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Generalidades

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12
Mar26

A resiliência e a nova morada


Vagueando

Antes de mais, com o fim do Sapo Blogs, mudei de casa, mas continuo a ser o Vagueando, agora mais desgovernado. Para entrarem na minha nova casa, tal como nos alojamentos locais, devem saber o código de acesso que passa a  ser este;

https://osdesgovernados.blogspot.com/

Nestes tempos de incerteza e de alguma loucura, as guerras parecem estar a suplantar, a uma velocidade estonteante, o uso do bom senso ou na versão sofisticada, da diplomacia. Hoje há cursos de tudo e para tudo, já para não falar de workshops em que em meio-dia se fica especialista em alguma coisa e com um diploma de participação.

Por outro lado, à distância de um clique ou dois, podemos deixar-nos influenciar por quem sabe – o influencer, disto e daquilo, de tudo e mais alguma coisa. Informação não falta, é tanta que já não sabemos lidar com ela, delegámos na IA mas, uma coisa é certa, sobre bom senso, não encontro, nem informação, nem cursos, nem workshops, nem publicações de influencers.

Ainda assim, perante este défice de bom senso estou actualmente muito mais descansado;

Primeiro por saber, pelo Presidente Donald Trump, que a guerra está praticamente a terminar e depois por ficar a saber que os Bancos portugueses, segundo os seus CEO’s, estão muito mais resilientes do que na última década e portanto; Depositantes, Clientes, Colaboradores, em suma a sociedade, podem ficar tranquilos.

Mas, nestas coisas há sempre o mas, porque ainda me lembro de relevantes figuras nacionais, virem assegurar, na crise do subprime, que os bancos estavam bem e sólidos, mas foi o bolso dos contribuintes que pagaram caro a falta dessa solidez.

Espero que a solidez de que falam hoje, corresponda ao verdadeiro significado da palavra, para não abalar de novo a já fraca solidez das carteiras portuguesas.

Abaixo transcrevo um post que sobre os Bancos, que escrevi em Maio de2018, para a Sapo blogs, com a respectiva foto (Bancos no Jardim da Vigia em Sintra) e o link para o que referem agora os nosso banqueiros sobre a solidez dos seus bancos e sobre o eventual impacto da mais recente guerra.

Espero que fiquem (muito mais) tranquilos! 

Os Bancos.jpeg

Os Bancos

Os Bancos diferenciaram-se dos bancos de jardim porque levaram os velhinhos a levantarem-se destes para colocarem as suas poupanças nos primeiros. Assim os Bancos (do dinheiro, nada de confusões) começaram por pagar aos depositantes para lhe confiarem o seu pilim e, depois de conquistada a confiança, abandonaram esta boa prática para começar a apregoar que estavam a operar no mercado segundo as melhores práticas.

Ora se uma boa prática é substituída pelas melhores práticas, seria lógico que a coisa fosse para melhor. Contudo, as boas práticas não corresponderam às expectativas legítimas diga-se, das pessoas.

Os Bancos praticamente deixaram de ter interesse no dinheiro dos depositantes para passar a ter interesse nas comissões que cobram aos clientes (depositantes ou não). Dá muito menos trabalho. Os Bancos acham que guardar o dinheiro dos depositantes é uma grande seca e ainda por cima cara e, vai daí, que se lixe o dinheiro para remunerar, nós queremos sim é emprestar, para receber juros e cobrar comissões.

Os Bancos passaram assim a inventar dinheiro, tipo como se tivessem uma fotocopiadora, afinada de acordo com as melhores práticas e voilá, dinheiro para emprestar e dar lucro era coisa que não faltava, era o que faltava!

Para apimentar a coisa, aos juros recebidos, os Bancos juntaram-lhe umas comissões. Acontece que a malta, vulgo ex-depositantes, gastou o que tinha e o que não tinha, obtiveram crédito (barato é certo, melhor dito, ao preço da uva mijona) para tudo e mais alguma coisa, inclusivé para comprar um casal de periquitos. Se não me engano, chegou a existir crédito bonificado para compra de casas para jovens casais de periquitos, com dispensa abastecida com umas boas arrobas de alpista.

Ainda que as boas e melhores práticas associadas a códigos de ética, de conduta e de bons relatórios anuais aprovados pelos accionistas e certificados pelos melhores experts, o negócio deu para o torto e o que era barato, como diz o povo, saiu caro.

Saiu caro aos depositantes que ficaram sem poupanças, saiu caro aos clientes que agora estão amarrados a empréstimos que têm de pagar (às vezes até de casas que já não têm, porque as entregaram ao banco), bem como as respectivas comissões e saiu caro a todos (mesmo que não fossem clientes ou depositantes) porque ficaram a pagar impostos, a preços de mercado, o preço (custo) da prática destas boas práticas.

Os Bancos que andavam satisfeitos com as boas práticas e os reguladores adormecidos pelas suas más práticas, conseguiram, ao que parece, fazer o impossível e irracional. Colocar os devedores (quiçá até aqueles grandes que não pagam e o sigilo protege) a receber juros pelos seus empréstimos e por arrasto os depositantes a pagar pelos seus depósitos.

É assim como a história da cigarra e da formiga em que o moral da história passou a ser premiar a cigarra e penalizar a formiga.

Ainda bem que já não se contam estas coisas às criancinhas, elas nã iam perceber Ainda dizem que a inovação é o futuro.

Os Bancos concluíram agora que os seus grandes gestores só eram bons em tempos de vacas gordas e agora dizem, ai, ai, que não pode ser.

Até o vendedor da banha da cobra, que tem fama de vender gato por lebre, não conseguia fazer uma coisa destas.

Enquanto espero que os Bancos se recomponham vou até aos bancos do Miradouro da Condessa de Seisal, também conhecido por Jardim da Vigia, não para vigiar coisa nenhuma, apenas para contemplar os três montes, o do Castelo, o do Palácio e o do Monte Sereno.

Ao menos ali, quando não há tuk tuks, sereno e não pago comissões.

31
Out24

Dia Mundial da Poupança


Vagueando

A  propósito do dia Mundial da Poupança fui hoje bombardeado com várias referência à literacia finaceira ou à falta dela.

O primeiro embate foi na TSF, Poupar e investir para um Futuro Melhor.

O meu banco enviou-me um email a perguntar-me - Como está a minha Estratégia de Poupança? E eu a pensar que ele tratava disso por mim, porque é o especialista da coisa e cobra-me comissões por tudo e por nada. Aqui na Sapo, é noticiado que Lucros dos bancos privados crescem 11% para 2,5 mil milhões mesmo com juros a descerem, pelo que é evidente que eles (incluindo o meu banco que faz parte desta notícia) percebem de estratégia de poupança e, quando não percebem, a malta, mesmo sem querer ou ser cliente,  injecta dinheiro dos impostos pagos por todos (os que pagam evidentemente) , os quais, se calhar, fazem com que os portugeses falhem o objectivo de poupar.

No mesmo mail enviado pelo Banco, mesmo ao lado da dica como poupar, vem um cardápio de viagens, como se fosse perfeitamente compatível poupar e viajar.

A minha companhia de Seguros enviou-me hoje também um email muito simpático, onde desfia uma série de dicas para me ajudar a poupar e assegurar o meu bem estar financeiro.

Um amigo enviou-me um video onde a Senhora Deputada do Chega, Rita Maria Matias, depois de se mostrar a sua indignação com alguns temas que são apresentados aos alunos na Disciplina de Cidadania, nomeadamente no Caderno Presse para o 3º Ciclo, conclui que era melhor dotar estes alunos com disciplinas de literacia financeira.

Não, não vou aflorar aqui o que quer que seja sobre esta Disciplina, muito menos sobre a sua utilidade e sobre os seus conteúdos nem sobre a forma como os professores a ministram.

Vou sim, apoiar o ensino da literacia financeira, quer aos mais jovens, quer aos mais velhos.  Os primeiros através das escolas e os segundos, por exemplo com o patrocínio dos Bancos, organizarem um "Road Show" (fica sempre bem estes estrangeirismos nas ideias inovadoras) para trazer literacia financeira às pessoas de todo o país.

A primeira coisa que este Road Show vai demonstrar é que não se poupa porque não sobra nada ao fim do mês e por isso é que ninguém se interesse pela literacia financeira.

Contudo, a ideia a avançar, o primeiro capítulo, deve ser dedicado ao tema "Como identificar um banco que está prestes a rebentar com as suas poupanças", estratégias de fuga para não as perder .

Enquanto o pessoal não conseguir passar com distinção este primeiro capítulo, não vale a pena explicar mais nada.

 

 

16
Out23

Lembram-se da crise do subprime?


Vagueando

Já passou para os bancos, para os portugueses ainda não, continuam a pagar o custo que foi salvar bancos.

Não vou discutir se deveriam ter sido salvos ou se deveriam ter ido à falência, apenas e só quero dizer que o mercado funciona tão bem, razão pela qual os juros sobre o dinheiro que o banco empresta subiram rapidamente e os juros do dinheiro que os clientes emprestam aos bancos, para além de não terem subido quase nada ainda pagam taxas e taxinhas (onde é que já ouvi isto?).

Mas como o que tem que ser tem muita força e quem tem muita força é que decide o que tem que ser, eis que a partir de hoje deparo-me com esta notícia

Alívio no “teste de stress”: A partir de hoje, vai ser mais fácil pedir crédito habitação

Aliviado que está o stress para o stress que há-de vir, até para quem não pediu nada emprestado.

A quem vai pedir empréstimos lembrem-se que são eles os bancos , os especialistas que o aconselham e que verificam se a sua taxa de esforço é adequada para pagar as prestações.

Quando verificar que afinal a taxa de esforço já é superior e não consegue pagar, a culpa é sua e se vender a casa por um preço inferior ao valor da dívida, fica sem casa e vai continuar a ser responsável pelo seu pagamento.

Ainda se lembra do valor que foi injetado nos Bancos? Se não se lembra aqui fica uma ajuda.

Portugal acumula quarto maior esforço nas ajudas à banca na UE

26
Ago22

Transparência


Vagueando

Quando se fala de transparência relacionada com figuras públicas, membros do governo e políticos a exigência é máxima a tolerância mínima. Quando se trata de transparência de tudo o resto a tolerância é máxima e a exigência mínima. Aliás, no que toca à forma como os privados formam os seus lucros, o segredo é a alma do negócio.

Pode-sempre dizer que uns lidam com dinheiro público, ou seja, de todos nós e outros lidam com dinheiro que é deles e só a eles dizem respeito. É verdade. Contudo, a fraude fiscal é um crime que consiste em não entregar dinheiro que passaria a ser público e a obtenção de subsídios de forma fraudulenta, corresponde ao uso de dinheiro público de forma ilícita.

Fala-se muito, em tom crítico, sobre o excedente orçamental que o Estado está a acumular (por via do IVA) devido à inflação e também se fala muito, também em tom crítico sobre a eventualidade de virem a ser taxados os lucros que algumas empresas privadas que, à boleia da mesma inflação aproveitam para exagerar nos preços que praticam.

Vou apenas falar de duas situações. Os Bancos e as Petrolíferas.

Os primeiros ajudaram a empobrecer os portugueses, que ainda hoje sentem a fatura que lhes foi imposta pelos desmandos que os seus gestores gananciosos e imprudentes, praticaram. Estive a consultar os preçários e folhetos de taxas de juro dos bancos e verifiquei que a CGD dedica 93 páginas às comissões que cobra, o Santander 145 e o Millennium BCP 124. Já quanto às taxas de juro, dedicam-lhe, respetivamente 21, 31 e 37 páginas, sendo que a parte referente ao pagamento de juros a clientes, o valor indicado vai de zero até qualquer coisa como um estonteante valor de 0.01%.

Curioso verificar que o Santander, por exemplo, vai aumentar já para o mês que vem, de 5 euros para 6 euros, a comissão que um cliente paga para ir ao seu cofre que detém no banco, ou seja um aumento de 20%.Se este aumento fosse igual à inflação, que ronda os 10%, seria de 50 cêntimos, mas o banco, face ao aumento do preço dos combustíveis, ao aumento dos ordenados dos seus funcionários e ao aumento do custo das rendas dos balcões que tem vindo a fechar optou pelos 20%, o que é perfeitamente justificável!

Relativamente às petrolíferas, as últimas notícias referem que os preços dos combustíveis já estão iguais ao que eram antes da guerra na Ucrânia.

Pois bem no posto onde abasteço habitualmente, paguei em 19/02 por um litro de gasóleo 1,686€ e a 21/08, paguei 1,744€, sendo que entre o primeiro e o segundo preço, está refletida a mexida para baixo do imposto, o ISP.

Isto é tudo muito racional, afinal é o mercado a funcionar.

21
Mai18

Os Bancos


Vagueando

Bancos.JPG

 

Os Bancos diferenciaram-se dos bancos de jardim porque levaram os velhinhos a levantarem-se destes para colocarem as suas poupanças nos primeiros.

Assim os Bancos (do dinheiro, nada de confusões) começaram por pagar aos depositantes para lhe confiarem o seu pilim e, depois de conquistada a confiança, abandonaram esta boa prática para começar a apregoar que estavam a operar no mercado segundo as melhores práticas.

Ora se uma boa prática é substituída pelas melhores práticas, seria lógico que a coisa fosse  para melhor.

Contudo, as boas  práticas não corresponderam às expectativas legítimas diga-se, das pessoas. Os Bancos praticamente deixaram de ter interesse no dinheiro dos depositantes para passar a ter interesse nas comissões que cobram aos clientes (depositantes ou não). Dá muito menos trabalho.

Os Bancos acham que guardar o dinheiro dos depositantes é uma grande seca e ainda por cima cara e, vai daí, que se lixe o dinheiro para remunerar, nós queremos sim é emprestar, para receber juros e cobrar comissões.

Os Bancos passaram assim a inventar dinheiro, tipo como se tivessem uma fotocopiadora, afinada de acordo com as melhores práticas e voilá, dinheiro para emprestar e dar lucro era coisa que não faltava, era o que faltava!  Para apimentar a coisa, aos juros recebidos, os Bancos juntaram-lhe umas comissões.

Acontece que a malta, vulgo ex-depositantes, gastou o que tinha e o que não tinha, obtiveram crédito (barato é certo, melhor dito, ao preço da uva mijona) para tudo e mais alguma coisa, inclusivé para comprar um casal de periquitos. Se não me engano, chegou a existir crédito bonificado para compra de casas para jovens casais de periquitos, com dispensa abastecida com umas boas arrobas de alpista.

Ainda que as boas e melhores práticas associadas a códigos de ética, de conduta e de bons relatórios anuais aprovados pelos accionistas e certificados pelos melhores experts,  o negócio deu para o torto e o que era barato, como diz o povo, saiu caro.

Saiu caro aos depositantes que ficaram sem poupanças, saiu caro aos clientes que agora estão amarrados a empréstimos que têm de pagar (às vezes até de casas que já não têm, porque as entregaram ao banco), bem como as respectivas comissões e saiu caro a todos (mesmo que não fossem clientes ou depositantes) porque ficaram a pagar impostos, a preços de mercado, o preço (custo) da prática destas boas práticas.

Os Bancos que andavam satisfeitos com as boas práticas e os reguladores adormecidos pelas suas más práticas, conseguiram, ao que parece, fazer o impossível e irracional. Colocar os devedores (quiçá até aqueles grandes que não pagam e o sigilo protege) a receber juros pelos seus empréstimos e por arrasto os depositantes a pagar pelos seus depósitos. É assim como a história da cigarra e da formiga em que o moral da história passou a ser premiar a cigarra e penalizar a formiga. Ainda bem que já não se contam estas coisas às criancinhas, elas iam perceber

Ainda dizem que a inovação é o futuro. Os Bancos concluíram agora que os seus grandes gestores só eram bons em tempos de vacas gordas e agora dizem, ai, ai, que não pode ser.

Até o vendedor da banha da cobra, que tem fama de vender gato por lebre, não conseguia fazer uma coisa destas.

Enquanto espero que os Bancos se recomponham vou até aos bancos do Miradouro da Condessa de Seisal, também conhecido por Jardim da Vigia, não para vigiar coisa nenhuma, apenas para contemplar os três montes, o do Castelo, o do Palácio e o do Monte Sereno. Ao menos ali, quando não há tuk tuks, sereno e não pago comissões.

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