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Generalidades

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13
Ago25

CASA


Vagueando

Não, o tema não é habitação, mas sim automóvel.

CASA -  Centro de Arbitragem do Sector Automóvel ,  o centro de arbitragem para o sectro automóvel, cessou funções em 2024.

Desconheço as razões para esta decisão, não vou especular sobre ela, mas deixou o consumidor nas mãos dos fabricantes de automóveis em caso de litígio uma vez que, como toda a gente sabe, recorrer à Justiça é (muito) caro e demorado.

Deixo duas histórias, sem divulgar as respectivas marcas (ambas são premium, supostamente) senão ainda me lixo, que demonstram bem como em Portugal o consumidor é tratado com o maior desprezo.

História 1 (Marca 1) – Carro com três anos com revisões em dia realizadas na marca.

Estava em casa no final do dia a preparar-me para uma viagem que ia fazer de carro no dia seguinte. Abro a bagageira (automaticamente as luzes traseiras acendiam por questões de segurança) e noto que o farolim traseiro do lado esquerdo, cintilava e alternava entre acesso e apagado.

Pensei que poderia ser um mau contacto, como o acesso à lâmpada era feito através da bagageira, removi a tampa de proteção e tentei encaixar melhor a ficha no farol. Queimei imediatamente os dedos e o senti cheiro a plástico queimado. Constatei que a ficha estava a derreter e com a ajuda de um pano desliguei-a.

Retirei rapidamente toda a bagagem do carro para conseguir aceder à bateria que desliguei de imediato.

Tive sorte, sabia como reagir e tinha as ferramentas necessárias para desligar a bateria.

Mantive a vigilância ao carro durante uma hora, para verificar se não existiam outros sinais de alarme, sempre com a bateria desligada e adiei a viagem.

No dia seguinte, com a ficha desencaixada do farolim, experimentei ligar a bateria, fiquei ali uns minutos para ver se aquecia, o que não aconteceu. O Concessionário da marca ficava a pouco mais de 3 km da minha casa pelo que me dirigi ao mesmo, sem que o farolim do lado esquerdo funcionasse. Parei carro no concessionário e voltei a desligar a bateria, informando o recepcionista do que se tinha passado.

Pediram-me que aguardasse, cerca de uma hora que resolveriam o problema, e resolveram, com uma conta na ordem dos trezentos e muitos euros, que me recusei a pagar.

Veio um responsável da oficina falar comigo e disse-me que tinham substituído os chicotes (fios) quer do farolim esquerdo (o que deu problema), quer do farolim direito, alegando que se tratava de material de desgaste. Peguei no livro de revisões, onde se detalhava os pontos a verificar em cada uma delas e pedi ao responsável que me indicasse onde estava referida a necessidade de inspecionar o desgaste dos tais chicotes nos farolins traseiros.

Obviamente, não existia nada. A instalção elécrtica de um veículo, nomeadamente a cablagem dura toda a vida de um veículo e era obvio que a marca já conhecia o problema, passando o custo e pior, o risco, para o consumidor.

Acabei por pagar mas não me dei por vencido e facilmente resolvi o problema, graças às autoridades de outro país, os EUA, onde existe o NHTSA – National Highway Traffic Safety Administration. Numa pesquisa no site desta entidade, constatei que vários veículos do mesmo ano e do mesmo modelo, os farolins traseiros tinham pegado fogo, situação que nalguns casos tinha resultado em acidente, pelo que a marca foi chamada a corrigir a situação, que se devia a defeitos justamente naquelas fichas e chicotes.

Pegando nesta informação voltei ao concessionário e ameacei o responsável que iria colocar um processo em Tribunal, pelo que prontamente me devolveram o dinheiro que havia despendido. Ainda alertei a marca, para o risco situação e para a necessidade de fazer um recall a estes veículos, não me tendo apercebido que tal tenha sido feito.

Quando ouvirem falar que um veículo, registado em Portugal, pegou fogo e cada vez são mais, parece que se trata de uma situação normal e raramente se noticia a origem destes incêndios. Nestas casos, não está apenas em causa a perda do veículo ou o custo da sua repação, existem riscos para os utilizadores e para terceiros.

História 2 (Marca 2) – Carro com cinco anos e revisões feitas na marca.

É normal os veículos hoje serem vendidos com uma garantia contra a corrosão por 10 ou mais anos. Deixa-nos descansados ainda que saibamos que temos que respeitar algumas regras, nomeadamente levar o veículo às revisões oficiais de acordo com o preconizado pelo fabricante.

Ora perante o aparecimento de corrosão numa barra de tejadilho deste veículo, comprovada pelo concessionário da marca, o fabricante recusou-se a efectuar a reparação ao abrigo desta garantia, cujo prazo de 12 anos estava muito longe de expirar.

Alegou o fabricante, que o local onde apareceu a corrosão, não era na carroçaria mas sim num acessório.

De salientar que nenhum dos veículos deste modelo, vendidos em Portugal e na Europa, era ou é actualmente, comercializado sem aquela peça metálica (duas barras longitudinais no tejadilho) nem aquela peça metálica constava, nem consta do catálogo de acessórios do veículo em causa.

Acabei por apresentar uma queixa na CASA - Centro de Arbitragem do Sector Automóvel tendo pago para o efeito o valor definido para abertura do processo e, enquanto este decorria, informam-me que não o iriam concluir porque este organismo fôra extinto.

Fiquei sem o valor pago à CASA – Centro de Arbitragem do Sector Automóvel e ainda tive que suportar os custos da reparação da corrosão antes que aquilo alastrasse mais causando ainda maiores danos.

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