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Generalidades

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03
Mar23

Paragens do Tempo


Vagueando

 Numa altura em que vivemos acelerados, sem tempo para usufruirmos do nosso tempo, lembrei-me daquela velha canção de António Mourão “Ó tempo volta pra trás”.

O tempo não para, mesmo quando o relógio que faz o favor de o medir para nós se atrasa, avaria ou deixa de trabalhar por falta de pilha. Corrigido o atraso, reparada a avaria ou substituída a pilha, acertamo-lo de novo, no tempo certo, que ele perdeu, mas que o tempo não se esqueceu de contabilizar.

O tempo, efetivamente, não volta para trás, não se repete, não vem conferir o que deixou.

Para o tempo, o que lá vai, lá vai.

Corre por aqui, por aí, por ali, por todo o lado, dia e noite, com chuva ou com Sol, com calor ou com frio e nem sei se por vezes, não se ultrapassa a si mesmo, ficando muito à frente do seu tempo.

O tempo, como exemplifica António Mourão na sua canção, não é como o Sol, que volta todos os dias. O tempo lembra ao Sol que o movimento não é seu, é da Terra e esta, também não para e gira sempre na mesma direção.

A voragem do tempo consome todos os dias um pouco da nossa vida que muitas vezes não conseguimos desfrutar por falta dele ou porque ele anda rápido demais para o nosso ritmo.

O tempo faz desaparecer tudo, como se por artes mágicas as coisas de um tempo já passado e longínquo, não tivessem sequer existido.

Hoje procurei sinais do tempo (já idos) e que o tempo ainda não conseguiu apagar e descobri alguns exemplares que continuam resistir ainda hoje ao tempo que já não volta.

Até um dia!

Encontrei as 4 exemplos, todos em Sintra.

20230301_104437.jpg

 

Estas 3 paragens representam o tempo que há muito deixou de existir, o tempo até final de 2022 e o mais recente. São paragens, mas não o tempo nunca para, nem ali.

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Encontrei um receptor de emails e sms antigos, onde se deixavam mensagens que um tempo depois, que não o imediato, eram entregues mais tarde.

20230301_111302.jpg

Encontrei um telefone dentro de uma casinha onde entrávamos para telefonar a alguém. A casinha e o telefone não cabina no bolso, não eram móveis, éramos nós que nos movíamos à procura de uma quando queríamos, na rua, telefonar a alguém.

20230301_114520.jpg

Encontrei uma placa para identificar uma estrada na altura em que os carros quase não existiam.

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