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Generalidades

Generalidades

01
Dez25

Oito jovens morreram ontem em dois despistes de carro


Vagueando

 Vivemos tempos absurdos, diria mesmo insanos, onde se faz notícias verdadeiras e falsas para as audiências, são elas que mandam, porque são elas que ditam o que é correto ou não falar-se.

Noticia-se para aquilo que as audiências querem ouvir, não necessariamente sobre o que faz sentido dar a conhecer.

Ontem faleceram em dois despistes, oito jovens, em Lisboa e na Barragem do Cabril, seis deles seguiam no mesmo carro, com lotação para cinco.

Foi notícia ontem, será notícia hoje nos jornais diários mas amanhã tudo estará esquecido, menos para as famílias e amigos que continuarão infelizmente, a suportar a sua dor pela vida fora.

O nascimento de um bebé numa ambulância, é notícia, alimenta debates nos media, na Assembleia, pede-se a cabeça da ministra, falam os médicos, falam os sindicados dos médicos e dos enfermeiros, fala a ministra, fala o Governo, insistem o jornalistas, repisam as redes sociais e trata-se, não de uma morte, de um nascimento, numa ambulância, em ambiente controlado e minimamente seguro.

Sobre a morte de oito jovens, não aparece a Autoridade para a Segurança Rodoviária, não aparece a Câmara Municipal de Lisboa e as Infraestruturas de Portugal, não aparecem os especialistas em sinistralidade rodoviária (existem?), não aparecem comentadores, não questionam os jornalistas, não fala a Associação Cidadãos Auto Mobilizados (como fizeram no caso do acidente que envolveu o ex ministro Eduardo Cabrita), não repisam as redes sociais para se saber porque se morre tanto nas estradas portuguesas.

Caramba, é preciso Gritar, não se pode fazer nada?

Jornais e televisões, exibem regularmente programas sobre automóveis, sobre as suas características, conforto, equipamentos, potência, preços, acessórios mas nenhum tem um espaço, por mais pequeno que seja para analisar acidentes e falar sobre segurança rodoviária. Quando falam de segurança é sempre na perspectiva do que o automóvel oferece a este nível e já e muita coisa, mas jamais sobre a condução, as atitudes dos condutores, nem sobre os estado das vias, sobre a sinalização, sobre a fiscalização.

Também em Agosto deste ano, morreram seis pessoas em Castro Verde, numa colisão frontal, em Junho de 2018 morreram seis pessoas num acidente no IC1 na zona da Marateca, em Setembro de 2018 morreram mais seis pessoas noutro acidente no IC8 próximo de Pombal, um dos veículos envolvidos tinha sido fiscalizado pela GNR pouco tempo antes.

Contudo, ao longo dos anos o grande tema jornalístico dos últimos anos relativamente à segurança rodoviária foi ao acidente que envolveu o ex ministro da Administração Interna, como se este país fosse, a exemplo do que é a nível mundial em termos de criminalidade, e o motorista e o ex ministro, fossem os únicos mal comportados nas estradas portuguesas.

Parece que a sociedade aceita como normal que se morra assim, às meias dúzias na estradas portuguesas.

É a vida, porque sim, “prontos”!

18
Set25

Inteligência rara


Vagueando

Desafio Uma Foto Um Texto de IMSilva

20250917_154946.jpg

Para o desafio de hoje trago uma papeleira inteligente. 

Uma papeleira inteligente tem, alegadamente, a faculdade de compreender e aprender, revela por isso inteligência (artificial), raciocina, planeia, aprende com a experiência e, concomitantemente, tem a capacidade de resolver problemas.

Eis o resumo das suas características:

  • São alimentadas a energia solar

Utilizam painéis solares para funcionar, o que as torna mais sustentáveis. 

  • Possuem um sistema de compactação

Mecanismo compacta o lixo, aumentando a sua capacidade de armazenamento. 

  • Possuem sensores e monitorização

Equipadas com sensores de nível de enchimento que enviam alertas em tempo real para as equipas de limpeza. 

  • Têm capacidade de redução de custos e eficiência

Otimizam as rotas de recolha, evitando recolhas desnecessárias e reduzindo custos. 

  • Melhoram a higiene urbana

Evitam o transbordo de lixo, mantendo a cidade mais limpa. 

Olhando para esta papeleira, não consegui concluir se é inexperiente e por isso ainda não tem a capacidade de resolver o problema bem visível na foto, se se trata de uma papeleira doente ou apenas de uma papeleira dotada de uma inteligência rara.

Admito que, eventualmente, tenham sido muitas as inteligências raras a usar o serviço da papeleira inteligente que, quem sabe por falta de Sol ficou cheia de stress, entrou em depressão e meteu baixa inteligente.

A outra hipótese, pode ter sido os sensores enviarem alertas para as equipas de limpeza que não deram conta do recado, por falta de Moedas no salário, devido à eficiência da redução de custos com o pessoal.

 

 

12
Set25

Lixo


Vagueando

Desafio Uma Foto Um Texto de IMSilva

 

Aquilo que alguns designam por Arte Urbana, na maioria das vezes, não gosto, costumo até utilizar uma frase bem portuguesa para avaliar o que vejo, borrou a pintura toda.

Reconheço que alguma desta arte, pouca, é realmente um exercício artístico e fascina-me nestes poucos casos, a capacidade para gerir um espaço enorme, dando-lhe perspectiva e um ajuste assombroso à realidade sem perder a noção de escala.

Assim de repente lembro-me de Bordalo II e Bansky, cujas obras embelezam, às vezes com mensagens duras, as cidades onde elas são dadas a ver ao público.

Esta semana quando passeava a pé por Lisboa, deparei-me com esta magnífica pintura de Mariana Santos, que representa a forma como era feito o comércio nos anos 50 em Lisboa.

20250909_121012.jpg

 

Não merecia estar pejada de lixo na sua base, sendo que desta vez a pintura não foi borrada, mas o lixo lixa tudo, lixou-me a foto e não devia estar ali, porque nem existe contentor próximo.

Não, a culpa não é dos serviços de limpeza da cidade é de quem, ilegalmente, ali vai depositar sacos e sacos de lixo.

Se quiserem ver esta magnífica pintura, originalmente sem lixo, sigam este link da Galeria de Arte Urbana no Instagram.

Actualização em 16/09/2025 - Uma verdadeira obra de arte esta de Vile em Monção, podem vê-la em Monção ou aqui.

04
Jul25

Do uso ao abuso, até ao não uso


Vagueando

Os (maus) hábitos, proibidos por lei, instalam-se aos poucos e rapidamente se tornam numa praga.

Quando estamos na fase da praga, não há volta a dar, assume-se como regra, fechando os olhos, “legalizando” assim a praga.

Foi assim com o estacionamento abusivo em cima dos passeios, em frente a portões e até de portas de casas de habitação, foi assim com as trotinetas e bicicletas a circular em contramão e em cima do passeio, foi assim com o uso dos quatro piscas.

Hoje em dia dentro das cidades a praga dos quatro piscas instalou-se. TVDE’s usam-nos para tomar e largar passageiros no meio das faixas de rodagem, em que estes entram e saem pela porta do lado esquerdo ou os condutores deste veículos estacionam do lado esquerdo, fazendo os passageiros saírem pelo lado direito para a estrada em vez dos passeios.

Ainda se lembram das criticas que se faziam aos fogareiros (taxistas) em, Lisboa, nos anos 80?

São os particulares que param em segunda fila (bloqueando o trânsito) e vão tomar o seu café ou comprar o jornal e os veículos comerciais que, por verem os lugares destinados a cargas e descargas ocupados por veículos particulares, que legitimam a infração que estão a cometer, ligando os quatro piscas.

Curiosamente também se tornou uma praga, não usar os piscas para assinalar as mudanças de direção.

Vá lá entender, esta relação de amor pelos quatro piscas e ódio pelos dois e a forma como as autoridades não conseguem controlar a praga.

Não se pode pedir uma desinfestação para eliminar a(s) praga(s)?

02
Mai25

A Força da Luz


Vagueando

Participação XXVI, Ano II, no Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

A foto é minha, parte do texto não. A ideia de a ligar a uma afirmação e a uma pergunta de duas personalidades conhecidas do público em geral, também é minha.

  • Olhar de cima para baixo somente para ajudar o próximo a se levantar (Papa Francisco).

 

  • A quem posso perguntar o que vim fazer a este mundo? (Pablo Neruda).

PA050009.JPG

Este foto, tirada em 15 de Outubro de 2015, às 7h e 40m, pouco tempo depois de descolar do Aeroporto de Lisboa, é um bom exemplo de como olhar para baixo pode ser belo quando estamos no ar e humilde quando, com os pés bem assentes na terra, nos revemos nas palavras do Papa Francisco.

Por outro lado, ao olhar para esta foto, não posso deixar de fazer a mim mesmo, a pergunta de Pablo Neruda.

Bom fim-de-semana.

17
Jan25

Risco


Vagueando

Participação XXIII, do Ano II, no Desafio  1Foto 1 Texto  de IMSilva

 

A Câmara Municipal de Lisboa disponibiliza um aplicativo que dá pelo nome "Na minha rua." O objectivo, segundo o portal consiste em poder participar problemas em espaços públicos, equipamentos municipais e higiene urbana que necessitem da intervenção da Câmara Municipal de Lisboa ou das Juntas de Freguesia.

Concordo em absoluto com este tipo de aplicativos, quer pela facilidade do seu uso, quer pela possibilidade de cada cidadão poder ajudar a resolver problemas que surgem pelas cidades, apenas e só com recurso ao telemóvel e sem perder muito tempo.

As situações que já reportei, infelizmente prendem-se com a falta de bom senso e com a maior falta de respeito dos transeuntes, pelo espaço público, utilizando-o muitas vezes ao arrepio da legislação.

Sucede, esta é parte má, que para além desta negligência (in)consciente, a falta de fiscalização das autoridades e dos serviços camarários potenciam situações de risco.

A Baixa de Lisboa, como infelizmente se viu pelo grande incêndio do Chiado, conta com zonas degradas, ruas estreitas, escadarias que em caso de sinistro podem dificultaar e muito o socorro.

A foto que trago hoje para este desafio, é o espelho de uma dessas situações.  Bicicletas acorrentadas abusivamente nos corrimãos de escadarias de Lisboa.

20250115_150149.jpg

 

Em 2024, não sei precisar a data porque o aplicativo (lamentavelmente) não a disponbiliza, abri a ocorrência  "OCO/106258/2024, relativa ao acorrentamento de bicicletas no corrimão da Escadaria da Rua Martim Vaz junto à Calçada de Santana. A ocorrência foi resolvida, mas o aplicativo também não deixa consultar o teor da resolução.

Facto é que resolvida foi mas, as bicicletas abandonadas, sem rodas, em estado de degradação ali continuam acorrentadas como se pode ver na foto tirada esta semana, prejudicando todos os que necessitam de usar o corrimão quando circulam na escadaria.

Por outor lado, em caso de emergência, estas bicletas serão certamente um estorvo e pior, fonte causadora de ferimentos a todos os que por elas necessitem de escapar e/ou ir em socorro de pessoas e bens.

Espero que a CMLisboa e as autoridades removam sem qualquer contemplação todas as bicicletas acorrentadas aos corrimãos das escadas de Lisboa.

31
Dez24

A Dúvida


Vagueando

 

20241208_150530.jpg

 

Vagueio por aqui há quase seis anos.

Nem sei porque comecei, nem tão pouco estabeleci um objetivo quando criei o blog, apenas fui dando a conhecer algumas tretas que ia apontando em cadernos e comecei com uma questão que tem feito correr alguma tinta nos meios de comunicação, a fórmula usada para calcular o pagamento das auto estradas pelas diversas classes de veículos.

Também, tenho interesse em seguir as questões relacionadas com a segurança rodoviária, abordei aqui esta temática por diversas vezes.

Usei também esta forma de comunicar para falar sobre Sintra, que não sendo a minha terra porque nasci em Lisboa, como a grande maioria das pessoas dos anos cinquenta mas, logo após o primeiro ano de vida, por força da crise de habitação e da incapacidade dos meus pais em suportarem uma renda na Penha de França, já lá vão 66 anos, fomos, em boa hora, corridos para Sintra, o fim da linha.

O meu pai foi mas não podia, as suas funções obrigavam-no a morar mais próximo do seu trabalho, mas como também não podia, como a maioria dos seus colegas, pagar a renda com os seus rendimentos, a coisa sabia-se mas ignorava-se.

Pois é a especulação, o turismo, o AL, os jovens não têm casa, nem capacidade financeira para suportar uma renda, não é de agora, é a vida. Vim para o fim da linha porque, na altura até Algueirão – Mem Martins era caro para o nível de vida dos meus pais.

Digamos que Sintra é a minha terra adotiva, adotei-a e fui adotado por ela, pelo seu encanto e beleza. Nos tempos de liceu os meus amigos diziam que eu vivia no mato porque estava longe (1km) do centro, das lojas, dos cafés, do centro histórico ou seja, dos locais de convívio. Hoje, ainda que existam mais casas em Sintra, o facto da minha ainda estar no “mato”, contribuiu para que continue, felizmente, a viver no mato. Se na altura já gostava de estar longe do reboliço e da confusão, fui apurando a boa sensação de tal forma que hoje nem consigo imaginar-me a viver numa grande cidade.

O silêncio de que gozo é algo que me faz muito bem.

Alguns dos meus posts mereceram, não sei se bem se mal, honra de destaque na Sapo e esses destaques foram sempre brindados por comentários anónimos que, independentemente do assunto versado, iam sempre no mesmo sentido, desdenhar, ora porque que eram escritos por quem não tinha nada que fazer, ora porque não tinham nenhum interesse para a sociedade, ora porque era uma forma de exibicionismo. Ainda assim foi interessante perceber que por trás desses comentários estavam pessoas, que os liam ou talvez não, mas perdiam o seu tempo -tendo que fazer - a classifica-los como maus e a comentar o que não tinha interesse nenhum, apenas e só para se pendurar no blog do A ou do B, para dar nas vistas.

Neste sentido, passei a bloquear este tipo de comentários e não foi por censura, mas porque não porque quero alimentar, com falta de bom senso, a informação que hoje serve de aprendizagem à Inteligência Artificial.

Como gosto de fotografia, muitos dos meus posts usaram  a fotografia e este não é exceção, como fonte de inspiração e de comunicação. Enquanto vagueei por aqui, conheci pessoalmente alguns bloggers que também escrevem na Sapo, o que constituiu uma boa experiência.

Alguns deles lançaram livros que li, eu próprio participei em dois livros que reuniram Contos de Natal, numa iniciativa da IMSilva e José da Xã.

A experiência foi interessante, mas está na hora de fazer um balanço. Ora o balanço é se devo continuar por aqui ou fazer um voto de silêncio.

Não vou dizer que nunca mais volto aqui, porque a frase - nunca digas nunca – é uma das expressões que mais bom senso carregam. Na vida, por mais invenções e redes de segurança que se criem, o dia de amanhã continua a ser uma incógnita.

Ao olhar para o que nos rodeia, vejo que já não se fala, discute-se, já não nos relacionamos, trocamos likes, já não digerimos a informação, empanturramo-nos com ela, já não nos interessa a razão, desde que não seja a que queremos, perdemos toda a razoabilidade, estamos de pé mas já perdemos o equilíbrio.

Há razões que a razão efetivamente desconhece, mas a estupidez humana, essa conhece-se e impõe-se, aqui, ali, por todo o lado.

A minha consciência de vez enquanto alerta-me e diz-me, não estarei eu, ao vaguear por aqui a contribuir para alimentar tudo isto?

Toda a nossa vida é controlada por sistemas que não controlamos, não compreendemos, não dominamos e, no caso de esses sistemas falharem, por acidente, incidente ou porque a escassa minoria que (ainda) os controla, o nosso futuro coletivo pode ser irremediavelmente comprometido.

Há uma minoria que entende os sistemas informáticos que gerem, hospitais, transportes, a nossa própria saúde, a alimentação, a energia etc, muito poder sobre sistemas vitais para a sociedade, na mão de muito pouca gente que não vai a votos e muitas vezes nem se conhece.

Sem querer e até mesmo sem querer saber, somos cobaias dos sistemas algorítmicos que, sem qualquer alternativa, contribuímos para os alimentar.

Nascem grandes estrelas, que acumulam riqueza e poder, interferem negativamente com a nossa vida, mentem-nos vendendo-nos mentiras, mascaradas de verdade.

Falamos muito de aquecimento global, de alterações climáticas, temos uns “piquenos” que vão dando o ar da sua graça a pintalgar paredes mas, olhando para as guerras que assolam o mundo só falta virem venderem-me a ideia genial que os tanques, os aviões, as bombas e as granadas são – agora, em nome do ambiente - sustentáveis.

Bom é que parece que para a competição automóvel já existe combustível sustentável, assim sendo não percebo a aposta em automóveis eléctricos, sempre com muita potência o que aumenta seguramente o consumo, obviamente sustentável.

Votos de um Bom Ano

 

Actualização em 03/01/2025

No Publico de dia 02 de Janeiro de 2025, a crónica de Nuno Pacheco, com o título 1925-2025, do século do povo ao século do polvo digital, para melhor complementar o que escrevi, nada melhor do que recorrer ao artigo deste profissional e a um escritor.

A dado passo deste excelente artigo, citando Saramago, pode ler-se;

...."em 1994, no 1.º volume dos seus Cadernos de Lanzarote, escrevera: “Vista à distância, a humanidade é uma coisa muito bonita, com uma larga e suculenta história, muita literatura, muita arte, filosofias e religiões em barda, para todos os apetites, ciência que é um regalo, desenvolvimento que não se sabe aonde vai parar, enfim, o Criador tem todas as razões para estar satisfeito e orgulhoso da imaginação de que a si mesmo se dotou. Qualquer observador imparcial reconheceria que nenhum deus de outra galáxia teria feito melhor. Porém, se a olharmos de perto, a humanidade (tu, ele, nós, vós, eles, eu) é, com perdão da grosseira palavra, uma merda. Sim, estou a pensar nos mortos do Ruanda, de Angola, da Bósnia, do Curdistão, do Sudão, do Brasil, de toda a parte, montanhas de mortos, mortos de fome, mortos de miséria, mortos fuzilados, degolados, queimados, estraçalhados, mortos, mortos, mortos."

28
Set24

CAM - Centro de Arte Moderna na Gulbenkian


Vagueando

Participação VIII, Ano II no Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

Passei por ali esta semana, sem muito tempo mas a arquitectura impressionou-me. Fez-me lembrar um pouco a Pala do pavilhão de Portugal, da autoria de Siza Vieira, mas com outro enquadramente e outras cores. Gostei do facto de ser baixa, quase se pode tocar e, se calhar é isso que impressiona quem se dirige ao CAM e se depara com aquela pala branca por cima a madeira castanha por baixo.

Gostos não se discutem mas gostei bastante do exterior deste Centro, pelo que a minha foto de hoje é um panorâmica desta pala branca.

20240924_095524.jpg

 

Contudo, não poderia deixar de juntar mais algumas - podem vê-las aqui - deste Centro tão bem enquadrado no jardim da Fundação Gulbenkian.

30
Ago24

Um volta por Lisboa com o passado no Bolso

Lisboa de Roteiro da PSP na mão ou um Roteiro de Lisboa à mão de semear


Vagueando

Participação V, Ano II do desafio de 1 foto 1 texto de IMsilva.

20240830_100431.jpg

De tempos a tempos consulto o meu arquivo histórico de coisas e desta vez, deparo-me com um Roteiro de Lisboa.

Como tinha que ir a Lisboa, decidi levar este livro de bolso no bolso. O Roteiro da PSP de Lisboa – Algés Dafundo e Moscavide, de 1961, usado pelo segundo subchefe desta Polícia, J Matias, a avaliar pelo que está manuscrito na sua primeira folha.

Estes roteiros, elaborados com o patrocínio do Comando da PSP de Lisboa, eram usados pelos agentes da polícia que se encontravam na rua que, segundo a nota introdutória do Comissário Milheiros plasmada nesta edição, continham informações uteis para os agentes policiais no desempenho da sua missão para elucidação do público.

Gostei da palavra elucidação.

Senti-me a viajar com o passado bolso, bem como transportar para as ruas de Lisboa a memória do segundo subchefe JMatias ao mesmo tempo que vou observando o presente mas com acesso ao passado bastando, para o efeito, consultar o roteiro.

Procuro a primeira rua que sei de antemão que não existia em 1961, a Rua da Mesquita, passei por ali em trânsito a pé para a Rua Fialho de Almeida. Obviamente, não encontro no roteiro a rua da Mesquita, mas encontro duas referências a Mesquita; O Pátio do Mesquita que ficava na Rua Damasceno Monteiro e Vivenda Mesquita que existiria na Travessa das Àguas Livres nº13. Pergunto-me a razão de se referir uma vivenda no roteiro, pesquiso mas não encontro nada. Será que existiam poucas e eram referidas por isso?

A Rua Fialho de Almeida justamente porque a Rua da Mesquita ainda não existia, figura no roteiro como terminando nuns terrenos junto à Escola Marquesa de Alorna, justamente onde hoje está a Sede do Banco Santander, nesta rua.

Sigo pela Avenida Duque de Ávila que, segundo o roteiro começa na rua General Sinel de Cordes, hoje Rua Alves Redol e finda na Rua Marquês de Fronteira. Continuo a vaguear por Lisboa, sinto-me em 1961 com aquele manancial de informação no bolso.

Sento-me num café e vou folheando o Roteiro e chego à parte das informações úteis, onde encontro de tudo um pouco, os distintivos internacionais que o carros usavam para identificar a que país pertenciam e deparo-me com alguns países e/ou territórios na lista alguns dos quais, não acredito que Portugal e a sua Capital alguma vez tenham visto passar. Por exemplo Basutolândia, Bechuanalândia, Kelantan ,Tanganhica, usavam respetivamente o distintivo BL, BP, KL, EAT.

Sigo na pesquisa e encontro as letras que eram usadas na matrículas dos carros e motos que permitiam identificar se eram de Lisboa, do Porto, de Coimbra, dos Açores, de Moçambique, de Angola e deTimor. O Roteiro contem uma tabela com as distâncias percorridas a diversas velocidades, num minuto e num segundo, sendo que a 50km/h (limite máximo dentro das localidades), num segundo, um veículo percorre 13,88 metros o que é muito se for necessário parar perante a presença de um peão que apareça de forma repentina.

Detalha-se também as carreiras de autocarros por exemplo, o 10 ia da Praça do Chile a Moscavide e ao Matadouro, também me lembro da existência de um Matadouro em Sintra e das carreiras dos carros eléctricos, por exemplo um percurso que já não existe, feito pelo eléctrico 3 B, ia do Martim Moniz à Gomes Freire, antiga sede da PJ, passava pelo Campo Pequeno e terminava no Lumiar.

Continuando a folhear encontramos uma referência à Central Leiteira que ficava na Rua da Cruz Vermelha, também me lembro de uma Central Leitra em Sintra, uma série de páginas dedicadas às Embaixadas, Legações e Consulados, as respectivas moradas e contactos telefónicos, Casas de Saúde e Maternidades, os Feriados Oficias, onde não constava o 25 de Abril e o dia 1 de Maio, as Escolas Comerciais, Industriais e Superiores, as Esquadras de Polícia as Faculdades que eram quatro, Ciências, Direito, Letras e Medicina.

Para completar o folhear do Roteiro existe informação sobre os Bairros Fiscais, o Governo Civil e Militar de Lisboa, Hospitais, Institutos, Liceus , Mercados, Ministérios, Museus, Estações de Radiodifusão - Emissora Nacional, a Rádio Graça, Peninsular, Renascença, S. Mamede e Voz de Lisboa, para além da RTP, Teatros e Cinemas - O Monumental que foi demolido nos anos 80, à qual assisti porque trabalhava mesmo ao lado, no Banco Espirito Santo e Comercial de Lisboa que já nem com o BES aparece no local, o Chiado Terrace, o Rex, Royal, S.Jorge e Tivoli.

Obviamente hoje ninguém usa roteiros de bolso porque no bolso levam o telemóvel, mais pequeno e como muito mais informação disponível.

19
Ago24

Dia Mundial da Fotografia


Vagueando

Hoje não é um dia qualquer é o Dia Mundial da Fotografia. Não tinha pensado em nada para postar hoje, o que seria um sacrilégio, porque a fotografia faz parte da minha vida.

Contudo, como fui obrigado a ir a Lisboa onde por norma ando a pé, tinha que deixar o carro perto do Campo Grande para uma pequena reparação, fui a pé até à Baixa Pombalina e regressei ao ponto de partida, ou seja cerca de 12km.

Do Campo Grande ao Campo Pequeno foi um pulinho e deparei-me com um fita vermelha, abanada pelo vento, que estava ali a marcar uma obra.

Estava dado o mote fotográfico do dia.

20240819_100725.jpg

O contraste entre o vermelho artificial e o verde natural.

Esta foi apenas a primeira de uma série de fotos em que o verde natural predomina e algures, em primeiro plano ou mais escondido lá aparece um vermelho a fazer o contraste.

Gostei da primeira foto e depois andei o dia todo em busca de vermelhos a contrastar com o verde.

Coisas do dia a dia, à vista de todos mas que não vemos, não ligamos, não atribuímos importância.

O poder ou não da visão do fotógrafo está muito na perspectiva com que tira a foto e é o que faz a fotografia.

A minha visão expressa nestas fotos foi a  forma que encontrei para celebrar este dia.

Espero que gostem das fotos que podem ver no link abaixo.

https://photos.app.goo.gl/rYD5HBj4RiyDDr1S7

 

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