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Generalidades

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02
Abr18

Uma questão de Classe, Classe a mais ou a lei não está à altura dos acontecimentos?


Vagueando

 

 

A marca Volvo sempre foi uma classe à parte. A sua imagem de marca incidiu sempre muito sobre a segurança e os seus bancos, para além de serem esteticamente belos e confortáveis, incorporaram em 1998 um sistema de proteção anti-chicote, conseguem ainda ser um alívio para as costas e uma potente arma anti-fadiga.

Recentemente a Volvo, mais uma vez a segurança, desta vez dos peões, além de estar a cumprir directivas europeias, resolveu elevar a frente dos seus carros e fabricou o compacto XC40, transborda beleza e muita classe e, vai daí, ficou mais alto.

As normas europeias de segurança rodoviária, no que se refere à proteção dos peões, vão no sentido de que se aumente a altura dos carros e os SUV são a interpretação cuidada dessas normas e não apenas questões de cosmética. Por outro lado este tipo de carro, veio facilitar a entrada e saída de pessoas mais velhas e/ou com dificuldades de locomoção.

Contudo, em Portugal o novo Volvo XC40 passou a fazer parte de uma Classe à parte. Em vez de ser acarinhado foi ostracizado. Na altura em que o país anda obcecado com a inovação e sempre a falar de segurança rodoviária, provámos que não estamos à altura do acontecimento, preferimos nivelar por baixo, curiosamente, tendo por base a altura. Então não é que a altura vertical ao primeiro eixo, dizem (a medida não é publicada) é superior a 1,10 m e, por isso, o carro paga Classe 2 nas auto-estradas.

Enquanto na Europa se distinguiu este carro como sendo do ano, com 325 votos, (o segundo classificado obteve 242) dos quais 24 jurados atribuíram-lhe a nota máxima, premiando-se assim a robustez, a qualidade, o design e, claro está, mais uma vez a segurança, a lei portuguesa preferiu discriminar negativamente o modelo para não insultar a Brisa. Antes não se podia insultar os mercados, agora também não se pode insultar a Brisa.

A Brisa que se orgulha da sua missão, que consiste em promover a mobilidade eficiente para as pessoas sendo a mesma uma condição para o crescimento económico e que considera que cumpre essa condição e ainda diz possuir uma cultura, ética, de excelência e de inovação, resolveu classificar (taxar) este carro na Classe 2.

Tudo de acordo com a lei, bem certo, como não podia deixar de ser. De acordo com a ética, a excelência e a inovação é que não foi de certeza absoluta. A Brisa não se importa que a lei seja favorável aos seus resultados financeiros e está disposta a que a mesma seja alterada desde que os ditos resultados não sejam afetados. Que se lixe a mobilidade a Brisa quer é ganhar dinheiro.

Estas empresas modernaças, cheias de códigos de ética de conduta, de boas práticas, muito organizadas, muito estruturadas, muitíssimo eficazes, capazes de antecipar as mudanças de mercado, com relatórios anuais muito bonitos, para accionistas verem e a imprensa divulgar, são incapazes de olhar para um problema sério, que afecta claramente a mobilidade das pessoas (já para não falar de clara injustiça social que promove), e de serem as responsáveis, os motores de arranque, para que se altere esta legislação absurda. Merecem da minha parte uma simples palavra; Lamentável.

Sempre gostei da Volvo que não me pagou nada nem tão pouco me encomendou este sermão.

E sempre gostei não só pelas suas qualidades inegáveis, nomeadamente a segurança, coisa que em Portugal assume um papel fundamental, face à nossa triste sinistralidade. Também gosto da marca por uma razão menos automobilística, que deriva do facto de esta marca, nunca ou raramente aparecer referenciada nas notícias, por os seus carros terem sido alvo de apreensões relacionadas com infrações ao Código da Estrada ou outros ilícitos, pelo que a Volvo parece atrair a honestidade.

A Classe 2 não é assim para carros mais pesados ou mais potentes, não é para carros mais compridos ou mais largos é para carros cuja medida à vertical do primeiro eixo seja superior a 1,10m. Mesmo que uns miseros milímetros acima desta medida sejam alcançados, por exemplo, pelo minúsculo bico que lança água para lavar o vidro. Rigor acima de tudo no que concerne ao cumprimento da lei e fantástico, porque esta inovação não é vista em mais nenhum país europeu.

Acresce ainda que o Estado português, sempre atento às boas práticas europeias (por isso é que aplica na compra de carros novos um imposto sobre o imposto), às necessidades das pessoas e à justiça da legislação que produz, também deixou a ética e a excelência de parte e, ignorando pareceres do sector automóvel, o pulsar da população, a justiça social, e o mais elementar bom senso, prefere manter o interesse económico dos concessionários em detrimento da segurança rodoviária, da mobilidade e do bem-estar do cidadão.

Neste sentido, enquanto os engenheiros da indústria automóvel se esforçam para fazer carros mais seguros, em Portugal a Brisa encarrega-se de os taxar como se estes fossem especialmente prejudiciais para o piso das suas autoestradas.

Se tivesse que classificar esta lei diria que lhe falta classe para puder ser avaliada, não está à altura do país, da economia, muito menos da segurança e a única coisa que seria eticamente aceitável, socialmente justo e economicamente viável era, pura e simplesmente, considera-la caduca (já tem 30 anos) e desclassificá-la.

Isso sim teria muita classe.

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