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Generalidades

Generalidades

26
Jan19

VAR - Vamos ali rever o video árbitro


Vagueando

 

O VAR, digo eu, nasceu sob o lema, acabar com a polémica e trazer mais verdade desportiva o futebol.

O mundo está cheio de boas intenções, de boas práticas, mas praticamente, na prática, não se vê nada.

O VAR, não sejamos egoístas, nem bota abaixistas, trouxe sim, mais rigor científico-visual à polémica, quiçá descobriu algumas carecas, grava para memória futura os casos dos jogos, deu emprego a mais árbitros, trouxe negócio às empresas de audiovisual, tornou-se numa óptima ferramenta de arremesso entre os comentadores desportivos avençados dos clubes.

O VAR veio permitir, de forma rigorosa e probatória, a estes comentadores verem o que ninguém vê, verem o que não se mostra e demonstrar que uma imagem, afinal, não vale por mil palavras, mas gera muito mais que mil palavras para justificar o injustificável ou demonstrar que, o que efectivamente se vê naquela imagem, em particular, é particularmente duvidoso porque, sendo a imagem esclarecedora, o esclarecimento da mesma, demonstra justamente o contrário.

 Confuso? Acredito.

Não é por acaso que o provérbio de que uma imagem vale por mil palavras é da autoria do filósofo chinês Confúcio.

Continuando no campo das melhorias trazidas pelo VAR, este instrumento humano-tecnológico, trouxe valor acrescentado aos debates nacionais, que contam com a presença dos melhores especialistas, ainda que, no final, sejam mais as dúvidas que as certezas. Concluo que os melhores especialistas, são bem mais eficazes a demonstrar incertezas do que evidenciar certezas.

Nada escapa ao VAR, embora as pessoas que interpretam o manancial de informação visual gerada, tenham vindo a queixar-se de serem mal interpretadas, o que dificulta bastante o seu trabalho. O Presidente da República já se disponibilizou para passar algum tempo com o VAR, para se inteirar de todas estas dificuldades e daí retirar todas as ilações inerentes à sua Função Presidencial.

Convém não confundir VAR(e) e VAR(a) esposa do VAR - porque essa fica em casa a cozinhar novas técnicas de análise, ainda que a sua opinião não seja tida em conta, por ser demasiadamente evoluída e temperada de bom senso - para que não se levantem outros debates inflamados em torno do acompanhamento que o PR se propôs fazer ao VAR(e).

Gostaria de salientar que o impacto (financeiro, bem entendido) nas Televisões tem sido de tal ordem, que levou já a RTP a afirmar que está em condições de sobreviver sem o recurso à taxa de radio difusão, que a EDP gentilmente cobra aos portugueses, ao jeito de renda, quiçá excessiva.

Não consigo encontrar nada de negativo no VAR. Até os treinadores de bancada, vulgo comentadores das redes sociais, não destoam das interpretações oficiais dos comentadores avençados pelos clubes e estão sempre de acordo com as interpretações a favor dos seus clubes e contra se assim não for. Não é só uma questão de lealdade ao clube é, essencialmente uma questão de (in)coerência.

Parece-me que a única classe que está profundamente desapontada com o VAR, são os oftalmologistas. É que eles não encontram nenhuma razão plausível, do ponto de vista científico, para que os óculos receitados não funcionem quando estão em frente ao VAR.

Em suma o VAR que começou por ser um grito de Ipiranga, do tipo Vamos Alterar as Regras a bem do futebol, cedo passou a ser Vamos Adulterar  Regras a bem (dizer também) do futebol das conversas de cafés e barbeiros. A revolta continua, mas inovação foi um sucesso.

 

10
Jan19

Complicar ou inovar, eis a questão.


Vagueando

Disco.jpgSinal (2).jpg

O meu primeiro carro foi um boguinhas de cor verde, conhecido por Carocha, ou seja VW 1200, matrícula GF-38 qualquer coisa. Ano de nascimento 1960, tudo muito simples, duas portas, um porta bagagens à frente, onde se encontrava também o depósito de gasolina normal, motor atrás ainda mais simples que a simplicidade do carro e nada de cintos de segurança. Apenas duas fechaduras, uma para a porta do condutor, outra para a tampa do compartimento do motor.

Tudo era fácil. No tablier só se encontravam três botões, um para o limpa vidros (só de uma velocidade, lenta por sinal) e o dos faróis, que, com duas posições, ligava os mínimos e estes mais os médios. O botão que alternava entre os médios e os máximos era um pequeno interruptor accionado pelo esquerdo ao lado da embraiagem. Os faróis alimentados por uma bateria de 6V, montada debaixo do banco traseiro, eram tão fracos que muitas vezes saia do carro para confirmar se estavam mesmo ligados. O terceiro botão, servia para puxar um cabo que fechava a entrada de ar no carburador e assim facilitava o arranque do motor a frio. Após o motor arrancar, esperava-se uns segundos, empurrava-se aquilo para dentro e toca a andar.

O painel de instrumentos era composto apenas e só por um velocímetro com 4 luzinhas, uma azul que indicava máximos ligados, uma vermelha que era sinal de motor quente (nunca acendeu), uma amarela que indicava problemas de carregamento da bateria e uma verde que indicava se o pisca estava a funcionar. Nada de Auto Rádio porque, para 6V, também rareavam na altura e eram caros.

Indicador do nível da gasolina nem pensar, muito menos o botãozinho mágico que liga os 4 piscas ao mesmo tempo. Nem sem como seria a vida dos portugueses sem esta grande invenção da indústria automóvel, que tanto jeito dá para largar o carro de qualquer maneira, vai-se tomar um café ou, sei lá, fumar uma cigarrada ou estaciona-se em cima do passeio ou da passadeira de peões.

O motor não precisava de água, tinha um pequeno radiador que arrefecia o óleo de lubrificação, cujo arrefecimento era assegurado com o ar que era forçado, pelo próprio motor, em direção do referido radiador.

Essas coisas de desembaciador do vidro e chauffage eram coisas assim um bocado supérfluas e esquisitas, o sistema de desembaciar o vidro da frente era mais embaciador, pelo que no meio dos bancos da frente andavam sempre umas folhas do jornal O Século para esfregar o vidro nos dias de chuva e chauffage nunca se ligava porque era necessário dar muitas voltas a uma torneira (leram bem era mesmo uma torneira) que existia ao lado do travão de mão e quando se chegava ao fim, o pouco calor que entrava no habitáculo era acompanhado de um forte cheiro a óleo.

Só falta falar dos travões, de tambor às quatro rodas, com bomba hidráulica central, que, curiosamente, já dispunham de ABS, não como o conhecem hoje mas era um ABS muito especial porque quando se travava o carro Abrandava Basicamente Solto.

Eram tempos de contas de cabeça, pois a malta como não tinha indicador de gasolina atestava o depósito e depois era só fazer as contas aos quilómetros que se conseguia percorrer sem voltar à bomba. Como também não havia contador parcial dos quilómetros ou se os memorizava ou se apontavam num papelinho ou, pura e simplesmente, ficava-se sem gasolina.

Quando se andava de cabeça perdida usava-se um ferro, que também servia para fazer subir o macaco. Colocava-se, à vertical, dentro do depósito e a parte que ficava molhada, correspondia à gasolina lá existia. Não era uma medida expressa em litros mas sim em mais ou menos.

Vem esta lenga lenga a propósito de quê? Pois bem para falar do que foi transformar as coisas simples em coisas complicadas e, pior que isso, apelidar essa transformação de inovação quando lhe deveriam, justamente, chamar, complicação.

Com o aumento do número de carros em circulação o estacionamento, em especial nas grandes cidades começou a ser um problema.

Neste sentido, para facilitar a vida a todos, dentro das cidades, criou-se umas zonas de estacionamento com duração limitada. Essas zonas eram conhecidas por “Zona Azul”.

Para se estacionar nestas zonas era obrigatório possuir um Disco de Fiscalização que eram aprovados pelas Câmaras Municipais.

O procedimento não podia ser mais simples. Quando se estacionava nesses locais, marcava-se a hora de chegada no disco e, nesse mesmo disco, ficava logo indicada a hora até à qual o estacionamento estava autorizado. Tão simples, nada de moedas, nada de trocos, nada de ir ao parquímetro, nada de apps, nada de cartões pré comprados, apenas e só um disco que durava toda a vida, ainda por cima era gratuito, porque as próprias marcas de automóveis e outras empresas ofereciam-nos aos automobilistas.

Parece-me que o estacionamento à superfície nas cidades, deveria ser todo regulado desta forma porque se trata de espaço público que as Câmaras têm vindo, em meu entender, abusivamente, a ceder a Empresas Municipais de Estacionamento que fiscalizam ferozmente estes espaços, por vezes até exploram lugares em contravenção com o disposto no Código da Estrada, tudo em nome do NEGÓCIO. Lugares pagos só em parques de estacionamento construídos especificamente para o efeito.

A inovação é tão grande nesta área que até se esquece da complicação que este negócio trouxe às cidades e que consiste em perseguir-se os automobilistas que do ponto de vista da segurança e fluidez de tráfego (missão fundamental do Código da Estrada) têm os seus veículos bem estacionados, deixando impunes todos os outros que estacionam em cima do passeio, na faixa de rodagem, nas passadeiras de peões, a bloquear bocas de ataque a incêndios a bloquear saídas de garagens, ou seja, em clara contravenção com o Código da Estrada. E esta inversão de valores só acontece porque os automobilistas estão, cientes de que o risco de ser multado nestas condições é bem menor do que o risco de ser multado num lugar pago sem pagar. É o que se chama trabalhar-se para aumentar drasticamente o sentimento de impunidade.

Ironia das ironias até as carrinhas da EMEL estacionam na faixa de rodagem enquanto cumprem a sua missão de bloquear, multar e desbloquear.

Afinal o que queremos inovação ou complicação?

 

06
Jan19

Vacina da gripe ou a gripe?


Vagueando

A gripe no Inverno é como os fogos no Verão, é certinho que vai aparecer, mas ninguém se preocupa em prevenir.

Num inquérito levado a cabo pelo Portal Sapo, a propósito da vacinação contra a gripe a que responderam 10.110 pessoas, conclui-se que apenas 25% se vacinou, sendo que 69% não se vacinam (atenção que não é não se vacinaram) e 5%, embora se tenham vacinado em anos anteriores, este ano optaram por não o fazer.

Ainda que se trate de um universo reduzido, acredito que a maioria dos portugueses não se vacine, uns por desleixo, outras por serem anti-vacinas, outras porque acham que é uma mariquice, outras porque consideram que as campanhas de prevenção levadas a cabo pelo Estado a favor da vacinação, neste caso, contra a gripe, mais não são que maquiavélicos negócios levados a cabo em conluio com a indústria farmacêutica, por políticos corruptos.

Depois, na crista do problema do entupimento dos hospitais por causa da gripe, aparece todo o rol de especialistas falar, sempre para puxar a brasa à sua sardinha, com o intuito de lançar achas para a fogueira destinada a alimentar os seus interesses.

Retirei de órgãos de comunicação social algumas afirmações sobre esta situação;
Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, refere que há uma ausência de resposta nos cuidados de saúde primários, tanto ao nível dos horários como do número de profissionais (enfermeiros incluídos).

Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Indica que uma das estratégias [para combater a vaga de frio] pode passar por reduzir a actividade cirúrgica programada, o que acaba por permitir que possam ser internados mais doentes.

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, não tem dúvidas: Se houver um pico grande, a maioria dos hospitais não está preparada. E acrescenta que os serviços que os hospitais disponibilizam são, na grande maioria, os que já oferecem nos outros meses, o que significa que caso haja um pico de gripe, os doentes vão ficar mais tempo à espera.

Contudo não deixa de ser irónico que se noticie que os tempos de espera nos hospitais para doentes com gripe, rondam as 8 a 10h (quem espera 8h a 10h por uma consulta no hospital não pode ser um doente grave), mesmo assim, é para lá que as pessoas vão.

Só para se perceber a incoerência disto tudo, constatou-se que as consultas de gripe e infecções respiratórias nos centros de saúde, durante o mês de dezembro, foram em média de 208 por dia. Em igual período de 2017, foram 503 e, em 2016, tinham sido 1040.

Em resumo, continuamos a privilegiar o remédio em vez da prevenção, continuamos a privilegiar a defesa das quintinhas de cada um em vez da cooperação institucional no sentido de resolver estas disfuncionalidades. Ou seja, repetimos, todos os anos, os mesmos erros e até estamos a agravá-lo, quando se foge do centro de saúde para o hospital.

O povo, que tanto gosta de criticar e de aparecer nos telejornais aos gritos contra o ministro da Saúde e, pior, por vezes com agressão aos profissionais de saúde, prefere desconfiar do Estado no que se refere à prevenção, ignorando as campanhas de vacinação, tomando as vacinas que nalguns casos até são gratuitas, mas exige ao mesmo Estado que tenha montada uma estrutura gigantesca, com custos enormes que não está disposto a pagar através de impostos, para fazer face a um mês de gripe que, provavelmente, não atingiria estas proporções, caso a maioria da população estivesse vacinada.

Por outro lado, a gripe ainda está relacionada com a péssima qualidade de construção da maioria das casas, cuja eficácia energética é deplorável e com o consequente custo (de eficiência e preço da energia) para as manter a temperaturas amenas que poderiam mitigar este problema.

Por fim uma palavra para os media que também abordam o problema da gripe sempre das mesma forma, ou seja, a culpa é do Estado que cria nas pessoas o péssimo hábito de reclamar mas nada fazer para evitar o surto gripal.

Em conclusão; Lamentável.

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