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Generalidades

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25
Nov20

Capela de S.Lázaro


Vagueando

Parece impossível mas aconteceu.

Há umas semanas atrás andava a deambular por Sintra com a minha mulher e um amigo, coisa que faço com muita frequência e ele perguntou-me se conhecia a Capela de S. Lázaro. Disse-lhe que sim e que até estávamos muito perto. Fizemos um pequeno desvio ao percurso inicialmente previsto e fomos até lá.

Entretanto fui-lhe contando o pouco que sabia sobre a capela, nomeadamente que por volta de 2012 o proprietário de uma habitação contígua, tinha tentado apoderar-se do espaço onde a capela está inserida mas que um movimento cívico para a Defesa do Largo e da Capela de S. Lázaro http://sintradeambulada.blogspot.com/2013/10/o-movimento-civico-para-defesa-do-largo.html se tinha oposto, conseguindo que a mesma ficasse sob domínio público.

Também lhe referi que, pese embora seja residente em Sintra desde que nasci, nunca lá tinha entrado porque estava sempre fechada.

Para minha surpresa e satisfação do meu amigo, naquele dia estava aberta.

Fiquei naturalmente contente por, finalmente, poder entrar naquela capela. De permeio fiquei a saber que na sequência da vitória do movimento cívico acima referido, a capela passou a estar aberta ao público e que em 13 de Setembro de 2013 foi descerrada a placa toponímia no Largo da Capela de S. Lázaro (aprovada em reunião de Câmara de 26 de Junho de 2013).

Ao ler a história do monumento que se encontra no seu interior, saltei, não sei como, para o Século XV. Foi uma sensação momentânea, estranha, senti-me o Tomás Noronha, dos romances de José Rodrigues dos Santos.

Recuperei rapidamente e regressei ao tempo actual.

Não obstante, o rodopio cerebral não parava e senti que estava presente, simultaneamente, no Século XV e na actualidade. É que a Capela, logo à entrada, possui duas pequenas janelas, uma de cada lado, que permitiam que os gafos (portadores de lepra, doença altamente contagiosa), pudessem assistir ao culto, do lado de fora, sem entrar em contacto com os fiéis. Fiquei ali preso, hipnotizado por aquelas janelas, confuso, sem saber onde realmente estava; algures em 1500 ou em 2020?

Só podia estar em 1500 porque actualmente, com tanto avanço científico, tecnológico, tanta inovação, start ups e apps, não podemos estar a viver uma situação pandémica tão grave, com medidas de confinamento iguais às medievais, tinha que ser muito diferente.

O som da sirene dos bombeiros a assinalar as 13h trouxe-me de volta à realidade.

Estamos em pleno Século XXI, a viver uma pandemia e eu estou a vive-la bem perto do local onde, no Século XV, existia uma Gafaria, S.Pedro de Penaferrim, a qual circunscrevia dentro de uma área protegida os leprosos que estava proibidos de contactar com o resto da população.

Actualmente em S. Pedro de Penaferrim, restam poucos vestígios da gafaria.

Contudo, recentemente, em 2016, https://sintranoticias.pt/2016/09/30/achados-arqueologicos-sao-pedro-sintra-obra-dos-smas/ foram descobertos túmulos nas proximidades da Capela, o que faz crer na existência de um cemitério nas imediações.

Abaixo deixo o link para umas fotos da Capela, tiradas durante esta visita, bem como outro link para a página da Direcção Geral do Património Cultural, dedicada a esta Capela, para satisfazer a curiosidade dos eventuais leitores mais interessados em dados históricos.

https://photos.app.goo.gl/FZZmHp5whQwJUnFT9

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/72944

 

14
Nov20

Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada


Vagueando

Domingo, 15 de Novembro, dia mundial em memória das vítimas na Estrada.

Numa altura em que se fala de mortes todos os dias, por causa de uma pandemia, à qual não podemos fugir e sobre a qual toda a gente opina como se tivesse uma receita comprovada ao longo do tempo, para evitar a contaminação, pouca gente se interessa sobre estas mortes, embora a sinistralidade rodoviária seja estuda há muito tempo.

Não faz parte, das redes sociais, não faz parte das notícias diárias a não ser para anunciar, com histeria, algum acidente mais grave. Esta mortes não interessam às televisões nem aos jornais da especialidade embora, estes dois últimos meios de comunicação tenham programas e tiragens semanais sobre o desporto automóvel, sobre novos carros, sobre carros clássicos, mas nada, com a mesma intensidade e destaque, sobre como conduzir em segurança.

Cada vez que se fala de acidentes, destaca-se a velocidade excessiva ou acima dos limites legais, como a causa. Contudo, a velocidade excessiva ou acima dos limites legais, nem sempre são a causa, contribuem decisivamente, para um agravamento das consequências.

Ao assinalar-se este dia, destacando-se as 6.880 vítimas mortais, nos últimos 10 anos devido a acidentes na estrada, não se fugiu à regra. A PSP referiu que uma das principais causas da sinistralidade rodoviária é a velocidade excessiva, altamente potenciadora de ferimentos e danos graves.

A sinistralidade rodoviária nem sempre decorre da velocidade excessiva mas potencia a possibilidade de ocorrência de ferimentos e danos graves.

E, neste sentido, vejo muitos controlos de velocidade, gasta-se muitos fundos na aquisição de dispositivos de controlo de velocidade e frequentemente ouve-se nas rádios e televisões a necessidade de intensificar a fiscalização do controlo da velocidade em locais propensos a acidentes de viação.

A primeira coisa que faz sentido é perceber a razão pela qual num determinado local ocorrem mais acidentes e, não se pode concluir que decorrem só porque circula em excesso de velocidade, porque, se isso acontece é porque a via está mal desenhada, não está devidamente sinalizada, não tem condições para suportar todo o tráfego que nela circula, serve de trânsito a peões sem condições adequadas para os mesmos circularem, é usada para estacionamento que reduz a faixa de rodagem, etc.

Já não é a primeira vez que vejo, em zonas industriais, veículos pesados a fazer cargas e descargas nas vias de acesso, algumas com duas faixas de rodagem, sendo que uma delas fica ocupada com estas operações. Como é possível, nos dias de hoje, projetar-se zonas industriais onde as empresas residentes , não dispõem de espaço para que as suas mercadorias possam ser carregadas dentro das suas instalações?

Por outro lado, cada vez mais se descura infrações frequentemente cometidas, por exemplo não sinalizar as mudanças de direção, que provocam acidentes e constrangimentos importantes na fluidez do tráfego.

Quem nunca ficou à espera num entroncamento ou rotunda, bastante movimentada, para entrar numa via e, alguém resolve sair dela sem sinalizar essa manobra, deixando-nos desesperados, porque perdemos uma oportunidade de entrar. Alguém tem uma ideia da dimensão dos engarrafamentos que provoca com este comportamento?

Outra coisa que não percebo é que quando há nevoeiro, não há autoridades nas estradas e são muitos os automobilistas que insistem em circular de luzes desligadas nestas condições, sendo certo que ocorrem, frequentemente, acidentes nestas condições alguns de gravidade elevada.

 Porque os acidentes mais graves não são reconstituídos nas Televisões de modo a explicar o que o provocou, e que medidas podiam ter evitado esse acidente. Na National Geographic, analisa-se os acidentes aéreos e explica-se o que correu mal e o que foi feito para que o acidente não se repita.

Será assim tão difícil as marcas, as televisões, as seguradoras, as autoridades, os jornais da especialidade, os pilotos do desporto automóvel, unirem-se e arranjar fundos para colocar no ar um programa semanal sobre segurança na condução, passar exemplos de transgressões, de más condutas, de reconstituição de acidentes, para servir de exemplo e de modelo para que tal não se repetisse?

Deixo aqui a minha sugestão.

06
Nov20

A calçada e a esquina


Vagueando

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Serpenteio pela calçada assim como uma cobra

A pedra é fria para o meu corpo já tão cansado

Busco o Sol que aquela esquina tem de sobra

Estou ainda longe, ofegante, mas determinado

 

Sei que sou capaz, estico-me mais para lá chegar

A beleza não pode fugir assim, sem que se veja

Não, não paro, parar é morrer, vou ter de saltar

Aquele Sol conforta a minha alma que, feliz festeja

 

Rastejo, farejo como um cão o odor do Outono

Uma nuvem chega, faz sombra, tolda-me a retina

Pensei que o Sol tinha ido procurar outro trono

Mas não, ainda há por ali, uma réstia de luz tão fina

 

Sol, não te vás já, este é mesmo o teu lugar

A pedra polida voltou a brilhar com a tua luz

As folhas caídas, andam por aqui a saltitar

Tenho muita inveja delas, tudo isto me seduz

 

Levo comigo o meu cão reaprendi com ele a ouvir

Vê-me como salvador mas é o que ele é para mim

Cheguei, outra sombra também, Sol tinhas de sumir

Enraiveci-me contigo, voltarei de novo, não é o fim

 

Não pode ser fim, porque a vida resiste mesmo que não pareça.

Fica latente, como a semente que sente a terra, a chuva e o sol, noite e dia, até que desponta, desabrocha, cresce e descobre, que nasceu no meio de tanta gente descrente, por causa de uma pandemia.

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