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Generalidades

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27
Jun20

Novamente e ainda o COVID 19


Vagueando

A questão já não é o vírus, mas sim a forma como se usa o vírus para o negócio.

Andou e anda meio mundo, vá lá um bocadinho mais de meio, indignado e irritado com a China ter ocultado informações sobre a propagação do vírus, inclusivé à própria OMS que, supostamente lhe deu cobertura e, eis senão quando, parece que na Europa se anda a fazer o mesmo.

As últimas semanas mostraram afinal, que a União Europeia, que não criou um critério sobre encerramento de fronteiras é a mesma União Europeia que deixa que cada país defina, a seu belo prazer, quando abre, a quem abre e com quem estabelece relações económico/turísticas através de corredores com um selo clean and safe.

É esta mesmo União Europeia, dita civilizada, democrática e evoluída que deixa que nalguns países se ande a mentir sobre o (alegado) controlo da pandemia.

Bom, parece que já nos aprendemos a viver com vírus, agora é só reaprendermos a viver com o novo normal, ou seja a nova hipocrisia, como mentir bem sobre o vírus.

Quem foi que disse que a China escondeu a gravidade do vírus?

24
Jun20

Menos de 1km


Vagueando

O que represente para si, caro leitor(a) uma distância razoável para caminhar?

Não, não me responda, siga.

Pensei em escrever sobre as fotos que tirei recentemente em Sintra mas achei por bem libertá-las aqui, deixando algumas dicas, deixar-vos em sossego para observarem e, se calhar, deixarão de ter vontade de continuar a ler.

Dica 1 – Para observar estas imagens, terão que andar menos de 1km partindo de qualquer uma das imagens observadas.

Dica 2 – Foram tiradas no Jardim da Vigia, também conhecido por Miradouro da Condessa de Seisal ou nas suas proximidades.

Dica 3 – É pouco provável que encontrem o gato.

Dica 4 – Pode acontecer que se cruzem com o cão que, sendo super manso e terno, é completamente doido.

Dica 5 – É provável, mas não garantido, que na ponta da trela do cão esteja o Vagueando, um pouco cansado porque o cão, para além de doido, puxa muito pelo dono.

Dica 6 – É muito provável que a luminosidade das fotos não seja aquela que vão encontrar. Podem muito bem não chegar a ver um palmo à frente do nariz. O nevoeiro também gosta, tal como eu, de vaguear por ali.

Dica 7 – Aqui fica o link para as fotos.

https://photos.app.goo.gl/w8cCD1G59NtCAvuB6

 

17
Jun20

Do 80 para o 8


Vagueando

 

 

20200603_125948.jpg

Almoço num dia de Junho, no Restaurante Bristol, com bom tempo o que em Sintra quer dizer, sem nevoeiro e sem vento. Não se vê uma pessoa ou um carro na estrada da Volta do Duche. 

Regresso sem inspiração e sem gana o que é contra a minha vontade. Nem consigo explicar porquê. Talvez venha para aqui desabafar, meditar, lamentar, buscar, passar o tempo ou, quem sabe, à procura de encontrar uma qualquer motivação ou emoção.

Este novo normal faz-me muito mal, afecta-me a moral.

A falta de vida em Sintra deixa-me triste, a falta de gente aborrece-me, a falta de movimento faz-me sentir morto, a falta de tudo o que mexe deixa-me com stress, a falta de som irrita-me.

Não há quem se me dirija a perguntar como se chega ao Castelo ou ao Palácio, não há quem me pergunte onde comer as melhores queijadas, não há quem me questione onde consegue estacionar o carro, não há quem me diga, mas Sintra é assim todos os dias, não há quem me peça para lhe tirar uma foto (em abono da verdade já era raro por causa da mania das selfies).

Os passeios estão a ficar flácidos porque não são pisados, as escadarias não gostam de ver os seus degraus ao deus dará, os corrimãos querem ser agarrados, os monumentos não têm audiência para contar as suas histórias, as árvores fazem sombra que ninguém aproveita, a água corre pelos riachos sem testemunhas nem árbitros que confirmem que passou por ali, as dobradiças estão desempregadas e em risco de reumatite permanente, as fechaduras estão fartas de estar fechadas, as portas há muito que não se mexem, algumas já estão a engordar, os vidros continuam transparentes mas ninguém vê para dentro ou para fora, os postigos estão fartos de tapar a luz do sol, os tapetes estão fartos de estar enroladas, os capachos sentem-se humilhados por ninguém lhes esfregar os sapatos, os semáforos estão cansados de dar ordem de paragem ou de passagem sem que ninguém lhes ligue, as fontes sentem-se abandonadas, as mesas anseiam por uma toalha.

Resta-me a paisagem verde ,que parece ser a única coisa viva à minha volta. 

Sinto que me largaram de repente num deserto sem areia, cuja travessia vai ser longa e dolorosa para todos.

Sinto que passámos do 80 para o 8 e termino por aqui. Se um disco voador aterrasse hoje em Sintra, na Volta do Duche, no Castelo ou no Palácio, não estaria cá ninguém para testemunhar.

Vai na volta, preciso mesmo de um duche, estarei a sonhar?

 

 

 

 

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