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Generalidades

Generalidades

05
Mar22

Sinistralidade autorizada


Vagueando

Recentemente o ACP lançou um vídeo, (ver aqui Video ACP) onde se aborda a situação das zonas 30.

A grande conclusão a tirar do filme é que em matéria de segurança rodoviária, se legisla bem e se fiscaliza mal, ou melhor, pelo menos dentro das cidades, não se fiscaliza.

Neste filme é possível constatar que nestas vias e ao que parece são poucas, só no ano passado, em que a circulação de pessoas foi fortemente condicionada pela pandemia,  registaram-se 16 mil acidentes e 119 mortos.

No video, a Dr Luísa Salgueiro, Presidente da Associação Nacional de Municípios, refere que nunca haverá fiscalização suficiente (o que é diferente de não existir nenhuma) e que haveria vantagens em clarificar a forma de como, para além da sinalização exigível pelo Código da Estrada, se uniformizasse outros elementos identificadores, como por exemplo o tipo de piso ou a cor do mesmo, para que não existam diferentes interpretações nem diferentes utilizações nestas vias.

30.pngDesculpa à parte, fica claro que a placa G4a (á esquerda)  - que cria este tipo de zona: indica a entrada numa zona 30km/h em que são aplicados dispositivos de acalmia de tráfego (para os mais distraídos) de modo a limitar a velocidade máxima de circulação a 30 km/h, cujo sinal de proibição, há muito que é conhecido dos automobilistas.

Independentemente do que vier a ser feito no futuro, a partir do momento em que se sinaliza o limite de velocidade é 30km/h é porque se reconhece que o mesmo é necessário, pelo que também é necessário fazê-lo cumprir para que não ocorram, só num ano, 16 mil acidentes num ano, muito menos 119 mortos.

Não vejo como a Presidente da ANM se “desculpa” com a falta de Polícia Municipal nalguns municípios ou com outras incapacidades para fiscalizar estas zonas, quando estes investiram em pessoal, formação e certificação dos seus fiscais, para que possam fiscalizar e multar veículos bem estacionados, na medida em que não prejudicam a fluidez nem a segurança do trânsito, mas que o Código da Estrada considerou oportuno incluir nos seus artigos, para assegurar a rotatividade dos lugares em zonas mais movimentadas.

Contudo, infelizmente, as autarquias viram nesta regulamentação do Código da Estrada um negócio, ao ponto de chegarem a explorar lugares pagos em contravenção com o mesmo Código da Estrada. Tenho vários exemplos que assinalei a autarquias e empresas de estacionamento municipal, que reconheceram o incumprimento e removeram os lugares e também tenho exemplos de autarquias e empresas de estacionamento municipal, perante este facto, optaram por ignorar o incumprimento e manter os lugares.

E foi este negócio que moveu as autarquias a servir-se do código da estrada, nomeadamente da alínea h) do Artigo 25º, que proíbe o parqueamento nas zonas de estacionamento de duração limitada, quando não for cumprido o respetivo regulamento e a alínea c) do artigo 163º , que considera abusivo ou indevido um veículo, em zona de estacionamento condicionado sem proceder ao pagamento de taxa ou se tiverem decorrido duas horas para além do período de tempo pago.

A Dr Luisa Salgueiro saberá que em Lisboa, onde existe Polícia Municipal e onde existem cinco zonas 30, bicicletas eléctricas a circular nos passeios, então agora com a febre da Glovo e Uber eats a entregar comida ao domicílio é perfeitamente normal trotinetas a circular em cima dos passeios,  é normal levarem duas pessoas e também é normal tudos isto se passar por vezes passar em frente a agentes da Polícia Municipal sem que nada aconteça.

Em Sintra, onde existe Polícia Municipal, foram criadas zonas proibidas a veículos de animação turística mas fiscalização não se vê e nem os operadores sentem qualquer tipo de repressão, caso contrário não circulariam, diariamente, e com tanta frequência nestes locais.

Lamentavelmente, as autarquias, na pessoa dos seus representantes, fazem vista grossa ao Código da Estrada para defender a segurança de pessoas e bens como ficou claro neste vídeo do ACP.

Assim sendo não se estranha a ocorrência de tantos acidentes.

Estranha-se sim o alheamento da comunicação social e de outros organismos, por exemplo a ACA-M Associação de Cidadãos Automobilizados que tanto eco têm dado ao acidente que infelizmente vitimou um trabalhador na A6 e até se constituiu assistente no processo, por considerar que ocorreu um homicídio por negligencia e se negligencia a ocorrência de 119 mortos em zona habitacionais.

Não haverá nestes acidentes, negligência de ninguém?

Ou ficamos apenas e só, como é costume dizer-se; É a vida, neste caso a morte para 119 pessoas.

Deixo alguns exemplos nas fotos abaixo do sentimento de impunidade decorrente da falta de fiscalização. O desespero leva residentes a colocar nas suas portas, de acesso às suas habitações, sinais de estacionamento proibido e mesmo assim não se respeita, estacionamento em cima de passadeiras de peões, entrada em ruas de sentido único em contramão para estacionar, sendo que algumas destas situações ocorrem a menos de 50 metros de um posto da GNR.

 

23
Jan22

Assim não


Vagueando

A sinistralidade rodoviária é grave em Portugal. Lamento que a comunicação social preste tanta atenção e mediatismo quando um acidente envolve um ministro (não me batam já) e não acompanhe com a mesma persitência quando outros acidentes com vítimas mortais ocorrem.

Os políticos e os partidos, que até ajudam à "festa" quando o acidente envolve um ministro, não se importam que durante a campanha eleitoral, os seus apoiantes se esqueçam que entrar numa rua em sentido proibido é um infração grave, agravada pelo facto de estacionar em segunda fila e do lado esquerdo.

Faço questão de tapar tudo o que pode relacionar esta carrinha com qualquer partido político (sendo certo que está representado na AR) que estacionou de forma lamentável, para que os apoiantes descarreguem o material de campanha.

O objectivo não é criticar o partido é criticar a postura de desrespeito sistemáico, socialmente aceite e lembrar que durante a operação Natal e Ano Novo, morreu uma pessoa e doze ficaram gravemente feridas em resultado de mais de 500 acidentes.

Podem sempre dizer, foi só para descarregar. Mas a pergunta que faço é; que visibilidade tem um veículo que circule corretamente e que pretenda virar à esquerda naquele entroncamento com aquele amontoado de gente no local?

Recentemente abordei aqui o desrespeito pelo Código da Estrada, demonstrado por dois jornalistas que, em trabalho para a sua estação de televisão, faziam uma reportagem na Nacional 1, no post abaixo;

Dois dias - 537 acidentes - Generalidades (sapo.pt)

É isto, ninguém liga, excepto se o acidente envolver um ministro, sendo que aí a vítima é mesmo vítima.

Inked20220123_101523(4)_LI.jpg

11
Ago21

Uma questão de respeito


Vagueando

 

Afinal quem não respeita quem?

Relembro aos ciclistas da foto o número 2 do artigo 90º do Código da Estrada;

Os velocípedes podem circular paralelamente numa via, exceto em vias de reduzida visibilidade ou quando o trânsito é intenso e desde que não causem perigo ou embaraço ao trânsito. Se pedalarem em grupo, devem fazê-lo em fila indiana ou aos pares, não sendo possível a circulação em paralelo de mais de dois velocípedes.

As associações de defesa dos ciclistas e bem, defendem-nos e até mandaram fazer, logo que saíram as alterações ao Código da Estrada, uns sinais todos catitas a pedir respeito pelos ciclistas, como é o exemplo deste da FPCUB Federação Portuguesa de Ciclistas e Utilizadores de Bicicleta. Ao fazê-lo estão a pedir a terceiros (que obviamente têm essa obrigação)  que também zelem pela segurança dos ciclistas.

Não deveria a FPCUB, fazer uns sinais a pedir aos ciclistas respeito pelos automobilistas e explicar exaustivamente aos seus associados, que esse respeito só aumenta a sua própria segurança?

Não são eles, ciclistas, os utilizadores vulneráveis que ao comportarem-se desta forma, só se tornam ainda mais vulneráveis? E não são eles, ciclistas, também peões e automobilistas?

20210822_083943.jpg

A rua na imagem acima é de sentido único, como se vê pela posição dos carros estacionados e possui dois sinais bem visíveis de proibição de entrar na mesma.

O que leva estas 4 criaturas (lá no cimo da foto antes da curva), classificadas pelo Código da Estrada, como utilizadores vulneráveis, a subir a rua em sentido contrário, ocupando toda a faixa de rodagem, uma vez que nem em fila indiana circulam?

Será que estas 4 criaturas, acham que a  segurança da sua vulnerabilidade, está exclusivamente a cargo de terceiros, automobilistas e -curioso- ciclistas, também utilizadores vulneráveis, que legitimamente, circulam no sentido descendente?

Uma pergunta final às autoridades; Quantas vezes foram abordados/sensibilizados ou mesmo multados estes grupos de ciclistas que frequentemente usam, desta forma as estradas portuguesas?

Um conselho final aos ciclistas; Se tiverem dúvidas como devem conduzir as suas bicicletas nas estradas, deixo abaixo o link para o Manual da ANSR para ciclistas.

 http://www.ansr.pt/Campanhas/Documents/Guia%20do%20Veloc%C3%ADpede%202014/Guia%20do%20Condutor%20de%20Velocipede.pdf)

A segurança nas estradas, não depende só de alguns mas sim do comportamento responsável de todos.

 

10
Jul21

A Propósito de Motas


Vagueando

Generalizou-se a ideia de que conduzir uma mota, sendo símbolo de liberdade, mas já não de cabelos ao vento, porque entretanto se ganhou consiciência de necessidade (obrigatoriedade) de usar capacete para protecção do motociclista, se pode "ultrapassar", nalgumas cabeças até legalmente, algumas regras do Código da Estrada.

Tendo conduzido várias motas, sem nunca ter sido dono de nenhuma, gostaria de deixar aqui um exemplo do perigo de contornar algumas regras do Código da Estrada.

Há pouco tempo circulava a pé numa avenida, com três faixas de rodagem para cada lado e com semáforos. Aguardava pelo sinal verde para peões, mas como o trânsito estava parado e existia um polícia no local este decidiu mandar parar o trânsito que gozava se sinal verde e mandar avançar os peões.

Um motociclista, guiando-se pelo sinal verde, não tendo visto o polícia seguia no meio de duas filas de trânsito a uma velocidade desproporcionada à situação com õ que se estava a deparar e quase me atropelou na passadeira. O acidente só não aconteceu porque me apercebi da sua vinda mas, ainda assim, pensei que iria parar.

Não obstante vir em contravenção com o estipulado no Código da Estrada, insultou-me sem se aperceber da presença do agente de autoridade que o mandou encostar imediatamente.

Não sei o que se passou a seguir, porque fui à minha vida, mas constato que frequentemente, os motociclistas usam o seu conceito de liberdade (quiçá um pouco egoísta) para ignorar o Código da Estrada, até naquilo que mais os desprotege, nomeadamente quando realizam ultrapassagens em zonas onde a sinalização o proibe e o mais puro bom senso desaconselha e isso, muitas vezes, dá mau resultado.

Como dizia António Variações, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga.

 

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