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Generalidades

Generalidades

28
Abr20

E no entanto, as vacas continuam a peidar-se


Vagueando

Vacas 1.JPG

 

Até há pouco menos de 6 meses os debates mais acesos no Mundo e nas redes sociais eram sobre a qualidade do ar que respirávamos. Nessa época (fica bem aqui a palavra época, dá uma sensação de longínquo) não se falava de COVID-19, porque, como não estava na Internet nem nas redes sociais, obviamente, não existia.

Greta Thunberg era a figura de proa deste combate e lembrava-nos a todos, inclusive aos líderes mundiais, como nos atrevíamos a pensar só em dinheiro, quando o importante era mudar de vida, porque a vida só tinha futuro sem poluição.

A sustentabilidade, onde quer que se aplique, por azar, atinge quase sempre os gostos dos portugueses.

Primeiro foram as sardinhas, quando a comissária europeia Emma Bonino proibiu-nos de as pescar: Depois foi o bacalhau. Segundo o Marine Conservatin Society no Reino Unido, parecem existir provas que o bacalhau capturado na costa da Noruega é insustentável, tendo já arrasado a capacidade reprodutiva. Também Isabel Jonet se referiu ao nosso bife como sendo quase um pecado da gula.

Ora, para piorar a coisa, os nutricionistas lembram-nos que o bife também está associado a maus hábitos alimentares, nomeadamente porque são acompanhados por batatas fritas (french fries para quem não sabe o que são batatas fritas).

Entendo os países nórdicos e mais alguns do Norte da Europa na posição de força contra eventuais futuras ajudas financeiras ao nosso país. Desde já porque pensam que a probabilidade de morrermos todos do vírus é elevada e porque, mesmo que tal não aconteça, uma vez que vão ficar sem bacalhau para nos vender, não vale a pena darem-nos dinheiro que depois não vai gerar lucros nos seus países.

Já fomos acusados de gastar tudo em copos e mulheres, mas eu continuo a achar que o bacalhau e o cheiro do dito, na versão Quim Barreiros, ocupa também um lugar de destaque nos nossos gastos.

Voltemos à vaca (fria).

Os ecologistas e demais seguidores de Greta Thunberg asseguram que as vacas são as maiores responsáveis pela emissão de gases poluentes para a atmosfera. No total o sector da criação de gado, será culpado por 18% das emissões, enquanto o sector dos transportes, lançará apenas 13,5% de emissões poluentes.

Acredito piamente que nestes 18% de emissões de gases estejam incluídas as vacas dos Açores, nomeadamente aquelas que em Setembro de 2011, foram alvo da atenção do então Presidente da República, Dr Cavaco Silva, que, de forma perspicaz, viu que o sorriso das vacas espelhavam a sua satisfação ao olhar para o pasto que começava a ficar verdejante.

Ora se o pasto estava a ficar verdejante e se as vacas são o maior foco de poluição, a ecologia não pode ser verde. Atrevo-me a dizer, que o negro das ervas nas bermas do IC 19 é mais verde que o pasto das vacas nos Açores, isto sou eu a falar, mas sou daltónico.

Eis senão quando chega o Covid-19 e o Mundo parou.

Para meu espanto, as vacas continuaram a peidar-se, mesmo onde são sagradas, nos Açores e no Mundo.

Contudo, a poluição, milagrosamente baixou mais de 50% em todo o Mundo.

Acho que está na altura de se voltar ao bitoque e ao prego no prato ou no pão, desde que se ande a pé e deixar de apelidar as vacas de poluidoras.

O ar está agora mais limpo mas, ainda assim conspurcado com um vírus que funciona como o Sheltox, mata que se farta e a culpa não é, seguramente, das vacas.

A dúvida que se impõe é saber se não há vida sem poluição? Ou se, para não haver poluição, temos que acabar com a vida, inclusivé com a das vacas?

Então e os direitos dos animais, já para não falar dos direitos humanos?

 

Nota de 08/07/2020 . Hoje, ao passar por um quiosque, reparei que a capa do Jornal o Sol de 04/07/2020, destacava as palavas da Ministra da Agricultura, numa entrevista que deu ao jornal; "As vacas não deixaram de existir e a poluição não baixou".

Hoje 24/09/2020 li o seguinte;

https://greensavers.sapo.pt/greenpeace-alerta-que-as-emissoes-de-gases-da-criacao-de-gado-sao-maiores-que-as-causadas-pelos-carros-na-ue/

24
Abr20

Um lugar ao Sol


Vagueando

20200423_180639.jpg

 

Na década de 80 vibrava-se, com os Delfins e a sua canção, “Por um lugar ao sol.”

Sempre gostei desta música embora nunca tenha gostado de me expor ao Sol. Recordei-a hoje, por um detalhe do tipo, lusco fusco, que dura tão pouco que mal temos tempo para apreciar.

Estamos confinados em casa, privados do nosso lugar ao Sol, sem lugar para ver o Sol ou num lugar sem ver o Sol.

E ainda dizem que o Sol quando nasce é para todos!

Tenho sorte de viver em Sintra e poder sair para pequenos passeios a pé com a minha mulher e com o meu cão.

Consigo fazê-los sem ver gente, sem ver movimento, sem ver acção, sem ver tuk tuks, sem ver turistas, sem ver sequer residentes, sem ver fontes produtoras de ruído, sem ver o que provoca sons tão melodiosos que pensava já não existirem, tudo tão diferente, tudo tão estanho.

Apenas a humidade e o nevoeiro não mudaram em Sintra, no meio de tanta mudança.

A pé temos tempo para tudo, para olhar, para observar, para fixar, mas não temos muito tempo para provar o que os nossos olhos descarregam no cérebro.

A foto que serve de tema a este post esteve ali disponível durante menos de 30 segundos, lá está, a única coisa que não mudou com o maldito vírus foi o nevoeiro, a humidade e as nuvens que gostam muito de tapar a serra de Sintra.

Assim durante 30 segundos tive o meu lugar ao Sol, mas nem sequer tive tempo para me sentar.

Reza a música dos Delfins.

“Não pares de lutar agarra o dia ao nascer há uma batalha a travar que só tu podes vencer... só tu podes vencer”

Eu quis agarrar aquela réstia de sol que se esgueirou. Mas não foi possível. Não era o dia a nascer era o ocaso do Sol.

Fez-me lembrar a Balada da Neve de António Gedeão;

"Batem leve, levemente, como quem chama por mim. Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente e a chuva não bate assim"

E  o sol neste local, mesmo sem nevoeiro ou nuvens, ao nascer, não bate assim, nem ali, nem está lá gente para o receber como, certamente, merecia.

Espero que todos possamos, rapidamente, voltar a ter o nosso lugar ao Sol, na cidade, na praia, no campo e, porque não em Sintra.

Pode ser que as nuvens, o nevoeiro e o vírus nos concedam esse desejo e deixem de bater por aí, porque se as nuvens batem levemente o vírus não pode bater assim, em tanta gente.

01
Abr20

Dia das Mentiras


Vagueando

Nunca desesperei tanto pelo dia um de abril, dia das mentiras. Contudo, hoje, fui à janela e o silêncio, que antes era de ouro, hoje é pechisbeque.

Não se via vivalma, não se via carros, não se via gente, não se via nem alegria nem a tristeza que carregamos. Até a tristeza se escondeu, se confinou, mas não nos abandonou.

A verdade que sonhava ser mentira é afinal verdade, não só para mim, mas para todos neste retângulo virado ao mar, também ele acantonado e cercado pelo vírus Ligo a televisão, vejo e escuto as notícias, mesmo que a minha deficiência auditiva me impeça de ouvir tudo, percebo o essencial, que não é pouco; O Mundo parou.

Basta!

A verdade que sonhava ser mentira é, afinal verdade. Não só para nós, não só para a Europa, mas para todos. O Mundo está parado, abismado, enclausurado, silenciosamente revoltado, à espera que a verdade se transforme em mentira.

Ouço João Pedro Pais a cantar Mentira, Mentira, abstraio-me da letra, centro-me na melodia, suaviza-me o sofrimento.

Tenho saudades de te ver

Vontade de te abraçar

Sozinho tocando uma guitarra Junto ao mar

Recordo-me de ti

Imagino porquê

A tua cara a flutuar

Porque é que a vida Nos fascina?

Tantas vezes nos domina?

Acreditar que no amor Não se sente dor

Mas é mentira! Mentira, mentira!

Regresso à letra, acredito que no amor, mesmo que se sinta dor, sempre será bem melhor do que acreditar que é mentira que o vírus nos encheu de horror e de muita dor.

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