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Generalidades

Generalidades

23
Jan26

Presépio ao Sal


Vagueando

Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

Para este desafio trago hoje uma história à volta de um presépio.

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Começa com uma luz divina(l).

 

Recordo com nostalgia os meus tempos de criança na casa dos meus avós no Algarve. Estou quase tentado a dizer que era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada, como a canção de Vinicius de Moraes.

Não era bem assim mas era quase. Não tinha eletricidade, não tinha água canalizada, não tinha estrada para lá chegar, não tinha teto, mas apenas telhado, mas tinha diversão, amor, carinho, boa comida e boa disposição.

A casa, longe das praias e das vilas, os dias eram de labuta no campo e as noites de convívio, conversa e de jogos de cartas.

Um familiar do meu avô vivia noutra casa muito próxima, construía todos os anos, com devoção, amor e carinho um presépio com figuras de barro, que andava sempre a comprar. Para o compor usava musgo e terra, pedrinhas e raminhos que colhia no campo imenso que nos rodeava. As cores dominantes eram verde do musgo e das plantas, o vermelho da terra, o cinzento das pedras, o amarelo da luz das velas e as restantes, vinham das figuras do presépio.

Tudo muito simples mas muito bem composto e arrumado. Com o tempo o número de figuras aumentou, o espaço foi sendo cada vez maior e depois da revolução, com a a chegada da luz eléctrica o presépio sofisticou-se, introduzindo-se o movimento e alguma iluminação, mas nunca perdeu a sua mística anterior, o simbolismo, nem as figuras antigas.

Gostava de ver, infelizmente as poucas fotografias (na altura a fotografia era cara) que o meu pai tirou ao presépio, a preto e branco perderam-se. Contudo, o gosto de ver presépios nunca o perdi, pelo que todos os anos vou visitar alguns e este ano escolhi o Algarve.

Visitei o de Vila Real de Santo António, grandioso, muito bem construído, com uma representação histórica muito completa, o dos Bombeiros de Tavira e o da Casa do Sal em Castro Marim.

Todos mereceram a visita, mas fiquei fascinado com o da Casa do Sal.

O enorme tapete branco feito de sal, resultou espetacular, realçou as cores das magníficas figuras, quase que me senti vivo lá dentro, encarnando uma daquelas figuras a vaguear por aquelas casas, feiras, ruas, e assistir ao nascimento de Jesus.

Este presépio, ao recorrer abundantemente ao sal, conta em simultâneo a sua história e o que representou e ainda representa para a humanidade, o valor que tinha como moeda de troca, o gosto que empresta às refeições, a purificação que lhe é atribuída por algumas culturas e civilizações.

Por outro lado, a sua cor branca, representa paz, tréguas, pureza, limpeza.

O branco funciona como símbolo de nova oportunidade em que o passado foi limpo. Escrever sobre o branco é liberdade, é recompensador é reconhecer a ligação da terra ao mar.

Por tudo isto, elegi o Presépio da Casa do Sal em Castro Marim, um dos mais bonitos que vi até hoje, pelo que o partilho no link desta frase.

16
Jan26

A natureza invadiu a cidade


Vagueando

Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

 

20260107_105408.jpg

As cidades podem ser práticas, confortáveis, agregadoras de pessoas que não se conhecem e não falam entre si, apenas conversam por obrigação profissional, mas sem espaços verdes são feias, doentes, cinzentas enfim, local pouco recomendável.

No Outono a natureza, ao mesmo tempo que prepara a sua renovação de cores e embelezamento para a Primavera, forra as ruas e passeios com as suas folhas mortas, mas de cores magníficas, bem vivas e vibrantes que lhes assentavam lindamente e a árvore perde a sua vestimenta, uma verdadeira peça de alta costura com qualidade de excelência.

A cidade, as ruas, as pessoas, enquanto a varrição automática das cidades não as destruirem, agradecem a beleza e eu, que gosto de fotografar, agradeço a oferta, registo-a para memória futura e partilho-a com os leitores que aqui vierem fazer uma visita.

02
Jan26

Castro Verde


Vagueando

Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

 

Para superar este desafio hoje vamos até ao Alentejo, mais precisamente a Castro Verde.

O concelho de Castro Verde está situado no coração do “Campo Branco”, por entre as planícies do Alentejo que encostam à serra do Caldeirão. Localizado no distrito de Beja, o concelho de Castro Verde é limitado a Norte pelos concelhos de Beja e Aljustrel, a Sul pelo concelho de Almodôvar, a Este pelo concelho de Mértola e, a Oeste, pelo concelho de Ourique.

Com uma área de 567,2 Km2 e uma população aproximada de 6900 habitantes (Censos 2021), distribuída em cerca de uma vintena de localidades de pequena e média dimensão, está dividido administrativamente em quatro freguesias: União das Freguesias de Castro Verde e Casével, Entradas, São Marcos da Ataboeira e Santa Bárbara de Padrões. 

Equipado com infraestruturas de acesso rodoviário de boa qualidade, Castro Verde combina a sua privilegiada localização no corredor de ligação do Norte ao Algarve com a facilidade de acessos a eixos de comunicação fundamentais, como: Aeroporto de Beja a 45 Kms, aeroporto de Faro a 100 Kms, aeroporto de Lisboa a 190 Kms e aeroporto de Sevilha a 270 kms; porto marítimo de Sines a 95 kms; cidade de Beja a 42 Kms; cidade de Évora a 120 Kms; Estação de Caminho-de-ferro a 15 Kms. 

Eixos rodoviários de ligação a: Litoral alentejano por Ourique (E.N. 123); litoral algarvio (A2 e I.C.1); Lisboa pela Estação de Ourique (I.C.1); a Lisboa por Aljustrel (E.N.2); a Lisboa (A2); a Mértola (E.N. 123); a Almodôvar (EN2); a Beja e Évora (IP2). 

 

Esta informação foi retirada diretamente do site da Câmara Municipal de Castro Verde e serve de desculpa para justificar a minha adoração por este Concelho que fica na Rota da N2 e para informar que os sinais existentes nas estradas que por lá passam, assinalando os limites do Concelho são os mais belos do País.

20251228_141657.jpg

 

Neste sentido, deixo a qui a minha homenagem as estes belos monumentos que, ao mesmo tempo, dizem muito sobre a vida em Castro Verde.

 

Estão de parabéns os mentores da ideia, os que a concretizaram e o povo de Castro Verde

28
Nov25

Afinal o personagem era eu


Vagueando

Desafio Uma foto Um texto de IMSilva

Desta vez, duas fotos um texto.

Foto 1.jpg

Sentei-me a ler a noite e o sonho!

Só depois percebi que a noite e o sonho era um livro que trazia comigo, sem perceber como, passei da noite para o sonho.

Desliguei-me do Mundo, perdi a noção da realidade, o tempo deixou de fazer sentido, mesmo que continuasse a correr no sentido dos ponteiros do relógio, afinal o que fazia sentido era virar as páginas da direita para a esquerda, ver as folhas obedecer docemente mas com o entusiasmo de que estavam a conseguir o objetivo, cativar o leitor. A páginas tantas, já era um dos personagens da noite real e do sonho das palavras.

Viajava sentado, mal iluminado, naquela noite perfeita e quente, que convidava a sairmos de casa, mas ali estava eu, sozinho na vida real e no meio de muita gente dentro das páginas daquele livro que me levou a outros lugares e paisagens.

Adormeci ali, naquele banco e na história, na página 256, a página onde a minha personagem, com que me identifiquei, na certeza de que era eu, dormiu também.

Quando acordei estava frio e orvalho, a paisagem era magnífica, sentia-me – estranhamente – quente numa cama imaginária, como se tivesse acabado de nascer, mas estava deitado na calçada fria e o Sol nascia também.

Fiquei sem saber se era eu mesmo, o mesmo que adormeceu enquanto lia a noite o sonho ou se era afinal o personagem da história que adormeceu dentro da página da noite e o sonho.

 

20251126_084316.jpg

 

Ou se não existiu noite, nem sonho!

Nota final; A foto da noite foi tirada em Cacela Velha em Setembro deste ano, desconheço quem estava sentado naquele banco, mas gostei do enquadramento e tirei a foto. A foto da manhã foi tirada esta semana em Sintra, na calçada que passa por cima do túnel ferroviário de acesso à Estação dos comboios de Sintra.

07
Nov25

Sintra Património Mundial

Na Categoria Paisagem Cultural


Vagueando

Desafio Uma foto Um texto de IMSilva

Blank 3 Grids Collage (1).png

 

A foto documenta a última inovação para se apreciar tranquilamente e no sofá a paisagem cultural de Sintra. A primeira tentação é culpar os serviços de limpeza,  a segunda tentação é culpar a Câmara, a terceira é culpar a falta de fiscalização.

Por mim fico-me pela falta de civismo, não vivemos num estado policial, nem tão pouco os serviços de limpeza servem para este tipo de limpeza e higiene.

Contudo,  existe um serviço de recolha de monos em Sintra que efectua a recolha deste tipo de equipamentos, que não terá sido requisitado uma vez que o depósito do mono deve ocorrer na véspera da recolha e estes dois sofás já se encontram no local há algumas semanas.

31
Out25

Privilégios


Vagueando

Desafio Uma foto Um texto de IMSilva

Nestes dias de chuva, em que as nuvens descarregam o seu peso aquífero em cima do pelo dos que não se conseguem proteger, tento ver a parte positiva da coisa,  mais tarde, não me aborrecem com a seca.

De resto, a única coisa que não gosto no Outono e no Inverno é os dias curtos de luz e compridos de escuro.

20251027_161923.jpg

Gosto muito de Sol quando consigo estar à sombra de uma árvore, e  num fugaz momento desta semana, consegui, no meio deste alegado mau tempo (também não gosto do termo mau tempo) descobrir o Sol a brilhar numa rua de Sintra cujo acesso está vedado a quem tem propriedades na mesma.

E ainda dizem que o Sol quando nasce é para todos.

17
Out25

Casamento toponímico


Vagueando

Desafio Uma foto Um texto de IMSilva

Quando a Serra de Sintra estava ainda despida de vegetação e coberta de pedra e onde foram deixados vestígios a ocupação romana, cirandavam à sua volta carreiros cruzando-se no seu sopé. Os carreiros foram as primeiras vias de comunicação conhecidas. Eram percorridos a pé e por animais que ajudavam os humanos a transportar os seus parcos haveres.

Já me falaram, mas não consegui comprovar, que descendo as Escadinhas da Vigia, passando pela Travessa dos Avelares, atravessando depois a Calçada de S.Pedro, em direção às Escadinhas de Stª Maria, passando pela igreja com o mesmo nome, de onde parte uma subida ingreme (Rampa do Castelo) até ao Castelo dos Mouros, terá sido o primeiro caminho de acesso a este monumento.

Ainda hoje este percurso só é possível fazer a pé.

Com a existência de povos nómadas e invasões, os carreiros foram tornando-se mais visíveis eventualmente mais largos, aparecendo por vezes veredas que serviam de atalhos entre os carreiros. A multiplicidade de carreiros cruzavam-se em diversos pontos de Sintra.

A orientação para que usava estes carreiros era crucial, na medida em que os mesmos não possuíam qualquer sinalização.

O crescimento da população, transformou carreiros em caminhos, estes em estradas, estas em avenidas, à medida que passaram a ser utlizados por mais gente, por mais veículos de tração animal e posteriormente, por veículos de combustão.

20251017_080940.jpg

As ruas com nome começaram a ser conhecidas pelos negócios que as ocupavam. É comum ainda hoje termos ruas designadas por Rua dos Mercadores (Porto), Rua dos Correeiros (Lisboa). Posteriormente, com os estudos desenvolvidos sobre a origem dos lugares – Toponímia – começou-se a atribuir nomes de personalidades ilustres às ruas do País.

Ainda que pertencendo ao Século passado, estas duas placas toponímicas de Sintra tão juntinhas, distinguem uma Avenida de um Largo.

Vai daí, pelo poder que me foi instituído pela Imaginação, já que estão aqui juntas e sempre se deram bem, resolvi celebrar hoje o casamento do Largo com a Avenida.

Afinal o Largo resulta da confluência de vários carreiros em Sintra e a Avenida resulta da evolução de um ou mais carreiros, que necessitaram de ser alargados para deixar avançar a civilização.

Fica aqui registada em foto a união hoje celebrada por mim, das duas placas toponímicas.

25
Set25

Título perdido


Vagueando

Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

 

20250925_160527.jpg

Ajoelhei-me no chão à procura do título que me fugiu ou escapuliu-se entre os dedos, não sei por falta de destreza destes ou se por ousadia, quiçá rebeldia do dito.

Vasculhei o chão com os dedos, no mais profundo silêncio, por respeito ao local e com medo que ele, assustado, fugisse ou usasse as suas capacidades camaleónicas e se fundisse nesta mistura de terra, folhas e gravetos e agora com um título escondido ou perdido quem sabe.

Esperei, já deitado porque sabia que a espera seria longa e se a noite caísse nunca mais o veria.

Acabei por perdê-lo!

E agora não posso revelá-lo à sua revelia, sem o seu consentimento e porque jamais conseguiria, sem ele estar presente, de transmitir o seu sentimento profundo e a sua forma peculiar em aguçar o apetite do leitor.

Em jeito de apelo; Título se reconheceres este local, contacta-me que eu coloco-te no teu devido lugar, ali em cima para brilhares e cumprires com orgulho, com a tua mestria, a tua função; Mereces ser lido, seres admirado, apreciado, aplaudido, reconhecido, porque és belo.

Esqueci-me do teu nome, mas não me esqueci de ti, como poderia esquecer a tua importância para esta minha foto.

Ainda pensei arranjar outro título, até me deram sugestões e indicaram-me um local onde podemos adoptar títulos perdidos, rejeitados, sem dono.

Contudo, sabendo que és demasiado rebelde e ousado para ires ou te deixar ir parar à Instituição de Apoio aos Títulos Abandonados, não fui procurar o eventual teu substituto.

Ainda agora fiquei sem ti e já tenho saudade.

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