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Generalidades

Generalidades

16
Abr18

Escadinhas de Sintra


Vagueando

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Não há coração que aguente ou vou-me abaixo das canetas? Nada disso, afinal o que me dói é as cruzes (canhoto). Vamos lá a isto, pernas para que vos quero.

Por definição, uma série de degraus, segundo um plano inclinado, para subir ou para descer constitui uma escada. Por tal facto, não sei porque se teima em passar a ideia que o diminutivo de escada é coisa simples e até fofinha, ao atribuir o nome de escadinhas, às muitas Escadinhas de Sintra. Segundo alguns dicionários, escadinhas, são pequenas escadarias, e, escadaria, constitui, nem mais, nem menos, a realização de um grande esforço para vencer uma série de lanços de escadas separadas por patins, patamares ou andares.

Se, porventura, por ventura e não por desgraça, tu desconhecido, andares por Sintra, vais ver que descobrir escadinhas é tão fácil como tropeçar nelas e percorrê-las, como uma barata tonta, ou de forma planeada é fácil, a descer, difícil é subi-las.

As Escadinhas de Sintra (algumas) são pequenas, merecem a classificação que lhe deram, outras nem por isso, são mais escadões. Umas são largas, outras são estreitas, umas têm corrimão, outras, por mais que pesquises, não o vislumbras, nunca lá foi posto. Umas são mais inclinadas outras nem tanto, umas brilham pelas vistas deslumbrantes e de tirar o folego (mentira o esforço é que nos tira o dito), outras não brilham porque o sol não entra, estão encurraladas entre muros ou incrustadas na densa vegetação, umas são às curvinhas, outras a direito. Viradas a norte, a este, a oeste ou a sul, lá estão elas à espera de serem pisadas pelos corajosos caminheiros, andantes, andarilhos, andandeiros, andadores, andejos, caminhantes, transeuntes, nacionais ou estrangeiros, agora que já não há aguadeiros nem tão pouco almocreves.

Vaguear pelas Escadinhas de Sintra constitui uma vertiginosa aventura, um vai e vem, se não tivesse que ser a pé, seria melhor de vaivém porque este sobe e desce. As escadinhas sintrenses existem, quer em meio urbano, construídas em calçada portuguesa, quer em meio natural, construídas em terra batida e troncos de madeira.

Subir para cima destas escadinhas e descê-las para baixo, não é mais do que uma montanha russa pedestre, onde a velocidade em metros/segundo dá lugar a pulsações/minuto e em que adrenalina é substituída pelo esforço físico.

Em Sintra, numa área inferior a 1km₂, é possível descobrir mais de 50 escadinhas, cheias de história, mistério e glória, onde a natureza, o urbano e o humano se encontram hoje e agora com o passado.

Marinhando serra acima, de preferência com bom tempo, em Sintra pode ser com nevoeiro, vagueando pelas escadinhas e, quando se puder, com a mão pelo corrimão, ajudando as pernas e aliviando o coração, será possível levar os corações ao alto, quer dizer, ao alto da serra. Não, não se trata de uma missa, mas não deixará de ser um ato de fé.

Num percurso pedestre com cerca de 10 Km, poderá encontrar todas estas escadinhas e, se tiver paciência, contar os cerca de 2.000 degraus, escolher os que quer subir e os que quer descer, vagueando entre o máximo de 300 m e o mínimo de 180m acima do nível do mar.

Antes de descobrir esta viagem, está animado, entusiasmado ou conformado? Ou será que já ficou cansado?

06
Abr18

Tuk-Tuk versão gourmet ou high tech do Triciclo de carga?


Vagueando

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Nos anos 80 andava eu de triciclo motorizado por Sintra, coisa que adorava. Fazia-o com prazer mesmo estando a trabalhar de graça, era apenas pelo divertimento, just for fun, como se diz agora. Na altura usava um capacete modelo evoluído do célebre penico que, segundo os entendidos, oferecia uma melhor proteção.

Os meus amigos, que também viviam em Sintra mas em prédios e perto da estação de caminho de ferro, diziam que eu vivia no mato, porque estava fora deste ambiente urbano.

Não era bem no mato, era numa quinta onde, algumas pessoas apareciam a oferecer a sua força braçal. Cavavam a terra (tractores existiam poucos e o aluguer com condutor era caro) ganhavam comida, vinho e às vezes até ficavam mais tempo e tinham direito a alojamento (sem roupa lavada). Os terrenos cavados, semeados e adubados com estrume de vaca, retribuiam  com diversos produtos, couves, batatas, cebolas, fruta, que eram vendidos na Praça (Mercado Municipal de Sintra que data de 1951).

Temo que este Mercado, não esteja à altura dos Mercados e que, por isso, não venha a celebrar 100 anos de vida. É a evolução dos tempos e da proliferação dos Centros Comerciais e Supers e Hiper-Mercados que secam tudo o que é negócio à sua volta , mesmo em anos de chuva abundante.

O que nunca me passou pela cabeça é que o Triciclo, Famel Zundapp, que eu conduzia e com o qual me divertia, viria a degenerar num Tuk –Tuk. Ainda não percebi se os Tuk-Tuk sintrenses ou de qualquer outra cidade são a versão gourmet ou a hight tech do triciclo rural.

Um belo dia resolvi transportar uma pessoa, que se sentou, melhor se ajeitou como pode naquela caixa cheia de serapilheiras e outras caixas velhas de madeira, durante um pequeno trajecto de cerca de 2Km. Essa pessoa pediu-me boleia, porque ainda não havia a moda das caminhadas e ginásios, muito menos dos personal trainers para nos ajudar a manter a linha.

O pessoal não gostava de andar, especialmente com as compras do Mercado na mão e como também não tinham dinheiro para os autocarros da Sintra Atlântico ou da Palhinhas e muito menos para um carro, mesmo que fosse um mata-velhos, pediam, frequentemente, boleia a conhecidos.

Passei, pela Estefânea,  pela Avenida Heliodoro Salgado, onde o trânsito ainda circulava (agora também mas é proibido) e parei no entroncamento em obediência ao Polícia Sinaleiro.

À sua ordem avancei em direção a Chão de Meninos e, como de costume, cumprimentei-o porque o conhecia muito bem.

No dia seguinte, deu-me um valente raspanete. Disse-me ele, que eu não podia transportar pessoas naquele triciclo, porque era proibido e perigoso e portanto se me apanhasse outra vez levava uma multa. 

Como respeitinho era muito bonito, nunca mais dei boleia a ninguém até porque considerei que era realmente insano transportar uma pessoa ali atrás, sem qualquer proteção.

Como é possível que actualmente se autorize o transporte de pessoas, sentadas em cima daquela caranguejola a que chamam agora  tuk-tuk, quando continua a ser proibido transportar uma só pessoa num triciclo normal. Ainda por cima um tuk-tuk leva um ror de gente sentada, o que eleva o centro de gravidade da coisa (ao contrário do triciclo de carga) e a proteção que têm é um cinto de segurança que em caso de tombo, o que é fácil ocorrer, não protege de coisa nenhuma. Mas esperem,  têm um toldo muito bonito que pode ser eficiente para os raios UV mas não para a segurança.

Ou seja, um tuk-tuk, continua a ser um triciclo de caixa aberta, ainda que virtualmente coberta pela lona mas abonecado (queria dizer apaneleirado, mas parece que não é politicamente correcto) com uns autocolantes e outros acessórios apelativos para os turistas. 

O Polícia Sinaleiro, se a função ainda existisse e/ou se ainda fosse vivo, teria hoje muita dificuldade em explicar o raspanete que me deu naquela altura.

 

02
Abr18

Uma questão de Classe, Classe a mais ou a lei não está à altura dos acontecimentos?


Vagueando

 

 

A marca Volvo sempre foi uma classe à parte. A sua imagem de marca incidiu sempre muito sobre a segurança e os seus bancos, para além de serem esteticamente belos e confortáveis, incorporaram em 1998 um sistema de proteção anti-chicote, conseguem ainda ser um alívio para as costas e uma potente arma anti-fadiga.

Recentemente a Volvo, mais uma vez a segurança, desta vez dos peões, além de estar a cumprir directivas europeias, resolveu elevar a frente dos seus carros e fabricou o compacto XC40, transborda beleza e muita classe e, vai daí, ficou mais alto.

As normas europeias de segurança rodoviária, no que se refere à proteção dos peões, vão no sentido de que se aumente a altura dos carros e os SUV são a interpretação cuidada dessas normas e não apenas questões de cosmética. Por outro lado este tipo de carro, veio facilitar a entrada e saída de pessoas mais velhas e/ou com dificuldades de locomoção.

Contudo, em Portugal o novo Volvo XC40 passou a fazer parte de uma Classe à parte. Em vez de ser acarinhado foi ostracizado. Na altura em que o país anda obcecado com a inovação e sempre a falar de segurança rodoviária, provámos que não estamos à altura do acontecimento, preferimos nivelar por baixo, curiosamente, tendo por base a altura. Então não é que a altura vertical ao primeiro eixo, dizem (a medida não é publicada) é superior a 1,10 m e, por isso, o carro paga Classe 2 nas auto-estradas.

Enquanto na Europa se distinguiu este carro como sendo do ano, com 325 votos, (o segundo classificado obteve 242) dos quais 24 jurados atribuíram-lhe a nota máxima, premiando-se assim a robustez, a qualidade, o design e, claro está, mais uma vez a segurança, a lei portuguesa preferiu discriminar negativamente o modelo para não insultar a Brisa. Antes não se podia insultar os mercados, agora também não se pode insultar a Brisa.

A Brisa que se orgulha da sua missão, que consiste em promover a mobilidade eficiente para as pessoas sendo a mesma uma condição para o crescimento económico e que considera que cumpre essa condição e ainda diz possuir uma cultura, ética, de excelência e de inovação, resolveu classificar (taxar) este carro na Classe 2.

Tudo de acordo com a lei, bem certo, como não podia deixar de ser. De acordo com a ética, a excelência e a inovação é que não foi de certeza absoluta. A Brisa não se importa que a lei seja favorável aos seus resultados financeiros e está disposta a que a mesma seja alterada desde que os ditos resultados não sejam afetados. Que se lixe a mobilidade a Brisa quer é ganhar dinheiro.

Estas empresas modernaças, cheias de códigos de ética de conduta, de boas práticas, muito organizadas, muito estruturadas, muitíssimo eficazes, capazes de antecipar as mudanças de mercado, com relatórios anuais muito bonitos, para accionistas verem e a imprensa divulgar, são incapazes de olhar para um problema sério, que afecta claramente a mobilidade das pessoas (já para não falar de clara injustiça social que promove), e de serem as responsáveis, os motores de arranque, para que se altere esta legislação absurda. Merecem da minha parte uma simples palavra; Lamentável.

Sempre gostei da Volvo que não me pagou nada nem tão pouco me encomendou este sermão.

E sempre gostei não só pelas suas qualidades inegáveis, nomeadamente a segurança, coisa que em Portugal assume um papel fundamental, face à nossa triste sinistralidade. Também gosto da marca por uma razão menos automobilística, que deriva do facto de esta marca, nunca ou raramente aparecer referenciada nas notícias, por os seus carros terem sido alvo de apreensões relacionadas com infrações ao Código da Estrada ou outros ilícitos, pelo que a Volvo parece atrair a honestidade.

A Classe 2 não é assim para carros mais pesados ou mais potentes, não é para carros mais compridos ou mais largos é para carros cuja medida à vertical do primeiro eixo seja superior a 1,10m. Mesmo que uns miseros milímetros acima desta medida sejam alcançados, por exemplo, pelo minúsculo bico que lança água para lavar o vidro. Rigor acima de tudo no que concerne ao cumprimento da lei e fantástico, porque esta inovação não é vista em mais nenhum país europeu.

Acresce ainda que o Estado português, sempre atento às boas práticas europeias (por isso é que aplica na compra de carros novos um imposto sobre o imposto), às necessidades das pessoas e à justiça da legislação que produz, também deixou a ética e a excelência de parte e, ignorando pareceres do sector automóvel, o pulsar da população, a justiça social, e o mais elementar bom senso, prefere manter o interesse económico dos concessionários em detrimento da segurança rodoviária, da mobilidade e do bem-estar do cidadão.

Neste sentido, enquanto os engenheiros da indústria automóvel se esforçam para fazer carros mais seguros, em Portugal a Brisa encarrega-se de os taxar como se estes fossem especialmente prejudiciais para o piso das suas autoestradas.

Se tivesse que classificar esta lei diria que lhe falta classe para puder ser avaliada, não está à altura do país, da economia, muito menos da segurança e a única coisa que seria eticamente aceitável, socialmente justo e economicamente viável era, pura e simplesmente, considera-la caduca (já tem 30 anos) e desclassificá-la.

Isso sim teria muita classe.

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