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Generalidades

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24
Jan21

Não, não fui votar


Vagueando

Como se a pandemia não bastasse para nos agredir, desmoralizar, matar e aniquilar países, destruindo até quem não apanha o vírus, hoje deixará mais alguns portugueses, que não conseguiram ir votar, com um sentimento de culpa.

Foi o meu caso.

Encontrei-me perante o dilema entre ir votar ou manter-me em casa em isolamento profilático. A pensar em todos os outros e para ficar de consciência tranquila fiquei em casa.

Contudo, não fiquei com a mesma consciência tranquila por não ter ido votar.

Tenho plena convicção (mas lá está não sou médico) que se tivesse ido votar, do ponto de vista das regras sanitárias em vigor, não teria colocado ninguém em risco.

Almocei com o meu filho e namorada no dia 10 e 11 de Janeiro, sendo que no dia 11 a namorada queixou-se de dores de garganta. A partir daí não voltámos a ter contactos.

A namorada acabou por testar positivo a 14 de Janeiro e o meu filho, soube o resultado já à noite, a 15.

Dia 16 comuniquei esta situação ao SNS, informando que o último contacto tinha sido a 11 de Janeiro. Ainda assim, foi decretado  o isolamento profilático durante 14 dias a partir de 16. Fui ainda informado que seria contactado ao fim de 3 dias pelo delegado de saúde da minha área de residência o que, até hoje, nunca aconteceu.

Entretanto fui registando, diariamente, os meus sintomas (nunca tive qualquer sintoma da doença) no sítio do SNS. Tentei ao longo de toda esta semana contactar o delegado de saúde para lhe explicar a situação para poder ser testado e, em caso de o resultado ser negativo, poder ir votar.

Nunca consegui.

Precavido, tinha-me inscrito para votar a 17, obviamente, não fui, mas queria ir hoje.

Amanhã, dia 25, às 13h, passaram 14 dias que tive o último contacto e estou convicto que poderia ir votar sem risco, se o fizesse hoje à tarde, mas não fui.

Só lamento não ter conseguido contactar, nem por email, nem por telefone o Delegado de Saúde e que o SNS aceite como boas as informações que foram sendo prestadas, telefonicamente, pelo meu filho que entretanto já teve alta (mas não tem qualquer comprovativo) e foi votar hoje e não tenha considerado o meu isolamento profilático a partir de 11 de Janeiro, em vez do dia 16.

Lá existirão razões para este procedimento mas, perante a gravidade da doença, tratar-se de tudo à distância, por telefone, sem qualquer comprovativo, parece-me que algo não bate certo nesta narrativa de terror que nos é servida por todos os especialistas, cientistas, jornalistas, políticos, médicos, cientistas, comentadores e sei lá mais quem, durante 24 h por dia.

09
Jan21

Isto não é nada


Vagueando

O sonho comanda a vida?

Não sei.

Hoje sonhei com o nada.

Depois de acordado dei comigo a pensar em nada. Não pensar em nada é tentar reflectir sobre o que não existe. Será isso criatividade? Se sim, será a criatividade um produto do nada?

Esta é uma tentativa, criativa, presumo eu, de escrever sobre nada, um vazio de ideias que não dão em nada, mas que ainda assim, só por tentar, pode ser melhor que nada. Nada, não é mais nada do que a negação da existência de um objecto que simbolize o nada. A única coisa que simboliza o nada é a palavra nada.

Depois de dias sem fazer nada, por causa do confinamento, sem pensar em nada, nada fazia sentido, muito menos escrever nada de nada. A primeira coisa foi refletir se um texto sobre nada pode ter princípio, meio e fim, e eventuais conclusões.

O ideal era escrever sobre uma folha branca, em letra branca, de preferência a Bold, em que as partes mais interessantes sobre o nada fossem realçadas a branco.

A junção de todas os nadas dão luz ao nada.

A luz deixa ver o branco, que nada mais é do que junção de todas as cores do espectro cromático.

Como aqui só há preto e branco e se o preto é a ausência de luz  e, repito, o branco só se reflete na presença da mesma, chegamos à conclusão que isto é uma grande confusão, mais nada.

A expressão, não somos nada, como se pôde verificar com a pandemia de Covid 19 , assenta que nem uma luva nos seres humanos, que já pensavam que eram deuses.(1)

Por outro lado alguns velhos, habituados a dizer que não valem nada, ainda que alguns estejam a sobreviver estoicamente a esta terrível doença, podem ser eles a grande personificação de que, afinal, não sendo nada, são muito mais do que nada.

Decido sair à procura do nada, cheguei ao um café, bebo um que não era nada mau, procurei pelo José, especialista em nada, disseram-me que saiu há nada, ainda deve estar por perto.

Procurei-o incessantemente, nada. Tinha-se sumido.

Nada a fazer, tenho que encontrar o nada, sem ajuda de nada nem de ninguém. É sempre bom contar com a ajuda de algum especialista, mas em nada, só conheço o José.

Em menos de nada, tento concentrar-me em nada, para que nada me falta na busca. Entro num carreiro que nada tinha de largo, nem saída à vista,  muito menos qualquer sinal de nada. Não, por aqui não se aprende nada.

Nada como voltar para trás.

E agora que estou novamente sem nada que se aproveite para o meu estudo. Nada de desanimar, afinal quando parti à procura de nada, sabia que não iria ser nada fácil.

Não conhecendo nenhum objecto que designe o nada, nem ninguém que me ajude a encontra-lo, não fiquem a pensar que o nada não existe. Aliás, como já referi, existe a palavra nada para designar o nada.

Admito que a esta altura, quem me seguiu até aqui, não está a perceber nada. Bem vindo,. já somos dois, até já eu estou baralhado de nadar em tanto nada é como se estivesse a nadar contra uma corrente de nada.

Estou convencido que não me faltou nada de nada ao falar de nada.

Contudo, depois de todo este trabalho, descobri que nada se aproveita deste meu esforço.

Gastei o meu tempo para nada,  estou na praia, mesmo com muito frio, olho para o mar e penso para com os meus botões; Nada mas é daqui para fora, assim como assim, se nada é a não existência de qualquer coisa, aproveito a realidade de ter um mar imenso à minha frente e não posso fazer de conta que não dei por nada, porque a água esfria-me os pés.

 

Votos de um excelente 2021 e que não vos falte nada.

(1) - Yuval Harari em “Homo Deus – História Breve do amanhã”

  • A morte tornou-se um simples problema técnico.
  • Não alcançámos a igualdade — mas estamos perto de alcançar a imortalidade.
  • A história começou quando os homens inventaram os deuses e terminará quando os homens se transformarem em deuses.

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