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Generalidades

Generalidades

29
Fev24

A tradição ainda é o que era


Vagueando

Este post cai no âmbito do desafio1foto1texto de IMSilva

Roupa Estendida.jpg

Foto - Jornal de Sintra nº 864 de 13/08/1950 - Artigo escrito pelo Presidente da Câmara Municipal de Sintra, José Alfredo da Costa Azevedo que nos deixou muitos e ricos apontamentos sobre Sintra, compliados em vários livros.

Esta coisa do ambiente está a ficar um bocado irrespirável. É preciso agir e rápido.

Quando se fala em agir, quer dizer que estamos disponíveis para passarmos à ação, incluindo mandando recados com tinta verde. Contudo, a ação tem que ser longe da nossa porta, (por exemplo se se tratar de um aterro sanitário ou de uma exploração de lítio, mesmo que isso seja o preço a pagar por melhor ambiente) ou a ação tem que ser levada a cabo por outros.

Sim porque nós, os que defendemos a ação, já usamos carros eléctricos, temos placas solares em casa para produção de electricidade e aquecer a água, a roupa que usamos e temos (se calhar) em excesso é fabricada por processos sustentáveis, a nossa comida é biológica, os nossos electrodomésticos e iluminação lá de casa é toda classe A++++++ e os nossos computadores e telemóveis são fabricados com o mínimo de pegada ecológica.

Já há uns tempos que vagueei por aqui sobre estendais de roupa e recentemente, confesso que não sabia, os condomínios, inclusive ou se calhar em especial, aqueles mais luxuosos, fazem constar nos seus regulamentos, que é expressamente proibido estender roupa no exterior dos edifícios.

Também (segundo os mesmos regulamentos)  é expressamente proibido colocar nas varandas roupa a secar, mesmo que não esteja pendurada mas sim estendida naqueles mini estendais pousados no chão da varanda.

Tudo isto em nome da estética que, ao que parece, é um bem superior ao ambiente. Ou seja no fundo, é preferível morrer com ar poluído no meio de uma paisagem urbana com estética bem cuidada, do que respirar ar puro e ver o horror da roupa a secar na rua ao ar livre, sem qualquer consumo de energia.

Nos tempos que já lá vão, em que se lavava roupa à mão, quando se estendida ficava a pingar, as desavenças entre vizinhas eram frequentes. Hoje isso não acontece, a roupa sai das máquinas de lavar sem deixar cair um pingo, portanto esta proibição expressa parece absurda nos tempos que correm. 

Participo com frequência em caminhadas organizadas, por campos e aldeias de Portugal, onde participam pessoas que residem em condomínios, alguns mais elitistas. Há uns tempos uma senhora referia que tinha sido admoestada pelo administrador do condomínio, porque tinha colocado um desses estendais pequenos na varanda para a secar meia dúzia de pequenas peças de roupa.

Vou deixar duas notas para percebermos como a hipocrisia e a incoerência sobre o ambiente.

1 – Nestas caminhadas é frequente encontrar-se galinheiros de todas as formas e feitios o que é apreciado pelos caminheiros, não tanto na vertente de que as galinhas que ali estão servirem de alimento, mas mais na vertente estética da coisa, é giro ter umas galinhas ali à solta no campo.(vê-se mesmo que nunca entraram num galinheiro para o limpar).

2 – Também é giro passar por aldeias, tipo aldeias da roupa branca onde em estendais de chão ou nas fachadas das casas se seca roupa ao Sol e ao vento. É giro porque é típico é quase como se fosse algo do outro mundo. Também aqui o giro e o típico é visto mais como sinal exterior de pobreza, quiçá de espírito e de alguma parolice, do que um processo ambientalmente correto.

3 – Por último, depois de acabadas as caminhadas, regressamos a casa, cada um no seu veículo de motor de combustão (ainda não me deparei com nenhum eléctrico) mas atenção todos eles cumprem a norma EURO qualquer coisa pelo que são muito menos poluentes que as máquinas agrícola que andam pelos campos.

No dia a dia, os condóminos, que não estendem roupa na rua, aliviam a sua consciência ecológica fazendo-se transportar em carros eléctricos, alguns curiosamente com mais potência do que os equivalentes com motor a combustão.

Não há fumo de escape mas há consumo a mais de energia, seja a secar a roupa, seja porque não precisamos de tanta potência para nos deslocarmos.

Má aposta dos condóminos ao regulamentar a proibição de se usar o Sol e o vento gratuitos (mas exige-se que os Estados financiem a instalação de placas solares e eólicas para produzir electricidade) e má aposta dos construtores de automóveis eléctricos, ao se promoverem como ambientalmente responsáveis e fabricarem veículos com excesso de potência, supostamente movida a energia “limpa”.

 

 

23
Fev24

Tremoços


Vagueando

O desafio de hoje, 1foto1 texto a foto é esta.

Sabem o que é?

Tremoços.jpeg

- Tremoços.

Não sou apreciador de cerveja, nem tão pouco a bebo com regularidade mas quando a bebo é sempre em formato de imperial.

Contudo, sou esquisito, para beber uma imperial, dentro da meia dúzia que bebo por ano, só o faço numa cervejaria, porque este tipo de estabelecimento quando a servia, acompanhava-a com um pires de tremoços.

Cervejarias existem por todo o lado, imperiais saem todos dias às paletes, então no Verão, ui, ui. Mas os tremoços desapareceram.

E o que é uma cervejaria?

Desafio a indicarem-me na Baixa Lisboeta, quando digo Baixa falo do percurso entre o Rossio e a Praça do Comércio, um estabelecimento que sirva uma imperial e que coloque ao lado um pires de tremoços.

Dito de outra forma, faço mesmo desafio, no mesmo local, afinal é a zona nobre da capital portuguesa,  mas ao pedir a imperial diga que só a quer se vier acompanhada de um pires de tremoços.

Se nessa “cervejaria” não souberem o que são tremoços é normal, fomos nós portugueses que deixámos de querer tremoços e deixamos de ser exigentes com o conceito de cervejaria.

Afinal não estamos aqui para manter as tradições mas para satisfazer os turistas. 

No meio disto tudo, não é que o tremoço até faz bem à saúde.

Se calhar foi por isso que o deixámos de consumir e agora quem sofre é o SNS. 

16
Fev24

Nota muito curta


Vagueando

Ainda há pouco tempo andava eu  a vaguear pelas Estações do Desconforto, eis que descubro aqui na Sapo uma notícia que se relaciona com o tema.

Projeto de renovação da Gare do Oriente para a alta velocidade vai custar 8,5 milhões

A dado passo, nesta notícia, - finalmente - diz-se; 

Segundo os mesmos documentos, as duas novas plataformas de passageiros devem possuir 420 metros úteis de comprimento e 760 milímetros de altura”e, dado que a IP assume que “as barreiras corta-vento existentes da estação ferroviária, localizadas no topo das fachadas nascente e poente, não garantem o conforto dos passageiros nem a proteção necessária à intempérie”, “deve ser prevista a alteração/revisão da solução arquitetónica das barreiras novas e existentes”.

Espero que o ajuste direto, porque tem que ser, de 8.5 mil milhões de euros seja suficiente para acabar com o frio, a chuva e o vento dentro daquela estação, é o mínimo dos mínimos.

Nota da nota - O bold e o sublinhado é meu.

15
Fev24

Teleférico de Sintra


Vagueando

Depois de muitos anos de debates, de promessas e desilusões, avanços e recuos, finalmente o teleférico de Sintra.

Estávamos em 1958, quando na Edição 1247 do Jornal de Sintra, de 19/01/1958, se anuncia que finalmente iriamos ter um teleférico em Sintra, a partir da Estação de Caminhos de Ferro.

Pois é, no meio de tantos avanços e recuos, venceram os recuos e hoje, 66 anos depois, nem teleférico, nem estacionamento decente existe em Sintra para evitar que tantos veículos entrem em Sintra diáriamente.

Esta foto, do recorte do Jornal de Sintra referido, é a minah resposta ao desafio 1foto1texto de IMSilva.

20220927_160738.jpg

 

11
Fev24

Lisboa regista aumento de denúncias de uso de animais para mendicidade em especial na Baixa


Vagueando

No passado dia 9 deparei-me com esta noticia no portal Sapo - Lisboa regista aumento de denúncias de uso de animais para mendicidade em especial na Baixa.

A dado passo lê-se que “As denúncias chegadas à Provedoria têm vindo a aumentar significativamente, resultado da indignação de transeuntes que assistem à presença de animais junto a pedintes, utilizados com o intuito de estimular a esmola” e também me indignei, porque a dado passo da notícia também se lê que a realização de ações inspetivas aos pedintes, tiveram como objetivo “assegurar que os tutores cumprem com todas as suas obrigatoriedades legais e deveres gerais para com os animais”.

Parece obvio que um pedinte não terá condições para ter o seu animal tratado de acordo com as melhores práticas de saúde e conforto animal, pela mesma razão que não tem capacidade para assegurar as mínimas para si.

A  minha indignação (já explico o porquê da mesma) abrandou um pouco com a declaração, na mesma notícia em que Provedor do Animal referiu estar a “trabalhar na melhor forma de contribuir para a implementação de medidas que possam mitigar a prática do uso de animais para a mendicidade, sempre salvaguardando as soluções necessárias para assegurar o bem-estar dos mesmos, bem como o canalizar os seus tutores para as respostas de apoio e ação social existentes”.

Tabém me parece evidente que as respostas de acção social existentes não conseguem assegurar o bem estar destas pessoas.

A minha indignação tem a ver com a suspeição (posso estar errado) de que as denúncias se preocuparem mais com o facto de o animal estar a ser “explorado” pelo tutor para tirar proveito de uma melhor esmola, do que efetivamente com o pedinte - a pessoa.

Ou seja, pedintes sim, mas nada de “engrinaldarem” com os animais as suas misérias, nem os usem para obter esmolas.

Fui buscar o engrinaldar a uma notícia publicada no Jornal de Sintra em 15 de Julho de 1951, ou seja há 73 anos, em que se pedem providências, a quem de direito, para retirar os pobres e os aleijados das ruas de Sintra para não incomodar o turismo.

É que segundo o Jornal de Sintra e passo a citar – Ninguém tem mais dó dos pobres do que nós. Todavia, não estamos de acordo com a sua teimosia em voltarem a “engrinaldar” com as suas misérias, os seus andrajos, as suas feridas, os seus defeitos, as ruas que vão dar à feira quinzenal de S.Pedro. Estarão de acordo connosco as autoridades de Sintra? Assim o cremos.

E eu que julgava que após 73 anos tínhamos evoluído como seres humanos.

Deixo abaixo a foto da notícia com o título - Mendicidade pedem-se providências.

Mendicidade.jpg

 

09
Fev24

Isto não é um Desafio III


Vagueando

Continuando com a proposta de “Isto não é um desafio”, hoje vou acrescentar mais algumas novidades.

Para os que chegaram aqui pela primeira vez, recordo que este texto vem na continuação de dois anteriores que podem ser lidos em aqui Post I e Post II com objetivo de vos convidar a fazer um pequeno passeio pedestre que começa nas Terras do Burro e acaba no Castelo do Mouros em Sintra.

Por sua vez estes dois post's surgiram depois da publicação de um conto de Natal, integrado num projeto nascido aqui na Comunidade Sapo.

Dando então sequência à proposta do passeio pedestre já apresentado, mas sem data ainda definida e ainda sem participantes inscritos, acrescento a possibilidade de, se os participantes assim o quiserem, almoçarmos depois do percurso, em local a definir.

Acrescento mais 3 fotos (já são seis) mistério de locais por onde passaremos que deverão ser identificados pelos participantes, durante o passeio.

Por último mais uma  histórica, neste caso sobre a toponímia de uma rua que atravessaremos de uma ponta à outra, a Rua Albino José Batista.

No próximo mês de Março, farei o último post sobre este tema e apresentarei as últimas fotos mistério, bem como mais uma história sobre um local por onde passaremos.

08
Fev24

Sweet Gourmet -Ouriço de Castanha


Vagueando

Declaração de interesseEste post não é patrocinado, mas conheço pessoalmente o Sr Eurico Castro por via de um produto que criou e comercializa e que já adquiri várias vezes - O Ouriço de Castanha. Assim para que fique claro, propósito deste post não tem como objetivo promover o produto ( se isso acontecer não tenho direito a qualquer comissão), mas sim alertar para a dificuldade que os produtos portugueses têm em afirmar-se cá dentro e lá fora quando, aparentemente, possuem qualidade e atributos suficientes para o efeito. Num mundo em que o marketing e os influencers conseguem, nalguns casos até com exacerbado sucesso, agora denominado “viral”, impor aquilo a que aprendemos a distinguir como “banha da cobra” outros produtos nascem e morrem sem se perceber porquê.

E a história começa assim;

20240208_113618.jpg

No dia 2 de Dezembro de 2012 viajava no voo TAP - TP104, durante o qual me foi entregue a caixinha da foto acima.

Perguntei o que era, a hospedeira identificou-a como um doce que tinha começado a ser distribuído no dia anterior nos voos TAP e que ela própria já tinha provado garantindo-me que era muito bom.

Como não sou grande apreciador de doces mas gostei do aspeto da caixa, guardei-a comigo e no dia seguinte, já em casa,  coloquei-a em cima da mesa o que despertou a curiosidade da minha mulher.

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No final do almoço, abri a caixa, deparei-me com dois doces iguais aos da foto acima.

Achei-os bonitos, não resistimos à tentação e foi um para cada, que - obviamente - soube a pouco. Fiquei rendido, o sabor e a textura eram ótimos.

Depois desta experiência, entrei no site que figurava na caixinha www.euricocastro.pt (que aparentemente já não funciona) e consegui contactar o pasteleiro que confecionava este doce. Tratam-se de pequenas bolinhas de doce de castanha envolto numa massa fina, estaladiça que, depois de ir ao forno fica com aspeto parecido ao ouriço que envolve as castanhas. Através desse contacto consegui que me enviasse umas caixinhas destes ouriços que fizeram um grande sucesso na mesa de Natal desse ano de 2012.

Voltei a fazer encomendas, a família adorava, bem como amigos meus que provaram, e um dia passei por Bragança tive oportunidade de conhecer o Sr Eurico Castro e comprar mais umas caixas deste doce.

Da nossa conversa fiquei com ideia de que era um sonhador e a vida nem sempre é fácil para os sonhadores, mas achei que o produto era realmente bom, pelo que não seria muito difícil expandir a sua comercialização.

Pelos visto enganei-me!

Para além do excelente sabor, as pequenas bolinhas de doce de castanha com aspeto parecido ao ouriço que envolve as castanhas, é muito apelativo. Noutra pesquisa que efetuei nesta altura descobri que este doce já andou aqui pelo blogs.

Portanto, este produto tem bom sabor, bom aspeto, uma embalagem lindíssima, é fotogénico e a imagem faz lembrar mesmo a castanha dentro de um ouriço. Ou seja, parecem estar reunidos os ingredientes suficientes (chegou a ser notícia no Expresso) para se tornar um sucesso.

A nível de pastelaria, não nos podemos queixar, porque Portugal não está mal representado no Mundo, mas numa altura quem que tanto se fala de inovação e novas experiências, cozinha de fusão e pratos que muitas vezes valem mais pela imagem do que pelo sabor e não saciam a fome, deixar este doce pelo caminho, feito a partir da castanha, produto tradicional português, o fato de não se conseguir impor no mercado nacional e internacional, faz-me espécie.

Considerado a qualidade e o sabor do produto, o gosto de cada um é sempre discutível, fico surpreendido com a dificuldade em projeta-lo para fora. A TAP usou-o pouco tempo, a comercialização em New York  esteve prevista mas não vingou(ver vídeo abaixo)

 

Por outro lado não chegou ou não chega a Lisboa ou ao Porto, cidades onde poderia rivalizar com os doces mais conhecidos do país.

O que falhou ou está a falhar?

Dificuldades em aumentar a produção, falta de matéria prima, falta de empenhamento ou de fundos?

Falta uma ida ao Shark Tank português?

Ou faltam olheiros (iguais aos que pululam no futebol à procura de novos talentos) para alavancar a doçaria portuguesa?

Uma dica final, tanto quanto sei, há cerca de um ano, este pasteleiro abriu um espaço em Mirandela , A Confeitaria, onde usa o seu logotipo deste produto “Sweet Gourmet by Eurico Castro”.

Se forem até Mirandela, digam-me se há por lá nesta nova Confeitaria, ouriços de castanha e se provaram digam-me se gostaram.

07
Fev24

Escavações


Vagueando

20240201_102312.jpg

Desafio 1foto1texto

De tempos a tempos vagueio pelas fotos do meu telemóvel para recordar um dia, uma data, uma curiosidade ou apenas uma foto. 

É difícil passar um dia sem que use o meu telemóvel para tirar fotos, muitas delas para alimentar coleções de imagens, outras nem sei bem porque as tirei. 

Esta foto foi tirada durante um passeio pedestre recente, parti de Algés e fui até Cascais, cerca de 28 km.

Tirei esta foto porque gostei do enquadramento, da luz, do fundo. A questão é o que posso escrever sobre ela.

Andamos a escavar de mais, a mostrar muita terra revolvida, a abrir buracos enormes, que não conseguimos escorar devidamente, temos dificuldade em remexer toda a terra retirada. Passada a euforia, deixamos de alimentar a máquina à espera que a terra, o buraco, o objetivo do mesmo caia no esquecimento.

Ou objetivo de abrir o buraco, foi publicitar algo grandioso, tipo lancámos hoje a primeira pedra e está feito , mesmo que fique tudo por fazer?

 

 

31
Jan24

As estações do desconforto


Vagueando

 

A resposta ao desafio 1foto1texto de hoje são várias fotos para um texto.

Saio de casa bem cedo, para um compromisso de saúde previamente agendado. Chove, o vento é forte, está frio, parece que devido às depressões Irene e Juan. Entro na Estação de comboios de Sintra mas é como se continuasse na rua.

O telhado deixa passar a água da chuva como se não existisse. É normal nas estações de comboio portuguesas, não protegerem os passageiros das intempéries. Não protegem porque estão degradadas, não protegem porque a CP ou a IP se estão marimbando para os seus clientes, não protegem porque a arquitetura que as concebeu privilegiou o design ou, eventualmente o ego do arquiteto em prejuízo do conforto do passageiro, em suma é normal achar-se que o clima em Portugal é quentinho e fofinho poupando-se dinheiro(o que não é necessariamente a mesma coisa de que evitar défices nos seus balanços) de as fazer confortáveis.

Para temperar o desconforto, a instalação sonora (talvez rouca da humidade no interior desta gare) cansada de anunciar os muitos atrasos da CP - só descansa em dias de greve informa que o (meu) comboio circula com um atraso de 12 minutos. Os relógios da estação, mostram horas diferentes e ambas erradas, manias, estão ali para enfeitar e não para informar, são apenas mais uma fonte de stress.

O comboio chega, sento-me (privilégio de quem entra na primeira estação) e sai com o atraso previsto, chegando a Lisboa, acumulando mais 10 minutos de atraso. Uma viagem de 40 minutos, demora mais 22 minutos que o previsto.

A Gare do Oriente, a estação ferroviária mais moderna e recente do país é o ex-libris da beleza máxima, conforto (muito abaixo do) mínimo, o oposto da Estação do Rossio, que conseguiu juntar antiguidade, beleza e conforto, uma autêntica raridade no panorama nacional.

Entro no Metro as passadeiras rolantes, que me poderiam fazer recuperar algum tempo, estão paradas. Deduzo, não existe nenhum aviso, que a paragem se deve a uma de duas coisas;

1- Zelar pela saúde dos utentes fazendo-nos caminhar, no meu caso em ritmo acelerado para recuperar os 20 minutos de atraso.

2- Zelar pelo ambiente, menos consumo de energia - supostamente - melhor ambiente. Ora não excluindo a hipótese de estarem avariadas, mais uma vez a falta de respeito pelo utente, avisos não há, nem sobre a eventual avaria, muito menos quando estará resolvida.

Se por hipótese for uma avaria, a IP teve conhecimento mas, não estará reparada porque a empresa encarregue da manutenção não tem as peças para substituir e não as tem porque a empresa fornecedora ainda não as enviou e esta não as enviou porque o transportador falhou e este último falhou por causa de qualquer coisa que não lhe é imputável.

Afinal estamos em Portugal, é normal não se considerar necessário vir a público dar qualquer explicação, a competência deste do assunto é sempre de outro qualquer, excepto, quando, por qualquer razão ou reestruturação, levada a cabo por qualquer governo, a competência que afinal era sua, lhe é retirada.

Aí sim, aparecem a defender a sua dama, mais que não seja, defendendo que o serviço público fica posto em causa com a tal transferência de competências de A para B.

Os websites destas empresas, donas das estações, da empresas encarregues da manutenção, das empresas que forneceram os equipamentos, apresentam-nos bem embrulhadas em marketing. Estão todas certificadas com as normas xpto qualquer coisa, são mais verdes que os lagartos, estão na rota da sustentabilidade e, imaginem, lá num cantinho qualquer, existem para nos servir.

Depois destas peripécias que não o são (estou a abusar do significado da palavra) porque isto é o dia a dia, saio do Metro e entro numa zona pedonal onde nem sequer deviam circular carros, eis que uns quantos estão lá parados.

Entro no estabelecimento de saúde, privado, para fazer o tal exame, um audiograma. Ouço mal mas vejo bem, não se pode ter tudo.

O sistema está em baixo (também acontece frequentemente) às vezes até para pagar se demora mais tempo do que na consulta ou no exame. Mesmo ouvindo mal vejo as filas e o desespero de alguns com pressa para se ir embora e não deixo escapar o comentário de um utente – O sistema de cobrança do estacionamento nunca vai abaixo e eu aqui a acumular mais uma conta, a de estacionamento, para pagar a conta do hospital.

Peço desculpa mas isto não é desculpável, mesmo que sirva de desculpa para descarregar a culpa neste, no anterior, no próximo governo ou nos políticos que os integram, integraram ou venham a integrar.

A culpa nos casos que relatei morre solteira todos os dias, porque a casam sempre com o governo, com os políticos, com isto é o país que temos, quando deveriam ser estas empresas a dar cara aos utentes.

E quanto aos carros mal estacionados o cidadão comum não se defenda a dizer que isto é uma bandalheira ou que a polícia não faz nada, a solução é não estacionar em cima do passeio, ponto!

Se o Polígrafo ler este post e for fazer a verificação do conteúdo, agora está na moda o “Fact Check” em vez de concluir por Falso, Verdadeiro, Verdadeiro mas ou Pimenta na língua, vai colocar mais uma hipótese que consiste em perguntar;

Quem é este gajo?

31
Jan24

Livro de elogios


Vagueando

Não sei se sou exigente mas por norma tenho por hábito reclamar, não online, mas no livro de reclamações físico de entidade, quando considero ter razões para o fazer. 

Sempre separei a entidade de quem, em sua representação, me atendeu e com a qual tento sempre manter uma conversa cordial explicando-lhe o meu ponto de vista e não me recordo de alguma vez ter centrado qualquer reclamação na pessoa que atendeu. 

Nalgumas situações, chegou a ser-me pedido o nome da pessoa que me atendeu o que sempre recusei fazer.

Por outro lado, constato que existe uma ideia, quanto a mim errada, do que tudo o que é público funciona mal e tudo o que é privado funciona bem ou, agora como está na moda dizer-se, é de excelência.

Da mesma forma que reclamo, também tenho por hábito elogiar e esta é a razão deste post, elogiar  publicamente, a plataforma Sapo.

Os mini vídeos que tem vindo a publicar,  na rubrica Minha Terra Minha Gente, tenho que reconhecer que são muito bons, muito acessíveis,  breves mas com muito sumo e muita atratividade, convidam a sair, normalmente do litoral para o interior deste rectângulo fabuloso que somos mas que, infelizmente, muitas vezes desdenhamos.

Parabéns à Sapo e aqui fica o elogio.

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