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Generalidades

Generalidades

10
Out21

Ai,ai, o Outono ainda agora chegou


Vagueando

 

20210923_091159.jpg

A natureza é perfeita, segundo dizem, embora eu discorde.

Talvez o problema seja meu, humano, sensível a estados de alma e a minha alma não gosta nada do Outono.

Aliás se a natureza fosse perfeita, não existiram terramotos, dilúvios e vulcões que destroem um pouco de tudo por onde passam, incluindo vidas humanas e vida selvagem. Dizem que a culpa é nossa que contribuímos e muito para que a natureza seja agressiva. Pois que seja agressiva connosco, se nos julgar culpados. Contudo, se fosse perfeita não seria agressiva com a vida selvagem a qual, supostamente, vive em perfeita harmonia com a natureza.

É por isso que existem humanos a defender, com unhas e dentes, a dita, por vezes provocando uma autêntica selvajaria, que a vida selvagem não usa.

Regressando ao Outono essa maldição que, com uma beleza estonteante, se abate sobre mim.

Detesto-o, aliás se a natureza fosse perfeita jamais permitira que uma estação (do ano) passasse pela Terra, quanto mais implantar-se por cá durante 3 meses.

O Outono desencanta-me, deprime-me, tira-me luz ao meu dia, transformando-os em meios-dias de luz, ou menos, quando o nevoeiro estaciona em Sintra, piorando ainda mais a minha angústia.

Porque não um Outono, com frio, com chuva, com vento, com tudo aquilo a que tem direito, mas com dias grandes?

A Ciência a Astronomia explicam-nos a razão pela qual os dias encolhem no Outono mas eu não quero que me expliquem, gostaria que fosse de outra forma e ninguém tem a solução para evitar chegada ou a passagem do Outono, pelo menos em Sintra.

Quando me dizem não há impossíveis, desato-me a rir.

Quem me dera, que me desculpem os ecologistas, poder viajar agora mesmo, de preferência num jacto supersónico, para o hemisfério Sul. Ficar por lá durante a sua Primavera e o seu Verão e regressar de novo a Portugal só no próximo mês de março.

Como infelizmente não posso, vou vendo o Sol cada vez mais deitado a fingir que ilumina as ruas e as árvores com cada vez menos folhas e vou deliciando-me (a única coisa que me anima nesta altura do ano) com as múltiplas cores que as árvores de folha caduca apresentam.

Não há paleta de cores que represente tão bem aquele colorido das folhas caídas. Se calhar, afinal, a natureza é perfeita!

O Sol também merece descanso ou seremos nós que merecemos noites maiores para dormirmos e descansarmos mais?

Não sei se alguém padece deste mal. Se sim poderíamos formar um movimento anti-outono, assim como assim, há por aí muitos movimentos anti-qualquer coisa, seríamos apenas mais uns a fazer figura de urso.

Por acaso não sei se os ursos gostam do Outono, mas acredito que gostem destas fotos, até porque, tanto quanto sei, não há ursos em Sintra e como ainda não pertenço a nenhum movimento anti-outono, julgo eu, não estou a fazer figura do dito.

Tenho dito e mais não digo, porque o silêncio também fala, em especial no Outono.

Com este desânimo quase me esqueci das fotos, que podem ser vistas no link abaixo. As minhas desculpas para a fraca qualidade, mas a minha máquina fotográfica, quem sabe por causa do Outono, tem-se recusado a sair comigo, pelo que tenho recorrido ao telemóvel, esse amigo/inimigo que nos acompanha por toda a parte.

https://photos.app.goo.gl/wuUj4Ei2uGwGpPVv9

 

 

22
Set20

As portas


Vagueando

Vejo portas por todo o lado. Contudo, atrás delas nada se vê, como se nada houvesse para ver. Vejo e sinto o medo de as abrir, sair ou entrar. As portas já não se mexem, não servem para entrar e sair.

Tornaram-se no símbolo da clausura.

As portas que antes se destinavam a resguardar a nossa intimidade e privacidade tornaram-se, sem novo acordo ortográfico ou alteração do seu significado no dicionário, mesmo sem serem portões de uma qualquer prisão, no símbolo da nossa prisão domiciliária, sem pulseira electrónica mas com a app, de sabor amargo, a Stayaway Covid.

É uma sensação estranha, igual à que sinto perante a luz do mesmo Sol. Na Primavera sinto alegria e no Outono, não me sentindo necessariamente triste, fico mais abatido. Estas portas fechadas na Primavera e Verão, transforam luz do Sol da Primavera, na luz do Sol de Outono.

As únicas portas que parecem ter movimento são as giratórias entre tachos, amigos e compadrios comportamentos, curiosamente, pouco sadios, no tempo em que está em causa a saúde pública.

As portas onde especialistas em saúde, epidemiologistas debatem, à porta fechada o problema para o qual não têm solução, mandam, porta fora, o máximo de coeficiente de cagaço, o qual se resume a feche a porta e não respire.

Em consequência, as portas para quem tem trabalho, parece que vão começar a abrir e a fechar em horários desfasados para não se juntar tudo, ao mesmo tempo, às portas dos transportes. Curiosamente ou não, as portas para quem não tem trabalho vão manter-se, por muito tempo, infelizmente, fechadas, quiçá a sete chaves. Estão fechadas a todos os que andam de porta em porta à procura de emprego e, se alguma delas se abrir, é engano, serão de imediato fechadas na cara de quem lhe bateu e se se mantiverem abertas, dificilmente serão boas portas.

A minha porta está triste porque não vê os meus amigos, nem os meus vizinhos. Sim, a minha porta é muito sensível ao tacto, gosta de ser puxada e empurrada por estranhos e de ser violentamente atirada contra o batente pelas correntes de ar. Nem pensar, o vírus pode entrar no meio de tanto ar. Não é uma porta falsa, nem que se fecha na cara de alguém, não é porta de armas, é porta que se comporta de acordo com as melhores práticas de serralharia e opera apenas e só dentro do seu limitado raio de acção, suportada pelas suas velhas dobradiças.

Vejo outras portas por aí com algum movimento é certo mas trocam sms com a minha porta e queixam-se da tristeza que sentem de ser tão pouca gente e quase ninguém lhes toca com as mãos, uns empurram com os pés, outros empurram com o corpo em marcha atrás e outros com os cotovelos. E o pior é que não conseguem ver ninguém a sorrir mesmo que essa bela expressão esteja presente no rosto de quem está feliz (o que é difícil) as máscaras tiranas, não deixam as portas espreitar o sorriso de alguém. Assim apenas observam o medo espelhado nos olhos de quem entra e de quem sai.

Nem as portas de cores vivas e modernas ou de vidro transparente, bem polido, deixam transparecer alegria, vivacidade, curiosidade ou afecto, todas as pessoas tem o mesmo aspecto, todas de máscara na cara. Antes era sinal de assalto, agora é sinal de que fomos todos assaltados; Roubaram-nos a liberdade e a das portas também.

Até as portas de um hospital já se fecharam ao público por causa do vírus e também se fecharam em copas nas explicações da razão de tal procedimento, violento, o que lamento.

Custa-me ver portas fechadas por medo, não por respeito ao descanso ou à privacidade, parece que estamos todos às portas da morte.

Nem no Tejo, onde as suas margens estreitam, se fecharam as Portas do Ródão, continuam bem abertas a respirar e a deixar passar o ar e o rio, que não se confinaram.

Vamos fechar as portas ao medo e abrir as portas à esperança, porque não quero que a porta da minha e das vossas casas se transformem nas portas da nossa prisão.

Deixo aqui as fotos de algumas portas fechadas por esse país fora, na esperança de as vejam como eu gostaria de ver, com movimento, com gente, sem ferrugem nas dobradiças.

https://photos.app.goo.gl/zWHRcYiJdKvngWG46

 

21
Ago20

A(s) sombras são


Vagueando

20200821_171121.jpg

 

As sombras são luz que não passa

São fantasmas que aparecem de dia

São imagens que espingarda não caça

São o que são, não o que eu gostaria

 

De um lado a realidade, do outro a sombra

A cópia fiel do original, desenhada com  luz

Será porta de  prisão que assusta, assombra

O prisioneiro procura  ter a salvação da cruz

 

Na imagem, a cor, as folhas, o preto

O preto da sombra, o preto do portão

É gradeamento, é ferro, não é esqueleto

Vou-me embora, levo o vírus deste Verão

 

(Sintra, Volta do Duche - 21/08/2020)

 

01
Jan20

Escrever no primeiro dia do ano


Vagueando

Rua.jpg

 

Ainda ontem, mais precisamente o ano passado, estava queixar-me da falta de gana e de inspiração para escrever e aqui estou de novo, no primeiro dia de 2020 a escrever, com tanta gana que o teclado está quase a ceder á fúria e à força dos meus dedos e cheio de inspiração, julgo eu.

Mas quem sou eu para avaliar os meus dotes inspirativos? Bom não sou ninguém, estou apenas a fazer um exercício de auto avaliação que, como se sabe, está muito em voga pelo mundo. Para se poupar nos custos, agora são empresas que se auto avaliam e remetem os resultados aos respectivos reguladores. Neste sentido, não estou a inovar absolutamente nada, apenas e só, a seguir as tendências actuais e as melhores práticas.

Então, perguntar-me-ão o que há de novo para partilhar? Nada de interessante.

Nunca fui dado a excessos, sendo que muitas vezes nas épocas festivas ingiro normalmente menos calorias e bebo menos que no dia a dia. Ver muita comida deixa-me sem fome. Daí que não estou de ressaca a seguir às épocas festivas.

Assim saio bem cedo de casa e tenho todo o espaço, aprecio a falta de trânsito, a falta de pessoas, o silêncio e a tranquilidade que as ruas oferecem. É fascinante, em espacial num dia bom como é caso de hoje,- ver a luz a entrar pelas ruas, completamente despovoadas de gente e de carros.

Quando começou a moda de se criar um dia sem carros, nunca funcionou. Os verdadeiros dias sem carros são dias como o de hoje, de manhã, bem cedo. Logo a partir do meio do dia tudo volta à confusão, gente na fila para almoçar, nunca percebi este tipo de motivação, começar o ano, com stress e confusão, comer mal e caro, estar de pé á espera por uma mesa, apanhar trânsito com fartura junto aos restaurantes, assistir às primeiras asneiras na condução, que não são mais que a repetição dos constantes atropelos, exibidos ao longo do ano passado ao Código da Estrada, contribuindo para as negras estatísticas de sinistralidade rodoviária.

E pronto, Bom Ano.

17
Jul19

Inspira, Expira, Inspira-te!


Vagueando

Árvores.jpg

Olho, observo, vejo luz, cores, sinto a brisa refrescar

Pode uma imagem falar ou transmitir inspiração

Lá estou eu para aqui a falar sozinho, a divagar

É uma imagem, não mais do que isso, ou é ilusão?

 

Eu vejo, tu vês, ele vê, nós vemos, vós vedes, eles veem

Não vemos todos a imagem, da forma que eu a vejo

Lá está, uns gostam, outros não, não acreditam, descreem

Faltou-lhes sentir o aroma, para despertar o olhar, o desejo

 

O poder da luz que molda e enaltece tão bem a natureza

A tecnologia grava o momento, mas não a nossa memória

A beleza, vem da luz ou das árvores? Não tenho a certeza

Dou voltas e mais voltas, para explicar, falta-me retórica

 

Gosto, porque gosto, porque sim, não sei como explicar

Expliquem-me então; Porque gostam ou porque não

Nada mais consigo adiantar, não vou mais dissertar

Estou cansado, faltam-me argumentos, não há emoção

 

Estas árvores existem, no Parque da Liberdade em Sintra

Não é realidade virtual, é tronco e folhas, escolha a cor

Vá lá ver, à hora certa, para conseguir ver o que vi e Sinta

Não vá à toa, escolha bem a hora e o dia ou terá um dissabor

 

É que para ver o que eu vi, não basta ir, é preciso saber olhar

Esperar que a Terra coloque o Sol a jeito, ali no angulo certo

Parque da Liberdade, use-a, movimente-se, só não pode voar

Será bem recompensado com a alegria de ficar boquiaberto

 

 

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