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Generalidades

Generalidades

09
Abr22

Jardim da Vigia - Sintra


Vagueando

 

20220403_081132.jpg

Panorâmica do Jardim da Vigia

Tratando-se de Sintra, cuja fama é reconhecida dentro e fora de portas, profusamente retratada e descrita em prosa e poesia, prefiro começar este texto com uma descrição de Sintra, assinada por “X.”no Jornal de Sintra nº 222 de 08 de maio de 1938.

A Beleza da Serra de Sintra, por ser obra de Deus, está muito acima da concepção humana. Nem prosadores, nem poetas, verberando muito embora em rasgos de génio imortal, conseguirão jamais, com os seus escritos, igualar a sua Beleza maravilhosa e incomparável.

E uma frase também de um texto de Carlos Sombrio no Jornal de Sintra 205 de 09 de Janeiro de 1938, sob o título “Aguarela de Sintra”.

…fazendo de Sintra a Grande Catedral do Silêncio.

Neste sentido, não sendo eu historiador, nem escritor, nem poeta, embora faça umas fotos aceitáveis, não esperem ficar a conhecer Sintra pelo que aqui escrevo e, se ainda não vieram a Sintra, não se deixem encantar pelas fotos que aqui deixo porque, mesmo estas não chegam para ilustrar esta terra.

Por outro lado, vou centrar-me exclusivamente no jardim indicado no título.

Arrabalde, Miradouro da Vigia, Campo ou Monte da Vigia, Jardim da Vigia, Jardim dos Cardos, Miradouro da Condessa de Seisal, sete designações, um só lugar, lindíssimo.

Nas pesquisas feitas na imprensa local, desde os anos 30, nomeadamente no Jornal de Sintra, encontrei todas estas expressões para designar o local. Porquê tantos nomes para um só lugar?

Arrabalde – É parte de uma povoação que, por sua vez, faz parte de uma vila mas fora dos muros desta. Este local estava fora do centro a chamada Vila, onde se encontra o Palácio Nacional de Sintra. Daí parecer fazer sentido que lhe chamassem Arrabalde, palavra que deriva do árabe ar-rabad que significa arredor.

Monte da Vigia e Campo da Vigia – O nome Vigia não consegui apurar de onde deriva, mas especulo que por se tratar de um bom local de vigia pela desafogada vista que tinha (a serra de Sintra e redondezas não apresentava a profusão de arvoredo que hoje conhecemos).

Do lado esquerdo do Jardim existem as Escadinhas da Vigia e em frente deslocada para a direita está a Quinta da Vigia. A adoção do nome Vigia parece assim fazer sentido.

A designação de Campo ou de Monte, deduzo que o local antes de ser jardim poder ser designado por monte, nome que usamos para designar uma pequena elevação, ou campo, nome que se atribui também a um ponto de vista.

Miradouro da Condessa de Seisal- A Condessa de Seisal, Maria Germana de Castro Pereira (dama fiel e próxima da Rainha D. Amélia) era a proprietária do local onde o Jardim se encontra implantado, cedeu gratuitamente o terreno para que nele fosse construído o Jardim. Daí que a adoção do seu nome é da mais elementar justiça.

No Jardim é possível apreciar um obelisco de granito, da autoria do arquiteto Raul Lino com a inscrição “Miradouro da Condessa de Seisal”.

Jardim da Vigia ou Jardim dos Cardos – Trata-se da alteração de Monte da Vigia para Jardim uma vez que o local, segundo o Jornal de Sintra nº 275 de 21 de Maio de 1939 foi finalmente ajardinado.

Quanto à designação Jardim dos Cardos deixarei para mais à frente. Este Jardim, também conhecido pelos nomes acima, sempre me atraiu.

Não consigo definir um motivo de atração, porque são vários.

Desde a vista deslumbrante que nos oferece sobre a Serra de Sintra, aos seus rústicos, estreitos e assimétricos caminhos, às suas árvores e plantas, à sua história, a forma como se integra na paisagem, até ao gosto porque sim e porque gostos não se discutem. É um excelente lugar de contemplação.

Não há muito tempo foi ali rodado um excerto do filme Frankie com Isabelle Hupert, filme a que fui assistir, para ver como este magnífico jardim seria retratado pelo realizador Ira Sachs. Fiquei com a impressão que o filme vale mais pela paisagem de Sintra e pelas imagens do Jardim, do que pelo seu próprio enredo.

Como espectador privilegiado, uma vez que sou “obrigado” a passar por ali quando saio ou chego a casa, já vi por ali gente abraçando longamente os plátanos. Também vejo pintores, e fotógrafos que ficam por ali à espera das mudanças de luz, caminheiros nas suas voltas por Sintra fazem sempre uma paragem, turistas apressados, curiosos, admiradores, gatinhos à trela saboreando a vista e o sol e até uma simpática e tranquila ovelha, costuma passear por lá atrás da sua dona.

Como era o local e que acontecimentos ocorreram até à sua construção.

O Campo da Vigia à época mais não era que um monte de pedras, muitas das quais, propositadamente, ainda são visíveis como o leitor irá perceber com o avançar desta história.

Arrabalde.png

Nesta foto (1826/1929) retirada do arquivo da Câmara Municipal de Sintra, é possível ver o local (do lado esquerdo) onde hoje existe o jardim, a pedra calcária era dominante. A serra despida de arvoredo e ao fundo do lado esquerdo da estrada o portão de acesso à Quinta da Vigia.

A menos de 100m em linha reta, para a esquerda da foto encontra-se a Casa do Cipreste de Raul Lino onde anteriormente existia uma pedreira, da qual ainda existem vestígios dado o cuidado que o arquiteto colocou na sua construção de modo a integra-la na paisagem com o mínimo impacto.

A primeira referência sobre este jardim, descrevia o local como Campo da Vigia. No Jornal de Sintra (1), publicava-se uma carta enviada pelo Sr Tenente Mário Pimentel relativa ao ajardinamento do Monte da Vigia, indicando ter sido contatado por Mário Ribeiro da Comissão de Iniciativa e Turismo que lhe terá pedido, em nome da Comissão de Melhoramentos de S. Pedro, apoio para o ajardinamento do Campo da Vigia(2).

O Sr.Tenente interessa-se pelo tema, também pelo facto do arquitecto Raul Lino se ter disponibilizado a elaborar o projecto de ajardinamento de forma gratuita. Depois de uma reunião com Rodrigo Seisal, filho da Condessa de Seisal (dona do terreno) foi acordado que o terreno seria cedido de forma gratuita, sob algumas condições, que foram aceites pela Câmara.

Foram necessários 5 anos para que a obra se completasse. Durante este período ocorre o ajardinamento mas, a avaliar pelas notícias que iam saindo na imprensa local, esteve votado ao abandono.

Em várias ocasiões eram publicadas notícias como esta, por altura das celebrações das Festas da Nossa Senhora do Cabo em 1937. …“O celebérrimo Miradouro da Vigia se encontrará como actualmente, ou ….Pior ainda! Não terá a nossa Câmara uns singelos escudos para mandar desbastar os cardos e as urtigas que medram à vontadinha?”(3).

Ou ainda esta “O cardo e o tojo crescem sem licença de Deus e o poste que defeitua a paisagem por lá continua…” (4).

Presumo que estas referências aos cardos terão levado a que o povo, sempre dado a criticar o poder, o apelidasse de Jardim dos Cardos.

A par destas críticas, corriam insistentes pedidos para se efetuar a reparação da atual rua Rodrigo Delfim Pereira, que passa pelo jardim, porque dificultava a circulação entre S. Pedro e a Estefânia, via Largo Fernando Formigal de Morais (5).

Os atrasos na construção do Jardim também motivaram a intervenção da imprensa local, nomeadamente numa entrevista ao Secretário da Junta de S. Pedro, Francisco Ribeiro e Costa, no Jornal de Sintra nº 257 de 08 de Janeiro de 1939, ao ser questionado quando será ajardinado o Miradouro da Vigia, respondeu; O Miradouro pertence à Freguesia de Santa Maria, mas como, praticamente, está dentro do bairro de S. Pedro, tem-nos merecido especial atenção, pelo que apresentamos à Câmara uma sugestão que nos parece resolver o assunto.

Os atrasos, a manutenção ou a falta dela não terão sido os únicos problemas do jardim. O projeto do arquiteto Raul Lino não foi respeitado, pelo que este interveio através de uma carta dirigida em 25 de Junho de 1939, a Francisco Ribeiro e Costa, Secretário da Junta de Freguesia de S. Pedro. Nessa carta refere que o projeto era simples, claro, lógico, imediato, prático e económico e, reforçando a ideia expressa na entrevista no parágrafo acima, Raul Lino refere que - não obstante o “corpo do delito” estar fora da vossa freguesia, o que foi feito era a negação do que havia sido planeado (6).

A preocupação de Raul Lino com o tipo de flores e árvores que deveriam ser plantadas e com a forma com que o mesmo se deveria ligar à envolvente, justificavam as suas preocupações que estão expressas num documento que integra o trabalho do Dr Ricardo Miguel Oliveira Duarte, que aconselho vivamente a ser consultado (não só pelo detalhe dado a este jardim como pelo resto do notável trabalho sobre a azulejaria de exterior em Sintra) no final deste post(7).

No referido documento pode ler-se “É preciso por de lado qualquer ideia de um jardim “á inglesa” ou “á francesa” ou de qualquer maneira exótica que não esteja dentro das possibilidades imediatas de uma fácil criação e mantença, em caso de falta de rega, de outros cuidados, ou por motivo de grandes secas naturais ou de prolongadas épocas chuvosas- como é frequente dar-se na nossa região” . E continua afirmando a necessidade revestir quanto baste a rocha “deixando que a graça do recinto dependa mais da disposição dos caminhos e do dois miradoiros, do que da variedade de qualquer coleção de plantas.

A importância que Raul Lino dá à necessidade de se alterar o mínimo possível na construção do jardim, explica a razão pela qual é possível ver parte da rocha que existia no local, nos caminhos e canteiros deste jardim. Os dois terraços circulares que marcam o desnível, sombreados por duas árvores de folha caduca que permitem a solarização do local no Inverno e o sombreamento no Verão, os caminhos desalinhados, marcados com a rocha original, a par da manutenção da pedra existente que em muitos sítios do jardim não foi coberta de terra, talvez sejam a razão do encanto deste jardim.

E sim, o encanto também vem do domínio e da exibição que fazem os 3 montes, o do Castelo, o do Palácio da Pena e o do Monte Sereno, em frente deste jardim.  O Monte Sereno, também conhecido por Castelo Gregório, foi construído por iniciativa de Gregório Ribeiro, cujas obras se concluíram mais ou menos na mesma altura da inauguração do Jardim e que se destinava a ser uma Pensão Restaurante e de onde era possível ter uma vista magnífica sobre Sintra (8), como se pode ver numa das fotos existentes no link abaixo.

Este Jardim faz também parte do Património Arqueológico de Sintra, designado pelo sítio medieval do Jardim da Vigia (9).

Neste Jardim existe ainda uma referência ao Engenheiro Agrónomo Mário de Azevedo Gomes (1885-1965) que na década de 50 elaborou vários estudos sobre clima, solos e floresta do Parque da Pena. Recordo com prazer uma frase sua no livro “A Utilidade das Árvores” – A natureza é consoladora quando é bela e árvores é uma das coisas da natureza que mais ajudam a torna-la bela aos nossos olhos.

A título de curiosidade, já no início da existência do jardim se lamentava a existência de um poste que destoava no jardim e que impedia que se desfrute de ampla vista sem que interferência deste.

Aquando do registo da inauguração do jardim podia ler-se – …um poste telefónico grande, inestético, denegrido, donde irradiam numerosos fios que riscam a paisagem (10).

Coincidência ou não, os postes (agora de electricidade e de telecomunicações) continuam ali a riscar a paisagem. Sendo Sintra Património Mundial da Humanidade há vinte sete anos, não parece fazer sentido a existência de tais fios e postes, visíveis na primeira foto deste texto.

Resta-me informar que este Jardim fica localizado na Rua Rodrigo Delfim Pereira, filho ilegítimo do Imperador do Brasil D. Pedro I e nosso Rei D.Pedro IV, que foi proprietário da Quinta Vigia, sendo que nesta Quinta foi recebida a Rainha D. Amélia na oportunidade dada por Salazar para revistar Portugal em 1945.

O filho de Rodrigo Delfim Pereira, Manuel Rodrigo Castro Pereira era pessoa muito rica, para além da Quinta Vigia, possuía a Quinta das Murtas (que fica a cerca de 300 m abaixo do Jardim da Vigia) e era o avô de Francisco Pinto Balsemão. Um dos irmãos do avô Manuel, era Rodrigo Castro Pereira, salazarista convicto. No dia 26 de abril de 1974, vestiu a farda Legião, sentou-se na sua casa, na Quinta das Murtas e esperou que o viessem prender o que nunca aconteceu. Mais tarde terá confessado ao seu sobrinho Balsemão, de forma semi-sarcástica que tinha muito orgulho em ter um sobrinho como Primeiro-ministro de Portugal (11).

815-176-103241.jpg

Foto da Rainha D. Amélia na companhia da Condessa de Seisal, Quinta Vigia em 22 de Maio de 1945, obtida em https://www.tagusart.com/pt/auction/lot/id/3553. Na foto é possível ler-se Quinta da Vigia Sintra 22 de maio de 1945.

Em frente ao Jardim desembocam a rua Albino José Batista e a Rua José Neto Milheiriço, conceituado médico sintrense alvo de vários agradecimentos no Jornal de Sintra (12) pelas suas qualidades profissionais e humanas que chegou a ter consultório na Vila Maria, na Rua do Roseiral, rua onde está implantada a Casa do Cipreste de Raul Lino.

Mais tarde este prestigiado médico, passou a dar consultas na sua Casa Particular, na Rua D. João de Castro muito próxima do Jardim da Vigia.

(1) - Jornal de Sintra nº 37 de 16 de Setembro de1934.

(2) - Jornal de Sintra nº 37 de 16 de Setembro de1934.

(3) - Jornal de Sintra nº172 de 23 de Maio de 1937 “Ao correr da Pena… Casos e coisas de Sintra”

(4) - Jornal de Sintra nº 212 de 27 de Fevereiro de 1938 “Do Bairro de S.Pedro”

(5) - Jornal de Sintra nº 229 e 234 de 29 de Junho e 31 de Julho de 1938

(6) - Documentos de Raul Lino incluídos no Anexo ao trabalho de Ricardo Miguel Oliveira Duarte da Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras – Azulejaria de Exterior em Sintra, Dissertação orientada pelo Prof.Doutor Vitor Serrão.

(7) - Documentos de Raul Lino incluídos no Anexo ao trabalho de Ricardo Miguel Oliveira Duarte da Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras – Azulejaria de Exterior em Sintra, Dissertação orientada pelo Prof.Doutor Vitor Serrão.

(8) - Jornal de Sintra nº257 de 21 de maio de 1939

(9) - Sítio Inventariado. Abrangido pela ZEP da Paisagem Cultural de Sintra - Aviso n.º 15169/2010, DR, 2.ª série, n.º 147, de 30-07-2010. Na área correspondente ao jardim da Vigia foram recolhidos à superfície materiais arqueológicos tardomedievais e modernos que indicam uma ocupação no sítio da Vigia, junto ao núcleo urbano de São Pedro

(10) - Jornal de Sintra nº 275 de 21 de maio de 1939

(11) - Livro Memórias de Francisco Pinto Balsemão, Porto Editora

(12) - Nº 244 de 09 de outubro de 1938 e 256 de 31 de dezembro de 1938

Abaixo o link para mais fotos do jardim e dos artigos do Jornal de Sintra mencionados ao longo da minha descrição.

Sugiro que vejam as fotos com os comentários abertos para acompanhar a descrição de cada foto.

https://photos.app.goo.gl/aFBoe5JyXzjpxYno6

Abaixo o link para o trabalho de Ricardo Miguel Oliveira Duarte - Azulejaria de Exterior em Sintra e respetivo anexo.

https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/37922/1/ulfl259924_tm.pdf

https://repositorio.ul.pt/handle/10451/37922  (depois de abrir este link, no final da página, encontra o ficheiro pdf com os anexos)

 

 

14
Mar22

Árvores de rapina


Vagueando

Muito recentemente realizei mais um passeio pedestre, por acaso aqui ao lado. Pode ser que um dia destes venha até aqui para o descrever, já que tem montes e vales, bem como montes de coisas cheias de interesse para ver.

É daqueles passeios pedestres em que a sucessão de coisas lindas para serem vistas são tantas, que nem damos pelo tempo nem pelo cansaço.

Contudo, por hoje deixo apenas estas duas fotos do percurso.

P3090043.JPGComo desconheço completamente a espécie destas árvores, resolvi chamar-lhes árvores de rapina.

P3090081.JPG

 

 

 

 

 

 

Ora as aves de rapina são assim designadas porque o termo rapina designa roubo ou saque. Estas aves raptam as suas presas usando as grandes garras para as prender firmemente e aguentá-las em voo, suportando não só o seu peso mas também a força gerada pela deslocação do ar.

Estas árvores também possuem enormes garras (raízes) também roubam os poucos nutrientes que chegam a estas pedras e também se aguentam muito bem com os vendavais que a natureza se encarrega de enviar para aqui, quando lhe apetece.

Ali estavam elas, imponentes, equilibristas, belas e pelos vistos bem ancoradas.

A natureza permite roubos destes e ainda bem, alegrou-me o dia.

10
Out21

Ai,ai, o Outono ainda agora chegou


Vagueando

 

20210923_091159.jpg

A natureza é perfeita, segundo dizem, embora eu discorde.

Talvez o problema seja meu, humano, sensível a estados de alma e a minha alma não gosta nada do Outono.

Aliás se a natureza fosse perfeita, não existiram terramotos, dilúvios e vulcões que destroem um pouco de tudo por onde passam, incluindo vidas humanas e vida selvagem. Dizem que a culpa é nossa que contribuímos e muito para que a natureza seja agressiva. Pois que seja agressiva connosco, se nos julgar culpados. Contudo, se fosse perfeita não seria agressiva com a vida selvagem a qual, supostamente, vive em perfeita harmonia com a natureza.

É por isso que existem humanos a defender, com unhas e dentes, a dita, por vezes provocando uma autêntica selvajaria, que a vida selvagem não usa.

Regressando ao Outono essa maldição que, com uma beleza estonteante, se abate sobre mim.

Detesto-o, aliás se a natureza fosse perfeita jamais permitira que uma estação (do ano) passasse pela Terra, quanto mais implantar-se por cá durante 3 meses.

O Outono desencanta-me, deprime-me, tira-me luz ao meu dia, transformando-os em meios-dias de luz, ou menos, quando o nevoeiro estaciona em Sintra, piorando ainda mais a minha angústia.

Porque não um Outono, com frio, com chuva, com vento, com tudo aquilo a que tem direito, mas com dias grandes?

A Ciência a Astronomia explicam-nos a razão pela qual os dias encolhem no Outono mas eu não quero que me expliquem, gostaria que fosse de outra forma e ninguém tem a solução para evitar chegada ou a passagem do Outono, pelo menos em Sintra.

Quando me dizem não há impossíveis, desato-me a rir.

Quem me dera, que me desculpem os ecologistas, poder viajar agora mesmo, de preferência num jacto supersónico, para o hemisfério Sul. Ficar por lá durante a sua Primavera e o seu Verão e regressar de novo a Portugal só no próximo mês de março.

Como infelizmente não posso, vou vendo o Sol cada vez mais deitado a fingir que ilumina as ruas e as árvores com cada vez menos folhas e vou deliciando-me (a única coisa que me anima nesta altura do ano) com as múltiplas cores que as árvores de folha caduca apresentam.

Não há paleta de cores que represente tão bem aquele colorido das folhas caídas. Se calhar, afinal, a natureza é perfeita!

O Sol também merece descanso ou seremos nós que merecemos noites maiores para dormirmos e descansarmos mais?

Não sei se alguém padece deste mal. Se sim poderíamos formar um movimento anti-outono, assim como assim, há por aí muitos movimentos anti-qualquer coisa, seríamos apenas mais uns a fazer figura de urso.

Por acaso não sei se os ursos gostam do Outono, mas acredito que gostem destas fotos, até porque, tanto quanto sei, não há ursos em Sintra e como ainda não pertenço a nenhum movimento anti-outono, julgo eu, não estou a fazer figura do dito.

Tenho dito e mais não digo, porque o silêncio também fala, em especial no Outono.

Com este desânimo quase me esqueci das fotos, que podem ser vistas no link abaixo. As minhas desculpas para a fraca qualidade, mas a minha máquina fotográfica, quem sabe por causa do Outono, tem-se recusado a sair comigo, pelo que tenho recorrido ao telemóvel, esse amigo/inimigo que nos acompanha por toda a parte.

https://photos.app.goo.gl/wuUj4Ei2uGwGpPVv9

 

 

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