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Generalidades

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13
Jun21

Sintra, Sol e nevoeiro


Vagueando

O Sol, a que chamam astro-rei, tem o poder de nos aquecer e iluminar. Contudo, não tem a capacidade de escolher o que aquecer e iluminar.

Cabe à Terra, com o seu movimento de rotação e trasladação, decidir onde e quando o Sol ilumina e aquece. Para além disso, o Sol ainda está limitado na sua acção, pelas nuvens, pelas montanhas, pelo nevoeiro, pelas florestas.

Mas o Sol, não fosse ele o Astro Rei, tem gostos e simpatias e, notícia em primeira mão, confirmada pelo fact-check, o Sol gosta muito de Sintra.

Sintra não é fácil de se deixar ver, quer a turistas, quer ao próprio Sol, gosta de se esconder por baixo do nevoeiro. Até para mim, que aqui resido há 63 anos, quando está nevoeiro, tenho muita dificuldade em ver o portão da minha casa, quanto mais ver a Serra, os monumentos e os jardins.

Se o astro rei fosse dotado de movimento próprio, estacionava em Sintra. E quando resolvesse dar uma volta, passava rapidamente pelo país do sol nascente, apenas para cumprir o protocolo e vinha deitar-se junto ao mar, logo após se despedir do fim geográfico da Europa (convém referir para não se confundir com o fim político e social da mesma) e ficaria ali, eternamente, a contemplar Sintra, a sua serra, os seus palácios e o castelo.

O Sol deitado no mar, sem nevoeiro, deslumbra-se com tanta beleza e cor. A sua luz entra pelas janelas dos palácios criando sombras fantasmagóricas que não vê mas imagina.

Ao fim de tantos séculos a passar por aqui, ainda não conseguiu perceber se a beleza, a cor, a nitidez, deriva da sua própria luz ou se da reflexão da mesma na serra e nos seus monumentos.

A Terra não lhe concede tempo extra, continua no seu movimento imperturbável. O Sol, por vezes, em jeito de agradecimento, pela ausência de nevoeiro, deixa ver, por breves instantes o raio verde, mesmo onde o mar e o céu se juntam mas não se confundem.

Gostaria de dizer ao Sol que, mesmo com a sua luz filtrada pelo nevoeiro ou mesmo de noite, Sintra continua bela e tenho pena que o Sol nunca consiga ver a sua beleza nestas alturas.

Quem sabe, um dia, o Sol, possa reinventar-se e passar por cá uma noite destas, sem dar nas vistas - afinal há países onde o Sol passa por lá à meia-noite - para ver que mesmo sem a sua luz e o seu calor, Sintra continua bela e propícia ao amor.

Para que não me acusem de mentir, coisa que já fiz aqui https://classeaparte.blogs.sapo.pt/mentira-16889 deixo, no link abaixo, algumas imagens de Sintra, da sua serra e dos seus palácios onde fica evidente que o Sol e o nevoeiro têm um especial apego a esta maravilhosa e misteriosa vila.

https://photos.app.goo.gl/gmEXqwchQejoWoEy5

24
Jun20

Menos de 1km


Vagueando

O que represente para si, caro leitor(a) uma distância razoável para caminhar?

Não, não me responda, siga.

Pensei em escrever sobre as fotos que tirei recentemente em Sintra mas achei por bem libertá-las aqui, deixando algumas dicas, deixar-vos em sossego para observarem e, se calhar, deixarão de ter vontade de continuar a ler.

Dica 1 – Para observar estas imagens, terão que andar menos de 1km partindo de qualquer uma das imagens observadas.

Dica 2 – Foram tiradas no Jardim da Vigia, também conhecido por Miradouro da Condessa de Seisal ou nas suas proximidades.

Dica 3 – É pouco provável que encontrem o gato.

Dica 4 – Pode acontecer que se cruzem com o cão que, sendo super manso e terno, é completamente doido.

Dica 5 – É provável, mas não garantido, que na ponta da trela do cão esteja o Vagueando, um pouco cansado porque o cão, para além de doido, puxa muito pelo dono.

Dica 6 – É muito provável que a luminosidade das fotos não seja aquela que vão encontrar. Podem muito bem não chegar a ver um palmo à frente do nariz. O nevoeiro também gosta, tal como eu, de vaguear por ali.

Dica 7 – Aqui fica o link para as fotos.

https://photos.app.goo.gl/w8cCD1G59NtCAvuB6

 

24
Abr20

Um lugar ao Sol


Vagueando

20200423_180639.jpg

 

Na década de 80 vibrava-se, com os Delfins e a sua canção, “Por um lugar ao sol.”

Sempre gostei desta música embora nunca tenha gostado de me expor ao Sol. Recordei-a hoje, por um detalhe do tipo, lusco fusco, que dura tão pouco que mal temos tempo para apreciar.

Estamos confinados em casa, privados do nosso lugar ao Sol, sem lugar para ver o Sol ou num lugar sem ver o Sol.

E ainda dizem que o Sol quando nasce é para todos!

Tenho sorte de viver em Sintra e poder sair para pequenos passeios a pé com a minha mulher e com o meu cão.

Consigo fazê-los sem ver gente, sem ver movimento, sem ver acção, sem ver tuk tuks, sem ver turistas, sem ver sequer residentes, sem ver fontes produtoras de ruído, sem ver o que provoca sons tão melodiosos que pensava já não existirem, tudo tão diferente, tudo tão estanho.

Apenas a humidade e o nevoeiro não mudaram em Sintra, no meio de tanta mudança.

A pé temos tempo para tudo, para olhar, para observar, para fixar, mas não temos muito tempo para provar o que os nossos olhos descarregam no cérebro.

A foto que serve de tema a este post esteve ali disponível durante menos de 30 segundos, lá está, a única coisa que não mudou com o maldito vírus foi o nevoeiro, a humidade e as nuvens que gostam muito de tapar a serra de Sintra.

Assim durante 30 segundos tive o meu lugar ao Sol, mas nem sequer tive tempo para me sentar.

Reza a música dos Delfins.

“Não pares de lutar agarra o dia ao nascer há uma batalha a travar que só tu podes vencer... só tu podes vencer”

Eu quis agarrar aquela réstia de sol que se esgueirou. Mas não foi possível. Não era o dia a nascer era o ocaso do Sol.

Fez-me lembrar a Balada da Neve de António Gedeão;

"Batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente e a chuva não bate assim"

E  o sol neste local, mesmo sem nevoeiro ou nuvens, ao nascer, não bate assim, nem ali, nem está lá gente para o receber como, certamente, merecia.

Espero que todos possamos, rapidamente, voltar a ter o nosso lugar ao Sol, na cidade, na praia, no campo e, porque não em Sintra.

Pode ser que as nuvens, o nevoeiro e o vírus nos concedam esse desejo e deixem de bater por aí, porque se as nuvens batem levemente o vírus não pode bater assim, em tanta gente.

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