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Generalidades

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11
Jun18

Escadinhas e queijadinhas (light) de Sintra


Vagueando

Teixeira.jpg

 

A vida na grande terra

Corrompe a humanidade

Entre a cidade a serra

Prefiro a serra à cidade

 

António Aleixo

 

Depois do primeiro Escadinhas de Sintra ter sido um fiasco, não porque alguém se tivesse ido abaixo das canetas ou porque o coração não aguentasse, mas sim porque só apareceram 2 participantes, deu para perceber que de manhã e já agora também de tarde, o bom é na caminha, ou seja, com o rabinho colado ao colchão. Estou plenamente convencido que se as escadinhas fossem rolantes e em vez de estarem serra, estivessem num qualquer Centro Comercial tinha sido um sucesso garantido.

O projecto Escadinhas de Sintra consistia, e ainda consiste, em trazer pessoas a Sintra para caminhar, (de carro, de autocarro e de tuk tuk’s, já há cá muitas) ora para cima ora para baixo. Era cool, era ecológico e, além disso fazia-se exercício físico mas não vingou, se calhar por ser tão bom. Vá lá entender-se esta gente (ecologicamente) moderna!

Faz-me lembrar quem vai de carro até ao aprazível Parque das Nações para correr e andar, mas deixa-o mais perto possível de um café ou pastelaria, mesmo que fique parado na rotunda, em segunda fila, ou apertadinho noutro lugar quando, junto ao Rio Trancão há lugares grátis com fartura. Há mas ah e tal, são longe e não está lá ninguém para apreciar o equipamento fitness, todo xpto, de marca e na moda.

Acredito que o habitual nevoeiro de Sintra, tenha pesado na decisão de faltar. Talvez pensassem que tornasse a caminhada sem interesse ou tivessem receio das lendas e do sinistro ou, quiçá, que El Rei D. Sebastião, finalmente, aparecesse e ficasse chocado com tanta gente desarmada a assaltar o castelo em plena serra de Sintra. Mas não, contou-me um youtuber que a malta não gosta do nevoeiro porque as selfies não saem bem e o mesmo também prejudica o sinal do telemóvel, pelo que na maioria das vezes não dá para postar em directo.

Como não sou de desistir à primeira resolvi aditivar (cheira a combustível) às escadinhas umas queijadinhas, ou seja, apimentar a coisa, mas com doce.

A ideia das queijadinhas pareceu-me boa, mas o receio fundado dos nutricionistas, dos seus seguidores fundamentalistas, do vício que se transmite às criancinhas com estas iniciativas e até da taxa sobre o açúcar, ainda foram factos que me levaram a pensar em desistir, que se lixem as Escadinhas.

Mas aí, surgiu uma ideia luminosa, lá está a inovação é espectacular e por causa das dietas e da alimentação saudável, resolvi que a sacarose até pode ser boa, se for da moda, ou seja, light.

Juntar light à coisa doce pode ser cientificamente correcto mas, se não estiver no Facebook, com um mínimo de, digamos um milhão likes, não vale nada.

Já estou a estudar a hipótese de abrir uma conta no Facebook , para divulgar isto, mas só quando o Zuckerberg tiver resolvido todos os problemas relacionados com a proteção dos dados.

Portanto o leitor, imagine; As escadinhas e queijadinhas (light) de Sintra, é um passeio que não é very-light do ponto de vista físico, mas é light do ponto de vista nutricional, excepto se em vez de comer uma queijadinha, enfardar uns bons pacotes das mesmas (eu não posso dizer isto, daí ficar entre parêntesis, mas que dá gosto comer um pacote de queijadas de enfiada, lá isso dá).

Está na sua mão e no controlo que o seu cérebro conseguir exercer sobre a gula, a forma de perder a forma ou ficar em forma.

Então agora que o apetite já foi aguçado, resta dizer que as escadinhas que vamos encontrar (algumas) são pequenas, merecem a classificação que lhe deram, outras nem por isso, são mais escadões. Umas são largas, outras são estreitas, umas têm corrimão, outras, por mais que pesquise, não o vislumbra, nunca lá foi posto. Umas são mais inclinadas outras nem tanto, umas brilham pelas vistas deslumbrantes e de tirar o folego (mentira o esforço é que nos tira o dito), outras não brilham porque o sol não entra, estão encurraladas entre muros ou incrustadas na densa vegetação, umas são às curvinhas, outras a direito. Viradas a norte, a este, a oeste ou a sul, lá estão elas à espera de serem pisadas pelos corajosos caminheiros, andantes, andarilhos, andandeiros, andadores, andejos, caminhantes, transeuntes, nacionais ou estrangeiros, agora que já não há aguadeiros nem tão pouco almocreves.

As Escadinhas de Sintra permitem-lhe ascender a pé, a níveis e a cotas que costuma fazer de carro, mas com a vantagem das queijadinhas (light) de Sintra lhe darem a glicose necessária para dar corda aos sapatos e, ao mesmo tempo eliminá-la com prazer. E o melhor é que sem dar passos a mais, vai encontrá-las ao longo deste percurso maravilhoso-

Confuso, olhe para o gráfico altimétrico do passeio e imagine quantas escadinhas cabem lá e como vai variando a sua glicose quando sobe e a sua auto-estima quando, sentadinho a descansar em plena serra, come a queijadinha. Se optar por ficar na caminha, vai ver como fica ao rubro, não pelo calor gerado dentro da dita, mas de vergonha por ter optado pelo vale dos lençóis em detrimento do movimento que lhe dará alento para nova semana de stress.

Subir para cima destas escadinhas e descê-las para baixo, não é mais do que uma montanha russa pedestre, onde a velocidade em metros/segundo dá lugar a pulsações/minuto e em que adrenalina é substituída pelo esforço físico. Ao juntarmos as queijadinhas, tudo fica mais apetecível, mais convidativo e mais fácil.

Por fim, quando terminar, as cerca de 40 escadinhas e os seus quase 2.000 degraus, pode levar um pacote das ditas, de cada fabricante de Sintra e se quer que este dia seja mesmo excepcional, leve também um travesseiro e antes de pensar em usá-lo para dormir, coma-o.

E se gostou, não interessa se mais das escadinhas ou mais das queijadinhas light, então volte e repita.

Aqui ficam algumas fotos

https://photos.app.goo.gl/bBdnRarXxxzwArKc9

 

 

 

07
Jun18

PPP-P


Vagueando

20180611_100345.jpgVassoura.png

 

 

 

Passeios, Passadeiras, Peões e Pilaretes

Podia ser uma PPP P – Parceria Pública Privada - Portuguesa. Podia, mas não é. Passeios, Passadeiras, Peões e Pilaretes (ah e Pedrinhas ver as fotos) é o retrato fiel do desleixo nacional face a incumprimentos graves do Código da Estrada, pese embora, quando anualmente saem as estatísticas dos atropelamentos de peões, fique toda a gente escandalizada.

Portanto, pormenorizando para perceberem, passemos, pé ante pé, ao próximo passo.

A palavra passeio, naquilo que interessa do ponto de vista desta abordagem, é uma superfície da via pública que ladeia a faixa de rodagem e que se destina à circulação de peões.

Neste sentido, os passeios e as passadeiras, fizeram-se para os peões, ok? Os peões é que preferem ignorar as regras básicas de segurança que estes e estas lhes proporcionam e, vai daí, não lhes ligam nenhuma. Preferem passear-se pela estrada e atravessá-la onde calha. Dizem por aí que é por causa da calçada portuguesa, que faz mau andar e porque os portugueses, ainda que pouco dados às ciências exactas, sabem, quando caminham, que a distância mais curta entre dois pontos é uma linha recta.

O passeio (calçada portuguesa) em Portugal é um monumento histórico, sendo também o único monumento que se pode e deve pisar é a história retratada em paralelepípedos, é o reconhecimento do árduo trabalho das mãos dos calceteiros que a colocaram, a conservaram e, infelizmente, já pouco a conservam, não porque se lhes acabou a mestria, mas por falta de massaroca.

Existe nos portugueses, em relação aos passeios uma sensação de amor/ódio difícil de explicar.

Por um lado, os peões deveriam gostar deles porque os protege, fogem-lhe a sete pés, mandam-nos passear, em suma, odeiam-nos. Por outro lado, os automobilistas adoram-nos mas não os respeitam. Amam-nos apenas para estacionar, bem entendido, ainda que, muitas vezes, sujeitem os seus carros a verdadeiras manobras dignas de uma modalidade que só não existe, porque a inovação em Portugal é, afinal, uma grande treta, que consiste em fazer alpinismo de carro.

Sobre as passadeiras, a coisa pia mais fina. O peão não quer saber dela, mas se estiver um carro estacionado a bloqueá-la vai até lá, só para fazer um risquinho no carro ou para barafustar contra o condutor que nem se apercebe, primeiro porque está afocinhado no seu telemóvel e segundo porque acha que não está a infringir coisa alguma do Código da Estrada porque ligou os 4 piscas.

Falta falar do maldito pilarete. O pilarete pode ser de borracha, de ferro, de cimento ou pode ser uma simples vassoura empinada dentro de um balde ou uma qualquer lata velha de tinta cheia de entulho. O objectivo do pilarete é proibir de forma dura o que já é proibido pelo Código da Estrada, ou seja, estacionar e fazer com que;

  1. O Policia de Segurança ou Municipal, não tenha que fiscalizar o estacionamento e com esse ganho de produtividade, possa ter mais tempo para multar os donos dos cães que largam verdadeiras granadas nos passeios e já está a perdoar o alçar da perna no pilarete.
  2. O sinal de trânsito de proibição de estacionar, alínea f) do nº 1 do artigo 49º do Código da Estrada seja definitivamente abolido (Já há uma petição na Assembleia da Republica para o efeito). A falta de respeito pelo dito, fez com caísse em desuso. É que o respeitinho já não é o que era, ou seja, há muito que já não é bonito.

Curiosamente, os automobilistas também gostam dos pilaretes na medida em que os canídeos já não se aliviam para os pneus dos seus popós, mas abominam-nos porque os impede de alpinar o passeio e, consequentemente, estacionar sem pagar e principalmente, sem medo de serem multados. Multas só para quem não paga, os lugares das EMEL’s, afinal tudo é negócio não é?

Os fiscais das EMEL’s estão preocupados apenas e só com quem não paga o ticket, pelo que param as suas carrinhas em 2ª fila para aplicar estas multas.

Com tanta inteligência artificial e neurónica que por aí abunda, até me admiro como ainda não apareceu uma startup para criar o pilarte inteligente que seria mais ou menos assim. Ao peão, seria invisível aos olhos e ao tacto, ao automobilista seria crítico e implacável riscando o popó se necessário, para o cãozinho seria o WC e para todos os que o quisessem derrubar, sub-repticiamente ou em puro acto de vandalismo, seria guerreiro.

Os passeios estão protegidos pelo Código da Estrada tal como muitas paisagens e monumentos estão protegidas como património disto e daquilo. Contudo, esta protecção serve de pouco perante a falta de ética e de respeito pelo mais elementar bom senso das pessoas e pela ineficácia da fiscalização, pelo que é tão normal ver carros em cima dos passeios, como entulho despejado em paisagens protegidas.

Portanto, negócios à parte, porque esta coisa da cumprir seja o que for, só é criticável se outro que não o eu a incumprir e assume especial gravidade, nos média ou redes sociais, se uma infração deste tipo for praticada, não pelo cidadão comum, mas sim por um qualquer político, ou figura pública.

Não quero ver, mas vejo, já vi, aqui, ali, acoli ou acolá, que não vejo passeio, não vejo calçada. Por onde passo, vejo carros e estrada, nestas cidades tresmalhadas, são os devaneios dos peões na estrada e carros nos passeios. Não deviam, mas ninguém os impede, nem ninguém os desimpede, que tormento e sofrimento.

Passeios livres de carros, mas com transeuntes e peões, acabam as confusões.

 

 

 

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