Oito jovens morreram ontem em dois despistes de carro
Vagueando
Vivemos tempos absurdos, diria mesmo insanos, onde se faz notícias verdadeiras e falsas para as audiências, são elas que mandam, porque são elas que ditam o que é correto ou não falar-se.
Noticia-se para aquilo que as audiências querem ouvir, não necessariamente sobre o que faz sentido dar a conhecer.
Ontem faleceram em dois despistes, oito jovens, em Lisboa e na Barragem do Cabril, seis deles seguiam no mesmo carro, com lotação para cinco.
Foi notícia ontem, será notícia hoje nos jornais diários mas amanhã tudo estará esquecido, menos para as famílias e amigos que continuarão infelizmente, a suportar a sua dor pela vida fora.
O nascimento de um bebé numa ambulância, é notícia, alimenta debates nos media, na Assembleia, pede-se a cabeça da ministra, falam os médicos, falam os sindicados dos médicos e dos enfermeiros, fala a ministra, fala o Governo, insistem o jornalistas, repisam as redes sociais e trata-se, não de uma morte, de um nascimento, numa ambulância, em ambiente controlado e minimamente seguro.
Sobre a morte de oito jovens, não aparece a Autoridade para a Segurança Rodoviária, não aparece a Câmara Municipal de Lisboa e as Infraestruturas de Portugal, não aparecem os especialistas em sinistralidade rodoviária (existem?), não aparecem comentadores, não questionam os jornalistas, não fala a Associação Cidadãos Auto Mobilizados (como fizeram no caso do acidente que envolveu o ex ministro Eduardo Cabrita), não repisam as redes sociais para se saber porque se morre tanto nas estradas portuguesas.
Caramba, é preciso Gritar, não se pode fazer nada?
Jornais e televisões, exibem regularmente programas sobre automóveis, sobre as suas características, conforto, equipamentos, potência, preços, acessórios mas nenhum tem um espaço, por mais pequeno que seja para analisar acidentes e falar sobre segurança rodoviária. Quando falam de segurança é sempre na perspectiva do que o automóvel oferece a este nível e já e muita coisa, mas jamais sobre a condução, as atitudes dos condutores, nem sobre os estado das vias, sobre a sinalização, sobre a fiscalização.
Também em Agosto deste ano, morreram seis pessoas em Castro Verde, numa colisão frontal, em Junho de 2018 morreram seis pessoas num acidente no IC1 na zona da Marateca, em Setembro de 2018 morreram mais seis pessoas noutro acidente no IC8 próximo de Pombal, um dos veículos envolvidos tinha sido fiscalizado pela GNR pouco tempo antes.
Contudo, ao longo dos anos o grande tema jornalístico dos últimos anos relativamente à segurança rodoviária foi ao acidente que envolveu o ex ministro da Administração Interna, como se este país fosse, a exemplo do que é a nível mundial em termos de criminalidade, e o motorista e o ex ministro, fossem os únicos mal comportados nas estradas portuguesas.
Parece que a sociedade aceita como normal que se morra assim, às meias dúzias na estradas portuguesas.
É a vida, porque sim, “prontos”!

