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Generalidades

Generalidades

03
Mar21

A liberdade foi encerrada


Vagueando

O Parque da Liberdade em Sintra está encerrado.

A liberdade no parque está encerrada, a liberdade de ir ao Parque da Liberdade está proibida, a liberdade de ir olhar para parque está bloqueada, a liberdade de conduzir até ao parque está interdida.

As ruas, com ou sem saída, ruelas, travessas, becos, alamedas, avenidas, marginais, vias rápidas, panorâmicas, caminhos, trilhos, pontes,  cidades, povoações, nas aldeias, tal como o Parque, ficaram sem liberdade.

A liberdade é o maior bem da humaninade, habituados que estamos a usufrui-la, andam por aí a pedir que a limitem, em nome de uma alegada maior segurança.

Não me deixam andar, não me deixam caminhar, não me deixam sair, não me deixam conduzir, não me deixam sequer fruir o ar que tenho de respirar.

Obrigam-me a proteger-me como se me pudesse proteger. Proteger-me deste vírus é abdicar de respirar e ficar em prisão domiciliária. Sim preso, sem nunca ter sido julgado nem condenado por qualquer crime.

Eu só quero proteger-me do encerramento da liberdade.

Podem encerrar a liberdade do parque e dentro deste, mas não a podem encerrar - eternamente - fora dele. 

Para encerrar a liberdade dentro do mesmo portão, dentro do mesmo parque substitui-se um cartaz temporário por um com ar de definitivo, talvez porque seja isso mesmo, definitiva a perda de liberdade.

Liberdade, liberta-te desses muros, sobe pelas árvores, salta pelos ramos, voa ao sabor do vento, mistura-te com o ar, solta-te e apanha as minhas palavras, espalha-as por aí, por todo o lado porque as palavras não têm vírus, não vão desproteger ninguém, esteja livre ou confinado.

24
Jan21

Não, não fui votar


Vagueando

Como se a pandemia não bastasse para nos agredir, desmoralizar, matar e aniquilar países, destruindo até quem não apanha o vírus, hoje deixará mais alguns portugueses, que não conseguiram ir votar, com um sentimento de culpa.

Foi o meu caso.

Encontrei-me perante o dilema entre ir votar ou manter-me em casa em isolamento profilático. A pensar em todos os outros e para ficar de consciência tranquila fiquei em casa.

Contudo, não fiquei com a mesma consciência tranquila por não ter ido votar.

Tenho plena convicção (mas lá está não sou médico) que se tivesse ido votar, do ponto de vista das regras sanitárias em vigor, não teria colocado ninguém em risco.

Almocei com o meu filho e namorada no dia 10 e 11 de Janeiro, sendo que no dia 11 a namorada queixou-se de dores de garganta. A partir daí não voltámos a ter contactos.

A namorada acabou por testar positivo a 14 de Janeiro e o meu filho, soube o resultado já à noite, a 15.

Dia 16 comuniquei esta situação ao SNS, informando que o último contacto tinha sido a 11 de Janeiro. Ainda assim, foi decretado  o isolamento profilático durante 14 dias a partir de 16. Fui ainda informado que seria contactado ao fim de 3 dias pelo delegado de saúde da minha área de residência o que, até hoje, nunca aconteceu.

Entretanto fui registando, diariamente, os meus sintomas (nunca tive qualquer sintoma da doença) no sítio do SNS. Tentei ao longo de toda esta semana contactar o delegado de saúde para lhe explicar a situação para poder ser testado e, em caso de o resultado ser negativo, poder ir votar.

Nunca consegui.

Precavido, tinha-me inscrito para votar a 17, obviamente, não fui, mas queria ir hoje.

Amanhã, dia 25, às 13h, passaram 14 dias que tive o último contacto e estou convicto que poderia ir votar sem risco, se o fizesse hoje à tarde, mas não fui.

Só lamento não ter conseguido contactar, nem por email, nem por telefone o Delegado de Saúde e que o SNS aceite como boas as informações que foram sendo prestadas, telefonicamente, pelo meu filho que entretanto já teve alta (mas não tem qualquer comprovativo) e foi votar hoje e não tenha considerado o meu isolamento profilático a partir de 11 de Janeiro, em vez do dia 16.

Lá existirão razões para este procedimento mas, perante a gravidade da doença, tratar-se de tudo à distância, por telefone, sem qualquer comprovativo, parece-me que algo não bate certo nesta narrativa de terror que nos é servida por todos os especialistas, cientistas, jornalistas, políticos, médicos, cientistas, comentadores e sei lá mais quem, durante 24 h por dia.

09
Jan21

Isto não é nada


Vagueando

O sonho comanda a vida?

Não sei.

Hoje sonhei com o nada.

Depois de acordado dei comigo a pensar em nada. Não pensar em nada é tentar reflectir sobre o que não existe. Será isso criatividade? Se sim, será a criatividade um produto do nada?

Esta é uma tentativa, criativa, presumo eu, de escrever sobre nada, um vazio de ideias que não dão em nada, mas que ainda assim, só por tentar, pode ser melhor que nada. Nada, não é mais nada do que a negação da existência de um objecto que simbolize o nada. A única coisa que simboliza o nada é a palavra nada.

Depois de dias sem fazer nada, por causa do confinamento, sem pensar em nada, nada fazia sentido, muito menos escrever nada de nada. A primeira coisa foi refletir se um texto sobre nada pode ter princípio, meio e fim, e eventuais conclusões.

O ideal era escrever sobre uma folha branca, em letra branca, de preferência a Bold, em que as partes mais interessantes sobre o nada fossem realçadas a branco.

A junção de todas os nadas dão luz ao nada.

A luz deixa ver o branco, que nada mais é do que junção de todas as cores do espectro cromático.

Como aqui só há preto e branco e se o preto é a ausência de luz  e, repito, o branco só se reflete na presença da mesma, chegamos à conclusão que isto é uma grande confusão, mais nada.

A expressão, não somos nada, como se pôde verificar com a pandemia de Covid 19 , assenta que nem uma luva nos seres humanos, que já pensavam que eram deuses.(1)

Por outro lado alguns velhos, habituados a dizer que não valem nada, ainda que alguns estejam a sobreviver estoicamente a esta terrível doença, podem ser eles a grande personificação de que, afinal, não sendo nada, são muito mais do que nada.

Decido sair à procura do nada, cheguei ao um café, bebo um que não era nada mau, procurei pelo José, especialista em nada, disseram-me que saiu há nada, ainda deve estar por perto.

Procurei-o incessantemente, nada. Tinha-se sumido.

Nada a fazer, tenho que encontrar o nada, sem ajuda de nada nem de ninguém. É sempre bom contar com a ajuda de algum especialista, mas em nada, só conheço o José.

Em menos de nada, tento concentrar-me em nada, para que nada me falta na busca. Entro num carreiro que nada tinha de largo, nem saída à vista,  muito menos qualquer sinal de nada. Não, por aqui não se aprende nada.

Nada como voltar para trás.

E agora que estou novamente sem nada que se aproveite para o meu estudo. Nada de desanimar, afinal quando parti à procura de nada, sabia que não iria ser nada fácil.

Não conhecendo nenhum objecto que designe o nada, nem ninguém que me ajude a encontra-lo, não fiquem a pensar que o nada não existe. Aliás, como já referi, existe a palavra nada para designar o nada.

Admito que a esta altura, quem me seguiu até aqui, não está a perceber nada. Bem vindo,. já somos dois, até já eu estou baralhado de nadar em tanto nada é como se estivesse a nadar contra uma corrente de nada.

Estou convencido que não me faltou nada de nada ao falar de nada.

Contudo, depois de todo este trabalho, descobri que nada se aproveita deste meu esforço.

Gastei o meu tempo para nada,  estou na praia, mesmo com muito frio, olho para o mar e penso para com os meus botões; Nada mas é daqui para fora, assim como assim, se nada é a não existência de qualquer coisa, aproveito a realidade de ter um mar imenso à minha frente e não posso fazer de conta que não dei por nada, porque a água esfria-me os pés.

 

Votos de um excelente 2021 e que não vos falte nada.

(1) - Yuval Harari em “Homo Deus – História Breve do amanhã”

  • A morte tornou-se um simples problema técnico.
  • Não alcançámos a igualdade — mas estamos perto de alcançar a imortalidade.
  • A história começou quando os homens inventaram os deuses e terminará quando os homens se transformarem em deuses.
28
Dez20

2020 - Estás despedido.


Vagueando

No final de 2019, surgiu a ideia de escrever no último dia do ano, apenas e só porque sim.

Escrever no último dia do ano  (link abaixo)

https://classeaparte.blogs.sapo.pt/escreve-no-ultimo-dia-do-ano-7807

Este ano é diferente, não vou escrever no último dia do ano, porque não.

Anseio pelo último dia do ano, desde 11 de Março de 2020, altura em que a OMS declarou a situação pandémica.

Neste sentido, estou desde já a antecipar-me para não ter que me despedir de 2020 e aproveitar para, antecipadamente, despedir o ano de 2020.

Caso 2020 não perceba português, digo, you are fired.

Que me perdoe a ciência que, em tempo record, desenvolveu uma vacina. Espero poder agradecer, devidamente à ciência em 2021.

08
Dez20

Talvez seja um Conto de Natal


Vagueando

Aqui vos conto o conto possível deste Natal, contando que seja a primeira e última vez que passo por esta pandémica celebração de Natal.

O ano passado, andava eu a vaguear num conto de Natal (1) pelo espaço sideral , fui obrigado a lá ficar longos meses devido ao cancelamento dos voos espaciais, motivado pela pandemia de Covid 19 que se abateu sobre a terra, mas que não chegou ao espaço.

Alguns meus companheiros estiveram na missão de reposição das estrelas nos seus devidos lugares e a reorganizar a via láctea, depois do sucesso que foi se terem unido para fazer uma gigantesca e espacial iluminação de Natal. Contudo, a mim coube-me a fava e fiquei confinado no escritório da Estacão Espacial “Christmas Lighting 2020”a programar toda logística de regresso à Terra, bem mais chato, trabalhoso, moroso e sujeito a todo o tipo de críticas, do que realinhar todas as estrelas do Universo.

Com tudo isto perdi a noção de tempo terreste.

Acabei de chegar à Terra onde, devido ao space jet lag, ainda não sei se tenho os pés bem assentes na dita.

Chego a casa e antes mesmo de entrar, passo pela minha árvore de estimação, o azevinho. Constato que está de boa saúde.

20201208_155938.jpg

Entro em casa, cumprimento a família que me recebe de braços abertos, mas com máscara na cara. A minha cadela vem de rompante, salta e deita-me ao chão.

Que seria eu sem ela?

Meio atordoado reparo na árvore de Natal montada na sala, com as luzinhas a piscar e perante o meu ar estupefacto, a minha mulher diz-me; É Natal, qual é o espanto? Bem, o espanto é que eu estava habituado a que fosse o meu azevinho a anunciar-me o Natal, que era sempre na altura em que as suas bagas ficavam vermelhas, fazendo um contraste lindíssimo com o estonteante verde das suas espinhosas folhas. Portanto, se o azevinho não tem bagas não é Natal.

Pois homem, não sei o que se passa, mas isto cá pela Terra está tudo muito estranho desde que começou esta coisa da pandemia. Está tudo triste, não podemos estar com ninguém, não podemos ver ninguém, não podemos ir comprar prendas de Natal e acho que o azevinho interiorizou este sentimento tão humano de tristeza e, vai daí, não deu bagas.

Lá na Estação Espacial íamos tendo notícias sobre o que se passava na Terra mas como não possuíamos acesso ao Whats App, Facebook, Instagram, Tik Tok, não tínhamos a percepção real do que se passava cá em baixo.

Fui de novo ter com o azevinho, não falei com ele, mas fiquei a observa-lo a tentar perceber. Seria que o tempo meteorológico não lhe correu de feição, ou terá feito mal as contas desde a última floração, terão as bagas caído ou fugido com medo? Ou se pura e simplesmente o azevinho, este ano, deu-lhe um amoque.

Não obtive resposta. Como posso celebrar o Natal se o meu azevinho se recusou a celebrar. O meu azevinho, resistente, às agruras da natureza, como o frio, o vento, a chuva, este ano, armou em grevista e disse não à produção dos seus frutos.

Daí que, não havendo Natal o que há é uma espécie de Natal, resguardo-me também e fico por aqui no conto ou nesta espécie, absurda, de conto.

No entanto, para todos, pandemia à parte, um Bom Natal e que o ano de 2021 nos restitua a liberdade e a alegria.

 

(1) https://classeaparte.blogs.sapo.pt/o-meu-conto-de-natal-7583

 

07
Dez20

30 dias, 30 imagens, um sonho, uma realidade


Vagueando

Imaginemos que todos os dias recordávamos algo que vivenciámos de forma agradável.

Foi o que fiz durante todo o mês de Novembro. Ao longo do mês escolhi, todos os dias uma foto de locais onde estive, com o objectivo de construir uma história à volta delas, que pode ou não, fazer sentido.

No início de Dezembro, comecei a olhar para aquelas fotos e, ao fim de algum tempo, lá nasceu qualquer coisa.

Se quiserem podem abrir todas as fotos no link abaixo e acompanhá-las com a leitura.

https://photos.app.goo.gl/ZY5R3JxC9NqREcqcA

Viajem comigo, se tiverem paciência, pelas imagens, todas recolhidas em Portugal entre 2015 e 2020, algures entre a Serra da Estrela e o Alentejo, bem como Sintra.

Sujeito ao escrutínio do leitor avaliar o quão reconfortante e enérgico é subir ao alto de uma serra para ver nascer o Sol. A espera pode parecer monótona, haver até uma sensação de frustração. Contudo, quando o Sol desponta, apercebemo-nos que nasceu mais cedo para nós só para compensar o nosso esforço.

A brisa fresca começa a ser temperada pelo ténue calor que a gigantesca luz proporciona. A rápida mutação das cores, o movimento da vegetação e das pessoas parece surreal, só comparável a um bailado sem coreografia, em que o movimento sem regras é tudo e só isso, ar puro, luz natural e liberdade total.

Já mais despertos e revigorados, com o Sol já alto, vamos caminhando em direcção a lado nenhum, encontramos uma casa abandonada que nos segreda que precisa calor humano. Não que lhe falte calor, falta-lhe movimento e gente. O Sol quando nasce é para todos, inclusivé para as casas que agradecem o calor e algumas, mais calorentas procuram estar próximo da água e deixaram-se seduzir por um relvado em cima do seu telhado, bem plantado pela engenharia, da natureza.

P5190223.JPGSubimos de novo a outra montanha, está nublada e gélida. Não obstante, uma nuvem cool, deixa passar a réstia de Sol que acerta no único pedaço de neve que ainda resistia, fazendo a sua brancura sobressair no meio do castanho pedregoso.

P8090718.JPGJuntamo-nos de novo, para ir a lado nenhum, mas em contraluz para a fotografia, um a um, todos em pose e em posse das faculdades psico-motoras que nos hão de levar a outros locais onde, eventualmente, não pararemos, contemplaremos em andamento lento, não nos cansemos.

 

Deito-me ao nível do chão para ver fugir os que já lá vão, dou de caras com um cão que não fez ão, ão, apenas me deitou a língua de fora e disse; Afasta-te estou à espera da minha ração. Até eu comia uma ração de combate se a tivesse, mas não disse nada ao cão. Os cães não gostam ser incomodados quando comem.

Viro-me de barriga para cima vejo o céu e uma erva azeda, desoriento-me, viro-me de novo, agora de lado, à procura dos outros que seguiram pela vereda, mas a minha visão esbarra num lago, estou perdido.

Levanto-me, recomponho-me e sigo, pé ante pé, retomo o caminho, qual caminho? Nem eu sei. Só sei que estou ali sozinho, entre o céu e a terra e o bendito caminho. Caminho, caminho, caminho, até o sol fugir.

Acordo, estava a sonhar, na caminha!

Não sei que horas são, nem quero saber, vou correr atrás do sonho, corro o risco de me perder, agora a sério, mas tem que ser.

Levanto-me confuso mas com prazer, saio a correr.

Sintra espera-me.

Gosto de ver gente, mas não gosto de estar com muita gente, nem no meio de muita gente, não há gente na rua, que raio, mas é de dia. Onde é que se enfiou toda a gente.

Estou doente, dormente, demente

A cabeça está oca, o corpo não sente

Tenho medo de deixar de ser gente

E que o corpo já não se aguente

Ainda não sei que horas são, estou perdido entre sonho e a realidade, mas é mesmo de dia, não é verdade?

Tinha-me esquecido, estamos no meio, a menos de meio ou a mais de meio, de uma pandemia. 

Não há gente, não há movimento a não ser o da terra em torno do Sol que no-lo trás todos os dias indiferente ao que gente, crente ou descrente, sente.

 

Vagueio por Sintra, vejo cafés, hotéis, monumentos, escadas e arruamentos sempre sem gente.

Está tudo igual, mas tudo tão diferente, que nem acredito que ali estou, no meio da estrada a olhar para uma paragem de autocarro sem passageiros à espera, quando antes se amontoavam e desesperavam com o muito trânsito que lhes atrasava o transporte. Sintonizo o meu olhar para tentar descobrir algo que nunca vi e vi, uma árvore esburacada que me faz lembrar uma gruta. Pareceu-me ver lá dentro um duende. Olho para as outras estão alinhadas a receber o resto do sol do dia.

Faço mais um esforço e descubro que é Natal, a árvore que o anuncia está ali em frente ao Palácio Nacional, é um dejá vu desta vez estranho porque é mesmo estranho.

20201203_140810.jpg

Procuro outro ângulo de visão e encontro, descubro o Castelo debaixo daquela árvore de Natal, artificial, tempo esquisito este, ouvi dizer que é o novo normal.

PC190496.JPG

Ando por ali perdido no meio de tanta falta de gente, perdi as minhas referências, caminho e esbarro numa corda que parece suspensa no céu. Belisco-me, estou acordado, acho eu.

Fico por ali a pensar se devo subir – será que mereço – ou resistir.

Olho mais uma vez, não há gente, mas vou esperar mais um pouco, talvez ainda não seja ainda a minha vez que, seguramente, há de vir.

Feliz Natal

25
Nov20

Capela de S.Lázaro


Vagueando

Parece impossível mas aconteceu.

Há umas semanas atrás andava a deambular por Sintra com a minha mulher e um amigo, coisa que faço com muita frequência e ele perguntou-me se conhecia a Capela de S. Lázaro. Disse-lhe que sim e que até estávamos muito perto. Fizemos um pequeno desvio ao percurso inicialmente previsto e fomos até lá.

Entretanto fui-lhe contando o pouco que sabia sobre a capela, nomeadamente que por volta de 2012 o proprietário de uma habitação contígua, tinha tentado apoderar-se do espaço onde a capela está inserida mas que um movimento cívico para a Defesa do Largo e da Capela de S. Lázaro http://sintradeambulada.blogspot.com/2013/10/o-movimento-civico-para-defesa-do-largo.html se tinha oposto, conseguindo que a mesma ficasse sob domínio público.

Também lhe referi que, pese embora seja residente em Sintra desde que nasci, nunca lá tinha entrado porque estava sempre fechada.

Para minha surpresa e satisfação do meu amigo, naquele dia estava aberta.

Fiquei naturalmente contente por, finalmente, poder entrar naquela capela. De permeio fiquei a saber que na sequência da vitória do movimento cívico acima referido, a capela passou a estar aberta ao público e que em 13 de Setembro de 2013 foi descerrada a placa toponímia no Largo da Capela de S. Lázaro (aprovada em reunião de Câmara de 26 de Junho de 2013).

Ao ler a história do monumento que se encontra no seu interior, saltei, não sei como, para o Século XV. Foi uma sensação momentânea, estranha, senti-me o Tomás Noronha, dos romances de José Rodrigues dos Santos.

Recuperei rapidamente e regressei ao tempo actual.

Não obstante, o rodopio cerebral não parava e senti que estava presente, simultaneamente, no Século XV e na actualidade. É que a Capela, logo à entrada, possui duas pequenas janelas, uma de cada lado, que permitiam que os gafos (portadores de lepra, doença altamente contagiosa), pudessem assistir ao culto, do lado de fora, sem entrar em contacto com os fiéis. Fiquei ali preso, hipnotizado por aquelas janelas, confuso, sem saber onde realmente estava; algures em 1500 ou em 2020?

Só podia estar em 1500 porque actualmente, com tanto avanço científico, tecnológico, tanta inovação, start ups e apps, não podemos estar a viver uma situação pandémica tão grave, com medidas de confinamento iguais às medievais, tinha que ser muito diferente.

O som da sirene dos bombeiros a assinalar as 13h trouxe-me de volta à realidade.

Estamos em pleno Século XXI, a viver uma pandemia e eu estou a vive-la bem perto do local onde, no Século XV, existia uma Gafaria, S.Pedro de Penaferrim, a qual circunscrevia dentro de uma área protegida os leprosos que estava proibidos de contactar com o resto da população.

Actualmente em S. Pedro de Penaferrim, restam poucos vestígios da gafaria.

Contudo, recentemente, em 2016, https://sintranoticias.pt/2016/09/30/achados-arqueologicos-sao-pedro-sintra-obra-dos-smas/ foram descobertos túmulos nas proximidades da Capela, o que faz crer na existência de um cemitério nas imediações.

Abaixo deixo o link para umas fotos da Capela, tiradas durante esta visita, bem como outro link para a página da Direcção Geral do Património Cultural, dedicada a esta Capela, para satisfazer a curiosidade dos eventuais leitores mais interessados em dados históricos.

https://photos.app.goo.gl/FZZmHp5whQwJUnFT9

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/72944

 

14
Nov20

Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada


Vagueando

Domingo, 15 de Novembro, dia mundial em memória das vítimas na Estrada.

Numa altura em que se fala de mortes todos os dias, por causa de uma pandemia, à qual não podemos fugir e sobre a qual toda a gente opina como se tivesse uma receita comprovada ao longo do tempo, para evitar a contaminação, pouca gente se interessa sobre estas mortes, embora a sinistralidade rodoviária seja estuda há muito tempo.

Não faz parte, das redes sociais, não faz parte das notícias diárias a não ser para anunciar, com histeria, algum acidente mais grave. Esta mortes não interessam às televisões nem aos jornais da especialidade embora, estes dois últimos meios de comunicação tenham programas e tiragens semanais sobre o desporto automóvel, sobre novos carros, sobre carros clássicos, mas nada, com a mesma intensidade e destaque, sobre como conduzir em segurança.

Cada vez que se fala de acidentes, destaca-se a velocidade excessiva ou acima dos limites legais, como a causa. Contudo, a velocidade excessiva ou acima dos limites legais, nem sempre são a causa, contribuem decisivamente, para um agravamento das consequências.

Ao assinalar-se este dia, destacando-se as 6.880 vítimas mortais, nos últimos 10 anos devido a acidentes na estrada, não se fugiu à regra. A PSP referiu que uma das principais causas da sinistralidade rodoviária é a velocidade excessiva, altamente potenciadora de ferimentos e danos graves.

A sinistralidade rodoviária nem sempre decorre da velocidade excessiva mas potencia a possibilidade de ocorrência de ferimentos e danos graves.

E, neste sentido, vejo muitos controlos de velocidade, gasta-se muitos fundos na aquisição de dispositivos de controlo de velocidade e frequentemente ouve-se nas rádios e televisões a necessidade de intensificar a fiscalização do controlo da velocidade em locais propensos a acidentes de viação.

A primeira coisa que faz sentido é perceber a razão pela qual num determinado local ocorrem mais acidentes e, não se pode concluir que decorrem só porque circula em excesso de velocidade, porque, se isso acontece é porque a via está mal desenhada, não está devidamente sinalizada, não tem condições para suportar todo o tráfego que nela circula, serve de trânsito a peões sem condições adequadas para os mesmos circularem, é usada para estacionamento que reduz a faixa de rodagem, etc.

Já não é a primeira vez que vejo, em zonas industriais, veículos pesados a fazer cargas e descargas nas vias de acesso, algumas com duas faixas de rodagem, sendo que uma delas fica ocupada com estas operações. Como é possível, nos dias de hoje, projetar-se zonas industriais onde as empresas residentes , não dispõem de espaço para que as suas mercadorias possam ser carregadas dentro das suas instalações?

Por outro lado, cada vez mais se descura infrações frequentemente cometidas, por exemplo não sinalizar as mudanças de direção, que provocam acidentes e constrangimentos importantes na fluidez do tráfego.

Quem nunca ficou à espera num entroncamento ou rotunda, bastante movimentada, para entrar numa via e, alguém resolve sair dela sem sinalizar essa manobra, deixando-nos desesperados, porque perdemos uma oportunidade de entrar. Alguém tem uma ideia da dimensão dos engarrafamentos que provoca com este comportamento?

Outra coisa que não percebo é que quando há nevoeiro, não há autoridades nas estradas e são muitos os automobilistas que insistem em circular de luzes desligadas nestas condições, sendo certo que ocorrem, frequentemente, acidentes nestas condições alguns de gravidade elevada.

 Porque os acidentes mais graves não são reconstituídos nas Televisões de modo a explicar o que o provocou, e que medidas podiam ter evitado esse acidente. Na National Geographic, analisa-se os acidentes aéreos e explica-se o que correu mal e o que foi feito para que o acidente não se repita.

Será assim tão difícil as marcas, as televisões, as seguradoras, as autoridades, os jornais da especialidade, os pilotos do desporto automóvel, unirem-se e arranjar fundos para colocar no ar um programa semanal sobre segurança na condução, passar exemplos de transgressões, de más condutas, de reconstituição de acidentes, para servir de exemplo e de modelo para que tal não se repetisse?

Deixo aqui a minha sugestão.

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