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Generalidades

Generalidades

05
Ago20

Três a conta que Deus fez


Vagueando

O número 3 aparece associado a várias situações curiosas.

Por exemplo na literatura infantil ou de aventuras; Os três Porquinhos e Os três Mosqueteiros, são obras sobejamente conhecidas.

O número 3 também aparece em provérbios bem conhecidos; Um é pouco, dois é bom, 3 é demais e não há duas sem três.

Na medicina também é costume o médico mandar-nos dizer 33.

O 3 também tem significado espiritual; Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), o ciclo da vida (nascimento, vida e morte), os 3 Reis Magos, a Ressureição de Jesus ao terceiro dia.

Entre provérbios, histórias de aventuras, contos infantis, medicinas e mezinhas, espiritualidade, a realidade financeira dos últimos tempos também se agarrou ao número 3.

O Novo Banco, também conhecido por Banco bom, para se distinguir do seu pai, o Banco mau, mesmo depois de várias resoluções e inoculação de várias vacinas (injeções de capital) logo ao nascimento para que fosse saudável, parece estar a ficar doente.

O problema é que, tal como o COVID 19 é altamente infeccioso para o cidadão comum, o Novo Banco também parece ser. Com a agravante de que mesmo que nos confinemos, que usemos máscara e fato de protecção e desinfectemos permanente as mãos e façamos questão de manter um grande distanciamento do Banco, somos seguramente, infectados com mais impostos.

O Banco já não é bom nem mau, muito menos assim assim ou assim como assim, já é um Banco Pesadelo.

Não sei se é possível demonstrar matematicamente, através de alguma equação ou fórmula que a limpeza de um Banco Mau resulta num Banco Bom. Mas gostaria que inovação e inteligência artificial construísse um algoritmo que consiguisse tomar as rédeas da gestão e evitar todos estes constrangimentos.

O que é que isto tem a ver com o número 3?

Constatou-se que o Novo Banco vendeu cerca de 5 mil imóveis numa altura em que o mercado imobiliário estava ao rubro. Para o efeito, emprestou o dinheiro necessário a desconhecidos que gerem um Fundo nas Ilhas Caimão.

Isto passou-se nas barbas do Banco de Portugal, supostamente o Banco Polícia, que interveio activamente na separação do Banco Mau e da consequente criação do Banco Bom.

Estes 3 intervenientes, Novo Banco, Fundo Ilhas Caimão e Banco de Portugal, fizeram, ao que parece, tudo dentro de um efectivo quadro legal e regulatório e ainda, muito importante, de acordo com as melhores e boas práticas do sector financeiro. Ou seja e em suma, os três atrás referidos cumpriram com 3 requisitos fundamentais;

Quadro legal

Quadro regulatório

Boas práticas

Ainda o número 3. A partir de Agosto de 2017,a Lei 92/2017, proíbe o pagamento de bens e serviços em numerário, desde que o valor a liquidar seja superior a 3 mil euros. Portanto por uma questão de transparência, combate à fraude, à corrupção e à fuga ao fisco, proíbe-se pagamentos em dinheiro acima de 3 mil euros, assim fica tudo identificado.

Dentro da mesma estrita legalidade pode emprestar-se 300 milhões a desconhecidos.

É legal, é prática corrente, é habitual fazer-se este tipo de transações, usando offshores, está dentro das regras do mercado. Que seja.

O que não pode ser normal é ser o cidadão comum a pagar estas legalidades, estas (boas) práticas e ainda por cima, os gestores receberem prémios de alegada boa gestão por isso.

Se um dia se fizer um filme sobre esta saga, terá que ser uma tragédia, a não ser que algum realizador famoso consiga transformar tudo numa comédia, tal como a realizada por Perdigão Costa que estreou no cinema S. Jorge em Agosto de 1952, com o título Os Três da Vida Airada.

Depois do BPN, do Banif e do BES fica claro que não houve duas sem três, nem à terceira foi de vez, porque o Novo Banco é, para já, nem mais nem menos, mais do mesmo, para os mesmos pagarem, da mesma forma de sempre, afinal não podemos viver acima das nossas possibilidades.

04
Ago20

Sintra, mais uma vez.


Vagueando

A maioria do visitantes que chegam a Sintra, chegam tarde (ainda que de manhã) e partem cedo. Chegam, almoçam, dão uma volta, por um ou dois monumentos, comem umas queijadas ou travesseiros e seguem.

O que proponho hoje, na senda da minha viagem, postada aqui em 24 de Junho sob o título "Menos de 1km", pode ler aqui, (https://classeaparte.blogs.sapo.pt/menos-de-1km-12316?tc=46576499233) para voltar a fazer o mesmo percurso, mais ou menos à mesma hora.

Isto para dizer o seguinte aos viajantes que visitam Sintra;

  • Os que chegam tarde, ganham a manhã na caminha mas perdem o sossego, o nevoeiro e assim não podem comprovar como a paisagem é tão diferente.

 

  • Os que abalam cedo, também não podem comparar o que viram com o veriam se tivessem ficado mais um pouco e se deslocassem a pé pelas ruas e caminhos mais estreitos, alguns onde os carros são proibidos ou só circulam num sentido, mas que pouca gente utiliza, excepto os moradores.

Dedico hoje estas fotos aos que abalam cedo e, qualquer dia, volto aqui a publicar umas fotos para aqueles que chegam tarde.

Aqui fica o link para as fotos

https://photos.app.goo.gl/whGdJEepZyeDnaNe6

 

20
Jul20

Ajuntamento de sinais


Vagueando

 

 

20200718_141002.jpg

 

No Sábado, ao vaguear a pé por Sintra, fiquei a contemplar este aglomerado de sinalização rodoviária e a pensar que sinal se pretendia transmitir aos raros automobilistas e turistas que por ali circulavam.

Fiquei por ali a meditar e não consegui perceber em que regra do Código da Estrada isto encaixa. 

A Volta do Duche só tem um sentido pelo que não vejo qual o sentido, excepto se o objectivo é mesmo não fazer sentido, de ter sinais de costas para a foto.

Curiosamente, os dois sinais de perigo de, costas para a foto, indicam passagem estreita para o trânsito que não existe.

E ainda há sinais virados para o passeio, não vá algum automobilista destranbelhado tentar furar por ali.

Numa altura em que o distanciamento social é a regra, acho que a distância prevista para colocar os sinais para assinalar, trabalhos na via ou perigos vários, continua a ser entre os 150 e os 300 metros. 

Faz sentido?

 

20
Jul20

História de um aprendiz de agricultor - Psila-Africana


Vagueando

Psila.jpg

Quando os meus avós faleceram herdei um terreno no Algarve com cerca de 100 laranjeiras. Como morava a 300 km de distância e não queria deixar a coisa ao abandono, arrendei o laranjal.

A coisa correu mal.

Não obstante, não desisti e, no ano seguinte, fiz uma ronda pelas cooperativas da região, com a seguinte proposta;

- Tratam, apanham, vendem e só me pagam o custo anual da electricidade consumida para a rega que era totalmente automática. De salientar que no inverno, altura em que não consumia nenhuma energia, a EDP cobrava-me sempre o aluguer do contador, pelo que os custos eram elevados, para rendimento zero.

A resposta de 4 cooperativas foi, não estamos interessados, é pouco, não tem dimensão para explorarmos. (E eu que pensava que as cooperativas serviam para juntar interesses e prestar ajuda aos associados)

Morreram, por falta de água, todas as laranjeiras.

O meu pai, falecido em 2012, que tinha como hobby a agricultura e percebia da coisa, plantou no meu quintal, 3 limoeiros, uma laranjeira e uma tangerineira, que produziram sempre muito bem até 2018. Nesse ano comecei a ver as folhas a definhar e mirrar.

Como não percebia e não percebo nada do assunto, levei umas folhas a uma cooperativa agrícola da minha zona que me informou tratar-se de psila-africana. Perguntei logo como se trata? É difícil, é uma praga de declaração obrigatória ao Ministério da Agricultura, é obrigatório tratar, tem que fazer uma poda radical aos ramos afectados, não os pode deitar fora nem colocar no lixo e tem de aplicar o produto xxx e produto yyy .

Não consegui comprar os produtos, por não tenho cartão de aplicador de produtos fitossanitários e os ramos, mesmo que os cortasse, não os podia queimar, porque era Verão!

No ano seguinte, com as árvores em pior estado fui pesquisar sobre a praga e fiquei a saber que o Ministério da Agricultura referia que, apesar de todas as medidas implementadas, a praga Trioza erytreae (ou Psila-Africana dos Citrinos) estava a expandir-se no Centro do País. Este insecto, foi detectado pela primeira vez no território nacional em 2014. Acrescentava ainda o Ministério que estava a decorrer um programa de luta biológica, com recurso a um insecto parasitoide específico, num trabalho conjunto e articulado entre as autoridades fitossanitárias portuguesas e espanholas.

Comecei a estar atento aos sinais dos limoeiros e laranjeiras e verifiquei que na zona onde vivo e arredores mais afastados a praga instalou-se e já há árvores completamente atacadas, ou seja em vias de morrer.

Em desespero de causa, a minha esperança virou-se para as associações de ambientalistas, pelo que fui ao Google e pesquisei “ambientalistas psila africana”.

Surpreendentemente, aparece muita coisa sobre a psila africana mas nada que ligue os ambientalistas à mesma, ou seja, nem conselhos, nem indignações, nem propostas, nem pedidos de esclarecimento ao Ministério da Agricultura.

Movido pela curiosidade, porque normalmente os ambientalistas preocupam-se muito com árvores em perigo, voltei a fazer nova pesquisa “ambientalistas e abate de árvores”.

Bingo!

Muitos resultados;

  • Ambientalistas contra abate de árvores em Sintra (Logo eu que sou de Sintra)
  • Ambientalistas constestam abate de árvores no Tua.
  • Quercus critica abate de árvores.
  • Quercus constesta abate de árvores junto …. E por aí fora.

Continuando curioso, nova pesquisa “ambientalistas poda de árvores”

Bingo!

  • Organização ambientalista FAPAS constesta poda excessiva de árvore
  • Quercus – Podas abusivas e/ou abate infundado de árvores em espaço urbano são um problema ambiental em destaque no distrito da Guarda
  • Quercus – Câmara de Tondela acusada de fazer podas de árvores fora de prazo e por aí fora.

Ora adoptando a velha máxima do o que não está na Internet, nomeadamente no Google, não existe, concluo que embora a psila africana existe, mata árvores, é uma praga de difícil controlo, mas não é uma causa, nem preocupação para os ambientalistas.

Mas que raio de ambientalistas são estes? Defendem a natureza ou apenas aquela natureza que lhes dá visibilidade e publicidade?

Não precisam de responder, mas perderam um aliado.

 

“A imagem acima mostra o que acontece à ramagem das árvores atacadas por esta praga”. Pode ser que a Sapo ache que isto merece destaque, por isso junto aqui chocolate, porque li uma vez que a equipa da Sapo Blogs é muito sensível ao chocolate.

10
Jul20

Mais de 1km


Vagueando

A Geometria diz-nos que a distância mais curta entre dois pontos é uma linha recta.

Os portugueses são ases da estrada mas não muito dedicados às ciências exactas. Os peões escolhem o risco, usando o conceito da distância mais curta para atravessar a estrada, ainda que muitas vezes essa linha recta seja uma diagonal à mesma, do que a segurança, procurando uma passadeira de peões.

Animado por ter escrito um post com o título “Menos de 1km”, achei que era capaz de fazer uma distância maior, não necessariamente a pé. Daí que me tenha feito à estrada e a primeira paragem foi feita no local da foto.

20200707_150522.jpg

Esta recta, representa a menor distância entre o local onde estou até onde a vista alcança e tem muito mais que 1km.

Neste sentido, podia ficar por aqui e não me maçar mais, nem maçar mais quem, eventualmente, tenha tido a pachorra de ler até aqui.

Decido continuar, espero que o leitor também, para informar que de onde a vista alcança até à minha residência são à volta de 100km e do local onde me encontro até ao local de destino são cerca de 25km. Falta calcular a distância (a tal mais curta) entre onde estou e onde a vista alcança, que não sei nem quero saber, porque parei aqui para contemplar tudo e perdi-me na medição, por causa da meditação.

A tranquilidade, a sombra, a estrada que pouca gente usa, a calma, a nostalgia de outros tempos, com outros carros nos anos 70 e 80 e com outras gentes.

Ah, e a cor dos sobreiros, acabados de ser descascados. Que cor, que impacto visual.

O que não sabia sobre os sobreiros é que se trata de uma árvore, classificada como nacional desde 2012. A primeira casca só está pronta a ser retirada 25 anos depois da árvore ter nascido. Esta primeira casca (cortiça) dá pelo nome de cortiça virgem e este primeiro descortiçamento dá pelo nome de desboia. Nove anos depois retira-se nova cortiça, a que se chama secundeira. É preciso esperar mais 9 anos para se retirar nova cortiça a amadia. A partir daqui retira-se cortiça de 9 em 9 anos.

Cada sobreiro vive em média 150 a 200 anos, o que quer dizer que pode ser retirada cortiça cerca de 15 vezes.

No mundo de hoje onde a rapidez é tudo, é notável.

Já se produz uva sem grainha, qualquer dia acelerarse o sobreiro.

Deixemos os sobreiros e passemos às Sobreiras. Não, não é a esposa do sobreiro, mas sim uma espécie de sobreiro, um sobreiro muito grande ou muito velho. Não sabia mas está no dicionário.

Vou falar do Sobreiras Alentejo Country Hotel, não para fazer publicidade, que não é essa a minha intenção, também não sou influencer, nem ninguém me pediu para deixar like no Facebook ou fazer um comentário positivo, mas porque; 

  • Foi a primeira saída digna desse nome, desde 11 de Março, altura em que fomos forçados a hibernar dentro do casulo. • Gosto do Alentejo.
  • Gosto deste tipo de alojamentos e, normalmente evito as grandes aglomerações de pessoas, mesmo de férias.
  • Achei que a ligação dos sobreiros da foto com o Sobreiras fazia sentido.
  • Uma vez que falei do hotel, seria injusto, não falar da experiência e não vos deixasse, como gosto, um link com fotos.

O hotel está muito bem organizado nesta fase “Covid” até me custa escrever este nome. Os serviços estão bem organizados para não juntar muitos hóspedes ao Pequeno Almoço ou ao jantar de modo a que todos permaneçam a uma distância segura e é distribuído um folheto com as normas protecção que os hóspedes têm de cumprir.

A zona da piscina tem muito espaço e nota-se muito cuidado com a desinfeção.

Mantem-se o Buffet em funcionamento, quer ao pequeno-almoço quer ao jantar, mas a comida é servida pelos colaboradores do hotel. Não gosto, mas é assim e aceito.

Nota-se a limpeza nos quartos que possuem o piso em cortiça, convida a que se ande descalço.

A decoração, quer dos quartos, quer das áreas comuns é feita de forma minimalista mas muito agradável à vista, havendo bastante espaço para circular.

O enquadramento deste hotel na paisagem é perfeito.

Não gostei apenas de dois detalhes;

O primeiro - O acesso a alguns quartos obriga a passar por degraus que me pareceram desnecessários, podiam ser substituídos por pequenas rampas, facilitando não só o acesso com malas de rodas como eventuais cadeiras de rodas. Por outro lado o acesso do parque de estacionamento a alguns dos quartos também é feito por pequenos passeios de pedra solta o que não facilita o arrastar de malas.

O segundo -Tem a ver com a inexistência de sombra no estacionamento. O local no Verão é bastante quente, quando cheguei estava 40 graus, pelo que a sombra era bem vinda. O parque é pequeno, porque o hotel também é pequeno, pelo que não seria complicado nem dispendioso sombrear a área.

Não espero que me sigam, mas espero que pelo menos uma vez sigam atá ao Sobreiras e, de preferência, passem pelos sobreiros da foto, parem e contemplem.

Aqui fica o link para as fotos

https://photos.app.goo.gl/GrDE35E3EWhGimnJ7

Se encontrarem, por acaso, um cão nas fotos, lembrem-se que neste hotel são aceites.

01
Jul20

Não é minha, não é Tua, acabou, fim de linha


Vagueando

Os comboios foram o primeiro meio de transporte público que conheci. Primeiro de Sintra até Lisboa, Ida e Volta.

Depois para o Algarve e, lá chegado, não tinha nem táxi nem uma camioneta de carreira que me levasse até ao destino final. Era uma carroça que me esperava, para percorrer cerca de 10 km, entre a estação de S. Bartolomeu de Messines e a casa dos meus avós.

As viagens de comboio eram longas, penosas, desconfortáveis, mas divertidas. As pessoas tinham tempo para, sem telemóveis a distraí-las, olhar umas para outras, conversar, comer e até dividir o farnel que levavam, naquela altura, há 50 anos atrás, não existia a carruagem bar/restaurante.

Na época, o detergente OMO lavava mais branco. Contudo, uma camisa branca, vestida à entrada do comboio na estação do Barreiro, chegava a S. Bartolomeu de Messines negra e dificilmente voltava a ser branca, mesmo lavada com OMO. As locomotivas a vapor largavam uma fumarada impressionante e como não havia ar condicionado nas carruagens, viajava-se de janelas abertas,  o fumo  penetrava nas mesmas e, com especial agressivade, dentro dos túneis.

Vem tudo isto a propósito de ter descoberto no meu arquivo, um filme - ver link abaixo - realizado por mim, em 1993, na Linha do Tua, linha essa que despareceu para dar lugar à Barragem do Tua.

São cerca de 5 minutos de filme, muito amador, mas com direito a música de fundo. Também os intérpetres da música  Barcelona, Monserrat Caballé e Freddie Mercury, já não estão entre nós.

A linha foi submersa pela subida das águas do Rio Tua depois da construção da Barragem com o mesmo nome, inaugurada em 2011.

Com o fim da linha, foi o fim de linha para a beleza desta paisagem selvagem e arrebatadora. Deixou de ser minha, deixou de ser Tua, deixou de ser nossa. 

Em 2018 regressei ao Tua onde a imponência da barragem me deixou atrofiado. A ponte rodoviária que aparece no final do filme que me parecia alta, parece agora minúscula, esmagada pela altura da barragem. 

Nunca me interessei muito pela barragem, nem pelas polémicas relativas à sua construção, mas ao reviver este filme, fui dar uma vista de olhos à história da sua construção e constatei que o arqueólogo Armando Sabrosa, morreu em 27 de Maio de 2006, quando participava num estudo de impacto ambiental, ao cair numa escarpa na zona das Fragas Más.

Fiquei incomodado porque andei a caminhar por vários trilhos do Tua, incluindo o Trilho das Fragas Más e dei comigo a pensar, como é que tanta beleza natural consegue esconder as marcas de dor que deixaram na família deste arqueólogo.

Recomendo que vejam também um filme, Pare Escute e Olhe de Jorge Pelicano, lançado em DVD em 2010 e que constitui um bom documentário sobre esta linha que;

A linha já não é minha, não é Tua, não é nossa, sobra a repressão imposta ao Tua. 

É a vida!

 

Links;

Filme

https://youtu.be/lGuqXDkejhs

Fotos do Trilho das Fragas Más

https://photos.app.goo.gl/zKPE8zvnrgTgbAmG6

 

 

27
Jun20

Novamente e ainda o COVID 19


Vagueando

A questão já não é o vírus, mas sim a forma como se usa o vírus para o negócio.

Andou e anda meio mundo, vá lá um bocadinho mais de meio, indignado e irritado com a China ter ocultado informações sobre a propagação do vírus, inclusivé à própria OMS que, supostamente lhe deu cobertura e, eis senão quando, parece que na Europa se anda a fazer o mesmo.

As últimas semanas mostraram afinal, que a União Europeia, que não criou um critério sobre encerramento de fronteiras é a mesma União Europeia que deixa que cada país defina, a seu belo prazer, quando abre, a quem abre e com quem estabelece relações económico/turísticas através de corredores com um selo clean and safe.

É esta mesmo União Europeia, dita civilizada, democrática e evoluída que deixa que nalguns países se ande a mentir sobre o (alegado) controlo da pandemia.

Bom, parece que já nos aprendemos a viver com vírus, agora é só reaprendermos a viver com o novo normal, ou seja a nova hipocrisia, como mentir bem sobre o vírus.

Quem foi que disse que a China escondeu a gravidade do vírus?

24
Jun20

Menos de 1km


Vagueando

O que represente para si, caro leitor(a) uma distância razoável para caminhar?

Não, não me responda, siga.

Pensei em escrever sobre as fotos que tirei recentemente em Sintra mas achei por bem libertá-las aqui, deixando algumas dicas, deixar-vos em sossego para observarem e, se calhar, deixarão de ter vontade de continuar a ler.

Dica 1 – Para observar estas imagens, terão que andar menos de 1km partindo de qualquer uma das imagens observadas.

Dica 2 – Foram tiradas no Jardim da Vigia, também conhecido por Miradouro da Condessa de Seisal ou nas suas proximidades.

Dica 3 – É pouco provável que encontrem o gato.

Dica 4 – Pode acontecer que se cruzem com o cão que, sendo super manso e terno, é completamente doido.

Dica 5 – É provável, mas não garantido, que na ponta da trela do cão esteja o Vagueando, um pouco cansado porque o cão, para além de doido, puxa muito pelo dono.

Dica 6 – É muito provável que a luminosidade das fotos não seja aquela que vão encontrar. Podem muito bem não chegar a ver um palmo à frente do nariz. O nevoeiro também gosta, tal como eu, de vaguear por ali.

Dica 7 – Aqui fica o link para as fotos.

https://photos.app.goo.gl/w8cCD1G59NtCAvuB6

 

17
Jun20

Do 80 para o 8


Vagueando

 

 

20200603_125948.jpg

Almoço num dia de Junho, no Restaurante Bristol, com bom tempo o que em Sintra quer dizer, sem nevoeiro e sem vento. Não se vê uma pessoa ou um carro na estrada da Volta do Duche. 

Regresso sem inspiração e sem gana o que é contra a minha vontade. Nem consigo explicar porquê. Talvez venha para aqui desabafar, meditar, lamentar, buscar, passar o tempo ou, quem sabe, à procura de encontrar uma qualquer motivação ou emoção.

Este novo normal faz-me muito mal, afecta-me a moral.

A falta de vida em Sintra deixa-me triste, a falta de gente aborrece-me, a falta de movimento faz-me sentir morto, a falta de tudo o que mexe deixa-me com stress, a falta de som irrita-me.

Não há quem se me dirija a perguntar como se chega ao Castelo ou ao Palácio, não há quem me pergunte onde comer as melhores queijadas, não há quem me questione onde consegue estacionar o carro, não há quem me diga, mas Sintra é assim todos os dias, não há quem me peça para lhe tirar uma foto (em abono da verdade já era raro por causa da mania das selfies).

Os passeios estão a ficar flácidos porque não são pisados, as escadarias não gostam de ver os seus degraus ao deus dará, os corrimãos querem ser agarrados, os monumentos não têm audiência para contar as suas histórias, as árvores fazem sombra que ninguém aproveita, a água corre pelos riachos sem testemunhas nem árbitros que confirmem que passou por ali, as dobradiças estão desempregadas e em risco de reumatite permanente, as fechaduras estão fartas de estar fechadas, as portas há muito que não se mexem, algumas já estão a engordar, os vidros continuam transparentes mas ninguém vê para dentro ou para fora, os postigos estão fartos de tapar a luz do sol, os tapetes estão fartos de estar enroladas, os capachos sentem-se humilhados por ninguém lhes esfregar os sapatos, os semáforos estão cansados de dar ordem de paragem ou de passagem sem que ninguém lhes ligue, as fontes sentem-se abandonadas, as mesas anseiam por uma toalha.

Resta-me a paisagem verde ,que parece ser a única coisa viva à minha volta. 

Sinto que me largaram de repente num deserto sem areia, cuja travessia vai ser longa e dolorosa para todos.

Sinto que passámos do 80 para o 8 e termino por aqui. Se um disco voador aterrasse hoje em Sintra, na Volta do Duche, no Castelo ou no Palácio, não estaria cá ninguém para testemunhar.

Vai na volta, preciso mesmo de um duche, estarei a sonhar?

 

 

 

 

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