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Generalidades

Generalidades

10
Jul20

Mais de 1km


Vagueando

A Geometria diz-nos que a distância mais curta entre dois pontos é uma linha recta.

Os portugueses são ases da estrada mas não muito dedicados às ciências exactas. Os peões escolhem o risco, usando o conceito da distância mais curta para atravessar a estrada, ainda que muitas vezes essa linha recta seja uma diagonal à mesma, do que a segurança, procurando uma passadeira de peões.

Animado por ter escrito um post com o título “Menos de 1km”, achei que era capaz de fazer uma distância maior, não necessariamente a pé. Daí que me tenha feito à estrada e a primeira paragem foi feita no local da foto.

20200707_150522.jpg

Esta recta, representa a menor distância entre o local onde estou até onde a vista alcança e tem muito mais que 1km.

Neste sentido, podia ficar por aqui e não me maçar mais, nem maçar mais quem, eventualmente, tenha tido a pachorra de ler até aqui.

Decido continuar, espero que o leitor também, para informar que de onde a vista alcança até à minha residência são à volta de 100km e do local onde me encontro até ao local de destino são cerca de 25km. Falta calcular a distância (a tal mais curta) entre onde estou e onde a vista alcança, que não sei nem quero saber, porque parei aqui para contemplar tudo e perdi-me na medição, por causa da meditação.

A tranquilidade, a sombra, a estrada que pouca gente usa, a calma, a nostalgia de outros tempos, com outros carros nos anos 70 e 80 e com outras gentes.

Ah, e a cor dos sobreiros, acabados de ser descascados. Que cor, que impacto visual.

O que não sabia sobre os sobreiros é que se trata de uma árvore, classificada como nacional desde 2012. A primeira casca só está pronta a ser retirada 25 anos depois da árvore ter nascido. Esta primeira casca (cortiça) dá pelo nome de cortiça virgem e este primeiro descortiçamento dá pelo nome de desboia. Nove anos depois retira-se nova cortiça, a que se chama secundeira. É preciso esperar mais 9 anos para se retirar nova cortiça a amadia. A partir daqui retira-se cortiça de 9 em 9 anos.

Cada sobreiro vive em média 150 a 200 anos, o que quer dizer que pode ser retirada cortiça cerca de 15 vezes.

No mundo de hoje onde a rapidez é tudo, é notável.

Já se produz uva sem grainha, qualquer dia acelerarse o sobreiro.

Deixemos os sobreiros e passemos às Sobreiras. Não, não é a esposa do sobreiro, mas sim uma espécie de sobreiro, um sobreiro muito grande ou muito velho. Não sabia mas está no dicionário.

Vou falar do Sobreiras Alentejo Country Hotel, não para fazer publicidade, que não é essa a minha intenção, também não sou influencer, nem ninguém me pediu para deixar like no Facebook ou fazer um comentário positivo, mas porque; 

  • Foi a primeira saída digna desse nome, desde 11 de Março, altura em que fomos forçados a hibernar dentro do casulo. • Gosto do Alentejo.
  • Gosto deste tipo de alojamentos e, normalmente evito as grandes aglomerações de pessoas, mesmo de férias.
  • Achei que a ligação dos sobreiros da foto com o Sobreiras fazia sentido.
  • Uma vez que falei do hotel, seria injusto, não falar da experiência e não vos deixasse, como gosto, um link com fotos.

O hotel está muito bem organizado nesta fase “Covid” até me custa escrever este nome. Os serviços estão bem organizados para não juntar muitos hóspedes ao Pequeno Almoço ou ao jantar de modo a que todos permaneçam a uma distância segura e é distribuído um folheto com as normas protecção que os hóspedes têm de cumprir.

A zona da piscina tem muito espaço e nota-se muito cuidado com a desinfeção.

Mantem-se o Buffet em funcionamento, quer ao pequeno-almoço quer ao jantar, mas a comida é servida pelos colaboradores do hotel. Não gosto, mas é assim e aceito.

Nota-se a limpeza nos quartos que possuem o piso em cortiça, convida a que se ande descalço.

A decoração, quer dos quartos, quer das áreas comuns é feita de forma minimalista mas muito agradável à vista, havendo bastante espaço para circular.

O enquadramento deste hotel na paisagem é perfeito.

Não gostei apenas de dois detalhes;

O primeiro - O acesso a alguns quartos obriga a passar por degraus que me pareceram desnecessários, podiam ser substituídos por pequenas rampas, facilitando não só o acesso com malas de rodas como eventuais cadeiras de rodas. Por outro lado o acesso do parque de estacionamento a alguns dos quartos também é feito por pequenos passeios de pedra solta o que não facilita o arrastar de malas.

O segundo -Tem a ver com a inexistência de sombra no estacionamento. O local no Verão é bastante quente, quando cheguei estava 40 graus, pelo que a sombra era bem vinda. O parque é pequeno, porque o hotel também é pequeno, pelo que não seria complicado nem dispendioso sombrear a área.

Não espero que me sigam, mas espero que pelo menos uma vez sigam atá ao Sobreiras e, de preferência, passem pelos sobreiros da foto, parem e contemplem.

Aqui fica o link para as fotos

https://photos.app.goo.gl/GrDE35E3EWhGimnJ7

Se encontrarem, por acaso, um cão nas fotos, lembrem-se que neste hotel são aceites.

03
Mai18

A Mina de S. Domingos


Vagueando

P5183166.JPG

 

 

Se acha que 150 anos de história da Mina de S. Domingos não são razão mais do que suficiente para gastar um fim-de-semana a visitá-la, então eu dou-lhe outras para se deslocar até ao Alentejo profundo.

Antes de se aventurar prepare-se para estar num local ermo, desligado de tudo o que de selvático a civilização nos habitou.

Preparado?

Quando chegar à Mina de S. Domingos encontra muito espaço e pouca gente e isto pode causar-lhe alguma claustrofobia espacial e uma estranha sensação de falta de calor humano. Mas depressa vai perceber que o espaço é um bem precioso ao qual há muito se tinha desabituado e que é mais fácil entabular conversa com um qualquer habitante local do que falar como o seu vizinho do andar direito que julga conhecer.

Durante a noite vai parecer-lhe que não há luz, mas depressa vai perceber quão belo é contemplar o céu estrelado, o qual na cidade não é mais do que uma nuvem constante de poluição. Quando esta alivia, o que vê não é mais do que uma miragem com algumas estrelas desfocadas. Na Mina não precisa de muito tempo, do Google Sky, nem sequer de um rasgo de sorte, para observar a beleza de uma estrela cadente.

A companhia do seu carro vai parecer-lhe útil, mas depressa vai entender que o mesmo terá mais utilidade para o trazer de regresso ao stress e ao reboliço do trabalho do que para visitar a Mina de S. Domingos.

Se olhar para o mapa de Portugal, o local vai parecer-lhe que está no meio do nada e perto de coisa nenhuma. Contudo, mesmo sem ser preciso muita paciência, vai reparar que há muito para ver e entender, sem confusão, filas ou aglomerações. Está lá tudo à nossa espera.

Aventure-se a pé, caminhe e escute o silêncio que brota daquelas ruínas e, deixe-se embalar pelos 150 anos de história da Mina. Lembre-se que há 40 anos atrás tudo aquilo ainda fervilhava, havia vida, difícil é certo, labutava-se duro para ganhar pouca coisa.

Não lhe parece perfeito um fim-de-semana assim?

Bom então a tudo isto junte-lhe um alojamento excepcional, a Estalagem de S. Domingos, onde até talvez encontre uma promoção. Mas vá por mim, esta Estalagem merece muito mais ser promovida do que fazer promoções. Não é um alojamento qualquer porque o local é muito superior à descrição e às fotos que encontrará na Internet. A simpatia e o atendimento do staff da Estalagem não é mensurável nem descritível é uma constelação de Estrelas no universo da hotelaria.

As refeições são uma agradável tentação e sugerem-nos que a gula não é pecado, mas fazer dieta, logo ali, isso sim é pecado.

O edifício da Estalagem, o jardim e a piscina completam o cenário de perfeição e lembram-nos que ali está parte da história da Mina de S. Domingos.

Se ainda não está convencido, então você é um caso perdido. Está viciado em trabalho, alimenta-se de todos os tipos poluição, desde aquela que respira à que ouve e que vê, não dá valor à sua existência. Pior, nem sabe que Portugal é um país lindíssimo, com montanha, planície, mar, praia, floresta tudo isto bem temperado com um clima excepcional e com um povo fabuloso mas que, infelizmente, sente pouco orgulho no muito que tem e no muito que já fez pelo Mundo.

Podia juntar algumas delas fotos da estalagem e dos locais por onde andei, mas acho que a sua imaginação entendeu perfeitamente a imagem que pretendi transmitir.

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