É Natal
Vagueando
É Natal e dia de desafio 1 foto 1 texto de IMSilva e não sei, pelo menos até agora altura em que escrevo, se vou arranjar foto para isto, que talvez possa ser um conto de Natal.
Não sei se é da minha idade ou da velhice do Natal, mas estou sem pachorra para aturar a sua transformação.
A mensagem passou de amor ao próximo para amor ao dinheiro do próximo.
Promoções, iluminações, pechinchas, Black Friday, oportunidades, descontos, música (cantas bem mas não me alegras), vendas online, vende-se tudo (alegadamente) ao desbarato, parece aquelas feiras em que o pregão passou da voz rouca e forte para a potência do megafone, embora a tanga seja a mesma.
Pedrito ainda não percebia o alcance das mensagens, nem o engodo, mas para ele significavam querer muito ter……,tudo e mais alguma coisa.
No meio da azáfama natalícia, os pais tentavam explicar-lhe que o Pai Natal não conseguia dar tudo ao Pedrito, afinal existiam outros meninos que apenas tinha pedido uma coisa ao Pai Natal e ele, coitado, também já velho, bem como as renas e o trenó, não conseguiam trazer tudo.
O Pedrito, pequenito mas bem informado, (não sabia o que eram fake news) acreditava em tudo, para ter tudo e mais alguma coisa. Segundo ele, os seus seguidores e amigos online, o Pai Natal tinha que se actualizar, usar as novas tecnologias, usar as plataformas de mulas expresso para fazer as entregas atempadas de tudo a todos.
Onde é que já se viu um velho, a fazer entregas, a carregar prendas e a deixá-las na chaminé? A chaminé é coisa que já nem existe ou existe mas é um tubinho fininho por onde um exaustor (Classe A++++ para ser ambientalmente sustentável), expele os fumos da cozinha e agora a malta quase nem cozinha, recebe a comida em casa.
E isto é a realidade, não é falso, aliás está confirmado pelo fact check).
O velho de barbas brancas só tem que dar a cara nas acções de marketing, no You tube e Instagram, contratar um grupo de tarefeiros para assegurar o sucesso da logística e fazer o Natal Great Again, mas com outro élan.
Reciclar o antigo Natal, talvez seja a definição mais adequada e ambientalmente mais sustentável, sim senhor mas com recurso às melhores práticas e sempre, mesmo que de forma fingida e falsa, com mensagens de amor e solidariedade, só para não se perder o espírito e a confraternização familiar com sorrisos amarelos à mistura.
Não é preciso juntar a família em casa, pode ser no hotel, mesmo que longe de casa, com tudo incluído, obviamente as prendas também, quem não pode ir (ou não quer ir) pode sempre juntar-se por vídeo conferência no Whats App e brindar na mesma.
Estão a ver a importância de uma boa logística de distribuição e da necessidade de recorrer a uma empresa de trabalho temporário de fornecimento de mulas expresso sazonais, para assegurar o pico de distribuição de prendas na noite de 24.
Os pais estavam horrorizados com a lógica do Pedrito e até lhe diziam que quando tinham a mesma idade do que ele, essa ideia seria motivo de gozação, e que na época era apelidada de lógica da batata.
O Pedrito chamou-lhes cotas, que não percebiam nada de nada e que agora o que estava a dar era querer tudo e mais alguma coisa, que se lixe o resto.
Os pais, chamaram-no à razão e disseram-lhe; Filho, está na hora de aprenderes que ninguém dá nada a ninguém.

Olhei para o céu com a sua luz natural mas que até me pareceu falsa, tudo já é falso, mas é Natal.
Verdade?


