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Generalidades

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12
Jun21

A morte fascina-me


Vagueando

Costuma dizer-se que a única coisa cem por cento certa na vida de um ser humano é a de que um dia morre. Sendo verdade também é certo que antes de isso acontecer pagaremos, direta ou indiretamente, impostos.

Não venho desmentir nada disto, antes pelo contrário, é verdade, é uma verdade de La Palisse, confirmo por experiência própria, para já, a parte que se refere ao pagamento de impostos.

O que me fascina na morte, razão pela qual resolvi vaguear pelo tema é saber como sabe o morto que morreu.

Quem está habilitado a prestar-lhe essa informação? Que documento lhe é entregue como prova de morte (que eu saiba há por aí muita gente a ter que fazer prova de vida)? Como pode o morto aceder à vida eterna se não tem nenhuma prova que ateste que está morto?

Com as falcatruas que se fazem por aí, todos os dias, quem garante que não anda por aí malta a aceder, de forma ilegal, à vida eterna?

E depois?

O que faz o morto com o certificado? Como é que morto encara todas aquelas cerimónias fúnebres? Como vai organizar-se a partir daqui? Terá algum apoio para mudar de residência?

Recorremos aos especialistas para saber mais sobre determinados temas. Mas onde estão os especialistas nesta matéria? Não conheço nenhum "necrolojólogo", nem nenhum espeleólogo mental que tenha explorado e explicado esta falha grave.

O Mundo encontrou uma forma de datar os acontecimentos, diferenciando os anos em AC e DC. Será que o morto também poderá datar os acontecimentos em AM –Antes de Morto e em DM – Depois de Morto?

Será que o morto terá direito à sua nova existência, chamemos-lhe assim, a um CCM – Cartão de Cidadão Morto? E que data constará neste cartão, a sua data de nascimento e/ou a data da sua morte, ou só esta última para dar início à contagem dos anos DM? Também se lhe averba a sua condição de morto, tal como o estado civil, no CC que estamos habituados e habilitados a usar?

O autocarro funerário anda todos os dias por ruas e estradas, sem paragens certas e sem horário definido, sem cronograma dos seus percursos. Embora o ponto de partida seja diversificado, o seu destino é sempre o mesmo e onde saem todos os seus passageiros. Não tem revisor, nem fiscal, não aceita passe social, não aceita bilhetes pré-comprados nem de ida e volta, a entrada e a saída é feita sempre pela porta de trás, só leva um passageiro de cada vez, que vai deitado e não sabe para onde vai, mas também não pode dizer que sabe que não quer ir por ali.

Quando o povo diz que temos que mudar de vida estará, porventura, a referir-se a mudá-la de Antes de Morto para Depois de Morto?

Será que única certeza que um morto tem é que nunca vai saber que morreu?

10
Mai20

Sinal de Vida


Vagueando

 

Este é o título de um romance de José Rodrigues dos Santos.

A história, apaixonante, começa com a figura de Thomas Quinn, estagiário do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) sedeado, segundo ele, num buraco nos EUA, mais precisamente em Hat Creek (Califórnia), onde está instalado Allan Telescope Array, uma rede de escuta astronómica.

Thomas Quinn estava encarregado de analisar as resmas de folhas diárias contendo os dados captados por 42 antenas que cobriam as frequências de rádio dos 0,5, aos 11,2 gigahertz em busca de vida extraterrestre. Esta rotina diária, estava frustrá-lo ao ponto de ter perdido a fé de encontrar fosse o que fosse.

Até que um dia, um sinal vindo de Tau do Sagitário, na banda de 1,42 gigahertz fez disparar o coração de Thomas Quinn e do seu chefe.

Tinham descoberto um sinal de vida.

Sinal de Vida

Este é o título de um post de Vagueando, que sou eu.

A história, arrepiante, começa no dia 11 de Março do corrente ano, quando Tedros Adhanom Ghebreyesus, nessa malfadada tarde, declarou que o surto do novo coronavírus tinha atingido o nível de pandemia. Nesse dia, juntamente com a minha mulher e um amigo, apanhei um autocarro de Sintra para Mafra, de onde regressei a pé para Sintra. A distância de 28km que já percorri várias vezes, não em busca de qualquer sinal extraterrestre ou divino, mas pelo prazer de caminhar pelo campo onde os sons estão próximos dos captados pelas antenas do Allan Telescope Array, com a vantagem de estarmos perto de tudo e longe de tudo o que chateia, nomeadamente a poluição sonora e do ar.

Já em Nafarros, depois de passarmos junto a vários aldeões que cuidavam do seu pedaço de terra e nos saudavam efusivamente, como se fossemos os seus vizinhos mais próximos e garantiam que por ali não andava vírus nenhum, fizemos uma pausa no União Cultural e Desportivo de Nafarros, onde saboreámos um prego acompanhado de um fino. Ali mesmo, assistimos na TV à declaração da pandemia.

A partir daí foi o pandemónio, que se conhece, fechámo-nos em casa e ficámos todos à espera, tal como o Thomas Quinn, de sinais.

Estes sinais, ainda que dados e explicados por especialistas de toda a espécie, lançavam mais dúvidas do que esclarecimentos.

No final de cada dia, em família e em conversa telefónica com os amigos tentávamos, tal como Thomas Quinn, apanhar um sinal diferente que nos desse conforto, alegria e esperança.

Nada!

Durante estes dois meses, fui mantendo a minha actividade, ou seja andar a pé, à volta de casa, e dei conta de que, mesmo nos locais onde estava habituado a ver multidões, não via qualquer sinal de vida(ver fotos no link abaixo).

https://photos.app.goo.gl/7ud9FPmDpJX9S6VS6

Agora que parece existir algum alívio ou talvez não, nas minhas saídas para fazer exercício, vi um sinal de vida. (foto abaixo)

20200505_175320.jpg

A primeira loja aberta em Sintra após a declaração de pandemia. Só faltam os clientes

A diferença entre o Sinal de Vida de JR Santos e o Sinal de Vida que eu vi, é que a história de JR dos Santos é ficção, embora ele afirme que a informação científica apresentada no romance é verídica e a minha história é real, embora desconheça se a informação científica que fui recebendo ao longo destes dois meses é verdadeira.

Acresce que Thomas Quinn conseguiu descobrir um sinal de vida extraterrestre e eu ando a tentar perceber se na Terra, nomeadamente onde vivo, vamos ter hipótese de voltar a sentir a emoção de estar no ponto G de Portugal, ou seja, “Onde a terra acaba e o mar começa” sem máscara, sem distanciamento social, sem vigilância, vulgo tudo ao molho e fé em Deus.

Gostava de olhar para o precipício do Cabo da Roca e pensar, ainda que queda vá ser grande, recuperaremos antes de bater lá em baixo.

Afinal a Europa acaba ali, mas nós, os portugueses, não deixaremos que ela se esvaia, só por isto, para o Mar.

 

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