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Generalidades

Generalidades

23
Jan26

Presépio ao Sal


Vagueando

Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

Para este desafio trago hoje uma história à volta de um presépio.

20251228_173837.jpg

Começa com uma luz divina(l).

 

Recordo com nostalgia os meus tempos de criança na casa dos meus avós no Algarve. Estou quase tentado a dizer que era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada, como a canção de Vinicius de Moraes.

Não era bem assim mas era quase. Não tinha eletricidade, não tinha água canalizada, não tinha estrada para lá chegar, não tinha teto, mas apenas telhado, mas tinha diversão, amor, carinho, boa comida e boa disposição.

A casa, longe das praias e das vilas, os dias eram de labuta no campo e as noites de convívio, conversa e de jogos de cartas.

Um familiar do meu avô vivia noutra casa muito próxima, construía todos os anos, com devoção, amor e carinho um presépio com figuras de barro, que andava sempre a comprar. Para o compor usava musgo e terra, pedrinhas e raminhos que colhia no campo imenso que nos rodeava. As cores dominantes eram verde do musgo e das plantas, o vermelho da terra, o cinzento das pedras, o amarelo da luz das velas e as restantes, vinham das figuras do presépio.

Tudo muito simples mas muito bem composto e arrumado. Com o tempo o número de figuras aumentou, o espaço foi sendo cada vez maior e depois da revolução, com a a chegada da luz eléctrica o presépio sofisticou-se, introduzindo-se o movimento e alguma iluminação, mas nunca perdeu a sua mística anterior, o simbolismo, nem as figuras antigas.

Gostava de ver, infelizmente as poucas fotografias (na altura a fotografia era cara) que o meu pai tirou ao presépio, a preto e branco perderam-se. Contudo, o gosto de ver presépios nunca o perdi, pelo que todos os anos vou visitar alguns e este ano escolhi o Algarve.

Visitei o de Vila Real de Santo António, grandioso, muito bem construído, com uma representação histórica muito completa, o dos Bombeiros de Tavira e o da Casa do Sal em Castro Marim.

Todos mereceram a visita, mas fiquei fascinado com o da Casa do Sal.

O enorme tapete branco feito de sal, resultou espetacular, realçou as cores das magníficas figuras, quase que me senti vivo lá dentro, encarnando uma daquelas figuras a vaguear por aquelas casas, feiras, ruas, e assistir ao nascimento de Jesus.

Este presépio, ao recorrer abundantemente ao sal, conta em simultâneo a sua história e o que representou e ainda representa para a humanidade, o valor que tinha como moeda de troca, o gosto que empresta às refeições, a purificação que lhe é atribuída por algumas culturas e civilizações.

Por outro lado, a sua cor branca, representa paz, tréguas, pureza, limpeza.

O branco funciona como símbolo de nova oportunidade em que o passado foi limpo. Escrever sobre o branco é liberdade, é recompensador é reconhecer a ligação da terra ao mar.

Por tudo isto, elegi o Presépio da Casa do Sal em Castro Marim, um dos mais bonitos que vi até hoje, pelo que o partilho no link desta frase.

29
Mai25

Basta para não dizer chega


Vagueando

Participação XXIX, Ano II, no Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

Fascina-me o feito do nosso navegador Fernão de Magalhães.

Actualmente navegar naquela zona, com todo o conforto pessoal e com a ajuda dos meios tecnológicos avançados é fácil mas, quando passamos por aquele rendilhado de canais apercebemo-nos da epopeia que Fernão de Magalhães levou a cabo, é algo que só está ao alcance de grandes homens.

Ao ler o livro de Gonçalo Cadilhe, "Nos Passos de Magalhães, detenho-me na descrição feita por este escritor sobre a viagem que Magalhães faz a em 1518, durante 28 dias de Sevilha até Valladolid, passando por Córdoba, com o objectivo de obter o apoio que lhe foi recusado por Portugal, para a sua expedição.

E é em Córdoba que me detenho, pela curiosidade de visitar a Mesquita Catedral de Córdoba.

A história desta mesquita faz-nos lembrar como está correta a nossa postura de hoje perante a descoberta de vestígios do passado, não destruir, estudar e deixar evidência dessa descoberta.

No passado, por desconhecimento, por vingança, por guerra, em nome da religião, destruía-se o passado, erguendo em cima o presente, o novo pensamento, a nova conquista.

Ao visitar a Mesquita Catedral de Córdoba, cujo interior é belíssimo e cheio de nuances de luz que mudam consoante a rotação da terra, estava focado na luz que incidia no chão e tirei uma foto. Na fração de segundo seguinte, entra em cena uma criança que desconheço, apareceu ali, no meu plano, na minha foto e disparo de novo.

É essa foto da criança que trago hoje ao desafio.

Criança.jpg

 

Ao ver aquela criança naquele local, no meu plano, naquela luz, recordei e partilho convosco, o passado deste monumento. A Mesquita foi construída do Século VIII, em cima de uma Basílica Visigótica em honra de S.Vivente. Contudo, esta Basílica já havia sido construída em cima de um Templo Romano.

As suas colunas dão a sensação de um espaço imenso de um infinito inatingível, perspectivas estonteantes, sem perder nunca o alinhamento entre elas.

Não sei se Fernão Magalhães entrou neste monumento, quando em 1518, passou por Córdoba, mas se o fez ainda o viu na forma original, já que, em 1523 Carlos V, que apoiou a expedição de Magalhães, autoriza a construção de uma capela barroca no interior desta mesquita, vindo a arrepender-se amargamente, quando visitou o monumento três anos depois.

Espero, em nome daquela criança e de todas crianças que saibamos hoje educa-las de modo a não se destruir o passado e acima de tudo que a religião não seja o mote para radicalismos destrutivos. Basta, para não dizer Chega, a História tem que servir para prevenir os erros do passado.

 

02
Mai25

A Força da Luz


Vagueando

Participação XXVI, Ano II, no Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

A foto é minha, parte do texto não. A ideia de a ligar a uma afirmação e a uma pergunta de duas personalidades conhecidas do público em geral, também é minha.

  • Olhar de cima para baixo somente para ajudar o próximo a se levantar (Papa Francisco).

 

  • A quem posso perguntar o que vim fazer a este mundo? (Pablo Neruda).

PA050009.JPG

Este foto, tirada em 15 de Outubro de 2015, às 7h e 40m, pouco tempo depois de descolar do Aeroporto de Lisboa, é um bom exemplo de como olhar para baixo pode ser belo quando estamos no ar e humilde quando, com os pés bem assentes na terra, nos revemos nas palavras do Papa Francisco.

Por outro lado, ao olhar para esta foto, não posso deixar de fazer a mim mesmo, a pergunta de Pablo Neruda.

Bom fim-de-semana.

21
Mar25

Momentos


Vagueando

Participação XXII, Ano II, no Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

Sexta - Feira é dia deste desafio. A depressão Martinho, tenho um amigo com este nome que se fartou de ser insultado nos últimos dias, trouxe instabilidade climática a todo o país, com a ocorrência de prejuízos materias de monta mas, felizmente, sem vítimas mortais, ainda que na minha zona em Sintra uma mulher tenha ficado gravemente ferida, a quem desejo a sua rápida recuperação, devido à queda de uma árvore.

Este ano está a ser particularmente chuvoso e os muros de Sintra estão pejados de musgo. A abundância de chuva, ainda que nos condicione, garante-nos um bem essencial à vida, e para a fotografia é óptimo porque limpa o ar de todas as impurezas, tornando-as mais nítidas pelo que a luz brilha ainda mais.

A foto que trago hoje é de um desses muros que durante uns segundos, no intervalo das muitas nuvens resolveu ilumina-lo de forma generosa e tive a sorte de poder captar esse fugaz brilho.

 

Gostei bastante do resultado pelo que a minha legenda para esta foto é "Momento Monumento"

20250318_171138.jpg

 

24
Ago24

Nuances de luz


Vagueando

Do Jardim da Vigia em Sintra é possível assistir a um espetáculo de luz natural, em especial de manhã ou ao final da tarde, porque a neblina marca quase sempre presença, o que permite (às vezes nem por isso) assistir à passagem do Sol por entre as nuvens, o que confere ao jardim e à paisagem que dele se avista tonalidades fantásticas.

Adoro este jardim, talvez o mais belo de Sintra, porque para além de  pequeno, erguido em cima de uma antiga pedreira é um miradouro, não daqueles em que se olha para baixo, mas daqueles em que se olha para cima.

E lá em cima existem três montes, o monte Sereno, onde está o Castelo Gregório, o monte onde está o Palácio da Pena e o monte onde está o Castelo.

Duas curiosidades, a primeira é que muitas vezes chegamos a este jardim e só vemos nevoeiro e um palmo à frente do nariz. A segunda é que quando não há nevoeiro, conseguimos ver a escadinhas (da Vigia) do seu lado esquerdo e descendo-as, podemos aceder a qualquer um dos montes, sem ver carros por perto, uma delícia.

Descer estas escadinhas é fácil, há quem diga que terão sido o primeiro caminho para o Castelo, mas depois atingir qualquer um daqueles montes é um pouco mais difícil mas muito relaxante.

Feita a introdução deixo umas fotos onde poderão facilmente ver as nuances de luz que fazem do jardim uma beleza e, certamente, não deixarão de perceber que umas vezes, lá no topo é possível ver o Palácio da Pena, noutras vezes nem por isso.

Nota Final - Estas fotos foram todas obtidas hoje, no espaço mais ou menos de uma hora em que estive a admirar este jardim, que lhe chamo meu por adoração, mas é público felizmente e é gratuito.

Bom passeio.

28
Mar24

Imagia

A magias das imagens


Vagueando

Há locais mágicos, tão mágicos que quando os descobrimos ficamos tão surpreendidos que nem acreditamos que sejam obra paciente da trova do vento que passa.

Estamos num tempo sem tempo, para fruir o tempo, queremos tudo a que temos direito, já - ontem!

A pressa, a pressão fazem de nós humanos, idiotas úteis, tão úteis que achamos que todos os outros que recusam a pressão, são idiotas inúteis, incapazes de apreciar a (boa) vida (em especial online) e o tempo.

E no crescendo da idiotice útil e na falta de disponibilidade dos alegados idiotas inúteis, para exigir tudo e rápido, deixamo-nos enredar pelos “benefícios” da Inovação, da Inteligência Artificial, onde só vemos vantagens e proveitos.

Ansiamos pela criação de robots que façam tudo aquilo que não gostamos e mais, que pensem por nós mas, egoisticamente, em nós e para nós os que temos o (melhor) umbigo que tanto apreciamos que não olhamos para mais nada. Já não basta a casa inteligente que programa, as torradas da manhã, o café, o pão, a temperatura do duche.

É necessário também que alguém, que não chateie - um robot - ponha tudo no prato e na mesa ou, melhor, que nos sirva tudo na cama e que depois vá trabalhar por nós.

Com todas estas facilidades é um tédio ficar em casa, falta o transporte, ambientalmente responsável, para espiar a nossa consciência de que existimos, logo somos poluidores, para nos levar onde ninguém sabe, afinal, como cantava António Variações, Só quero ir, onde não vou, porque só estou bem onde não estou.

Depois de termos tudo ou de pensarmos que tínhamos tudo e que ter tudo era o topo da pirâmide que nos colocaria perto do perto do céu, onde nunca ninguém esteve, mesmo depois de morto, acordei.

Extasiado, tinha acabado o sonho ou pesadelo.

Deparei-me com esta paisagem e descobri que tinha ficado aqui sentado por algumas horas a observar as nuances da luz. É uma paisagem moldada antes de toda esta nova moda que dá pelo nome inovação.

20240320_145906.jpg

Foi criada pelos anseios, desejos e sacrifícios de humanos antes desta nova vaga inovadora e perigosa, que nos pode condenar ao extermínio, antes mesmo de o planeta estoirar connosco.

Sim, o planeta pode zangar-se com a espécie humana, revoltado com o nosso mau comportamento e desrespeito pela biodiversidade e tornar a nossa vida insustentável, ou seja, impossível, mas somos nós que desaparecemos o espetáculo natural e fotogénico que o planeta provoca sobrevive, não haverá é quem o registe, nem a inovação.

Não basta ir até este local para observar o mesmo, é preciso ter calma e esperar que a luz e o tempo a componha desta forma, quase fantasmagoricamente bela.

Felizmente ainda não conseguimos intervir na bendita rotação da Terra, ainda que, segundo os cientistas esteja mais lenta, lá está, alterações climáticas!

Ou será inovação?

07
Fev24

Escavações


Vagueando

20240201_102312.jpg

Desafio 1foto1texto

De tempos a tempos vagueio pelas fotos do meu telemóvel para recordar um dia, uma data, uma curiosidade ou apenas uma foto. 

É difícil passar um dia sem que use o meu telemóvel para tirar fotos, muitas delas para alimentar coleções de imagens, outras nem sei bem porque as tirei. 

Esta foto foi tirada durante um passeio pedestre recente, parti de Algés e fui até Cascais, cerca de 28 km.

Tirei esta foto porque gostei do enquadramento, da luz, do fundo. A questão é o que posso escrever sobre ela.

Andamos a escavar de mais, a mostrar muita terra revolvida, a abrir buracos enormes, que não conseguimos escorar devidamente, temos dificuldade em remexer toda a terra retirada. Passada a euforia, deixamos de alimentar a máquina à espera que a terra, o buraco, o objetivo do mesmo caia no esquecimento.

Ou objetivo de abrir o buraco, foi publicitar algo grandioso, tipo lancámos hoje a primeira pedra e está feito , mesmo que fique tudo por fazer?

 

 

04
Jan24

O Sol quando nasce é para todos


Vagueando

Mais uma semana, mais uma participação neste desafio 1foto1texto IMSilva

20231230_081740.jpg

Deve ser da idade mas não tenho especial predileção por grafitis. Consigo, com esforço é certo, admitir que alguns, enfim, toleram-se e que muito poucos, podem ser vistos como arte.

Ainda assim, a minha foto desta semana , para o desafio acima é de um grafiti e porquê?

Porque o Sol quando nasce é mesmo para todos até para este grafiti que ficou, do meu ponto de vista, menos horrível com o banho de luz do sol nascente.

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