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Generalidades

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07
Jun18

PPP-P


Vagueando

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Passeios, Passadeiras, Peões e Pilaretes

Podia ser uma PPP P – Parceria Pública Privada - Portuguesa. Podia, mas não é. Passeios, Passadeiras, Peões e Pilaretes (ah e Pedrinhas ver as fotos) é o retrato fiel do desleixo nacional face a incumprimentos graves do Código da Estrada, pese embora, quando anualmente saem as estatísticas dos atropelamentos de peões, fique toda a gente escandalizada.

Portanto, pormenorizando para perceberem, passemos, pé ante pé, ao próximo passo.

A palavra passeio, naquilo que interessa do ponto de vista desta abordagem, é uma superfície da via pública que ladeia a faixa de rodagem e que se destina à circulação de peões.

Neste sentido, os passeios e as passadeiras, fizeram-se para os peões, ok? Os peões é que preferem ignorar as regras básicas de segurança que estes e estas lhes proporcionam e, vai daí, não lhes ligam nenhuma. Preferem passear-se pela estrada e atravessá-la onde calha. Dizem por aí que é por causa da calçada portuguesa, que faz mau andar e porque os portugueses, ainda que pouco dados às ciências exactas, sabem, quando caminham, que a distância mais curta entre dois pontos é uma linha recta.

O passeio (calçada portuguesa) em Portugal é um monumento histórico, sendo também o único monumento que se pode e deve pisar é a história retratada em paralelepípedos, é o reconhecimento do árduo trabalho das mãos dos calceteiros que a colocaram, a conservaram e, infelizmente, já pouco a conservam, não porque se lhes acabou a mestria, mas por falta de massaroca.

Existe nos portugueses, em relação aos passeios uma sensação de amor/ódio difícil de explicar.

Por um lado, os peões deveriam gostar deles porque os protege, fogem-lhe a sete pés, mandam-nos passear, em suma, odeiam-nos. Por outro lado, os automobilistas adoram-nos mas não os respeitam. Amam-nos apenas para estacionar, bem entendido, ainda que, muitas vezes, sujeitem os seus carros a verdadeiras manobras dignas de uma modalidade que só não existe, porque a inovação em Portugal é, afinal, uma grande treta, que consiste em fazer alpinismo de carro.

Sobre as passadeiras, a coisa pia mais fina. O peão não quer saber dela, mas se estiver um carro estacionado a bloqueá-la vai até lá, só para fazer um risquinho no carro ou para barafustar contra o condutor que nem se apercebe, primeiro porque está afocinhado no seu telemóvel e segundo porque acha que não está a infringir coisa alguma do Código da Estrada porque ligou os 4 piscas.

Falta falar do maldito pilarete. O pilarete pode ser de borracha, de ferro, de cimento ou pode ser uma simples vassoura empinada dentro de um balde ou uma qualquer lata velha de tinta cheia de entulho. O objectivo do pilarete é proibir de forma dura o que já é proibido pelo Código da Estrada, ou seja, estacionar e fazer com que;

  1. O Policia de Segurança ou Municipal, não tenha que fiscalizar o estacionamento e com esse ganho de produtividade, possa ter mais tempo para multar os donos dos cães que largam verdadeiras granadas nos passeios e já está a perdoar o alçar da perna no pilarete.
  2. O sinal de trânsito de proibição de estacionar, alínea f) do nº 1 do artigo 49º do Código da Estrada seja definitivamente abolido (Já há uma petição na Assembleia da Republica para o efeito). A falta de respeito pelo dito, fez com caísse em desuso. É que o respeitinho já não é o que era, ou seja, há muito que já não é bonito.

Curiosamente, os automobilistas também gostam dos pilaretes na medida em que os canídeos já não se aliviam para os pneus dos seus popós, mas abominam-nos porque os impede de alpinar o passeio e, consequentemente, estacionar sem pagar e principalmente, sem medo de serem multados. Multas só para quem não paga, os lugares das EMEL’s, afinal tudo é negócio não é?

Os fiscais das EMEL’s estão preocupados apenas e só com quem não paga o ticket, pelo que param as suas carrinhas em 2ª fila para aplicar estas multas.

Com tanta inteligência artificial e neurónica que por aí abunda, até me admiro como ainda não apareceu uma startup para criar o pilarte inteligente que seria mais ou menos assim. Ao peão, seria invisível aos olhos e ao tacto, ao automobilista seria crítico e implacável riscando o popó se necessário, para o cãozinho seria o WC e para todos os que o quisessem derrubar, sub-repticiamente ou em puro acto de vandalismo, seria guerreiro.

Os passeios estão protegidos pelo Código da Estrada tal como muitas paisagens e monumentos estão protegidas como património disto e daquilo. Contudo, esta protecção serve de pouco perante a falta de ética e de respeito pelo mais elementar bom senso das pessoas e pela ineficácia da fiscalização, pelo que é tão normal ver carros em cima dos passeios, como entulho despejado em paisagens protegidas.

Portanto, negócios à parte, porque esta coisa da cumprir seja o que for, só é criticável se outro que não o eu a incumprir e assume especial gravidade, nos média ou redes sociais, se uma infração deste tipo for praticada, não pelo cidadão comum, mas sim por um qualquer político, ou figura pública.

Não quero ver, mas vejo, já vi, aqui, ali, acoli ou acolá, que não vejo passeio, não vejo calçada. Por onde passo, vejo carros e estrada, nestas cidades tresmalhadas, são os devaneios dos peões na estrada e carros nos passeios. Não deviam, mas ninguém os impede, nem ninguém os desimpede, que tormento e sofrimento.

Passeios livres de carros, mas com transeuntes e peões, acabam as confusões.

 

 

 

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