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Generalidades

Generalidades

29
Fev24

A tradição ainda é o que era


Vagueando

Este post cai no âmbito do desafio1foto1texto de IMSilva

Roupa Estendida.jpg

Foto - Jornal de Sintra nº 864 de 13/08/1950 - Artigo escrito pelo Presidente da Câmara Municipal de Sintra, José Alfredo da Costa Azevedo que nos deixou muitos e ricos apontamentos sobre Sintra, compliados em vários livros.

Esta coisa do ambiente está a ficar um bocado irrespirável. É preciso agir e rápido.

Quando se fala em agir, quer dizer que estamos disponíveis para passarmos à ação, incluindo mandando recados com tinta verde. Contudo, a ação tem que ser longe da nossa porta, (por exemplo se se tratar de um aterro sanitário ou de uma exploração de lítio, mesmo que isso seja o preço a pagar por melhor ambiente) ou a ação tem que ser levada a cabo por outros.

Sim porque nós, os que defendemos a ação, já usamos carros eléctricos, temos placas solares em casa para produção de electricidade e aquecer a água, a roupa que usamos e temos (se calhar) em excesso é fabricada por processos sustentáveis, a nossa comida é biológica, os nossos electrodomésticos e iluminação lá de casa é toda classe A++++++ e os nossos computadores e telemóveis são fabricados com o mínimo de pegada ecológica.

Já há uns tempos que vagueei por aqui sobre estendais de roupa e recentemente, confesso que não sabia, os condomínios, inclusive ou se calhar em especial, aqueles mais luxuosos, fazem constar nos seus regulamentos, que é expressamente proibido estender roupa no exterior dos edifícios.

Também (segundo os mesmos regulamentos)  é expressamente proibido colocar nas varandas roupa a secar, mesmo que não esteja pendurada mas sim estendida naqueles mini estendais pousados no chão da varanda.

Tudo isto em nome da estética que, ao que parece, é um bem superior ao ambiente. Ou seja no fundo, é preferível morrer com ar poluído no meio de uma paisagem urbana com estética bem cuidada, do que respirar ar puro e ver o horror da roupa a secar na rua ao ar livre, sem qualquer consumo de energia.

Nos tempos que já lá vão, em que se lavava roupa à mão, quando se estendida ficava a pingar, as desavenças entre vizinhas eram frequentes. Hoje isso não acontece, a roupa sai das máquinas de lavar sem deixar cair um pingo, portanto esta proibição expressa parece absurda nos tempos que correm. 

Participo com frequência em caminhadas organizadas, por campos e aldeias de Portugal, onde participam pessoas que residem em condomínios, alguns mais elitistas. Há uns tempos uma senhora referia que tinha sido admoestada pelo administrador do condomínio, porque tinha colocado um desses estendais pequenos na varanda para a secar meia dúzia de pequenas peças de roupa.

Vou deixar duas notas para percebermos como a hipocrisia e a incoerência sobre o ambiente.

1 – Nestas caminhadas é frequente encontrar-se galinheiros de todas as formas e feitios o que é apreciado pelos caminheiros, não tanto na vertente de que as galinhas que ali estão servirem de alimento, mas mais na vertente estética da coisa, é giro ter umas galinhas ali à solta no campo.(vê-se mesmo que nunca entraram num galinheiro para o limpar).

2 – Também é giro passar por aldeias, tipo aldeias da roupa branca onde em estendais de chão ou nas fachadas das casas se seca roupa ao Sol e ao vento. É giro porque é típico é quase como se fosse algo do outro mundo. Também aqui o giro e o típico é visto mais como sinal exterior de pobreza, quiçá de espírito e de alguma parolice, do que um processo ambientalmente correto.

3 – Por último, depois de acabadas as caminhadas, regressamos a casa, cada um no seu veículo de motor de combustão (ainda não me deparei com nenhum eléctrico) mas atenção todos eles cumprem a norma EURO qualquer coisa pelo que são muito menos poluentes que as máquinas agrícola que andam pelos campos.

No dia a dia, os condóminos, que não estendem roupa na rua, aliviam a sua consciência ecológica fazendo-se transportar em carros eléctricos, alguns curiosamente com mais potência do que os equivalentes com motor a combustão.

Não há fumo de escape mas há consumo a mais de energia, seja a secar a roupa, seja porque não precisamos de tanta potência para nos deslocarmos.

Má aposta dos condóminos ao regulamentar a proibição de se usar o Sol e o vento gratuitos (mas exige-se que os Estados financiem a instalação de placas solares e eólicas para produzir electricidade) e má aposta dos construtores de automóveis eléctricos, ao se promoverem como ambientalmente responsáveis e fabricarem veículos com excesso de potência, supostamente movida a energia “limpa”.

 

 

28
Dez23

Fui abraçar árvores


Vagueando

ABA.jpg

Cá estou de novo para mais uma participação 1 foto 1 texto de IM Silva

Há uns dias desloquei-me ao Alentejo, ondei passei uns dias de descanso. Gosto do Alentejo, das cores, do silêncio, das aldeias, dos campos, dos passeios pedestres, das pessoas, dá gosto conversar com desconhecidos no Alentejo.

Durante um passeio pedestre, lembrei-me de desafio da CMCascais em 2017 cujo mote era “Abrace uma árvore!” Sente-se à altura?

Parece que os benefícios de abraçar uma árvore são muitos, segundo este desafio, podem resumir-se a;

  • São os maiores e mais antigos seres do mundo.
  • Produzem o oxigénio, ajudam a regular a temperatura e os níveis de águas nos solos, protegem e conservam os ecossistemas
  • São uma fonte de matérias-primas como combustíveis, madeira, alimentos e até componentes naturais usados nos medicamentos
  • Ajudam a reduzir os níveis de stress e de ansiedade. Vários estudos mostram que a presença de árvores à nossa volta provoca esse efeito.
  • Promovem o aumento dos níveis de concentração e produtividade quer em crianças, quer em adultos.
  • Estão presentes nas nossas recordações de infância

Ora ali estava eu e a minha mulher no meio daquela vastidão, onde várias árvores davam nas vistas pela sua imponência e beleza, não havia nenhum sinal de proibido abraçar árvores, tentei-me e abracei uma, obviamente com a autorização da minha mulher.

Vai daí, achei que o desafio da C.M. Cascais podia ser o mote para este desafio da IMSilva e pronto, cá estou.

Ah, a experiência de abraçar a árvore foi estranha, senti-me um bocado deslocado, até talvez ridículo, não posso dizer que tenha sentido alguns dos benefícios acima indicados, mas é uma experiência que vou repetir, até porque os islandeses, durante a pandemia também aconselhavam as pessoas a abraçar árvores, uma vez que não podiam abraçar-se uns aos outros.

Por último achei que uma foto de uma árvore, no meio de tantas que vi neste passeio era pouco, pelo que criei um álbum das que vi e que quem me ler também pode ver aqui.

https://photos.app.goo.gl/DKbzUtc1mJmo6it77

 

 

 

 

13
Out23

Pequenos gestos, grandes conquistas a favor do ambiente.


Vagueando

Hoje trago dois temas ligados ao ambiente.

O primeiro

KUNFT.jpg

 

Este termoventilador custa qualquer coisa como 15 euros. Funciona com uma ventoinha que obriga o ar a passar por uma resistência que emite calor.

Daí que, por razões de segurança, não aquece sem que a ventoinha esteja em funcionamento, nem pode ser tapado sob pena de se incendiar. Pelas mesmas razões, possui um sistema que desliga imediatamente o aparelho caso ele tombe.

O sistema é muito simples e o “gingarelho” que interrompe a corrente mais não é do que um pequeno interruptor que funciona como o botão da campainha, quando se carrega no botão (neste caso o peso do aparelho substitui o dedo) a campainha toca e quando se tira o dedo (neste caso o peso do aparelho deixa de fazer a pressão do chão e interrompe a passagem da corrente desligando-o) ela desliga.

Há poucos dias, junto aos contentores do lixo estava um aparelho igual ao da foto e levei-o para casa. Levei porque sei que todos os seus componentes raramente avariam, pelo que deveria estar a funcionar até porque tinha ar de ser recente, talvez do último inverno. Assim que o abri percebi que a avaria era do tal “gingarelho” que estava avariado impedindo a corrente se passar. O tal “gingarelho”, foto abaixo custa 1,30€ compra-se em lojas de eletrónica e é muito fácil de substituir.

Micro.jpg

 

Assim recuperei um aparelho que ia para o lixo, ofereci-o a quem sei que precisa e gastei apenas 1,30 euros.

Daqui faço um apelo, não depositem eletrodomésticos no lixo, recorram à  rede electrão

Se tiverem que se desfazer de um eletrodoméstico deixo um conselho, para além de o depositarem no local correto, cortem-lhe o cabo de alimentação e guardem-no, pode servir para outro qualquer eletrodoméstico que tenham em casa.

O pensamento nestes casos, passa por - é tão barato que não compensa reparar, deito fora e compro outro.

O segundo

Portugal beneficia de uma luminosidade elevada, derivada às muitas horas de Sol com que somos brindados. Muitas vezes me questiono porque temos edifícios em que as fachadas são totalmente envidraçadas. Do ponto de vista do conforto térmico, deixam muito a desejar, trabalhei anos a fio dentro de um e sofri bastante com o calor que os vidros irradiavam, ainda que as cortinas estivessem fechadas e que o ar condicionado não atenuava.

Hoje entrei numa pastelaria conhecida, na qual nunca tinha entrado. O primeiro impacto é que a luz natural invade o espaço o que se torna bastante agradável, e pouco incomodativo uma vez que as fachadas envidraçadas não estão viradas a Sul, o que evita o calor mas permite gozar de uma luminosidade muito agradável.

Enquanto tomava o pequeno-almoço, de pé ao balcão, dei conta que a luminosidade natural era ofuscada por uma série de lâmpadas que estavam montadas no tecto falso, todas elas ligadas. Fiz uma conta mental rápida e cheguei à conclusão que o espaço conta com cerca de 100 lâmpadas, percebi quão incomodativo era estar a ser bombardeado com tanta luz, a natural que neste mês de Outubro está fortíssima e a artificial, mais de 80% deveria estar desligada.

A pastelaria funciona com cartões que nos são dados para pagar à saída.

Ao pagar questionei a Senhora da Caixa por que razão não se desligavam aquelas luzes todas desnecessárias e incomodativas, cujo incómodo ela confirmou, tinha dificuldade em ver o ecrã tátil da sua registadora com excesso de luz.

A resposta foi lapidar, são lâmpadas económicas.

E assim se expurga a consciência sobre o nosso comportamento para melhorar o ambiente climático e até financeiro, já que importamos muita da energia que consumimos.

A EDP agradece.

Conclusão

Aproveito e deixo um desafio aos meninos Climáximos.

Que tal sensibilizarem (sem partir, sem pintar, sem parar o trânsito, sem causar transtorno a ninguém) as pessoas para este tipo de situações que a nível nacional não são de somenos importância?

E que tal agarrar-se nos eletrodomésticos abandonados junto aos contentores do lixo, reparando os que ainda justifiquem, doando-os a instituições de solidariedade social e levando os outros para o ponto electrão?

04
Out23

O Mundo não para de me surpreender


Vagueando

Ora viva, como estão?

Hoje trago boas e más notícias, umas são animadoras, outras talvez não.

Como não percebo nada de meteorologia, muito menos de medicina, vou pisar terreno minado, com o teclado.

A primeira (supostamente) boa notícia é que vamos atingir a imortalidade, já em 2050. Estão a ver as vantagens, quando alguém nos diz “vai morre longe” é a chacota generalizada.

Por outro lado, vai ser especialmente interessante para julgar aqueles crimes que ocorreram há tanto tempo que, na maior parte das vezes, os criminosos já morreram há décadas. A justiça, que costuma ser lenta, só tem a ganhar, já que o conceito de lentidão desvanece-se.

Não deixa de ser irónico que na mesma altura em que se fala em atingir a imortalidade, alguém vem anunciar, ainda que daqui a 250 milhões de anos, a vida na terra extingue-se. Os ativistas climáticos que se cuidem, daqui a 250 milhões de anos vão perder o emprego e nessa altura serão imortais. Hoje talvez seja a melhor altura para repensarem as suas competências.

Segundo o Secretário Geral da ONU, António Guterres, “Estamos numa autoestrada para o inferno climático com o pé no acelerador”. É preciso muita atenção, não sei se existe capacidade financeira instalada para pagar as portagens durante 250 milhões de anos, nem tão pouco se a rede viária mundial consegue suportar a velocidade de deslocação até ao Inferno.

Até porque, com a moda dos radares de velocidade média, é capaz de ser mais fácil ser multado e acabar a viagem por falta de dinheiro para pagar a multa ou ficar sem carta porque se perderam todos os pontos e não poder continuar a viagem. Seria o que se chama morrer na praia.

A última boa ou má notícia, depende da perspetiva, mesmo sem a presença humana, a grande causa da atual emergência climática, a vida na terra já foi extinta várias vezes.

Eu cá não sou de intrigas!

08
Set23

Foi você que pediu um bom ambiente?

A explicação do ambiente no espaço de uma folha A4, por quem não percebe nada disto


Vagueando

Para proteger o ambiente, para salvar o planeta, temos que abandonar o petróleo, o nuclear, produzir menos lixo, comer menos de tudo, em especial carne.

Para melhorar o ambiente, temos que usar energias renováveis, reciclar mais, passar a ser vegan, comer mais fruta e vegetais.

Para concretizar tudo isto, o lixo tem que ser tratado, a energia renovável é fundamental, a eletrificação dos transportes (parece que) também, fazer agricultura biológica.

Vamos a isso, bora lá construir aterros para o lixo, unidades para tratamento dos resíduos sólidos e reciclados, montar eólicas e parques de painéis fotovoltaicos, explorar o lítio para as baterias para produzir transportes movidos a eletricidade, fazer plantações biológicas em larga escala, aproveitando tanto solo por aí que é reserva agrícola mas onde não se cultiuva nada.

Só falta escolher os locais, que de acordo com os técnicos terão que ser no sítio A ou B, consoante exista minério para explora, vento para mover as eólicas e sol para os parques fotovoltaicos, ou boa terra de cultivo.

Fixe, estamos no bom caminho, talvez que tenhamos também que abandonar algumas zonas de conforto, como por exemplo usar mais o transporte público, andar mais a pé em vez de usar a trotineta, não trocar o telemóvel e o computador por outro só porque é mais xpto

Esqueci-me do mais importante, as autarquias, as juntas de freguesia, o povoléu decidiu que os estudos elaborados não podem ser vinculativos na escolha dos locais para fazer tudo isto, desde que sejam perto da minha casa, da minha cidade ou aldeia, do meu quintal, da minha casa de férias, do meu terreno abandonado, da minha serra, do meu rio, da minha praia.

É muito giro que a roupa que não comprámos e que supostamente deveria ser reciclada seja amontoada no deserto do Atacama e depois do alto do nosso pedestal moral/ambiental, irmos para lá divertir-nos e ainda criticar que aquela gente não faz nada em prol do ambiente.

Somos todos a favor do ambiente, se calhar se não fossemos, talvez se conseguisse fazer alguma coisa para o melhorar.

21
Jul23

Os Estendais de Roupa


Vagueando

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Hoje nas minhas deambulações a pé por Sintra esta janela despertou-me a atenção, apenas e só por ter roupa estendia ao ar livre.

Com o tempo os estendais (como o que se vê na foto) de cabo de arame de aço coberto a plástico (para não sujar a roupa), que corriam entre duas ferragens com roldanas, cravadas com cimento nas paredes das casas foram desaparecendo.

Daí a minha curiosidade e ter tirado a foto.

Fui dar uma volta na internet para tentar perceber a razão do desaparecimento e por lá vi uns comentários depreciativos à roupa pendurada nos arames da roupa, outro nome pelo qual a designação estendal, causava à paisagem urbana.

Quem sou eu para duvidar de tal coisa, nem sequer sou arquitecto paisagista. Partindo do princípio que as pessoas não passaram a usar roupa descartável, acredito que a solução lógica tenha sido optar pelo secador de roupa.

A ser verdade a opção pelo secador de roupa, tenho que concluir duas coisas;

A primeira é que afinal estamos mais ricos do que apregoamos, pagar para fazer uma coisa que é grátis é mesmo um absurdo e as máquinas secadoras de roupa não são propriamente um bom exemplo de baixo consumo de energia.

A segunda é que andamos todos muito atarefados em arranjar soluções para sermos ambientalmente mais sustentáveis e descartamos uma solução tão antiga e tão tipicamente portuguesa, estender roupa na rua, que aproveita aquilo que temos de borla e com abundância, vento e sol.

Actualização em 03/10/2023, um artigo na Sapo Viagens, do blog Volto Já que liga bem com estendais;

https://viagens.sapo.pt/viajar/viajar-mundo/artigos/a-beleza-do-quotidiano-num-estendal-portugal-e-italia-sao-os-reis-da-roupa-a-secar-ao-ar-livre#

A ideia deste post surgiu após um amigo me ter enviado por Whats App a imagem abaixo.

Climitard.jpg

10
Mar23

Ambiente


Vagueando

Cada vez mais se discute as questões ambientais e o custos que elas acarretarão para o planeta. Sobre o ambiente, não sou técnico nem estudioso da matéria, só sei o que me chega pelos jornais e aos jornais chegam os preciosos estudos científicos. 

Os rigorosos estudos, cujas "evidências científicas" demonstram a gravidade da situação e o seu contrário, são usados pelos jornais  para difundir as notícias e às vezes fico com a sensação de que as notícias ou o estudos, se parecem com aquela rábula do Ricardo Araújo Pereira, que chega lá acima dizem-lhe que sim e chega cá abaixo dizem-lhe que não.

Uma coisa é certa, os estudos que defendem que a situação é grave, apontam-nos o dedo a nós, humanos, como sendo não só os culpados do aquecimento global e por via disso da subida do nível da água do mar, como também de nada fazermos ( e poderíamos fazer,  faltará vontade política) para salvar o planeta, deixando de fora a possibilidade de o que está a acontecer não se dever à acção humana.

Sabendo o que sei, estou consciente do problema, para cumprir com o que posso para reduzir a minha pegada, até comprei uns sapatos um número abaixo. 

Contudo, ainda não consegui estar seguro de que tudo o que se propagandeia é verídico, está devidamente comprovado e  mesmo que façamos tudo o que a ciência nos pede, se seremos capazes de inverter a situação.

Mas há uma coisa que me preocupa muito mais ao nível do ambiente, o ambiente social. E o ambiente social, no meu entender está muito mais degradado e será muito mais difícil melhorá-lo. Hoje de manhã ao ler um artigo aqui na Sapo, de  Arménio Rego, sobre a Incivilidade no Trabalho - Perigo na Estrada, fiquei convencido que o ambiente social anda pelas ruas da amargura.

Antes de salvarmos o planeta, o qual, com ou sem alterações climáticas, vai ficar por cá, parece mais importante melhorarmos o ambiente social, porque o planeta pode mesmo ficar sem nenhum de nós.

Cheira-me que é mais fácil desaparecermos por falta de bom ambiente social do que por falta de bom ambiente climático.

 

Adenda: Já depois de escrever este post eis que me deparo com este artigo aqui na Sapo Geração "delivery", inteligência sacrificial e corrupção, que exemplifica de forma espetacular e, obviamente, muitissimo melhor do que eu alguma vez consiga imaginar, o que escrevi.

03
Out22

Ranholas


Vagueando

Ranholas é a principal porta rodoviária de entrada em Sintra. Chega-se apressado, do IC19, com três faixas de rodagem, para desembocar mesmo no limite nascente desta localidade. E chega-se apressado porque o limite de velocidade, antes de chegar ao local da foto abaixo é de 100 km/h.

Este risco indesculpável foi reportado à Infraestruturas de Portugal em Março de 2021, Processo 2021REC01422. Em 01/04/2021, recebi a seguite resposta deste organismo; "Esclarecemos que sendo uma zona de transição de gestão da via entre a IP e o município de Sintra, vamos proceder à alteração da sinalização vertical de forma a resolver a situação o mais rapidamente possível."

Talvez porque a resposta da Infraestruturas de Portugal foi transmitida no dia das mentiras, explique o facto de, até agora, nada ter sido corrigido.

Ranholoas.jpg

É aqui que as três faixas de rodagem do IC 19  se transformam apenas numa, as outras duas, uma segue para Cascais (via A16), a outra segue em direção às praias de Sintra . É por dentro desta localidade que se acede ao centro de Sintra. (Atente-se no limite de velocidade, já lá irei).

A toponímia  Ranholas, ao contrário do que se pensa, nada tem a ver com ranho ou ranhoso, mas sim com o diminutivo de "ranha" termo que é usado em Portugal e na Galiza para designar declive no leito de um rio - "José Pedro Machado Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa." 

E por se tratar de uma pequena localidade, não se pense que não tem a sua importância na historia de Sintra, porque tem e muita. Foi em Ranholas que nasceram as queijadas mais antigas de Sintra, as queijadas da Sapa, pela mão de Maria Sapa. 

"As Queijadas da Sapa tiveram a sua origem em Ranholas em 1756, momento que terá marcado o início da produção industrial de queijadas, com uma produção diária de vinte dúzias, vendidas aos fidalgos que se dirigiam a Sintra.

Em 1887 o comboio a vapor chegou à Estefânia e Ranholas deixou de ser a porta privilegiada de entrada em Sintra, devido à chegada do comboio. Desta forma as queijadas de Maria Sapa, mudam-se então para a Volta do Duche, onde desde então e, passando de geração em geração se mantém até hoje, a produção diária das tradicionais queijadas de Sintra." Ler em comércio com história Queijadas da Sapa.

Em Ranholas, viveu Raul Solnado, até existe uma Avenida com o nome deste artista muito próximo desta localidade e este conhecido artista usou a localidade de Ranholas nas suas paródias, ouvir aqui Raul Solnado Exército de Ranholas

Em Ranholas vive também o conhecido ator Rui Mendes.

O primeiro comboio que chegou a Sintra, em 1873, o Larmanjat, entrava por Ranholas onde tinha uma paragem. Em boa hora, a Pousada da Juventude em Sintra, inaugurada este ano, decidiu atribuir o nome de Larmanjat ao seu café restaurante. Larmanjat.

Estou aqui a vaguear pelo passado para chegar à situação actual da localidade de Ranholas. 

Sendo o IC 19 uma das estradas mais movimentadas do país, o fluxo de trânsito que desemboca em Ranholas é brutal e por isso facilmente se transforma em infernal. O limite de velocidade,  visível na foto acima, nunca é cumprido excepto nos congestionamentos de trânsito, infelizmente  é habitual. Os moradores de Ranholas reclamam e bem, por uma segunda travessia de peões, ainda que de pouco sirva, porque é raro os carros pararem na que existe. Os automobilistas têm medo -fundado, diga-se - de serem abalroados se o fizerem.

Aos Domingos, os motoqueiros passam por Ranholas a velocidades bem superiores ao permitido, ultrapassando ( é proibido ultrapassar dentro desta localiadade) vários carros em simultâneo. Os acidentes são frequentes.

A fiscalização  não existe, quer em termos de controlo de velocidade, quer no toca ao desrespeito diário e frequente do trânsito proveniente de Lisboa,  pela sinalização que proíbe a viragem à esquerda em dois entroncamentos existentes em Ranholas. O piso apresenta-se muitas vezes escorregadio com a humidade que é habitual em Sintra aumento o risco de acidente.

Desconheço se se está a estudar alguma solução para o problema do trânsito desta localidade, mas há uma que, sem necessidade de qualquer obra,  aliviaria bastante o trânsito dentro de Ranholas. 

A solução passaria pela eliminação da portagem entre Sintra e Cascais, uma vez que a maioria do trânsito que provem de Lisboa ,  segue na direção de Cascais. Assim escoaria-se-ia o grosso do fluxo de trânsito pela A16 e não por dentro de Ranholas.

Com esta solução, cada veículo proveniente de Lisboa que segue na direção de Cascais faria  menos dois quilómetros por dia,  um para cada lado, para além de descongestionar o trânsito na localidade e, consequentemente a qualidade do ar, a qualidade de vida das pessoas que ali residem, ainda aumentaria a segurança e fluidez rodoviária.

Segundo um estudo sobre o fluxo de trânsito, levado a cabo pelo IMT, nos primeiros 6 meses de 2021, atravessaram diariamente Ranholas, entre 37 mil a 56 mil veículos. Partindo do pressuposto que metade (é muito mais) se dirige na direção de Cascais, teríamos entre 18 a 28 mil veículos diários fora de Ranholas.

Fazendo uma média, cerca de 12 mil veículos deixariam de atravessar Ranholas todos os dias. Estes 12 mil veículos deixariam de fazer os tais 2km a mais diariamente, ou seja menos 24 mil Km.

Cada carro consome aproximadamente 7 litros aos 100km, diariamente teríamos uma poupança de combustível de 1.680 litros, qualquer coisa como 2.856,00 euros  e ainda uma redução de CO2 na ordem dos 38kg. Anulizando estes valores.

  • Poupança de combustível 613.200 litros
  • Poupança no pagamento do combustível 1.042.440,00 Euros
  • Redução da emissão de gases (CO2) 13.870 kg

Neste caso, a inflação, os custos da guerra, os custos para o ambiente, o custo da importação de combustível, já para não falar da segurança e tranquilidade da população de Ranholas, não serão mais importantes que o custo ambiental que recai sobre todos?

Deixo esta mensagem, porque estou de acordo com o Presidente da República, deve-se explicar aos portugueses, o que aí vem, nomeadamente as consequências da inflação, da guerra e da gula financeira, (ah isto de falar da gula financeira não é politicamente correto)  cujo impacto se refletirá negativamente na vida das pessoas.

Entretanto, como não sou Presidente da República, reconheço que não tenho estaleca sequer para poder candidatar-me, limito-me a alertar para o que já cá está e, como nos podemos enganar uns aos outros com uns galardões.

Se Sintra, mesmo com este problema consegue ser um dos 100 destinos mais sustentáveis Sintra destino sustentável, parece-me que a tarefa de querer salvar o planeta uma utopia. 

Até porque o planeta está-se marimbando para nós, porque ele fica, com bom ou mau ambiente, nós é que podemos desparecer.

Nota Posterior à data do post (17/10/2022) - Entretanto leio o artigo, A Batalha do Nosso Futuro, de Diogo Queiroz de Andrade, na revista do Expresso, Edição 2607, de 14 de Outubro de 2002 e fiquei totalmente esclarecido sobre a questão ambiental , na versão de uma corrente de gente rica, denominada "longtermism" e fiquei esclarecido sobre todas as questões ambientais. Sugiro a leitura, mais que não seja, para ficarem a saber como o Mundo dos "influencers" ricos funciona.

 

 

 

27
Set22

Ser ambientalmente responsável


Vagueando

Enquanto sou bombardeado com notícias,  que temos  de mudar de vida, porque não há planeta B, eis que sou confrontado com notícias interessantes sobre o respeito que vamos tendo pelo ambiente.

Hoje na Sapo sou brindado com um record futebolistico,  onde participou o português Luis Figo. Tratou-se de um jogo de futebol, para constar no Guiness, disputado dentro de um avião, a 6 mil metros de altitude, que simulava a gravidade zero. Não foi só o record de jogar em gravidade zero, foi também a gravidade no impacto que estas coisas têm para o ambiente. Pode ler a notícia aqui - Record Guiness.

A outra notícia tem a ver com uma situação contrária. 597 mergulhadores concentraram-se no Sábado em Sesimbra, com o objetivo de bater outro record do Guiness, o que foi conseguido, juntar o maior número de mergulhadores para recolher plástico no mar, pode-se ler aqui - Recolha de plástico Sesimbra.

Ora aí está como vemos o ambiente, quem tem dinheiro para brincar fá-lo sem problema e sem problemas de consiciência ambiental, enquanto outros se voluntariam para limpar o que não deveria estar sujo, afinal os plásticos não chegam ao mar em modo de condução autónoma, nem por qualquer processo de inteligência artificial.

 

Nota Posterior à data do post (17/10/2022) - Entretanto leio o artigo, A Batalha do Nosso Futuro, de Diogo Queiroz de Andrade, na revista do Expresso, Edição 2607, de 14 de Outubro de 2002 e fiquei totalmente esclarecido sobre a questão ambiental , na versão de uma corrente de gente rica, denominada "longtermism" e fiquei esclarecido sobre todas as questões ambientais. Sugiro a leitura, mais que não seja, para ficarem a saber como o Mundo dos "influencers" ricos funciona ou melhor como condiciona os governos eleitos.

 

08
Jun22

O que é que estas duas imagens têm em comum?


Vagueando

À primeira vista, estas duas imagens nada têm em comum, mas têm e muito.

Falamos muito em ambiente, fazendo-nos sentir culpados, ora porque não reciclamos, ora porque comemos de mais o que não devemos, É bom manter a população em stress, para nos controlarem melhor.

Ao mesmo tempo que somos vítimas deste bullyng ambiental, o marketing e a finança  encarregam-se de nos fazer comprar e gastar o que não queremos nem necessitamos.

Há cerca de 50 anos, o meu pai comprou a caixa que se vê na imagem para andar dentro do seu carro. Dava-lhe muito jeito para colocar as compras ou coisas mais sujas evitando assim derramar liquidos ou sujar a bagajeira. Habituei-me a ver esta caixa desde miúdo e herdei-a com todo o gosto, passando eu a circular com ela agora no meu carro.

Entretanto antes de a herdar, procurei por todo o lado e não encontrei nada do género, apenas caixas parecidas. A questão é que essas "imitações de caixas" se partiam ou rachavam com toda a facilidade, pelo que no espaço de 20 anos comprei mais de 40 caixas para ir subistiuindo as que se partiam.

E, também hà cerca de 50 anos o meu pai construiu um casa de raiz para onde fomos viver. Na altura comprou-se torneiras Oliva, eram nacionais e a drogaria que as vendeu dizia que eram muito boas. Quando casei, há 35 anos, mudei de casa e uma das coisas que fizemos nessa casa foi renovar a instalação eléctrica e canalizações. Tudo muito modernaço.

As torneiras avariaram ao fim de 8 anos, tiveram que ser todas subsituidas e as que vieram a seguir também não duraram muito tempo. Casualmente, passava eu por uma antiga drogaria em Lisboa e vi na montra torneiras Oliva. Comprei todas, porque necessitava de todas , menos duas que infelizmente já não tinham. O Sr da drogaria disse-me que eram as últimas, leva aí bom material, do melhor que há.

Pois então desde essa altura, regularmente tenho que trocar as duas, que não são Oliva, mantendo-se em perfeito estado de funcionamento todas as outras, inclusivé todas que estão montadas, há mais de 50 anos, na casa do meu pai.

Estes materiais (caixa e torneira) eram feito em Portugal, eram bons, eram ambientalmente responsáveis, na medida em que não se produzia lixo desnecessáriamente e não se utilizava matéria prima sem necessidade.

Moral da história, o que há de comum entre estas duas imagens, é poupança e ambiente.

Estou farto de ser bombardeado com o mal que andamos a fazer ao planeta, de me fazerem sentir culpado. Afinal, o que está em causa não é o planeta, que aconteça o que acontecer, ele fica cá, regenera-se como sempre fez.

Quem pode ir à vida somos nós e não por "vivermos acima das nossa possibilidades ambientais" mas sim por nos "obrigarem " a viver dessa forma.

 

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