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Generalidades

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21
Jun25

A música fez nascer o Sol


Vagueando

 

No dia mais longo do ano, tocam-se loas ao Sol.

Em Sintra celebra-se o dia com música e esforço físico, uma vez que para chegar à “sala de espectáulos”, ao relento, é preciso caminhar e bem.

Este ano o Festival de SIntra tinha previsto que o concerto madrugador fosse no Santuário da Peninha. Contudo, a Depressão Martinho deixou a Serra de Sintra num estado tal, que ainda não foi possível repor as condições de segurança para os caminhantes.

Assim o percurso e o local do concerto foi alterado repetindo-se o do ano passado, ou seja, partiu do Largo D Fernando II até ao miradouro da Ermida de Stª Eufémia, onde decorreu o espectáculo.

O artista convidado foi Bruno Pernadas, cuja musica fez nascer o Sol em todo o seu esplendor, embalou os espectadores mas não os adormeceu ( o que até seria normal aquela hora), que se deixaram envolver nas melodias tão condizentes e terrivelmente atrativas com o nascer do Sol.

Até o nevoeiro, que aparecia esporadicamente à volta  da cruz situada no miradouro, impulsionado pelo vento fraco (fraco é o termo meteorológico, para quem lá esteve não era bem assim) parecia dançar, animado pelos acordes da guitarra de  Bruno Pernadas.

Podem ver e ouvir aqui.

https://studio.youtube.com/video/VvfcUdKktbU/edit

 

Como sempre, para quem não conseguiu ir, seja lá por que razão for, deixo umas fotos, para poderem apreciar a música em imagens.

BPB.jpg

 

Já agora, se alguém se sentir com coragem de ir a pé até ao local do concerto, ficam aqui as instruções.

Próximo do Largo D.Fernanado II, encontra a Rua Serpa Pinto. No início desta rua encontra o Restaurante Harkos à sua direita. Suba a rua, poucos metros acima encontra, do lado esquerdo, a Capela de S. Lázaro. Depois de  passar a Capela (junto a uma curva à direita) encontra uma passagem estreita à esquerda. Siga por essa passagem, tome atenção que uns metros adiante essa rua segue em frente mas é à direita ( em cotovelo) que deve virar. Sobe mais um pouco e encontra a Rua do Rio da Bica, onde deve virar à esquerda e continuar a subir.

Cerca de 300 metros depois, encontra à sua direita a Fonte do Rio da Bica e uma rua ingreme à direita, que deve subir. No final dessa subida, a rua estreita e entra num caminho de terra batida com árvores altas, que fazem túnel sobre o caminho. Esse caminho termina junto a um largo de empedrado onde se situa, à direita, um edifício acastelado, conhecido por Monte Sereno ou Castelo Gregório.

Seguindo essa estrada de empedrado, ligeiramente a descer, entronca-se na Calçada da Pena onde se deve virar à esquerda, continuando a subir.

Cerca de 200 metros à frente encontramos, do lado direito, um dos parques de estacionamento do Palácio da Pena fazendo aí a estrada uma curva à direita. É altura de largar esta Calçada e subir do lado esquerdo uma rampa muito ingreme, seguindo-a até ao final (cerca de 100 metros) , ou seja até encontrar uma nova rua, estreita. Nessa rua vira-se à esquerda (ligeiramente a descer) e, poucos metros à frente encontra umas escadas de madeira ao seu lado direito que deve subir.

No fim dessas escadas encontra o paraíso, o miradouro onde decorreu o espectáculo e a Ermida de Stª Eufémia.

O regresso ao ponto de partida é mais simples. Coloque-se de costas para a Ermida e siga a estrada que está à sua frente, sempre a descer até ao Largo D. Fernando II, ou seja, até ao ponto de partida.

Boa caminhada. 

17
Jun20

Do 80 para o 8


Vagueando

 

 

20200603_125948.jpg

Almoço num dia de Junho, no Restaurante Bristol, com bom tempo o que em Sintra quer dizer, sem nevoeiro e sem vento. Não se vê uma pessoa ou um carro na estrada da Volta do Duche. 

Regresso sem inspiração e sem gana o que é contra a minha vontade. Nem consigo explicar porquê. Talvez venha para aqui desabafar, meditar, lamentar, buscar, passar o tempo ou, quem sabe, à procura de encontrar uma qualquer motivação ou emoção.

Este novo normal faz-me muito mal, afecta-me a moral.

A falta de vida em Sintra deixa-me triste, a falta de gente aborrece-me, a falta de movimento faz-me sentir morto, a falta de tudo o que mexe deixa-me com stress, a falta de som irrita-me.

Não há quem se me dirija a perguntar como se chega ao Castelo ou ao Palácio, não há quem me pergunte onde comer as melhores queijadas, não há quem me questione onde consegue estacionar o carro, não há quem me diga, mas Sintra é assim todos os dias, não há quem me peça para lhe tirar uma foto (em abono da verdade já era raro por causa da mania das selfies).

Os passeios estão a ficar flácidos porque não são pisados, as escadarias não gostam de ver os seus degraus ao deus dará, os corrimãos querem ser agarrados, os monumentos não têm audiência para contar as suas histórias, as árvores fazem sombra que ninguém aproveita, a água corre pelos riachos sem testemunhas nem árbitros que confirmem que passou por ali, as dobradiças estão desempregadas e em risco de reumatite permanente, as fechaduras estão fartas de estar fechadas, as portas há muito que não se mexem, algumas já estão a engordar, os vidros continuam transparentes mas ninguém vê para dentro ou para fora, os postigos estão fartos de tapar a luz do sol, os tapetes estão fartos de estar enroladas, os capachos sentem-se humilhados por ninguém lhes esfregar os sapatos, os semáforos estão cansados de dar ordem de paragem ou de passagem sem que ninguém lhes ligue, as fontes sentem-se abandonadas, as mesas anseiam por uma toalha.

Resta-me a paisagem verde ,que parece ser a única coisa viva à minha volta. 

Sinto que me largaram de repente num deserto sem areia, cuja travessia vai ser longa e dolorosa para todos.

Sinto que passámos do 80 para o 8 e termino por aqui. Se um disco voador aterrasse hoje em Sintra, na Volta do Duche, no Castelo ou no Palácio, não estaria cá ninguém para testemunhar.

Vai na volta, preciso mesmo de um duche, estarei a sonhar?

 

 

 

 

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