurada brevemente.

Em 29 de Outubro de 1942 é realizada vistoria ao edifício e no dia seguinte é emitida a licença de habitabilidade nº 126, pela Repartição de Obras Municipais, tendo sido paga uma taxa de vistoria 55 escudos, sendo que esta repartição “toma a liberdade de lembrar que a construção foi autorizada com isenção de taxa de licença, parecendo ser de justiça manter-se essa isenção se a construção for destinada a fins turísticos, como primitivamente” O parecer do Fiscal da Câmara – Francisco do Santos, justifica que o projeto obedece aos regulamentos em vigor para as construções urbanas, considerando projeto como bastante interessante.

Entretanto o Chefe da Repartição de Finanças do Concelho de Sintra, dirige em 22/12/1948, o pedido 2405 à Câmara Municipal de Sintra, a solicitar esclarecimentos sobre a emissão da licença de habitação para o imóvel que não estaria em condições para lhe ser atribuída a referida licença de habitabilidade e onde a dado passo pode ler-se “…há quem queira demonstrar perante esta Secção de Finanças que esse prédio não estava, nessa data, em tais condições”.

Durante a construção deste Castelo, foram encontrados objectos pré-históricos, descritos pelo arqueólogo Félix Alves Pereira, num artigo no Diário de Notícias, em 1932/33, como sendo cinco utensílios ou armas de pedra usadas pelo homem antes deste tomar conhecimento dos metais. Noutro artigo do mesmo arqueólogo, faz-se referência também a achados de utensílios em Metal. Este arqueólogo fala ainda em achados estranhos, nomeadamente uma Bala de Pedreiro num artigo publicado em jornal que não consegui identificar nem tão pouco a data de publicação.

Tanto quanto sei o sonho de transformar o edifício acastelado numa pousada, nunca se concretizou e em 30/09/1942, uma pequena notícia no Jornal Ecos de Sintra número 320, dá-se nota de que o castelo foi vendido e que desde essa data tem passado por vários particulares, tendo encontrado recentemente um anúncio que estará de novo à venda por cerca de 6 milhões de euros. O anúncio pode ser consultado no link abaixo e é uma excelente oportunidade para o poderem apreciar por dentro, cuja beleza me parece muito superior à exibida no exterior.

https://kretzrealestate.com/pt/annonce/4250n/chateau-manoir/

Um dos anteriores proprietários ter-se-á queixado das dificuldades para chegar com o seu carro até ao Monte Sereno, uma vez que o excesso de trânsito descendente, na Calçada da Pena, proveniente do Palácio da Pena e a ocupação indevida com estacionamento dos locais mais largos desta calçada, destinados justamente ao cruzamento de veículos, impedia-o de subir a mesma calçada (ainda que a sinalização o permitisse e permita) até à sua casa, correndo sérios riscos de ter um acidente.

No link abaixo encontram-se várias fotos dos artigos dos jornais citados neste texto, anúncio diversos, plantas e fotos do Castelo.

https://photos.app.goo.gl/qF17mFLqVNpQCjys8

Bibliografia

Obras de José Alfredo da Costa Azevedo, nomeadamente o livro Apontamentos Vários e o livro Bairros de Sintra.

Jornal de Sintra

Jornal Ecos de Sintra

Arquivo Municipal da Câmara Municipal de Sintra

Outros Links de interesse sobre esta construção

Paisagem Cultural de Sintra  

Caminheiro de Sintra 

As 5 Quintas e Edifícios Maravilhosos em Sintra

26
Abr24

Suicídio


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Hoje no desafio 1foto1texto de IM Silva, trago mais um texto antigo publicado no Jornal O Regional de Sintra, jornal esse fundado em 1921 por Gregório Casimiro Ribeiro, fundador também das Queijadas Recordações de Sintra as quais podem ser encontradas na Casa Gregório em Sintra. Foi ainda proprietário do Castelo Gregório situado na Serra de Sintra, mais precisamente no Monte Sereno, história que ando a escrever e que, qualquer dia, aparecerá por aqui.

Trata do suícidio de um macho que se atirou para debaixo do eléctrico de SIntra no Banzão, que foi notícia no número 68 do Jornal acima referido, na data de 06/01/1923.

Suicidio.jpg

 

 

 

09
Mar24

Isto não é um Desafio IV


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Este é último post sobre Isto não é um Desafio.

A ideia está explicada (ver Isto não é um Desafio IIII onde também se encontra as ligação para os anteriores) pelo que hoje fica apenas a ligação para as últimas fotos mistério e a ideia de que estou disponível para vos acompanhar neste passeio em data a combinar.

Fica então mais uma história sobre um local onde passaremos, o Jardim da Vigia e proponho que façamos o passeio em Abril, pelo que aceito propostas para datas.

 

09
Fev24

Isto não é um Desafio III


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Continuando com a proposta de “Isto não é um desafio”, hoje vou acrescentar mais algumas novidades.

Para os que chegaram aqui pela primeira vez, recordo que este texto vem na continuação de dois anteriores que podem ser lidos em aqui Post I e Post II com objetivo de vos convidar a fazer um pequeno passeio pedestre que começa nas Terras do Burro e acaba no Castelo do Mouros em Sintra.

Por sua vez estes dois post's surgiram depois da publicação de um conto de Natal, integrado num projeto nascido aqui na Comunidade Sapo.

Dando então sequência à proposta do passeio pedestre já apresentado, mas sem data ainda definida e ainda sem participantes inscritos, acrescento a possibilidade de, se os participantes assim o quiserem, almoçarmos depois do percurso, em local a definir.

Acrescento mais 3 fotos (já são seis) mistério de locais por onde passaremos que deverão ser identificados pelos participantes, durante o passeio.

Por último mais uma  histórica, neste caso sobre a toponímia de uma rua que atravessaremos de uma ponta à outra, a Rua Albino José Batista.

No próximo mês de Março, farei o último post sobre este tema e apresentarei as últimas fotos mistério, bem como mais uma história sobre um local por onde passaremos.

09
Jan24

Isto Não é um Desafio II


Vagueando

Blank 10 Grids Collage.png

 

No dia 10 do mês passado, deixei aqui a proposta, para quem estiver interessado, de fazer a parte final do percurso que descrevi no meu conto de Natal deste ano – O Natal Faz-se Caminhando, uma vez que todo o trajeto descrito no conto é real.

Ainda é cedo para pensar numa data, até porque não sei se haverá interessados, mas o ideal, havendo quórum, será aguardar pela chegada da Primavera.

Contudo, como também não me parece honesto, propor seja o que for, sem que os eventuais aderentes saibam com o que contar, fui fazer o trajecto para vos deixar algumas notas.

Distância 2.75Km

Atura mínima 253 metros

Altura máxima 405 metros

Tempo de percurso 44 minutos

Grau de dificuldade – Médio. Existe uma escadinha (dos Clérigos que é longa e ingreme, mas há uma alternativa mais fácil).

A distância corresponde apenas ao trajeto de ida e para regressar existem várias possibilidades - mais que não seja voltar para trás pelo mesmo caminho ou utilizar outro caminho (a distância é mais ou menos igual) mas sempre a descer e em caminho direito sem mais subidas. Existe ainda terceira hipótese de regresso que divulgarei no próximo mês.

O tempo que demorei a fazer o percurso foi muito rápido, já que praticamente não parei, a não ser para fazer umas fotos, o meu objectivo era medir a distância e verificar a altimetria para vos dar detalhes e poderem visualizar a azul no mapa.

Terras do Burro Map.jpg

Para vos tentar, vou acrescentar alguns aliciantes que consistem em;

  • Publicarei desde já 3 fotos (ver aqui) que servirão de atrativo, ou seja, enquanto caminharmos, deverão estar atentos, tipo Peddy Paper, para que identifiquem os locais destas 3 fotos mistério.

 

  • Em 10 de Fevereiro e 10 de Março, publicarei mais 2/3 fotos mistério, pelo que no início da atividade, teremos no máximo 9 fotos mistério para identificação durante o passeio.

 

  • Nesta publicação e nas outras duas acima descritas deixarei sempre uma história sobre alguns locais onde vamos passar. A de hoje é do nosso ponto de encontro (caso isto vá para a frente), a Casa das Queijadas do Preto.

Por hoje é tudo, sendo certo que podem ver desde já as fotos (não mistério no link abaixo) dos locais onde passaremos.

https://photos.app.goo.gl/X66TkbQsrXhJ2W869

No próximo dia 10 de Fevereiro, voltarei com mais novidades.

01
Set23

O legado dos jornais (locais)

Curiosidades


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Quando somos jovens o tempo escapa-se com uma velocidade estonteante, os estudos, as namoradas, as festas, não nos deixam apreciar nada sobre os locais onde vivemos.

Os velhos, nessa altura eram segundo a nossa perspetiva, uns chatos, quando falavam começavam sempre com a frase -no meu tempo não era nada disto, isto agora é uma pouca-vergonha.

Depois vem a família, o trabalho e nada muda, bem pelo contrário o tempo já não se escapa, pura e simplesmente parece não existir. Os locais onde vivemos são os mesmos mas transformaram-se, acrescentaram história à sua existência, apagando os sinais do passado que se perde à medida que os mais velhos desaparecem.

Quando me reformei, comecei a prestar mais atenção a um jardim próximo da minha casa, cujo projeto, da autoria do arquiteto Raul Lino, o transformou num dos mais belos miradouros que conheço. No local, não existe nada que o ligue a este arquiteto, nem tão pouco existe uma placa com a sua história resumida.

Vai daí, resolvi pesquisar no Jornal de Sintra o que se escreveu sobre este jardim/miradouro. A pesquisa resultou num post que coloquei aqui em 09 de Abril de 2022 sob o título o Jardim da Vigia.

Durante estas pesquisas fui recolhendo outras informações que, não se ligando com o jardim, achei curiosas pelo que resolvi partilhar hoje duas destas notas. A primeira é um cartoon publicado no jornal em 31 de Maio de 1953 e que reproduzo abaixo A linha de Sintra foi inaugurada em 1887, pelo que este cartoon foi publicado 66 anos depois, eu ainda não era nascido, mas o turismo para Sintra já seria uma realidade.

Excursionistas Sintra 31 05 1953 jornal 16318.jpg

Não vou contar aqui a história da Linha de Sintra, apenas vou referir que não foi através desta linha que o primeiro comboio chegou a Sintra.

O primeiro comboio, denominado Larmanjat , chegou a Sintra, em 1873, passando por Ranholas e quer este, quer os que vieram com a construção da Linha de Sintra acabaram por influenciar a história das queijadas de Sintra, nomeadamente as da Sapa.

A outra nota curiosa, que publico abaixo, tem a ver com uma notícia deste jornal em 25 de Dezembro de 1954 e que se refere a um homem que seguia de bicicleta e acabou atropelado por um avião.

Colhido por um avião Jornal 160325 - 25 12 1954.j

Isto aconteceu porque a estrada antiga que ligava Sintra a Pero Pinheiro, atravessava a pista da atual Base Aérea nº 1 e era justamente conhecida por Estrada da Base ou Estrada da Granja, porque esta Instituição Militar está implantada no local conhecido por Granja do Marquês.

Na foto do Goggle que deixo abaixo é bem visível a estrada que atravessava a pista e que liguei com uma linha vermelha a parte que entretanto desapareceu.

BA1 (2).jpg

 

03
Out22

Ranholas


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Ranholas é a principal porta rodoviária de entrada em Sintra. Chega-se apressado, do IC19, com três faixas de rodagem, para desembocar mesmo no limite nascente desta localidade. E chega-se apressado porque o limite de velocidade, antes de chegar ao local da foto abaixo é de 100 km/h.

Este risco indesculpável foi reportado à Infraestruturas de Portugal em Março de 2021, Processo 2021REC01422. Em 01/04/2021, recebi a seguite resposta deste organismo; "Esclarecemos que sendo uma zona de transição de gestão da via entre a IP e o município de Sintra, vamos proceder à alteração da sinalização vertical de forma a resolver a situação o mais rapidamente possível."

Talvez porque a resposta da Infraestruturas de Portugal foi transmitida no dia das mentiras, explique o facto de, até agora, nada ter sido corrigido.

Ranholoas.jpg

É aqui que as três faixas de rodagem do IC 19  se transformam apenas numa, as outras duas, uma segue para Cascais (via A16), a outra segue em direção às praias de Sintra . É por dentro desta localidade que se acede ao centro de Sintra. (Atente-se no limite de velocidade, já lá irei).

A toponímia  Ranholas, ao contrário do que se pensa, nada tem a ver com ranho ou ranhoso, mas sim com o diminutivo de "ranha" termo que é usado em Portugal e na Galiza para designar declive no leito de um rio - "José Pedro Machado Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa." 

E por se tratar de uma pequena localidade, não se pense que não tem a sua importância na historia de Sintra, porque tem e muita. Foi em Ranholas que nasceram as queijadas mais antigas de Sintra, as queijadas da Sapa, pela mão de Maria Sapa. 

"As Queijadas da Sapa tiveram a sua origem em Ranholas em 1756, momento que terá marcado o início da produção industrial de queijadas, com uma produção diária de vinte dúzias, vendidas aos fidalgos que se dirigiam a Sintra.

Em 1887 o comboio a vapor chegou à Estefânia e Ranholas deixou de ser a porta privilegiada de entrada em Sintra, devido à chegada do comboio. Desta forma as queijadas de Maria Sapa, mudam-se então para a Volta do Duche, onde desde então e, passando de geração em geração se mantém até hoje, a produção diária das tradicionais queijadas de Sintra." Ler em comércio com história Queijadas da Sapa.

Em Ranholas, viveu Raul Solnado, até existe uma Avenida com o nome deste artista muito próximo desta localidade e este conhecido artista usou a localidade de Ranholas nas suas paródias, ouvir aqui Raul Solnado Exército de Ranholas

Em Ranholas vive também o conhecido ator Rui Mendes.

O primeiro comboio que chegou a Sintra, em 1873, o Larmanjat, entrava por Ranholas onde tinha uma paragem. Em boa hora, a Pousada da Juventude em Sintra, inaugurada este ano, decidiu atribuir o nome de Larmanjat ao seu café restaurante. Larmanjat.

Estou aqui a vaguear pelo passado para chegar à situação actual da localidade de Ranholas. 

Sendo o IC 19 uma das estradas mais movimentadas do país, o fluxo de trânsito que desemboca em Ranholas é brutal e por isso facilmente se transforma em infernal. O limite de velocidade,  visível na foto acima, nunca é cumprido excepto nos congestionamentos de trânsito, infelizmente  é habitual. Os moradores de Ranholas reclamam e bem, por uma segunda travessia de peões, ainda que de pouco sirva, porque é raro os carros pararem na que existe. Os automobilistas têm medo -fundado, diga-se - de serem abalroados se o fizerem.

Aos Domingos, os motoqueiros passam por Ranholas a velocidades bem superiores ao permitido, ultrapassando ( é proibido ultrapassar dentro desta localiadade) vários carros em simultâneo. Os acidentes são frequentes.

A fiscalização  não existe, quer em termos de controlo de velocidade, quer no toca ao desrespeito diário e frequente do trânsito proveniente de Lisboa,  pela sinalização que proíbe a viragem à esquerda em dois entroncamentos existentes em Ranholas. O piso apresenta-se muitas vezes escorregadio com a humidade que é habitual em Sintra aumento o risco de acidente.

Desconheço se se está a estudar alguma solução para o problema do trânsito desta localidade, mas há uma que, sem necessidade de qualquer obra,  aliviaria bastante o trânsito dentro de Ranholas. 

A solução passaria pela eliminação da portagem entre Sintra e Cascais, uma vez que a maioria do trânsito que provem de Lisboa ,  segue na direção de Cascais. Assim escoaria-se-ia o grosso do fluxo de trânsito pela A16 e não por dentro de Ranholas.

Com esta solução, cada veículo proveniente de Lisboa que segue na direção de Cascais faria  menos dois quilómetros por dia,  um para cada lado, para além de descongestionar o trânsito na localidade e, consequentemente a qualidade do ar, a qualidade de vida das pessoas que ali residem, ainda aumentaria a segurança e fluidez rodoviária.

Segundo um estudo sobre o fluxo de trânsito, levado a cabo pelo IMT, nos primeiros 6 meses de 2021, atravessaram diariamente Ranholas, entre 37 mil a 56 mil veículos. Partindo do pressuposto que metade (é muito mais) se dirige na direção de Cascais, teríamos entre 18 a 28 mil veículos diários fora de Ranholas.

Fazendo uma média, cerca de 12 mil veículos deixariam de atravessar Ranholas todos os dias. Estes 12 mil veículos deixariam de fazer os tais 2km a mais diariamente, ou seja menos 24 mil Km.

Cada carro consome aproximadamente 7 litros aos 100km, diariamente teríamos uma poupança de combustível de 1.680 litros, qualquer coisa como 2.856,00 euros  e ainda uma redução de CO2 na ordem dos 38kg. Anulizando estes valores.

  • Poupança de combustível 613.200 litros
  • Poupança no pagamento do combustível 1.042.440,00 Euros
  • Redução da emissão de gases (CO2) 13.870 kg

Neste caso, a inflação, os custos da guerra, os custos para o ambiente, o custo da importação de combustível, já para não falar da segurança e tranquilidade da população de Ranholas, não serão mais importantes que o custo ambiental que recai sobre todos?

Deixo esta mensagem, porque estou de acordo com o Presidente da República, deve-se explicar aos portugueses, o que aí vem, nomeadamente as consequências da inflação, da guerra e da gula financeira, (ah isto de falar da gula financeira não é politicamente correto)  cujo impacto se refletirá negativamente na vida das pessoas.

Entretanto, como não sou Presidente da República, reconheço que não tenho estaleca sequer para poder candidatar-me, limito-me a alertar para o que já cá está e, como nos podemos enganar uns aos outros com uns galardões.

Se Sintra, mesmo com este problema consegue ser um dos 100 destinos mais sustentáveis Sintra destino sustentável, parece-me que a tarefa de querer salvar o planeta uma utopia. 

Até porque o planeta está-se marimbando para nós, porque ele fica, com bom ou mau ambiente, nós é que podemos desparecer.

Nota Posterior à data do post (17/10/2022) - Entretanto leio o artigo, A Batalha do Nosso Futuro, de Diogo Queiroz de Andrade, na revista do Expresso, Edição 2607, de 14 de Outubro de 2002 e fiquei totalmente esclarecido sobre a questão ambiental , na versão de uma corrente de gente rica, denominada "longtermism" e fiquei esclarecido sobre todas as questões ambientais. Sugiro a leitura, mais que não seja, para ficarem a saber como o Mundo dos "influencers" ricos funciona.

 

 

 

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