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Generalidades

Generalidades

06
Out25

Funções, afirmações e confusões


Vagueando

Em tempos tive um relógio da Casio que permitia gravar números de telefone e depois bastava selecionar o número pretendido, o relógio emitia uma série de sons para o bocal do telefone, estabelecendo a ligação sem ser necessário discar o número no telefone. Quando explicava esta facilidade, entre outras funções do relógio a um amigo, este perguntou-me se o relógio também dava as horas.

O telemóvel hoje é mais ou menos a mesma coisa, tem tantas outras funções que às vezes até nos esquecemos que também serve para falar. Isto a propósito dos milhões de mensagens que se trocam entre utilizadores, pelo mundo fora, sendo que a maioria delas é a chamada conversa (melhor) mensagem da treta.

Imagem WhatsApp 2025-10-03 às 12.28.49_223c17a5.j

Hoje reencaminharam-me esta foto representativa de um estudo que nem me dei ao trabalho de confirmar a veracidade, com uma mensagem, não sei escrita por quem, que consistia no seguinte “Isto é o que dá andar votar 50 anos nos mesmos e esperar resultados diferentes."

Também não me dei ao trabalho de verificar se a mensagem tem alguma razão ser para justificar o alegado estudo plasmado na foto.

Mas recordei-me daquela célebre frase proferida no Século I a.C. No século I a.C. Gaius Iulius Caesar afirmou que «Há nos confins da Ibéria um povo que não se governa nem se deixa governar» O povo éramos nós e olhando para estas duas frases pergunto a mim mesmo se o problema é dos votantes ou dos eleitos.

Já que estamos em maré de maluqueira, gostaria de lançar esta pergunta; Imaginemos o período que medeia entre o fim da Segunda Guerra Mundial e a actualidade e dois países, Alemanha e Portugal.

Se neste período, a única coisa que teria sido diferente era os alemães terem sido governados pelos políticos portugueses e os portugueses tivessem sido governados pelos políticos alemães, mantendo-se tudo o resto igual, como é que acham que estaria o quadro do alegado estudo?

03
Jul22

Constrangimentos


Vagueando

Não existe no Mundo nada comparável nem melhor que os portugueses para dizerem mal de si próprios. Bem dizer mal se si próprios não é bem assim, dizer mal dos outros é que está correto.

Na estrada, por exemplo, todos temos medo dos outros que conduzem mal, que não respeitam ninguém e, por isso, lá está é que há acidentes.

Sobre a filas de espera no aeroporto, a culpa é do governo, porque não acompanha, não controla, não privatiza, não faz o novo aeroporto. Se alguém decide que o aeroporto é aqui ou acolá, é logo metido na linha. O correto é deixar a ideia do aeroporto andar no ar, (já anda desde 1969) ainda que os aeroportos não voem, ao contrário das vacas e dos aviões.

Estou aqui a falar para quê?

Para dizer que os voos cancelados no aeroporto de Lisboa, se devem a vários constrangimentos nos aeroportos internacionais.

Se os constrangimentos fossem exclusivos do Aeroporto de Lisboa (nesse caso seria mau planeamento), lá estariam as televisões em direto a entrevistar os passageiros para mostrar como somos mesmo uma trampa e aos políticos aplicar-se-ia uma palavra ainda pior.

Nem  Michael O’Leary, CEO da Ryanair, que é o Marcelo da aviação, nomeadamente a comentar assuntos da TAP e do Aeroporto de Lisboa, se chegou à frente com nenhuma das suas afirmações bombásticas, a malhar nos tugas e na TAP.

Afinal, os constrangimentos, são greves de funcionários de aeroportos europeus e de companhias aéreas, anúncios de greves na Ryanair (pensava eu que nesta empresa era tudo muito organizado, muito cool) e falta de pessoal, sendo que nos EUA estão ser intensificadas campanhas de recrutamento, devido à escassez de pessoal. O mercado que funciona tão bem a aumentar os preços ao consumidor devido a escassez de bens, pelos vistos não funciona face à escassez de mão de obra.

Fica então a ideia, as greves, mau planeamento, falta de pessoal, caos nos aeroportos, fora de Portugal, não são culpa de ninguém, são, apenas e só, constrangimentos.

 

17
Mar22

Ucrânia


Vagueando

Com uma rapidez estonteante, com uma determinação incrível, com uma atitude digna de seres humanos, com uma solidariedade fantástica, com uma espontaneidade genuína, o povo português, o país europeu mais longe da Ucrânia, assumiu como missão, ajudar de todas as formas que poder, o povo ucraniano.

Fê-lo porque somos assim, bondosos, fraternos, amigos, porque somos dignos da nacionalidade que ostentamos.

Desde doações de bens de primeira necessidade, à oferta de alojamento, à oferta de profissionais de serviços que permitam legalizar a sua vida num país estrangeiro, à oferta de cuidados de saúde, à oferta de empregos, ao transporte de bens para a Ucrânia e na volta trazer refugiados, demonstrou que a logística foi bem montada. Tudo isto em menos de 15 dias.

Podemos ser desorganizados em tudo mas somos os enormes e coesos no desenrasque de tudo.

Existem muitas famílias ucranianas em Portugal, algumas das quais conheço pessoalmente e com quem me relaciono, pelo que não estranho esta ajuda, até porque estas pessoas estão a ser vítimas de uma guerra que julgávamos impossível de voltar a acontecer na Europa, ainda por cima, provocada por uma grande potência mundial.

De um dia para o outro, ficou disponível em Portugal tudo aquilo que antes não estava disponível para os portugueses em geral.

Isto recorda-me um livro que li recentemente, cujo título é “Economia de Missão”. A sua autora, economista italo-americana Mariana Mazzucato, de quem fiquei adepto depois da leitura do livro, parte do exemplo daquilo que foi a Missão Apollo, para demonstrar que é necessário inovar para reformular o capitalismo, o qual perdeu sentido porque se centrou em demasia no lucro proveniente de rendimentos de curto prazo, exclusivos da economia FIRE (Finance, Insurance e Real Estate).

Foi este modelo de capitalismo que empurrou os Estados para a eliminação de serviços públicos que foram entregues a privados, nem sempre com os melhores resultados em termos de eficiência.

Os Estados perderam dinheiro e aprendizagem e com isso a capacidade de gerir situações mais graves. Um dos exemplos mais recentes desta falta de experiência, veio dos serviços de saúde do Reino Unido. Com a pandemia, os seus serviços de saúde já não tinham capacidade de resposta, obrigado o Estado a gastar 438 milhões de libras com empresas de consultoria só para elaborar um plano de gestão de testagem e rastreio de pessoas com Covid 19, com resultados desastrosos.

Voltando à Missão Apollo. O Estado foi o impulsionador do projeto e definiu como foco pôr um homem na lua e trazê-lo de volta em segurança. Para isso o governo deixou de lado convenções que limitavam as suas atividades, era necessário inovar e não é possível inovar sem errar, pelo que perante uma hipótese enorme de falhanço, o risco foi assumido pelo Estado.

Um dos muitos desafios, parece ridículo hoje, era transformar um computador do tamanho de um armário, no tamanho de uma caixa de sapatos que não pesasse mais de 31 kg. Foi esta busca intensa para obter sucesso na Missão Apolo que levou a que muitas empresas também motivadas e empenhadas (o que é diferente de contratadas) na missão, à descoberta de múltiplos produtos de uso corrente nos dias de hoje, como são por exemplo, os telemóveis com câmara, lentes anti-risco, mantas isotérmicas, calçado desportivo, detetor de fumo, rato de computador, led, leite para bebés, desfibrilhadores cardíacos, pacemakers, purificação de água.

A essas descobertas, muitas delas por acaso, ou seja enquanto se buscava uma solução para um problema, apareciam soluções que, não servindo, teriam, no entanto, outra aplicação, chamou a autora serendipidade. Os acordos com as empresas (não necessariamente as mais bem apetrechadas ou com capacidade técnica) dispostas a juntar-se à Missão implicou uma cláusula de “eliminação do lucro excessivo”.

Apenas para se perceber a importância da cláusula usada no programa, que correu entre 1961 e 1972, eis um exemplo recente. O medicamento Remdesivir para o novo coronavírus, foi codesenvolvido com um subsídio de 70 milhões de dólares do National Institutes Health - NIH que é financiado pelo Estado. A farmacêutica produtora do mesmo estava a 3.120 dólares durante a pandemia, pelo comprimido. Isto só foi possível porque em 1995 o NIH aboliu a cláusula de preço justo.

O que tem tudo isto a ver com a nossa disponibilidade para ajudar a Ucrânia? Tudo!

Seremos também nós portugueses, cidadãos e Estado, independentemente de quem o representa, executarmos uma Missão, de partilha de riscos mas também de partilha de lucros, para levar a cabo os grandes desafios nacionais e através da inovação e da tal serendipidade, melhorar o nosso país, mostrando aos ucranianos que agora estamos a acolher, que também somos capazes de fazer tão bem a nós próprios como o que sabemos fazer aos outros?

Em suma, seremos nós capazes de, no futuro, disponibilizar a todos os cidadãos uma vida melhor, sem ser necessário a desenrascar uma caridadezinha, muitas vezes transformada em espectáculo televisivo, após a desgraça?

27
Jun20

Novamente e ainda o COVID 19


Vagueando

A questão já não é o vírus, mas sim a forma como se usa o vírus para o negócio.

Andou e anda meio mundo, vá lá um bocadinho mais de meio, indignado e irritado com a China ter ocultado informações sobre a propagação do vírus, inclusivé à própria OMS que, supostamente lhe deu cobertura e, eis senão quando, parece que na Europa se anda a fazer o mesmo.

As últimas semanas mostraram afinal, que a União Europeia, que não criou um critério sobre encerramento de fronteiras é a mesma União Europeia que deixa que cada país defina, a seu belo prazer, quando abre, a quem abre e com quem estabelece relações económico/turísticas através de corredores com um selo clean and safe.

É esta mesmo União Europeia, dita civilizada, democrática e evoluída que deixa que nalguns países se ande a mentir sobre o (alegado) controlo da pandemia.

Bom, parece que já nos aprendemos a viver com vírus, agora é só reaprendermos a viver com o novo normal, ou seja a nova hipocrisia, como mentir bem sobre o vírus.

Quem foi que disse que a China escondeu a gravidade do vírus?

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