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Generalidades

Generalidades

25
Set25

Título perdido


Vagueando

Desafio 1 foto 1 texto de IMSilva

 

20250925_160527.jpg

Ajoelhei-me no chão à procura do título que me fugiu ou escapuliu-se entre os dedos, não sei por falta de destreza destes ou se por ousadia, quiçá rebeldia do dito.

Vasculhei o chão com os dedos, no mais profundo silêncio, por respeito ao local e com medo que ele, assustado, fugisse ou usasse as suas capacidades camaleónicas e se fundisse nesta mistura de terra, folhas e gravetos e agora com um título escondido ou perdido quem sabe.

Esperei, já deitado porque sabia que a espera seria longa e se a noite caísse nunca mais o veria.

Acabei por perdê-lo!

E agora não posso revelá-lo à sua revelia, sem o seu consentimento e porque jamais conseguiria, sem ele estar presente, de transmitir o seu sentimento profundo e a sua forma peculiar em aguçar o apetite do leitor.

Em jeito de apelo; Título se reconheceres este local, contacta-me que eu coloco-te no teu devido lugar, ali em cima para brilhares e cumprires com orgulho, com a tua mestria, a tua função; Mereces ser lido, seres admirado, apreciado, aplaudido, reconhecido, porque és belo.

Esqueci-me do teu nome, mas não me esqueci de ti, como poderia esquecer a tua importância para esta minha foto.

Ainda pensei arranjar outro título, até me deram sugestões e indicaram-me um local onde podemos adoptar títulos perdidos, rejeitados, sem dono.

Contudo, sabendo que és demasiado rebelde e ousado para ires ou te deixar ir parar à Instituição de Apoio aos Títulos Abandonados, não fui procurar o eventual teu substituto.

Ainda agora fiquei sem ti e já tenho saudade.

25
Set25

Tudo está bem, mesmo que não acabe bem


Vagueando

Se há realidade que os portugueses conhecem bem é são os Espaços Comerciais das Grandes Superfícies, não só porque existem por todo o lado, mas também porque os usam diariamente para compras e para o passeio habitual em família, em especial aos fins-de-semana.

O que me traz aqui hoje não são estes espaços de lazer, de compras e de convívio, mas sim os seus parques de estacionamento.

É na utilização desta facilidade gratuita, com muitos lugares disponíveis, normalmente com espaço suficiente para estacionar qualquer veículo ligeiro, que vem ao de cima a forma como os portugueses demonstram a maior falta de respeito pelas regras de estacionamento, de segurança e de respeito para com todos os outros utilizadores destes espaços. Não está em causa apenas o incumprimento do Código da Estrada, naquilo que são as regras de estacionamento, mas sim a uma falta de respeito enorme por todos os outros utentes, nomeadamente para com os mais idosos, com crianças de colo e particularmente, para com os que, infelizmente, têm mobilidade reduzida.

É comum assistirmos ao estacionamento de veículos em lugares destinados a pessoas idosas, com crianças de colo e verificar que nenhum dos seus ocupantes pertencem a estas categorias ou, muito pior estacionar num lugar reservado a pessoas com deficiência, sem que sejam portadores do cartão obrigatório que dá acesso as estes lugares o que, para além da multa, constitui uma infração grave e retira dois pontos da carta de condução.

Mas há mais.

Mesmo com lugares de parqueamento disponíveis, estacionar fora dos lugares devidamente marcados, por exemplo ocupando parte da via destinada a assegurar a circulação de veículos dentro destes parques também é comum, mesmo que lá esteja de forma bem evidente a proibição de estacionar, quer através da sinalização vertical, quer através da pintura do pavimento.

Nada disto parece preocupar, os que não cumprem, mas também os cumprem. Afinal, todos eles, por força destes abusos ficam sujeitos a paragens desnecessárias e, essencialmente, todos os que frequentam e trabalham nestes espaços vêm a sua segurança reduzida.

Em suma, gostamos da bandalheira, embora andemos sempre a gritar que isto e aquilo deveria ser crime, em especial se for contra a figuras públicas.

Nas diversas conversas que tenho tido com funcionários destes espaços, fiquei a saber que existem regulamentos destinados a prevenir estes abusos e que alegadamente são cumpridos mas que, objectivamente, não servem para nada.

Limitam-se a colocar uns avisos a informar o condutor que o veículo está mal estacionado (eu pessoalmente nunca vi nenhum carro com estes avisos) mas não existe mais nada que possam fazer, nem estes espaços, possuem um sistema sonoro que permita alertar o condutor para retirar o carro do local onde se encontra.

Por outro lado, as competências destes espaços, também não permitem que possam, por sua iniciativa rebocar estes veículos (que seria a forma mais justa de resolver este problema) e as autoridades também não têm competência para fiscalizar, multar e rebocar, uma vez que se trata de um espaço privado.

Perfeito, não se passa nada, é a vida!

Em suma, todos os planos de segurança que foram aprovados antes do espaço abrir, estão de acordo (presumo) com os regulamentos de segurança previstos na lei, estes espaços transferiram para os seus regulamentos internos os procedimentos a adoptar e adoptam-nos e por fim, as autoridades estão a cumprir com a lei, que não lhes permite actuar, nestas situações em espaço privado.

Contudo, em caso de incumprimento, ninguém pode fazer nada, há que aguentar.

E assim acontece (era o nome do programa de Carlos Pinto Coelho na RTP de 1994 a 2003) neste país em que tudo está bem, de acordo com a lei e com as melhores práticas, mesmo que não se cumpra nada.

A culpa, também pode morrer solteira quando é o cidadão comum a não cumprir com os seus deveres.

Estranha forma de vida!

22
Set25

Comecei no Verão e acabei no Outono


Vagueando

Alerta não CM!

São 18h:15 m, do dia 22/09/2025, ainda é Verão mas está frio, que se sente de forma vigorosa à boleia do vento. Se um abanico dá muito jeito nos dias de maior calma no Verão, já o vento de Verão de hoje, faz-nos abanar de frio.

Esquisitices do clima ou, como agora é usual dizer-se, são as consequências das alterações climáticas.

Contudo, alguém tem que ser culpado deste estado do tempo, afinal não podemos andar à procura da culpa de outros, doa a quem doer e quando a culpa é nossa, ai, ai que não pode ser, sacode-se a água do capote.

É preciso coerência.

Quando culpa morre solteira, com ou sem justiça, inventam-se culpados, fervem-nos em lume brando ou atiram-nos para dentro do caldeirão de azeite a ferver. Raramente, porque the show must go on e dentro do caldeirão o actor morre de imediato,  acabando-se a telenovela.

Vem este alerta a propósito de tentar agarrar o Verão antes que se vá embora e poder assim culpá-lo pelo vendaval e pelo frio de hoje. Se já está a preparar a fuga é porque é culpado, afinal quem não deve não teme.

Ainda assim se não for possível caçá-lo, faça-se uma espera ao Outono, já sabem que ele vai chegar às 19h e 16m. Basta esperar por ele, e perguntar-lhe porque se dá ao trabalho de servir de testa de ferro ao Verão, tomando o seu lugar, em suma, ajudando-o na fuga e, isso é grave, quiçá crime.

Entretanto, as autoridades não fizeram caso deste meu alerta público, estive aqui a seguir isto tudo em direto da minha webcam, já passa das 19h e 20m assisti à fuga do Verão e à entrada do Outono, sem qualquer controlo do SEF ou lá de quem é que agora está a fazer este trabalho.

Resta-me publicar aqui em baixo uma prova de que o Verão se foi embora e a luz do Outono entrou rapidamente e desenhou a foto abaixo.

Chegou, cheio de beleza, só para disfarçar e ninguém dar por ele.

20250922_0835151.jpg

 

18
Set25

Inteligência rara


Vagueando

Desafio Uma Foto Um Texto de IMSilva

20250917_154946.jpg

Para o desafio de hoje trago uma papeleira inteligente. 

Uma papeleira inteligente tem, alegadamente, a faculdade de compreender e aprender, revela por isso inteligência (artificial), raciocina, planeia, aprende com a experiência e, concomitantemente, tem a capacidade de resolver problemas.

Eis o resumo das suas características:

  • São alimentadas a energia solar

Utilizam painéis solares para funcionar, o que as torna mais sustentáveis. 

  • Possuem um sistema de compactação

Mecanismo compacta o lixo, aumentando a sua capacidade de armazenamento. 

  • Possuem sensores e monitorização

Equipadas com sensores de nível de enchimento que enviam alertas em tempo real para as equipas de limpeza. 

  • Têm capacidade de redução de custos e eficiência

Otimizam as rotas de recolha, evitando recolhas desnecessárias e reduzindo custos. 

  • Melhoram a higiene urbana

Evitam o transbordo de lixo, mantendo a cidade mais limpa. 

Olhando para esta papeleira, não consegui concluir se é inexperiente e por isso ainda não tem a capacidade de resolver o problema bem visível na foto, se se trata de uma papeleira doente ou apenas de uma papeleira dotada de uma inteligência rara.

Admito que, eventualmente, tenham sido muitas as inteligências raras a usar o serviço da papeleira inteligente que, quem sabe por falta de Sol ficou cheia de stress, entrou em depressão e meteu baixa inteligente.

A outra hipótese, pode ter sido os sensores enviarem alertas para as equipas de limpeza que não deram conta do recado, por falta de Moedas no salário, devido à eficiência da redução de custos com o pessoal.

 

 

12
Set25

Lixo


Vagueando

Desafio Uma Foto Um Texto de IMSilva

 

Aquilo que alguns designam por Arte Urbana, na maioria das vezes, não gosto, costumo até utilizar uma frase bem portuguesa para avaliar o que vejo, borrou a pintura toda.

Reconheço que alguma desta arte, pouca, é realmente um exercício artístico e fascina-me nestes poucos casos, a capacidade para gerir um espaço enorme, dando-lhe perspectiva e um ajuste assombroso à realidade sem perder a noção de escala.

Assim de repente lembro-me de Bordalo II e Bansky, cujas obras embelezam, às vezes com mensagens duras, as cidades onde elas são dadas a ver ao público.

Esta semana quando passeava a pé por Lisboa, deparei-me com esta magnífica pintura de Mariana Santos, que representa a forma como era feito o comércio nos anos 50 em Lisboa.

20250909_121012.jpg

 

Não merecia estar pejada de lixo na sua base, sendo que desta vez a pintura não foi borrada, mas o lixo lixa tudo, lixou-me a foto e não devia estar ali, porque nem existe contentor próximo.

Não, a culpa não é dos serviços de limpeza da cidade é de quem, ilegalmente, ali vai depositar sacos e sacos de lixo.

Se quiserem ver esta magnífica pintura, originalmente sem lixo, sigam este link da Galeria de Arte Urbana no Instagram.

Actualização em 16/09/2025 - Uma verdadeira obra de arte esta de Vile em Monção, podem vê-la em Monção ou aqui.

04
Set25

Uma Família Disfuncional


Vagueando

Desafio Uma Foto Um Texto de IMSilva

20250903_211916.jpg

 

Quando me desloco para o Sotavento Algarvio, por norma, saio da Auto Estrada em Aljustrel para almoçar no restaurante Fio D'Azeite no Lam Hotel Villa Aljustrel.

Foi o que fiz esta semana.

A ideia não é fazer publicidade ao hotel ou ao restaurante, mas apenas informar que é possível viajar de forma tranquila e relaxada, sem dar importânca ao tempo. Bem sei que a minha qualidade de reformado me permite desligar-me do tempo, sendo certo que este não se desilga de mim, lembrando-me constantemente que o meu tempo, no planeta está preste a esgotar-se. 

Porquê a pressa então?

Contudo, não foram as qualidades gastronómicas (que existem neste restaurante) que me levaram a escrever hoje.

O que me inspirou para este post foi o facto de ter encontrado, justamente neste restaurante, uma família disfuncional.

Aguradava eu pelo o almoço quando reparo numa familia com duas filhas, uma a rondar os 12 anos e outra ali pelos 7 anos. Nenhuma delas, nem a família exibiam telemóveis, os pais conversavam e as filhas tinham na mão, imaginem o desaforo, livros. A mais velha lia com atenção, concentradíssima, a mais nova lia e escrevia, sendo que, com regularidade consultava a mãe.

Mais tarde chegaram mais duas famílias, que também não exibiram telemóveis, cada uma com o seu menor e eis que estes jovens se dedicaram à pintura de livros com lápis de cor.

Daí que a minha foto de hoje seja dedicada à leitura, onde um leitor que desconheço (mas que não é identificável) mas que fotografei recentemente, simbiliza o acto de ler, ao fazê-lo de noite, na rua, servindo-se da iluminação pública, sentado num banco público.

Pura paixão, disfuncional.

 

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