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Generalidades

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23
Abr21

Espectador de rotundas, cruzamentos e entroncamentos


Vagueando

Não é que tenha que dar satisfações da minha vida a ninguém. Contudo, quando (mal) alimentamos um blog ainda, que sem a responsabilidade de alguém morrer à fome por não ter colocado nada no prato virtual - ainda me lembro da malta que se levantava da mesa para ir apanhar a fruta ao FarmVille para alimentar o Tamagotchi – volto hoje ao contacto.

Resolvi ir abastecer o carro. Esta coisa do cartão fidelidade que dá pontos e descontos, obrigou-me a ir ao posto de combustível habitual. Em boa verdade foi mais uma desculpa para sair de casa, dentro do Concelho. Cumpri com as regras, fui para fora (de casa) cá dentro (do Concelho).

Já tinha tentado dar uma volta com o carro dentro de casa, mas por azar tinha posto o ano passado umas floreiras na escada e, por isso, não conseguia chegar à sala onde tinha espaço para fazer drifting.

Para chegar à bomba (atenção a nossa saúde mental não anda muito bem, não pensem que estou a planear algum ataque bombista) - tive que passar por 6 rotundas, 23 entroncamentos e ainda um cruzamento

Como sabem, pelo menos aqueles que conduzem, quem entra numa rotunda (e bem) tem que esperar que quem está lá dentro se vá embora. Chego à primeira rotunda e espero que todo trânsito passe e também esperava que quem saísse antes de chegar onde estou à espera, fizesse, tal como está obrigado, o pisca a informar que vai sair, onde eu, pacientemente, estou à espera para entrar . Como ninguém faz pisca, fico ali como espectador do trânsito que passava.

Com a falta de espectáculos de âmbito cultural, apercebo-me que é culturalmente aceite o desrespeito pelo Código da Estrada no que respeita a sinalizar as mudanças de direcção. Percebem agora porque há filas de trânsito?

Fui ficando a contar quantos carros passavam por mim e quantos saíam, sem fazer o tal pisca. Até que me buzinaram, perdendo a contagem. Milagrosamente uma brecha e lá fui. Nas outras 5 rotundas as coisas não melhoraram.

Nos entroncamentos também foi engraçado, pelas mesmas razões, quem saía à direita da estrada onde eu, pacientemente, estava à espera para entrar, não fazia o pisca e lá ficava a contar carros enquanto esperava, até que vinha a buzinadela, que coincidia com as brechas e lá ia eu.

Estão a imaginar o que aconteceu nos restantes 22 entroncamentos. Mais do mesmo pois claro, mas com uma novidade. Num deles, uma daquelas carrinhas de caixa alta resolveu parar mesmo na esquina, pelo que não via nada mais do que um caixote branco enorme ao meu lado esquerdo e ali fiquei à espera que o condutor do caixote chegasse para ter a visibilidade necessária para sair dali em segurança.

Falta o único cruzamento. Chego, paro, escuto e olho. Esqueci-me que não era preciso escutar, afinal  era só um cruzamento e não uma passagem de nível. Incrível, não vem ninguém de lado nenhum. Avanço, sem medo, mas eis que um grupo de ciclistas, me aparece de frente, em contramão, saído dum canavial e ainda me insultam porque conduzo um carro de combustão interna, a gasóleo, que é um perigo para o ambiente, e para as pessoas que respiram, agora de máscara, aquela trampa que sai dos gases de escape. Ainda bem que o meu carro só tem um escape, caso contrário, tinha sido linchado ali mesmo.

Estava quase a chegar a casa, reparo que ainda tenho menos combustível do que quando saí. As filas nas rotundas, nos entroncamentos, e no único cruzamento, tinham esgotado o combustível a minha paciência e aliviado a minha carteira.

Aproveito uma rotunda, volto para trás, chego na reserva ao posto de combustível, atesto, pago e sigo para novo calvário.

Repetem-se as peripécias, mas consigo chegar, finalmente a casa hoje, com menos de meio depósito, um pouco mais do que tinha quando saí para abastecer, em 3 de Março.

Está explicada a razão pela qual não tinha escrito mais nada.

07
Mai18

Atenção ciclista à vista


Vagueando

Li por aí que a União Europeia está a avaliar a possibilidade de os acidentes entre ciclistas e automobilistas, serem pagos pelos seguros destes últimos, ainda que sem culpa do automobilista. Chamam-lhe Responsabilidade Objectiva.

 

Ainda que acreditando na bondade da medida, gostaria de tecer os seguintes comentários, salvaguardando desde já, que sou ciclista, mas também peão e automobilista.

 

Automobilistas, peões e ciclistas não são classes estanques, em que cada um ocupa o seu espaço, somos todos nós e necessitamos de regras para uma sã convivência no espaço público que utilizamos, a estrada. Em caso de acidente entre automobilistas e peões/ciclistas estes últimos são, efetivamente, o elo mais fraco.

 

Tomando isto como ponto de partida, importa clarificar duas situações muito importantes;

 

  1. O peão ou ciclista, justamente por serem o elo mais fraco, devem rodear-se de todos os cuidados (os que estão na lei e os que não estão, mas que o bom senso aconselha) para se proteger.
  2. O peão ou ciclista, pode ter razão quando sofre um acidente e ser ressarcido financeiramente pelos danos sofridos. Todavia, nada, mesmo nada, pode minorar o seu sofrimento e dor.

 

Ora o que eu vejo nos meus congéneres ciclistas, na cidade e na estrada é que descuram a sua proteção. Ignoram sinais vermelhos, ignoram a prioridade, circulam em contramão, sem luzes e refletores, por cima dos passeios (os peões pelos vistos pela perspetiva do ciclista não tem direitos), vestem-se maioritariamente de negro e até as Associações que os defendem, põem em causa que o uso do capacete seja útil como forma de proteção.

 

Ainda que seja óbvio que não se deve fazer nada disto, acresce o facto de, caso não tenham dado por isso, a maioria destas situações são proibidas pelo Código da Estrada.

 

Para manter a tal sã convivência na estrada, os ciclistas viram aprovado um novo Código da Estrada “O desejado” destinado a dar-lhes mais proteção. Estranhamente são os próprios ciclistas a desrespeitá-lo ostensivamente. Nasceu uma classe de utentes da estrada (ecológicos como convém) que passaram a fazer da via pública uma coutada para as suas duas rodas.

 

Uma boa parte destes ciclistas investe em máquinas e acessórios valores que chegam facilmente aos 2 mil euros ou mais mas não compram uns refletores ou luzes. E não o fazem por falta de dinheiro, mas apenas porque ou são fundamentalistas no que toca ao peso das suas bikes e por isso aquelas gramas a mais afeta-lhes o ritmo de treino ou acham que os refletores ou as luzes (obrigatórias pelo Código da Estrada) estraga-lhes o visual das bicicletas.

 

Recusam-se a pagar um seguro porque é caro (as Associações que os defendem apoiam-nos). O que farão quando, por exemplo, circulam em cima do passeio ou passam um sinal vermelho, atropelarem um idoso ou um profissional liberal que fiquem impedidos, no primeiro caso de continuar a fazer a sua vida normal, ou no segundo caso, impedido durante um período de tempo de trabalhar. Quem paga? Em suma, os ciclistas estão convencidos que o novo CE delegou nos automobilistas a responsabilidade de os proteger.

 

Sobre esta casta de ciclistas e respetivo associativismo, estamos conversados.

 

O que sucede quando estes peões e ciclistas passam a pilotar o seu carro? Não sei nem quero saber, mas espero que a Polícia e a GNR os sancione duramente como automobilistas, mas também como peões e ciclistas quando, gratuitamente, ignoram o Código da Estrada. O que eu não posso admitir é como automobilista, ser responsável por mim nesta qualidade e por mim na qualidade de ciclista e peão. Caso contrário, não sou gente sou inconveniente, presumido, e pedante.

 

A UE que defende esta responsabilidade objetiva, parece que nos está a encaminhar para uma irresponsabilidade coletiva.

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