A depressão Kristin e as árvores
Vagueando
Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva
A depressão Kristin, deixou uma marca de destruição grave no país e causou estragos consideráveis no concelho de Sintra, nomeadamente no centro histórico devido à queda de muitas árvores, algumas delas classificadas.
No caso de Sintra e da queda de árvores, algumas centenárias leva-me à discussão sobre como as devemos preservar.
A defesa das árvores, nomeadamento do Grupo de Amigos das Árvores de Sintra é a de que a CMS quando realiza podas, usa más práticas, abusivas e criminosas, exemplificando com podas recentes, em alguns locais.
A ideia com que fiquei ao ler este seu artigo de opinião no jornal de Sintra, de 14 de Novembro de 2025, é que as podas levadas a cabo pela CMS serão exageradas, mutilando desnecessariamente as árvores.
Não percebendo absolutamente nada desta actividade, sendo residente em Sintra desde que nasci, já lá vão 68 anos, habituei-me a ver nos meus tempo de juventude as árvores podadas de forma a que a sua copa nunca ficasse muito grande, o que deixou de se fazer. As árvores possuem atualmente copas enormes, altura considerável e isso aumenta a sua resistência ao vento nomeadamente quando atinge velocidades como as que foram registadas nesta depressão. Por outro lado, creio que a ausência de poda pode alterar o seu equilíbrio estrutural e até a sua saúde a longo prazo porque ficam mais suscetíveis a fungos e pragas que podem fazer apodrecer a madeira internamente.
Esta forma de estar na preservação das árvores, obviamente que defendo a preservação das árvores, mas não acredito que poda-las para que não ofereçam risco, as impeça de capturar CO2, as impeça de se tornarem centenárias ou as mate.
Contudo, serve como desculpa ideal para que os privados deixem as suas árvores e até vegetação invasora, crescer muito para lá do admissível, impedindo que a circulação de peões e automóveis se faça em segurança e no limite caiam para a via pública, como aconteceu na Estrada de Chão de Meninos (ver as duas fotos abaixo) .


Esta duas fotos que tirei na Quarta Feira, mostra como o crescimento da vegetação leva os peões para a estrada e obriga os autocarros a circular fora de mão, nas curvas para se desviar da mesma, alguma da qual grossa e que já causa danos nestes veículos. Nesta estrada ocorreu um grande número de quedas de árvores, levando ao encerramento da mesma durante a noite e toda a manhã de quarta feira.
A queda de árvores de grande porte causa acidentes graves e mata como infelizmente já aconteceu em Sintra e aconteceu agora com este temporal. Não obstante e voltando ao artigo de opinião acima referido do Grupo de Amigos da Árvores, quando tal acontece, segundo este Grupo, basta acionar o seguro que existe para estas situações, tal como se faz em qualquer ocorrência ou acidente.
Se preservar árvores tem a minha total concordância, sobre os riscos da sua queda é claramente divergente. A segurança de pessoas e bens, está primeiro e deve acautelada de forma a que mitigue ao máximo o acidente ou a ocorrência, recorrendo a dois conceitos muito mais importantes e eficazes, a prevenção e a segurança.
No Expresso é feita uma referência à queda de árvores no Centro Histórico , onde o atual presidente afirma; "Percebi quando tomei posse que desde março de 2025 que não havia nenhum procedimento de poda das árvores”. Haver havia, foi publicado em Maio de 2025 (pode ser consultado aqui) mas não me parece que fosse cumprido na íntegra porque mal se começa a podar alguma coisa em Sintra salta alvoroço nas redes sociais.
Em ambiente urbano, prefiro ver árvores podadas e mais pequenas do que árvores tombadas, partidas e caídas com resultados péssimos para todos. Para os amigos das árvores que as perdem, para o ambiente porque deixam de capturar CO2, para a paisagem porque desaparecem, para os bens porque ficam destruídos, para as pessoas porque podem ser gravemente feridas ou mortas e neste caso, o seguro pode compensar monetariamente a recuperação dos bens (nunca compensa na totalidade) mas nunca compensa o sofrimento de uma pessoa ferida ou a família de um morto.







