Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Generalidades

Generalidades

23
Jan22

Assim não


Vagueando

A sinistralidade rodoviária é grave em Portugal. Lamento que a comunicação social preste tanta atenção e mediatismo quando um acidente envolve um ministro (não me batam já) e não acompanhe com a mesma persitência quando outros acidentes com vítimas mortais ocorrem.

Os políticos e os partidos, que até ajudam à "festa" quando o acidente envolve um ministro, não se importam que durante a campanha eleitoral, os seus apoiantes se esqueçam que entrar numa rua em sentido proibido é um infração grave, agravada pelo facto de estacionar em segunda fila e do lado esquerdo.

Faço questão de tapar tudo o que pode relacionar esta carrinha com qualquer partido político (sendo certo que está representado na AR) que estacionou de forma lamentável, para que os apoiantes descarreguem o material de campanha.

O objectivo não é criticar o partido é criticar a postura de desrespeito sistemáico, socialmente aceite e lembrar que durante a operação Natal e Ano Novo, morreu uma pessoa e doze ficaram gravemente feridas em resultado de mais de 500 acidentes.

Podem sempre dizer, foi só para descarregar. Mas a pergunta que faço é; que visibilidade tem um veículo que circule corretamente e que pretenda virar à esquerda naquele entroncamento com aquele amontoado de gente no local?

Recentemente abordei aqui o desrespeito pelo Código da Estrada, demonstrado por dois jornalistas que, em trabalho para a sua estação de televisão, faziam uma reportagem na Nacional 1, no post abaixo;

Dois dias - 537 acidentes - Generalidades (sapo.pt)

É isto, ninguém liga, excepto se o acidente envolver um ministro, sendo que aí a vítima é mesmo vítima.

Inked20220123_101523(4)_LI.jpg

18
Out21

Os novos radares


Vagueando

Os novos radares prometem revolucionar o panorama da repressão rodoviária nacional.

Estes novos radares são altamente tecnológicos, dispõem de capacidade para detetar não só o excesso de velocidade, como os condutores que ignoram o sinal vermelho ou não respeitam as marcas rodoviárias, nomeadamente a linha continua M1. Não contesto o controlo exercido sobre excesso de velocidade, é um problema grave, ainda que acredite não ser necessariamente o fator que mais contribui para o acidente, mas, sem dúvida, agrava seriamente as suas consequências.

Então porquê recorrer aos radares de controlo do excesso de velocidade;

• Intimida levando a que se circule de forma mais lenta, eventualmente sem diminuir o número de acidentes, mas minimizando o impacto dos ferimentos ou mortes nas estradas.

• Gera receita com poucos custos, não necessita de efetivos humanos na rua. O radar, regista, está certificado, pelo que serve de prova irrefutável, a expedição da multa é automática. Contestar uma multa do radar é tempo perdido, (daí que até o ex-juíz Rangel, tivesse um stock de marroquinos a quem imputava as suas infrações de excesso de velocidade).

• É uma forma rápida e simples de resolver algumas investigações de acidentes, mesmo que não se recorra às centralinas dos veículos envolvidos, para verificar se estavam, na altura do acidente, em excesso de velocidade ou não (não me estou a referir ao acidente que envolveu o carro do ministro Eduardo Cabrita)

• Ajuda a desresponsabilizar o Estado e as entidades que têm a responsabilidade de zelar pelo bom estado e qualidade da sinalização das estradas, bem como pela sua boa conservação.

Estes radares, detetam quem trava antes de o passar, cumprindo assim o limite estabelecido, e acelera de imediato, deitando por terra o objetivo de tornar a estrada mais segura para todos. Contudo, uma das muitas falhas da sinalização em Portugal, é não se assinalar o fim dos limites impostos, pelo que, quem acelera logo a seguir, se tiver possibilidades de contestar uma multa em tribunal, veremos o que prevalece, se a eficácia do radar ou a eficácia da justiça, caso não se vislumbre onde acaba o fim do limite imposto antes do radar.

Estranho que não se utilize a sua capacidade total, para punir quem não respeita o sinal vermelho nem as linhas contínuas M1, situação que provoca bastantes acidentes e alguns com gravidade. Quem anda na estrada assiste diariamente a manobras arrepiantes sem qualquer respeito pelos sinais vermelhos e/ou as linhas contínuas M1.

Parece-me muito mais grave um condutor que circule sempre dentro dos limites de velocidade, não seja apanhado pelo radar quando não respeita a paragem no sinal vermelho, nem a obrigatoriedade de não pisar as linhas contínuas e que por isso, só seja punido se algum agente da autoridade o veja, decida pará-lo e lhe aplique a multa, o que nem sempre acontece.

Não percebo que se invista tanto neste tipo de radares sem aproveitar todas as suas capacidades e que os mesmos não tenham ainda mais valências, como por exemplo a medição da velocidade excessiva, as mudanças de direção não sinalizadas, o desrespeito pela manutenção das distâncias de segurança, nomeadamente na presença de chuva e nevoeiro, sendo que neste último caso deveriam também assinalar os condutores que, ao arrepio do preconizado no Código da Estrada, circulam de luzes apagadas.

Em Portugal morre-se demais nas estradas e creio que não é o excesso de velocidade que provoca a maioria dos acidentes.

Lamento que nenhuma das televisões a operar em Portugal dedique um programa semanal sobre segurança na condução, embora existam vários sobre automóveis, as suas características e equipamento opcional.

Não percebo a falta de interesse, das autoridades, das seguradoras, das marcas automóveis a operar em Portugal, das Escolas de Condução, das televisões em montar um programa destes. Seria interessante que as Televisões divulgassem os erros mais crassos (sejam negligentes ou conscientes) dos condutores, que se entrevistasse pessoas que estiveram envolvidas em acidentes e se fizesse a reconstituição de acidentes mais graves para que se percebesse as suas causas, demonstrando que com outra postura, nomeadamente condução defensiva, com o cumprimento das regras, os mesmos não ocorriam.

Existiu na RTP, entre 1965 e 1974, um programa que abordava esta temática, chamava-se Sangue na Estrada e era apresentado por Filipe Nogueira.

Mantendo Portugal uma estatística dramática de sinistralidade nas estradas, não se percebe que durante quase 50 anos ninguém se interesse por este assunto nas televisões.

30
Dez18

Sinistralidade ou Irresponsabilidade


Vagueando

QUESTÃO

Data Inquérito

 

Em 2017 teve alguma multa de trânsito

22/12/2018

%

Sim, e paguei

1905

17%

Sim, mas ignorei

331

3%

Não, mas houve vários motivos para ser multado

1873

17%

Não, mas também não fiz nada que justificasse multa

6817

62%

 

10926

 

QUESTÃO

Data Inquérito

 

Em 6 dias de operação Natal Tranquilo houve 15 mortos nas estradas portuguesas. Qual o erro que mais vezes comete ao conduzir?

27/12/2018

%

Ando com excesso de velocidade

2437

19%

Uso o telemóvel enquanto conduzo

1202

9%

Conduzo depois de beber álcool

407

3%

Conduzo com sono

576

4%

Arrisco um bocado nas ultrapassagens e em outras manobras

576

4%

Irrito-me quando há muito trânsito e não adequo a condução a essa circunstância

684

5%

Outro

1197

9%

Eu ando sempre bem, o problema são os outros

5919

46%

 

12998

 

 

Realizou o portal Sapo, em 22 e 27 de Dezembro passado, dois inquéritos (quadros acima) relacionados com o cumprimento ou não do Código da Estrada (CE), ao qual responderam 23.924 leitores.

Numa altura em que estamos ainda a digerir o fracasso da Operação Natal Tranquilo e Operação Ano Novo, os resultados destes inquéritos vieram, mais uma vez, confirmar que mesmo sem a ocorrência de chuva, neve ou nevoeiro, ou seja as chamadas condições adversas, quão péssimos são os portugueses a conduzir.

As respostas indicam que a esmagadora maioria dos portugueses, não só acha que cumpre fielmente o CE, como também considera que o problema da sinistralidade deriva do comportamento dos outros condutores.

Faz-me lembrar aquela anedota (infelizmente tantas vezes real) em que o indivíduo que segue em contramão em plena AE, acha que todos os outros é que vão mal.

Os resultados dos inquéritos não são surpreendentes. Apenas revelam que a maioria dos condutores não tem a mais pálida ideia das regras do CE, sendo surpreendente, isso sim, como, nesta imensa ignorância das regras, não ocorrem ainda mais acidentes.

Infelizmente as Escolas de Condução não ensinam a conduzir um automóvel, nem os perigos que isso representa. Ensinam sim, como fazer andar um carro, a prática vem depois, com o tempo. Se, com o tempo vier uma ou mais, más práticas, ninguém as vai corrigir, até ao dia em que as estatísticas acrescentam mais um acidente à lista.

E este desconhecimento das regras, não deriva só do (mau) ensino da condução e da iliteracia de muitos dos condutores relativamente ao CE, que aprendem a empinar para fazer o teste, mas sem nunca perceber o que está subjacente a cada resposta que acertam. Está também em causa o facto de as autoridades repisarem sempre as mesmas infrações; Falar ao telemóvel, o excesso de velocidade e o excesso de álcool no sangue, que, embora sendo infrações muito graves, nem sempre são a causa directa dos acidentes.

A falta da percepção do risco associado à condução é assustador, a falta de atenção na condução é sistemática, o desrespeito pelo código é prática corrente e, pior, na maior parte das vezes quem as pratica, nem tem a noção que infringiu qualquer regra do CE.

Eis alguns exemplos do que refiro;

Falta de percepção do risco – Frequentemente vê-se automobilistas que circulam em dias de chuva e nevoeiro com luzes apagadas. Será que têm consciência de que assim não são vistos e isso constitui um enorme perigo para a sua integridade física, para não falar na dos outros?

Falta de atenção – Milhares de manobras de mudança de direcção são realizadas diariamente sem que sejam devidamente assinaladas. Os automobilistas estão conscientes do risco que isso acarreta e os constrangimentos que isso causa à fluidez do tráfego? Será que não sabem que as regras do Código da Estrada se destinam a assegurar a segurança, mas também a fluidez do tráfego? Quem nunca ficou parado num entroncamento devido ao trânsito existente, o qual sai à direita, sem sinalizar essa manobra e que se tivessem dado essa indicação teríamos entrado sem qualquer problema? Quando estiver numa fila demorada, lembre-se que uma das razões da demora, pode residir nesta falta de respeito.

Junto a cada entroncamento nas vias rápidas e AE existem linhas mistas, uma contínua e outra descontínua, sendo que as mesmas se destinam a evitar, por exemplo que quem segue na faixa da esquerda ou do meio, não possa sair no entroncamento tarde de mais e assim colocar em risco que circula na faixa da direita. O desrespeito por esta linha contínua é tão banal como beber um café e acredito que muitos nem se apercebam da sua presença e do que significa.

Falta de respeito pelo Código da Estrada – Reiteradamente se circula colado ao carro da frente, muitas vezes o carro da frente é uma daquelas carrinhas de caixa fechada, ou seja, não se vê um palmo à frente do nariz e mesmo assim segue-se colado, muitas vezes a velocidades altas sem o mínimo de visibilidade.

Uma das regras básicas do CE, é que a circulação se faz pela via direita e no caso das vias rápidas e AE, pela via mais à direita. Esta regra está para o CE, como o abecedário e a tabuada estão para a Instrução Primária. Ainda não percebi porque se insiste em circular na via do meio ou à esquerda quando não há trânsito à direita. Contudo, já percebi das conversas que vou explorando com outros automobilistas, a ideia é, se não há trânsito porque não posso circular ao meio. A minha pergunta é, se não há trânsito porque não circular à direita. Nunca obtive uma resposta aceitável.

Em resumo, com todos estes problemas, considero que o número de acidentes até é baixo. Ao que parece porque a Nossa Senhora de Fátima e/ou todas as outras, ainda fazem milagres nas estradas portuguesas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub