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Generalidades

Generalidades

21
Dez23

Dois cafés e uma taça de esparregado


Vagueando

Desafio 1 foto 1 texto de IM Silva

Blank 3 Grids Collage.png

Acredito que ninguém goste que o telefone toque enquanto estamos a fazer a nossa refeição, mas às vezes há boas surpresas.

Almoçava com a minha mulher, num restaurante algures no Alentejo, toca o telefone. Atendo, é o meu filho que, a meio da conversa, me pergunta onde estou. Respondo-lhe a almoçar num restaurante.

Volta à carga, mas onde? Em …(não quero que pensem que venho para aqui fazer publicidade).

É pá uma das minhas colegas, que é daí da terra já me falou nesse restaurante e disse-me que serve o melhor esparregado do Mundo.

Como já tinha almoçado, por acaso estava mesmo para pedir os cafés quando o telefone tocou e o esparregado não tinha feito parte da refeição, quando chegou a hora de pedir as duas bicas acrescentei, olhe e queria uma tacinha de esparregado.

A senhora olhou para mim de lado e antes que pensasse que era maluco, contei-lhe a história do telefonema e acrescentei que adoro esparregado, pelo que gostava de o provar o vosso.

Lá vieram os dois cafés e a taça de esparregado.

Se é o melhor do Mundo não sei, mas que foi o melhor que comi, ainda por cima em sobremesa, lá isso foi.

Jurei que voltaria para o ano, logo no início, para comer um prato que inclua o famoso esparregado.

30
Nov23

Depois das vistas curtas as vistas baixas


Vagueando

 

Daqui a pouco, sensívelmente duas horas, é hora de cumprir o desafio 1foto 1 texto, lançado por IMSilva.

Jogando na antecipação, coloco desde já a minha participação.

20231119_080527.jpg

A partir do dia em que nos erguemos para começarmos a andar e, simultaneamente, a crescer e a ganhar altura, começamos a ver o que nos rodeia sempre do nosso ponto de vista e apenas o que está à nossa frente.

Assim, ao longo da nossa vida, os nosso olhos observam o mundo à altura da nossa altura e, por isso quem sabe, frequentemente referimos que temos que estar à altura dos acontecimentos.

Quando caímos, a nossa primeira reação é levantar-nos, de preferência rapidamente, para que ninguém se aperceba da nossa queda.

O nosso corpo é como um tripé de uma máquina fotográfica, ainda que funcione ao contrário deste, já que são as nossas pernas que giram quando queremos ter uma visão de 360º .

Como sempre gostei muito de fotografar, as primeiras fotos que fiz tinham que incluir sempre pessoas, desde que estas estivessem generosamente banhadas pela luz milagrosa do Sol. Não passava pela cabeça de ninguém (que eu conhecesse) tirar fotos onde não estivesse alguém, primeiro porque as pessoas eram o centro das atenções e depois porque fotografar era caro, muito caro e não valia a pena gastar dinheiro com fotos onde não estivessem pessoas.

Contudo, eu tinha outros olhares, mas não os podia mostrar, não me era permitido fotografar o que via, desde que lá não estivessem pessoas.

Mais tarde, com o primeiro emprego e com a minha primeira máquina, comecei a destruir dinheiro em revelações e impressões de fotos sem pessoas mas, desilusão, não correspondiam ao que tinha visto ou então não gostava de ver na foto aquilo que tinha gostado de ver sem a máquina fotográfica à frente dos olhos.

Descobri que a minha visão e a visão da máquina fotográfica registavam coisas diferentes, embora a perspetiva do olhar fosse o mesmo, ou seja, a lente e a minha visão estavam ao mesmo nível, ainda que a amplitude do meu olhar fosse superior à amplitude da lente.

Entretanto, descobri que gosto de ver o mundo como se os meus olhos estivessem muito mais baixos, digamos nos pés e comecei a fazer fotos ao nível do chão.

Curiosamente, a este nível tão baixo, as fotos que obtenho satisfazem-me, mesmo com o sacrifício de me deitar no chão para as obter e confesso, que ao contrário do que sentia antes, agora gosto mais do resultado obtido com as fotos do  aquilo que vi quando as realizei.

Como nota final, tenho que acrescentar que não me deitei no chão para realizar esta foto, que fique bem claro, ainda que a luz não permitisse, aquela hora do dia, total clareza.

Tenho que dizer isto, porque normalmente quando alguma atividade oferece algum risco, nomeadamente físico, costuma-se escrever “não tente fazer isto em casa”, mas no caso desta foto eu acrescento “não tente fazer isto na rua”.

13
Set21

Competência vacinal


Vagueando

Não existem dúvidas que o processo de vacinação contra a Covid 19 em Portugal foi um êxito estrondoso e até um exemplo para o Mundo. E parece ser unânime que o sucesso desse processo tem um nome, Almirante Gouveia e Melo.

Contudo, não posso deixar de relevar o papel da EU, nomeadamente da Presidente da Comissão Europeia, Ursula Gertrud von der Leyen, na aquisição das vacinas, sem o qual este processo, por mais competente que fosse a sua gestão, nunca seria tão eficaz e rápido.

Reconheço ao Almirante Gouveia e Melo a grande capacidade de prever, gerir, adaptar e implementar os procedimentos necessários para maximizar a capacidade instalada. Desde a segmentação por idades à modalidade casa aberta e à possibilidade de se tomar a segunda dose em qualquer posto do país, até às suas deslocações imediatas aos locais onde estavam a ocorrer anomalias, demonstraram competência, honestidade e muito profissionalismo.

Importa referir, sobre as suas deslocações aos locais de vacinação, dois sinais claros que deixava a todos os intervenientes no processo;

Um - De que havia empenho de quem estava a gerir, que se estava em cima do acontecimento, que não seriam toleradas as habituais quintinhas e compadrios, dado que tudo estava a ser acompanhado e controlado.

Dois – De que havia apoio de cima e que esse apoio se materializava em correções imediatas e que depois delas, ficava demonstrado, rapidamente, que o processo melhorava.

Outro dado importante, utilizou-se no processo a prata da casa. A prata da casa, foram funcionários públicos, técnicos de saúde pública que a maioria das vezes são acusados de não trabalharem ou de não quererem trabalhar.

Muitos gestores públicos e privados, devem sentir-se envergonhados. Quando existe competência, quando a motivação é verdadeira, quando a missão é credível, quando se acompanha os intervenientes, quando os objectivos são atingíveis e perceptíveis ao longo do tempo, as equipas funcionam e orgulham-se do seu trabalho.

O Almirante, demonstrou que a gestão, para ser boa, não necessita de ser paga e ainda premiada a peso de ouro para funcionar.

De aplaudir também, o papel das autoridades, dos voluntários e também do povo português, cuja mobilização foi extraordinária.

Para aqueles que afirmam frequentemente, não servir os militares para nada, ficou provado que não só fazem falta, como são competentes.

Com orgulho, concordo em absoluto que o processo de vacinação foi um tremendo êxito e agradeço a todos a lição que deram ao país, oxalá o país tenha aprendido alguma coisa com ela.

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