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Generalidades

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20
Jul20

História de um aprendiz de agricultor - Psila-Africana


Vagueando

Psila.jpg

Quando os meus avós faleceram herdei um terreno no Algarve com cerca de 100 laranjeiras. Como morava a 300 km de distância e não queria deixar a coisa ao abandono, arrendei o laranjal.

A coisa correu mal.

Não obstante, não desisti e, no ano seguinte, fiz uma ronda pelas cooperativas da região, com a seguinte proposta;

- Tratam, apanham, vendem e só me pagam o custo anual da electricidade consumida para a rega que era totalmente automática. De salientar que no inverno, altura em que não consumia nenhuma energia, a EDP cobrava-me sempre o aluguer do contador, pelo que os custos eram elevados, para rendimento zero.

A resposta de 4 cooperativas foi, não estamos interessados, é pouco, não tem dimensão para explorarmos. (E eu que pensava que as cooperativas serviam para juntar interesses e prestar ajuda aos associados)

Morreram, por falta de água, todas as laranjeiras.

O meu pai, falecido em 2012, que tinha como hobby a agricultura e percebia da coisa, plantou no meu quintal, 3 limoeiros, uma laranjeira e uma tangerineira, que produziram sempre muito bem até 2018. Nesse ano comecei a ver as folhas a definhar e mirrar.

Como não percebia e não percebo nada do assunto, levei umas folhas a uma cooperativa agrícola da minha zona que me informou tratar-se de psila-africana. Perguntei logo como se trata? É difícil, é uma praga de declaração obrigatória ao Ministério da Agricultura, é obrigatório tratar, tem que fazer uma poda radical aos ramos afectados, não os pode deitar fora nem colocar no lixo e tem de aplicar o produto xxx e produto yyy .

Não consegui comprar os produtos, por não tenho cartão de aplicador de produtos fitossanitários e os ramos, mesmo que os cortasse, não os podia queimar, porque era Verão!

No ano seguinte, com as árvores em pior estado fui pesquisar sobre a praga e fiquei a saber que o Ministério da Agricultura referia que, apesar de todas as medidas implementadas, a praga Trioza erytreae (ou Psila-Africana dos Citrinos) estava a expandir-se no Centro do País. Este insecto, foi detectado pela primeira vez no território nacional em 2014. Acrescentava ainda o Ministério que estava a decorrer um programa de luta biológica, com recurso a um insecto parasitoide específico, num trabalho conjunto e articulado entre as autoridades fitossanitárias portuguesas e espanholas.

Comecei a estar atento aos sinais dos limoeiros e laranjeiras e verifiquei que na zona onde vivo e arredores mais afastados a praga instalou-se e já há árvores completamente atacadas, ou seja em vias de morrer.

Em desespero de causa, a minha esperança virou-se para as associações de ambientalistas, pelo que fui ao Google e pesquisei “ambientalistas psila africana”.

Surpreendentemente, aparece muita coisa sobre a psila africana mas nada que ligue os ambientalistas à mesma, ou seja, nem conselhos, nem indignações, nem propostas, nem pedidos de esclarecimento ao Ministério da Agricultura.

Movido pela curiosidade, porque normalmente os ambientalistas preocupam-se muito com árvores em perigo, voltei a fazer nova pesquisa “ambientalistas e abate de árvores”.

Bingo!

Muitos resultados;

  • Ambientalistas contra abate de árvores em Sintra (Logo eu que sou de Sintra)
  • Ambientalistas constestam abate de árvores no Tua.
  • Quercus critica abate de árvores.
  • Quercus constesta abate de árvores junto …. E por aí fora.

Continuando curioso, nova pesquisa “ambientalistas poda de árvores”

Bingo!

  • Organização ambientalista FAPAS constesta poda excessiva de árvore
  • Quercus – Podas abusivas e/ou abate infundado de árvores em espaço urbano são um problema ambiental em destaque no distrito da Guarda
  • Quercus – Câmara de Tondela acusada de fazer podas de árvores fora de prazo e por aí fora.

Ora adoptando a velha máxima do o que não está na Internet, nomeadamente no Google, não existe, concluo que embora a psila africana existe, mata árvores, é uma praga de difícil controlo, mas não é uma causa, nem preocupação para os ambientalistas.

Mas que raio de ambientalistas são estes? Defendem a natureza ou apenas aquela natureza que lhes dá visibilidade e publicidade?

Não precisam de responder, mas perderam um aliado.

 

“A imagem acima mostra o que acontece à ramagem das árvores atacadas por esta praga”. Pode ser que a Sapo ache que isto merece destaque, por isso junto aqui chocolate, porque li uma vez que a equipa da Sapo Blogs é muito sensível ao chocolate.

3 comentários

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    Vagueando 21.07.2020

    Caro Danny,
    A vegetação exuberante da Serra de Sintra não exisitia como a conhecemos hoje, a serra encontrava-se, em pleno século XIX, praticamente despida de vegetação. Foi com o Romantismo que a vegetação chegou. Em mil oitocentos e picos, Francis Cook adquire Monserrate e altera o que era um o espaço rural, transformando-o num jardim com a plantação de muitas espécies de plantas exóticas, provenientes de todos os continentes. A região de Sintra, desde o tempo de Marquês de Pombal que foi considerada uma zona boa para a produção de citrinos, nomeadamente limoeiros.
    Daí que o termo árvores autóctones seja um pouco estranho. O que é facto é que até 2018 esta praga não existia e ainda que a Natureza, tal como ambientalista, possam ser termos latos, a sua defesa é real.
    O que me parece é que a defesa da natureza pelos ambientalistas, passa mais por obter visibilidade e poder do que defender a causa que apregoam.
    Claro que paga sempre o justo pelo pecador e pagarão, mais cedo ou mais tarde, as minhas árvores que seguramente morrerão, por falta de tratamento e/ou porque é assim.
    Afinal também fomos apanhados por uma pandemia para a qual, para já não temos tratamento, nem vacina.
    Não obstante, obrigado pelo seu comentário.
    Cumprimentos.
  • Imagem de perfil

    Danny the Fox 21.07.2020

    A serra de Sintra está pejada de exotismos que não deveriam existir por cá... felizmente nalguns pontos ainda existem carvalhais bem antigos que revelam tudo o que essa serra poderia ser. O termo autóctone nada tem de estranho... é bem concreto. Quanto aos "ambientalistas", sim muitos buscam visibilidade (há disso em qualquer área), muitos outros acreditam naquilo que fazem... alguns outros vão atrás de modas. Há de tudo...
    As suas árvores não morrerão se tratar delas ou contratar alguém que o faça. Aparentemente, até está obrigado por lei a fazê-lo (calculo q já tenha lido isto, mas aqui fica: http://www.agronegocios.eu/noticias/trioza-erytrea-psila-africana-dos-citrinos/). Deixe lá os ambientalistas e os pseudo-ambientalistas, muitas críticas podem ser-lhes feitas, mas os desgraçados não tem nada a ver com a cultura de árvores de fruto nos quintais de cada um (tal como o SARS-COV-2 que veio aqui parar a esta conversa nem ele sabe porquê).

    Um abraço e boa sorte com o tratamento dessa praga.
    Cumprimentos.
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