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Generalidades

Generalidades

05
Jul22

O que sentes quando escreves


Vagueando

Tema 27 Desafio da Abelha

A escrita, (se é que posso chamar escrita aquilo que escrevo) é um exercíco de tortura a que me submeto.

Não porque aprove a tortura, mas porque o ato de me sentar em frente a uma folha em branco (aliás já escrevi um post sobre o drama do uma folha em branco) é penoso e, simultâneamente desafiante. Escrever é extremamente cansativo, daí que escreva apenas quando me dá na gana e a inspiração acontece.

Não é fácil juntar a vontade de escrever com a inspiração, mas sento-me frequentemente em frente a uma folha em branco, mesmo que dali não saia nada, ficam notas soltas que um dia se juntam e formam algo que gosto e que partilho.

O tempo em que permaneço sentado em frente à folha em branco tem sido curto, muito curto, por diversas razões. Contudo, as notas soltas são muitas, tantas que também não tem sobrado tempo para as juntar. 

Esta é minha resposta a este desafio. Resta-me acabar com a tortura, esperar que consiga cozinhar as notas soltas, quem sabe, possam servir para algum dos temas seguintes. 

Boas escritas.

https://rainyday.blogs.sapo.pt/52-semanas-de-2022-introducao-392169

 

03
Jul22

Constrangimentos


Vagueando

Não existe no Mundo nada comparável nem melhor que os portugueses para dizerem mal de si próprios. Bem dizer mal se si próprios não é bem assim, dizer mal dos outros é que está correto.

Na estrada, por exemplo, todos temos medo dos outros que conduzem mal, que não respeitam ninguém e, por isso, lá está é que há acidentes.

Sobre a filas de espera no aeroporto, a culpa é do governo, porque não acompanha, não controla, não privatiza, não faz o novo aeroporto. Se alguém decide que o aeroporto é aqui ou acolá, é logo metido na linha. O correto é deixar a ideia do aeroporto andar no ar, (já anda desde 1969) ainda que os aeroportos não voem, ao contrário das vacas e dos aviões.

Estou aqui a falar para quê?

Para dizer que os voos cancelados no aeroporto de Lisboa, se devem a vários constrangimentos nos aeroportos internacionais.

Se os constrangimentos fossem exclusivos do Aeroporto de Lisboa (nesse caso seria mau planeamento), lá estariam as televisões em direto a entrevistar os passageiros para mostrar como somos mesmo uma trampa e aos políticos aplicar-se-ia uma palavra ainda pior.

Nem  Michael O’Leary, CEO da Ryanair, que é o Marcelo da aviação, nomeadamente a comentar assuntos da TAP e do Aeroporto de Lisboa, se chegou à frente com nenhuma das suas afirmações bombásticas, a malhar nos tugas e na TAP.

Afinal, os constrangimentos, são greves de funcionários de aeroportos europeus e de companhias aéreas, anúncios de greves na Ryanair (pensava eu que nesta empresa era tudo muito organizado, muito cool) e falta de pessoal, sendo que nos EUA estão ser intensificadas campanhas de recrutamento, devido à escassez de pessoal. O mercado que funciona tão bem a aumentar os preços ao consumidor devido a escassez de bens, pelos vistos não funciona face à escassez de mão de obra.

Fica então a ideia, as greves, mau planeamento, falta de pessoal, caos nos aeroportos, fora de Portugal, não são culpa de ninguém, são, apenas e só, constrangimentos.

 

16
Jun22

Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul


Vagueando

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Para celebrar duas imagens da travessia do Atlântico Norte em 2011, sendo que das várias que fiz, esta foi a única vez em que a ausência de nuvens me permitiu, ver todas as ilhas dos Açores, neste caso a Ilha do Pico.

Celebra-se em 17 de Junho deste ano, o centenário da Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul.

O primeiro voo teve lugar em 1903 pelas asas dos irmãos Wrigth. Estava resolvida a questão de como, a partir do solo, com recurso a um motor, era possível elevar-se no ar e manter-se por lá, digamos assim, durante 3 segundos!

Coisa pouca é certo, mas se Neil Armstrong, astronauta americano que pisou a Lua pela primeira vez em 1969 (66 anos apenas após o voo dos Irmãos Wright) e que proferiu a frase, “um pequeno passo para o homem um grande salto para a humanidade”, esta encaixaria perfeitamente na celebração deste voo, como se poderia aplicar, 19 anos depois, ao voo de mais de 60 horas de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, entre Lisboa e o Rio de Janeiro, iniciado em 30 de Março de 1922.

Certo é que apenas cinco anos depois da viagem dos nossos heróis, aparece a PanAm e a Varig, a KLM já existia desde 1919.

Em pouco mais de 100 anos a evolução deste meio de transporte, que aparece já depois do comboio e do barco, foi algo de extraordinário a todos os níveis, em especial em termos de segurança. Sendo o último meio de transporte de grande envergadura a aparecer, tornou-se no mais seguro, pelo que hoje, o maior risco de andar de avião comercial é ir de carro até ao aeroporto.

Não deixa de ser curioso comparar o risco de voar de há cem anos com o risco atual. Na altura os acidentes sucediam-se e a probabilidade de morrer num acidente de aviação era enorme. Atualmente a probabilidade de sofrer um acidente de aviação é infinitamente menor do que quando estamos em terra, razão pela qual já não faz sentido dizer que gostamos de andar com os pés bem assentes na terra para nos referirmos que estamos em segurança.

É hoje claro e fantástico, que o voo dos portugueses, para além de ser o primeiro a atravessar o Atlântico Sul, deu um impulso muito significativo à orientação em voo, já que no mar, não existem referências para navegar à vista e os nossos aviadores fizeram-no voando de dia e de noite.

Eles tiveram seguramente, muita responsabilidade no enorme sucesso que a aviação goza hoje em dia.

Afinal, de nada servia saber voar sem se saber como ir para onde se pretendia.

Tive o prazer de ler o livro de Mário Correia, A Grande Aventura, lançado este ano para celebrar tão importante evento e que nos dá uma excelente perspetiva do que foi preparar e realizar este voo.

Imaginar uma epopeia destas em 1922, em que voar era uma incerteza, sem uma cabine fechada, suportando o frio e a chuva, mais o barulho dos motores, que precisavam de vigilância constante, manusear aparelhos de navegação, usar uma lanterna a pilhas para ver de noite, fazer cálculos manuais para saber até onde a gasolina existentes nos depósitos lhes permitia chegar, por mais que tentemos, não conseguimos ter a mais pálida ideia das dificuldades. A tudo isto juntava-se uma alimentação deficiente e parca, composta por bolachas de água e sal, chocolate e água com etapas de voo ininterrupto de mais de 11 horas.

As peripécias foram muitas, como não podia deixar de ser, mas a tenacidade destes dois homens permitiu que a travessia se concluísse.

Um dos muitos problemas sentidos durante o voo, era a tendência que o avião tinha para levantar o nariz, o que obrigava a um esforço físico e psicológico muito grande para manter o avião nivelado. Esta anomalia devia-se ao facto de um dos flutuadores meter água aumentando assim o peso e consumo de combustível.

O desenvolvimento do Sextante levado a cabo por Gago Coutinho, motivou o interesse da empresa alemã fabricante destes aparelhos, a Plath, a comprar a patente, comercializando-o pelo mundo com o nome de System Admiral Gago Coutinho. Esta empresa que ainda existe, conta a sua história desde a fundação em 1837, dá relevo à volta ao mundo no Graf Zepplin, realizada em 1929, usando um sextante fabricado pela C.Plath, nada referindo sobre a aquisição da patente a Portugal, pela qual Gago Coutinho nada quis receber. Compreende-se ou talvez não, mas a empresa é alemã prefere dar relvo ao que é seu.

Lamentavelmente, estando nós em Portugal, a celebração dos 100 anos desta importante travessia, não tem tido o destaque na imprensa nacional, que seguramente merece, muito menos a atenção dos portugueses. Pela minha parte, vou  almoçar, neste dia tão importante não só para Portugal como para o Mundo, ao Leão de Ouro, no Rossio, onde os nossos aviadores se reuniram várias vezes para falar sobre navegação e onde nasceu a ideia de criar um instrumento a que deram o nome de Corretor de Rumos Coutinho-Sacadura.

Quem sabe se os portugueses não deviam ir mais vezes ao Leão de Ouro e inspirar-se para fazer um país voar bem alto, numa rota de sucesso com rumo bem definido, pelo Sextante de Gago Coutinho.

Fica a ideia.

08
Jun22

O que é que estas duas imagens têm em comum?


Vagueando

À primeira vista, estas duas imagens nada têm em comum, mas têm e muito.

Falamos muito em ambiente, fazendo-nos sentir culpados, ora porque não reciclamos, ora porque comemos de mais o que não devemos, É bom manter a população em stress, para nos controlarem melhor.

Ao mesmo tempo que somos vítimas deste bullyng ambiental, o marketing e a finança  encarregam-se de nos fazer comprar e gastar o que não queremos nem necessitamos.

Há cerca de 50 anos, o meu pai comprou a caixa que se vê na imagem para andar dentro do seu carro. Dava-lhe muito jeito para colocar as compras ou coisas mais sujas evitando assim derramar liquidos ou sujar a bagajeira. Habituei-me a ver esta caixa desde miúdo e herdei-a com todo o gosto, passando eu a circular com ela agora no meu carro.

Entretanto antes de a herdar, procurei por todo o lado e não encontrei nada do género, apenas caixas parecidas. A questão é que essas "imitações de caixas" se partiam ou rachavam com toda a facilidade, pelo que no espaço de 20 anos comprei mais de 40 caixas para ir subistiuindo as que se partiam.

E, também hà cerca de 50 anos o meu pai construiu um casa de raiz para onde fomos viver. Na altura comprou-se torneiras Oliva, eram nacionais e a drogaria que as vendeu dizia que eram muito boas. Quando casei, há 35 anos, mudei de casa e uma das coisas que fizemos nessa casa foi renovar a instalação eléctrica e canalizações. Tudo muito modernaço.

As torneiras avariaram ao fim de 8 anos, tiveram que ser todas subsituidas e as que vieram a seguir também não duraram muito tempo. Casualmente, passava eu por uma antiga drogaria em Lisboa e vi na montra torneiras Oliva. Comprei todas, porque necessitava de todas , menos duas que infelizmente já não tinham. O Sr da drogaria disse-me que eram as últimas, leva aí bom material, do melhor que há.

Pois então desde essa altura, regularmente tenho que trocar as duas, que não são Oliva, mantendo-se em perfeito estado de funcionamento todas as outras, inclusivé todas que estão montadas, há mais de 50 anos, na casa do meu pai.

Estes materiais (caixa e torneira) eram feito em Portugal, eram bons, eram ambientalmente responsáveis, na medida em que não se produzia lixo desnecessáriamente e não se utilizava matéria prima sem necessidade.

Moral da história, o que há de comum entre estas duas imagens, é poupança e ambiente.

Estou farto de ser bombardeado com o mal que andamos a fazer ao planeta, de me fazerem sentir culpado. Afinal, o que está em causa não é o planeta, que aconteça o que acontecer, ele fica cá, regenera-se como sempre fez.

Quem pode ir à vida somos nós e não por "vivermos acima das nossa possibilidades ambientais" mas sim por nos "obrigarem " a viver dessa forma.

 

02
Jun22

Com a devida vénia


Vagueando

Este texto não é meu, é de Joana Amaral Dias, a quem tiro o chapéu pela frontalidade e verdade do que descreve. 

Efectivamente nas cidades, a de Lisboa com mais impacto pelo número de habitantes e trabalhadores que nela circulam diariamente, o peão deixou de ser respeitado por todos, inclusive por ele próprio, quando se dedica a atravessar ruas e avenidas a fazer gincana no meio do trânsito.

Deixo abaixo o link para o artigo de opinião, cuja leitura recomendo vivamente.

https://www.dn.pt/opiniao/peca-sacrificada-14897696.html?utm_term=Troca+de+imoveis+por+criptomoedas+ganha+adeptos+em+Portugal&utm_campaign=Editorial&utm_source=e-goi&utm_medium=email

 

 

25
Mai22

Trânsito em Sintra


Vagueando

20220525_105823.jpg

De tempos a tempos dedico-me a consultar as edições mais antigas do Jornal de Sintra, algumas do tempo em que nem sequer ainda tinha nascido, como é o caso desta. A notícia acima veio publicada, neste jornal, no número 757, de 01 de Agosto de 1948.

Setenta e quatro anos depois, com a brutal evolução educacional, eis que estrangeiros, supostamente sempre mais respeitadores das regras que nós portugas,  imitam hoje,  os nossos comportamentos de 1948.

20220427_092245_LI.jpg

Isto não quer dizer que os nacionais, residentes ou não, tuk tuk's e afins, não façam o mesmo. Apenas achei interessante, daí ter fotografado, os estrangeiros, que tanto nos criticaram e criticam (ainda me lembro muito bem " do gastar tudo em copos e mulheres") fazerem o mesmo, ao contrário daquilo que fazem nos seus próprios países.

Para além da coincidência de comportamentos, falta de respeito pelos passeios ou passagens de peões, estacionando do lado esquerdo e a ocupar parte da faixa de rodagem, dificultanto o trânsito, coincide também o facto de (infelizmente) a fiscalização policial atualmente também ser escassa, em contraste com a fiscalização regular e intensiva que se faz aos lugares de estacionamento pago, sendo certo que estes lugares, não causam nem insegurança, nem prejudicam a fluidez do tráfego.

 

 

 

25
Mai22

Contemplando


Vagueando

 

CABOROCAPORSOLSET2009.JPG

Onde a terra acaba e o mar começa

Há mar e mar, há ir e voltar

Olhamos o Sol, esperamos que se despeça

O Sol foi-se, deixou de nos acalentar

 

Sol para onde vais, porque nos deixas?

Ficamos sós, apenas com a brisa do mar

Vou iluminar e aquecer outros, não quero queixas

Ficamos aqui sem luz, sem calor, a pensar

 

Ai se pudéssemos ser aquela ave em liberdade

Saborear o vento que lhe dá aquele sustento

Acompanhávamos o Sol até à próxima Cidade

Não ficávamos aqui parados ao relento

 

O céu e as nuvens parecem aqui tão perto

Junto a nós, junto ao mar, junto a ti, Sol

Já não sabemos o que vemos ao certo

Esperamos que a espera se canse da luz do Farol

 

 

22
Mai22

A Excelência


Vagueando

Em jovem era normal tratar por V.Excelência ou Excelência uma pessoa ou pessoas que fossem importantes, normalmente pelo cargo que desempenhavam.

Com o tempo desvaneceu-se esse formalismo, até mesmo para com os altos representantes da Nação, que são tratados, por todos e mais alguns, incluindo jornalistas, pelo nome e ponto, sem que isso, aparentemente, digo eu, configure algum menosprezo ou falta de respeito.

Não obstante se ter abandonado o termo excelência para as pessoas, já agora, para não se desperdiçar a palavra e para que a mesma não caia em desuso, até porque, afinal, continua a ter importância, encontramos o termo aplicado às empresas, o que segundo a avaliação das mesmas, significa que, supostamente, atingiram um grau máximo de qualidade ou perfeição dos seus produtos.

Não há excelência para as pessoas, mas existe em abundância nas empresas que, curiosamente, ainda atingem este status milagroso, graças ao esforço das pessoas.

Quer isto dizer que as pessoas perderam a excelência (porque o termo tem que ser usado com parcimónia e, obviamente, não chega para tudo e todos) em prol das empresas onde trabalham.

E isto leva-me ao Turismo e aos hotéis, muitos dos quais se dizem de excelência, querem sempre o cliente satisfeito, que se sinta em casa (se fosse para me sentir como em casa não ia para um hotel), que viva experiência únicas etc.

Para garantirem este desiderato, solicitam-nos sempre os nossos dados e oferecem-nos cartões de fidelização, sempre em nome da excelência, bem entendido. Já perdi a memória às vezes em que celebrei o meu aniversário e da minha mulher em hotéis, nacionais e estrangeiros, com a particularidade de o festejarmos no mesmo mês, com dois dias de diferença. Ou seja, nos quatro a cinco dias que estamos num determinado hotel, eu e ela celebramos o nosso aniversário.

Pois a excelência, a organização, o sistema informático, os metadados (ui agora não se pode falar nisso) nunca nos dirigiram uma palavra, por exemplo, aquela mais usada e que sozinha, sem mais salamaleques, basta para celebrar a ocasião; Parabéns.

Mas, curiosamente, e em nome da excelência, quase todos estes hotéis, nos enviam os parabéns no ano seguinte, quer por email, quer por sms. Concluo assim que enquanto lá estou a excelência da empresa não quer saber de mim, o lucro já está garantido pela estadia, mas a partir daí, talvez o mais importante para estas empresas de excelência, seja eu voltar.

Daí que para além dos parabéns me enviem também a “cenoura”um descontito na próxima estadia.

Só não percebo é porque a tal excelência, não se lembra de alertar o(s) colaborador(es) para simplesmente darem os parabéns aos clientes.

Talvez por pensar que as pessoas já não são de excelência para dar os parabéns a outras pessoas (clientes).

Tudo isto é mesmo muito personalizado e, claro está, excelente.

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