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Generalidades

Generalidades

16
Out23

Lembram-se da crise do subprime?


Vagueando

Já passou para os bancos, para os portugueses ainda não, continuam a pagar o custo que foi salvar bancos.

Não vou discutir se deveriam ter sido salvos ou se deveriam ter ido à falência, apenas e só quero dizer que o mercado funciona tão bem, razão pela qual os juros sobre o dinheiro que o banco empresta subiram rapidamente e os juros do dinheiro que os clientes emprestam aos bancos, para além de não terem subido quase nada ainda pagam taxas e taxinhas (onde é que já ouvi isto?).

Mas como o que tem que ser tem muita força e quem tem muita força é que decide o que tem que ser, eis que a partir de hoje deparo-me com esta notícia

Alívio no “teste de stress”: A partir de hoje, vai ser mais fácil pedir crédito habitação

Aliviado que está o stress para o stress que há-de vir, até para quem não pediu nada emprestado.

A quem vai pedir empréstimos lembrem-se que são eles os bancos , os especialistas que o aconselham e que verificam se a sua taxa de esforço é adequada para pagar as prestações.

Quando verificar que afinal a taxa de esforço já é superior e não consegue pagar, a culpa é sua e se vender a casa por um preço inferior ao valor da dívida, fica sem casa e vai continuar a ser responsável pelo seu pagamento.

Ainda se lembra do valor que foi injetado nos Bancos? Se não se lembra aqui fica uma ajuda.

Portugal acumula quarto maior esforço nas ajudas à banca na UE

26
Ago22

Transparência


Vagueando

Quando se fala de transparência relacionada com figuras públicas, membros do governo e políticos a exigência é máxima a tolerância mínima. Quando se trata de transparência de tudo o resto a tolerância é máxima e a exigência mínima. Aliás, no que toca à forma como os privados formam os seus lucros, o segredo é a alma do negócio.

Pode-sempre dizer que uns lidam com dinheiro público, ou seja, de todos nós e outros lidam com dinheiro que é deles e só a eles dizem respeito. É verdade. Contudo, a fraude fiscal é um crime que consiste em não entregar dinheiro que passaria a ser público e a obtenção de subsídios de forma fraudulenta, corresponde ao uso de dinheiro público de forma ilícita.

Fala-se muito, em tom crítico, sobre o excedente orçamental que o Estado está a acumular (por via do IVA) devido à inflação e também se fala muito, também em tom crítico sobre a eventualidade de virem a ser taxados os lucros que algumas empresas privadas que, à boleia da mesma inflação aproveitam para exagerar nos preços que praticam.

Vou apenas falar de duas situações. Os Bancos e as Petrolíferas.

Os primeiros ajudaram a empobrecer os portugueses, que ainda hoje sentem a fatura que lhes foi imposta pelos desmandos que os seus gestores gananciosos e imprudentes, praticaram. Estive a consultar os preçários e folhetos de taxas de juro dos bancos e verifiquei que a CGD dedica 93 páginas às comissões que cobra, o Santander 145 e o Millennium BCP 124. Já quanto às taxas de juro, dedicam-lhe, respetivamente 21, 31 e 37 páginas, sendo que a parte referente ao pagamento de juros a clientes, o valor indicado vai de zero até qualquer coisa como um estonteante valor de 0.01%.

Curioso verificar que o Santander, por exemplo, vai aumentar já para o mês que vem, de 5 euros para 6 euros, a comissão que um cliente paga para ir ao seu cofre que detém no banco, ou seja um aumento de 20%.Se este aumento fosse igual à inflação, que ronda os 10%, seria de 50 cêntimos, mas o banco, face ao aumento do preço dos combustíveis, ao aumento dos ordenados dos seus funcionários e ao aumento do custo das rendas dos balcões que tem vindo a fechar optou pelos 20%, o que é perfeitamente justificável!

Relativamente às petrolíferas, as últimas notícias referem que os preços dos combustíveis já estão iguais ao que eram antes da guerra na Ucrânia.

Pois bem no posto onde abasteço habitualmente, paguei em 19/02 por um litro de gasóleo 1,686€ e a 21/08, paguei 1,744€, sendo que entre o primeiro e o segundo preço, está refletida a mexida para baixo do imposto, o ISP.

Isto é tudo muito racional, afinal é o mercado a funcionar.

21
Mai18

Os Bancos


Vagueando

Bancos.JPG

 

Os Bancos diferenciaram-se dos bancos de jardim porque levaram os velhinhos a levantarem-se destes para colocarem as suas poupanças nos primeiros.

Assim os Bancos (do dinheiro, nada de confusões) começaram por pagar aos depositantes para lhe confiarem o seu pilim e, depois de conquistada a confiança, abandonaram esta boa prática para começar a apregoar que estavam a operar no mercado segundo as melhores práticas.

Ora se uma boa prática é substituída pelas melhores práticas, seria lógico que a coisa fosse  para melhor.

Contudo, as boas  práticas não corresponderam às expectativas legítimas diga-se, das pessoas. Os Bancos praticamente deixaram de ter interesse no dinheiro dos depositantes para passar a ter interesse nas comissões que cobram aos clientes (depositantes ou não). Dá muito menos trabalho.

Os Bancos acham que guardar o dinheiro dos depositantes é uma grande seca e ainda por cima cara e, vai daí, que se lixe o dinheiro para remunerar, nós queremos sim é emprestar, para receber juros e cobrar comissões.

Os Bancos passaram assim a inventar dinheiro, tipo como se tivessem uma fotocopiadora, afinada de acordo com as melhores práticas e voilá, dinheiro para emprestar e dar lucro era coisa que não faltava, era o que faltava!  Para apimentar a coisa, aos juros recebidos, os Bancos juntaram-lhe umas comissões.

Acontece que a malta, vulgo ex-depositantes, gastou o que tinha e o que não tinha, obtiveram crédito (barato é certo, melhor dito, ao preço da uva mijona) para tudo e mais alguma coisa, inclusivé para comprar um casal de periquitos. Se não me engano, chegou a existir crédito bonificado para compra de casas para jovens casais de periquitos, com dispensa abastecida com umas boas arrobas de alpista.

Ainda que as boas e melhores práticas associadas a códigos de ética, de conduta e de bons relatórios anuais aprovados pelos accionistas e certificados pelos melhores experts,  o negócio deu para o torto e o que era barato, como diz o povo, saiu caro.

Saiu caro aos depositantes que ficaram sem poupanças, saiu caro aos clientes que agora estão amarrados a empréstimos que têm de pagar (às vezes até de casas que já não têm, porque as entregaram ao banco), bem como as respectivas comissões e saiu caro a todos (mesmo que não fossem clientes ou depositantes) porque ficaram a pagar impostos, a preços de mercado, o preço (custo) da prática destas boas práticas.

Os Bancos que andavam satisfeitos com as boas práticas e os reguladores adormecidos pelas suas más práticas, conseguiram, ao que parece, fazer o impossível e irracional. Colocar os devedores (quiçá até aqueles grandes que não pagam e o sigilo protege) a receber juros pelos seus empréstimos e por arrasto os depositantes a pagar pelos seus depósitos. É assim como a história da cigarra e da formiga em que o moral da história passou a ser premiar a cigarra e penalizar a formiga. Ainda bem que já não se contam estas coisas às criancinhas, elas iam perceber

Ainda dizem que a inovação é o futuro. Os Bancos concluíram agora que os seus grandes gestores só eram bons em tempos de vacas gordas e agora dizem, ai, ai, que não pode ser.

Até o vendedor da banha da cobra, que tem fama de vender gato por lebre, não conseguia fazer uma coisa destas.

Enquanto espero que os Bancos se recomponham vou até aos bancos do Miradouro da Condessa de Seisal, também conhecido por Jardim da Vigia, não para vigiar coisa nenhuma, apenas para contemplar os três montes, o do Castelo, o do Palácio e o do Monte Sereno. Ao menos ali, quando não há tuk tuks, sereno e não pago comissões.

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