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Generalidades

Generalidades

25
Set25

Tudo está bem, mesmo que não acabe bem


Vagueando

Se há realidade que os portugueses conhecem bem é são os Espaços Comerciais das Grandes Superfícies, não só porque existem por todo o lado, mas também porque os usam diariamente para compras e para o passeio habitual em família, em especial aos fins-de-semana.

O que me traz aqui hoje não são estes espaços de lazer, de compras e de convívio, mas sim os seus parques de estacionamento.

É na utilização desta facilidade gratuita, com muitos lugares disponíveis, normalmente com espaço suficiente para estacionar qualquer veículo ligeiro, que vem ao de cima a forma como os portugueses demonstram a maior falta de respeito pelas regras de estacionamento, de segurança e de respeito para com todos os outros utilizadores destes espaços. Não está em causa apenas o incumprimento do Código da Estrada, naquilo que são as regras de estacionamento, mas sim a uma falta de respeito enorme por todos os outros utentes, nomeadamente para com os mais idosos, com crianças de colo e particularmente, para com os que, infelizmente, têm mobilidade reduzida.

É comum assistirmos ao estacionamento de veículos em lugares destinados a pessoas idosas, com crianças de colo e verificar que nenhum dos seus ocupantes pertencem a estas categorias ou, muito pior estacionar num lugar reservado a pessoas com deficiência, sem que sejam portadores do cartão obrigatório que dá acesso as estes lugares o que, para além da multa, constitui uma infração grave e retira dois pontos da carta de condução.

Mas há mais.

Mesmo com lugares de parqueamento disponíveis, estacionar fora dos lugares devidamente marcados, por exemplo ocupando parte da via destinada a assegurar a circulação de veículos dentro destes parques também é comum, mesmo que lá esteja de forma bem evidente a proibição de estacionar, quer através da sinalização vertical, quer através da pintura do pavimento.

Nada disto parece preocupar, os que não cumprem, mas também os cumprem. Afinal, todos eles, por força destes abusos ficam sujeitos a paragens desnecessárias e, essencialmente, todos os que frequentam e trabalham nestes espaços vêm a sua segurança reduzida.

Em suma, gostamos da bandalheira, embora andemos sempre a gritar que isto e aquilo deveria ser crime, em especial se for contra a figuras públicas.

Nas diversas conversas que tenho tido com funcionários destes espaços, fiquei a saber que existem regulamentos destinados a prevenir estes abusos e que alegadamente são cumpridos mas que, objectivamente, não servem para nada.

Limitam-se a colocar uns avisos a informar o condutor que o veículo está mal estacionado (eu pessoalmente nunca vi nenhum carro com estes avisos) mas não existe mais nada que possam fazer, nem estes espaços, possuem um sistema sonoro que permita alertar o condutor para retirar o carro do local onde se encontra.

Por outro lado, as competências destes espaços, também não permitem que possam, por sua iniciativa rebocar estes veículos (que seria a forma mais justa de resolver este problema) e as autoridades também não têm competência para fiscalizar, multar e rebocar, uma vez que se trata de um espaço privado.

Perfeito, não se passa nada, é a vida!

Em suma, todos os planos de segurança que foram aprovados antes do espaço abrir, estão de acordo (presumo) com os regulamentos de segurança previstos na lei, estes espaços transferiram para os seus regulamentos internos os procedimentos a adoptar e adoptam-nos e por fim, as autoridades estão a cumprir com a lei, que não lhes permite actuar, nestas situações em espaço privado.

Contudo, em caso de incumprimento, ninguém pode fazer nada, há que aguentar.

E assim acontece (era o nome do programa de Carlos Pinto Coelho na RTP de 1994 a 2003) neste país em que tudo está bem, de acordo com a lei e com as melhores práticas, mesmo que não se cumpra nada.

A culpa, também pode morrer solteira quando é o cidadão comum a não cumprir com os seus deveres.

Estranha forma de vida!

13
Set21

Competência vacinal


Vagueando

Não existem dúvidas que o processo de vacinação contra a Covid 19 em Portugal foi um êxito estrondoso e até um exemplo para o Mundo. E parece ser unânime que o sucesso desse processo tem um nome, Almirante Gouveia e Melo.

Contudo, não posso deixar de relevar o papel da EU, nomeadamente da Presidente da Comissão Europeia, Ursula Gertrud von der Leyen, na aquisição das vacinas, sem o qual este processo, por mais competente que fosse a sua gestão, nunca seria tão eficaz e rápido.

Reconheço ao Almirante Gouveia e Melo a grande capacidade de prever, gerir, adaptar e implementar os procedimentos necessários para maximizar a capacidade instalada. Desde a segmentação por idades à modalidade casa aberta e à possibilidade de se tomar a segunda dose em qualquer posto do país, até às suas deslocações imediatas aos locais onde estavam a ocorrer anomalias, demonstraram competência, honestidade e muito profissionalismo.

Importa referir, sobre as suas deslocações aos locais de vacinação, dois sinais claros que deixava a todos os intervenientes no processo;

Um - De que havia empenho de quem estava a gerir, que se estava em cima do acontecimento, que não seriam toleradas as habituais quintinhas e compadrios, dado que tudo estava a ser acompanhado e controlado.

Dois – De que havia apoio de cima e que esse apoio se materializava em correções imediatas e que depois delas, ficava demonstrado, rapidamente, que o processo melhorava.

Outro dado importante, utilizou-se no processo a prata da casa. A prata da casa, foram funcionários públicos, técnicos de saúde pública que a maioria das vezes são acusados de não trabalharem ou de não quererem trabalhar.

Muitos gestores públicos e privados, devem sentir-se envergonhados. Quando existe competência, quando a motivação é verdadeira, quando a missão é credível, quando se acompanha os intervenientes, quando os objectivos são atingíveis e perceptíveis ao longo do tempo, as equipas funcionam e orgulham-se do seu trabalho.

O Almirante, demonstrou que a gestão, para ser boa, não necessita de ser paga e ainda premiada a peso de ouro para funcionar.

De aplaudir também, o papel das autoridades, dos voluntários e também do povo português, cuja mobilização foi extraordinária.

Para aqueles que afirmam frequentemente, não servir os militares para nada, ficou provado que não só fazem falta, como são competentes.

Com orgulho, concordo em absoluto que o processo de vacinação foi um tremendo êxito e agradeço a todos a lição que deram ao país, oxalá o país tenha aprendido alguma coisa com ela.

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