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Generalidades

Generalidades

28
Set19

No que deu a inovação

Vagueando

Nos anos 70 e 80, aos Domingos, os homens não saiam à rua sem os seus pequenos rádios na mão, encostados ao ouvido ou, de forma mais delicada e respeitosa, para não poluir o ambiente social, com um pequeno auricular no ouvido, para acompanhar os relatos dos jogos de futebol. Que bom seria que nos transportes públicos houvesse o devido respeito para com os utentes e os utilizadores dos telemóveis não ouvissem os vídeos e chamadas em alta voz e desligassem o barulho do teclado, quando estão a jogar, mas isso é outra história.

Estes pequenos rádios, a que muitos chamavam transístores porque se tratava dos primeiros rádios portáteis, de preço acessível, equipados com transístores em vez dos rádios de válvulas que só se podiam usar em casa, eram muito pequenos, por isso, facilmente transportáveis. Não tinham sequer uma antena exterior (tipo stick das selfies, tenho que recorrer a linguagem moderna para explicar as coisas do passado), apenas uma de ferrite no interior e dispunham apenas de onda média (AM). Eram fiéis companheiros dos apaixonados do futebol, cabiam no bolso da camisa, o que era um avanço tecnológico fabuloso.

Os relatos eram de tal forma intensos e apaixonantes, que se vibrava com o rádio/transístor na mão. Ficava à imaginação de cada um as imagens das jogadas relatadas com arte e a emoção. Vivia-se muito futebol pelo som dos rádios, o jogo era imaginado pelo ouvinte, através dos olhos, voz e emoções dos relatadores. Aquelas vozes, com excelente dicção, eram mais familiares que as suas caras as quais, por sua vez,  eram mais conhecidas pelos jornais do que pela televisão. Artur Agostinho, Ribeiro Cristóvão, Alves do Santos, são os que me lembro melhor e que mais tarde criaram, na Rádio Renascença, um programa sobre futebol a Bola Branca.

Os jogos, da Primeira, Segunda e Terceira Divisão, eram todos à mesma hora, nas tardes de Domingo e, como não era possível ouvir todos os relatos em simultâneo, as emissoras transmitiam jogos diferentes (excelente serviço público) e mantinham equipas de reportagem no restantes jogos, as quais interrompiam, estridentemente, o jogo que estava a ser relatado, quando ocorria um golo no seu campo.

Estes relatores, transmitiam o jogo, comentavam a táctica, faziam entrevistas, com meios técnicos muito mais reduzidos dos que existem hoje e punham naquele trabalho muita emoção e muito profissionalismo. Tudo em directo, sem rede e não a era rede de wi-fi.

Quando os jogos terminavam, ficava-se a saber, sem grandes delongas e publicidade, todos os resultados, a classificação dos campeonatos, quem jogava com quem na próxima jornada, a chave do Totobola e, só à noite, depois do telejornal, se via os golos de alguns dos jogos.

As discussões posteriores sobre as tácticas era com os treinadores de bancada, nos cafés e no outro dia entre colegas de trabalho. Quanto a televisão ( a RTP, não as SPORT TV’s) começou a transmitir os jogos em directo, os homens deixaram de sair para as feiras com o rádio na mão e passaram a ir para as cervejarias e cafés beber umas bejecas e ver os jogos, até porque nem todos os lares tinham televisão - que era a preto e branco. A emoção passou para os cafés e cervejarias que aproveitavam o negócio, pelo que para além das caricas das cervejas, havia sempre pelo chão destes estabelecimentos, cascas de tremoços e amendoins (alcagoitas para alguns) e, nalguns locais, pretensamente melhor frequentados, umas cascas de camarão pequeno. A cerveja era bebida em copos e não pelas garrafas e muito menos pelas latas. Nestes locais, por vezes ocorriam uns sopapos e umas zaragatas, por causa da clubite, mas raramente era necessário chamar a polícia.

Não se debatia até à exaustão o árbitro, o penalti, a falta, a falta de jeito do avançado ou do defesa, o frango ou peru do guarda redes, o treinador, não se via o autocarro a sair ou a chegar ao estádio, não se via a policia de choque a acompanhar claques e, não havia redes sociais para descarregar a ira dos adeptos durante toda a semana e muito menos comentadores avençados a defender o indefensável para o seu clube. Quanto muito lá havia um sócio, mais exaltado, que rasgava o cartão de sócio.

A partir do momento em que o futebol se tornou um negócio altamente lucrativo, deixou de ser desporto para ser um mercado, evidentemente financeiro. Os jogos passaram a ser a horas diferentes, em dias diferentes, para que os canais televisivos “pagos” possam fazer dinheiro com o espectador. Passou-se a discutir durante vários horas e dias, com recurso às mais altas tenologias, que superam largamente o que o olho humano consegue discernir, o lance, o erro, o comentário do presidente, do treinador, do adepto, do jornalista, que começaram a puxar a clubite para o ódio ao adversário.

E foi esta inovação que matou ou está a matar o futebol, a televisão, na ânsia de captar telespectadores, mas não podendo transmitir os jogos - o monopólio adquiriu os direitos para os transmitir - não os transmitem, relatam-nos como se fosse uma rádio, mas de péssima qualidade. Não há emoção, apenas a tentativa de criação no ouvinte (sim , ouvinte, não telespectador) a necessidade de aderir/pagar para ver. À moderna pay-per-view.

Para o efeito, dividem o ecrã em 4 ou mais ecrãs. Um para mostrar o pouco publico que está no estádio, outro para mostrar os comentadores, (alguns parecem verdadeiras múmias), outro para mostrar o banco das equipas e outro para repetir exaustivamente algumas jogadas - mas com atraso!

Para além da divisão do ecrã, somos ainda brindados com a voz de uns senhores que não vemos, estão para ali a encher chouriços com conversa fiada sem qualquer interesse e, pior, muito pior, sem qualquer emoção. E para ajudar à confusão, passam ainda umas notícias em rodapé, com informação dispersa.

Ora bolas, a televisão e o futebol são os grandes pilares de um negócio tipo a galinha dos ovos de ouro, em que o galinheiro é gerido por gente abaixo de qualquer suspeita.

Espero que não matem a galinha.

17
Jul19

Inspira, Expira, Inspira-te!

Vagueando

Árvores.jpg

Olho, observo, vejo luz, cores, sinto a brisa refrescar

Pode uma imagem falar ou transmitir inspiração

Lá estou eu para aqui a falar sozinho, a divagar

É uma imagem, não mais do que isso, ou é ilusão?

 

Eu vejo, tu vês, ele vê, nós vemos, vós vedes, eles veem

Não vemos todos a imagem, da forma que eu a vejo

Lá está, uns gostam, outros não, não acreditam, descreem

Faltou-lhes sentir o aroma, para despertar o olhar, o desejo

 

O poder da luz que molda e enaltece tão bem a natureza

A tecnologia grava o momento, mas não a nossa memória

A beleza, vem da luz ou das árvores? Não tenho a certeza

Dou voltas e mais voltas, para explicar, falta-me retórica

 

Gosto, porque gosto, porque sim, não sei como explicar

Expliquem-me então; Porque gostam ou porque não

Nada mais consigo adiantar, não vou mais dissertar

Estou cansado, faltam-me argumentos, não há emoção

 

Estas árvores existem, no Parque da Liberdade em Sintra

Não é realidade virtual, é tronco e folhas, escolha a cor

Vá lá ver, à hora certa, para conseguir ver o que vi e Sinta

Não vá à toa, escolha bem a hora e o dia ou terá um dissabor

 

É que para ver o que eu vi, não basta ir, é preciso saber olhar

Esperar que a Terra coloque o Sol a jeito, ali no angulo certo

Parque da Liberdade, use-a, movimente-se, só não pode voar

Será bem recompensado com a alegria de ficar boquiaberto

 

 

02
Jul19

Estrada Nacional 2, Reviver o passado, viver o presente ou visualizar o futuro?

Vagueando

 

Preservatrice.jpg

Quem nunca sonhou visitar o passado ou o futuro, ainda que esteja ciente que, nem a realidade virtual nos pode transportar, fisicamente, até lá?

O desafio de fazer a N2 consistiu, nem mais, nem menos, em viajar no passado, com os pés, neste caso também com os pneus, assentes no presente. Antes de levar a cabo a preparação da viagem, peguei em dois mapas antigos, um do ACP de 1949 e outro da Preservatrice, cujo ano não consegui ainda verificar. No entanto, creio ser anterior a 1949 por causa de uma ponte, a de Totenique, sobre a ribeira com o mesmo nome, construída em 1949, que permitiu a ligação entre a povoação e estação de caminho de ferro de Luzianes a Monchique e a Portimão, através da N266, ainda não estava referenciada no mesmo. Só de olhar para os mapas, tendo nascido em 1957, conduzindo desde 1975, tenho bem a noção do que era circular por aquelas estradas.

Voltar a fazer um percurso tão longo por estrada, neste caso a N2, parecia-me um desafio, porque já não me lembro há quantos anos, não percorria uma distância tão grande apenas em estrada.

Quem já não é jovem lembra-se que em Portugal, antes da Revolução de Abril, existiam apenas dois pequenos troços de Auto Estrada; Um entre Lisboa e Vila Franca de Xira e outro entre Lisboa e Coina, aberto já mais tarde com a inauguração da Ponte de 25 de Abril em 6 de Agosto de 1966. O resto eram estradas nacionais, muitas delas de má qualidade.

As Estradas Nacionais eram a forma mais rápida, de se circular entre cidades. A maioria dos carros à época eram muito mais lentos, não tinham cintos de segurança, o habitáculo era invadido por cheiro a óleo ou a gasolina e os travões eram de tambor às 4 rodas, sem servo freio. Com esta panóplia de extras e gadgets, fazer uma ultrapassagem ou contornar uma serra, eram um teste à paciência e ao sangue frio de cada condutor, ou porque o motor fingia que acelerava, mas apenas deitava mais fumo ou porque os travões fingiam que travavam, mas apenas abrandavam.

A N2, outrora sob a jurisdição da antiga Junta Autónoma das Estradas e dos seus abnegados cantoneiros, depende agora das Infraestruturas de Portugal e/ou das autarquias, que menosprezam mais estas vias do que as rotundas dentro das suas localidades. Por outro lado atravessar 11 distritos, 35 concelhos, 11 cidades e muitas mais localidades e pequenas aldeias, bem como atravessar serras como a Lousã, Melriça, Monfurado, Montemuro (onde a N2 atinge a sua altura máxima 980 m na povoação de Bigorne) e Caldeirão , bem como cruzar rios, o Douro, o Varosa, o Balsemão o Paiva o Vouga, o Dão, o Mondego, o Alva o Ceira, o Zézere e o Tejo, para além de várias ribeiras, riachos e curso de água, passar ainda por desníveis acentuados e tornear milhares de curvas, parecia uma tarefa surrealista.

Temos uma certa tendência revivalista e talvez até ser do contra a modernidade nalgumas situações. Um bom exemplo é o da comida. Depois de anos a desdenhar da comida caseira, quer por falta de sabor, quer por ser lenta e trabalhosa, virámo-nos para a fast food. Contudo, começou agora o movimento contrário, o gourmet, que, por exemplo, no caso dos enchidos, dos queijos, do pão e até de alguns pratos, é, nem mais nem menos, a comida que eu tinha à disposição na casa dos meus avós, a preço muito mais contidos, sem publicidade ou tiques de novo riquismo.

Este desafio de regresso ao passado só era diferente apenas porque o carro era mais moderno, seguro e confortável, mas o condutor muito mais velho. Será que uma coisa compensava a outra ou a idade descompensava a segurança oferecida pelo carro? A N2 criou-me expectativas enormes e receios ainda maiores.

Os preparativos para a viagem foram feitos tendo por base a Edição 100 (2019) do mapa do ACP e do livro “ A Mítica Estrada Nacional 2” edição de 2016 da Motorpress. Olhando para o mapa actual é difícil não vislumbrar pelo menos uma autoestrada ou uma via rápida, que não siga na direção dos principais pontos cardeais da rosa dos ventos.

Com tantas e tão boas vias rápidas até parecia um absurdo fazer um percurso tão longo, exclusivamente por estrada. É que num mundo cada vez mais acelerado a escolha vai sempre para a via rápida mais perto de si, que ligue com a via via rápida mais perto do seu destino.

A velocidade a que gira o mundo, tirando as discussões científicas, sempre foi a mesma, mas parece que toda a gente, mesmo de férias ou aos fins-de-semana, está sempre com pressa para ir para ….sei lá eu! . A velocidade dos acontecimentos é que deixou de ser medida pelos critérios antigos, baixa, média ou alta, exige-se apenas que seja verdadeiramente estonteante.

Curioso, mas não há multas para o excesso de velocidade dos acontecimentos e das pessoas, exepto quando entram num transporte terreste. Também não deixa de ser absurdo que se fabriquem carros cada vez melhores, mais seguros, quer activa, quer passivamente, com velocidades limitadas pelos próprios fabricantes e que as estradas, também elas cada vez melhores nos imponham limites de velocidade.

Não deixo de reconhecer, às vias rápidas, importância para combater o isolamento, fomentar o crescimento económico e o indispensável turismo, quer o que apela para fazermos férias cá dentro, quer o que apela aos de fora, para as fazerem também dentro do nosso pequeno retângulo à beira mar plantado.

Recapitulando. Para iniciar esta jornada usei as vias rápidas, para chegar ao ponto de partida. Foram 531 km, de Sintra a Chaves em cerca de 5h e 55 m, respeitando as regras de trânsito, mesmo os tais limites de velocidade, mais as que o bom senso e o civismo aconselham, para que a rapidez não se faça com prejuízo da nossa segurança e dos demais utentes da via. Infelizmente apenas o factor humano, com a sua maior ou menor apetência para conduzir e com a sua maior ou menor capacidade para perceber o risco e interpretar as regras do Código da Estrada, impedem que se explore toda a rapidez e segurança que é possível obter num carro actual, numa auto estrada.

Antes de chegar a Chaves, não larguei a A24, saí só em Espanha (coisa que nos anos 60 e 70, não era uma tarefa assim tão fácil e descontraída) para colocar combustível, 20 cêntimos mais barato, na localidade de Feces de Abaixo e, no regresso, já por estrada, ainda antes de entrar em Chaves vejo o primeiro sinal a indicar, Chaves N2.

Não vou destacar nenhum ponto da viagem, porque isso faz parte das memórias e fotos que guardei, mas gostaria de deixar aqui algumas notas do que foi voltar a fazer 738,5Km em estrada, sem recurso a vias rápidas, excepto num pequeno troço do IP3 porque a Barragem da Aguieira afundou a N2, na ligação entre o Distrito de Viseu e o Distrito de Coimbra.

Pois bem, foi uma experiência muito agradável ao constatar que a Estrada Nacional 2, está muito bem conservada (estou a comparar com o que encontrava no anos 70, quer nesta estrada quer noutras) está razoavelmente bem sinalizada e marcada e à parte de ter muitas rotundas (coisa raríssima no passado) ao longo do seu trajecto, não perdeu o seu encanto nem a sua mística.

Ao longo da N2, encontra-se de tudo; cidades, aldeias, vilas, lugares, lugarejos, hóteis, pousadas, pensões, rotundas, cruzamentos, entroncamentos, gentes, restaurantes, cafés, postos de combustíveis, oficinas, paisagens de todo o tipo, pontes gigantescas, agora designadas por obras de arte, uma espécie de deserto, serras, rios, praias fluviais e com mar a sério, floresta, jardins, comboios, mamarrachos, monumentos, igrejas, encanto, desencanto, memórias, histórias, paisagens de toda a espécie, sinais de pobreza, sinais de riqueza e de desenvolvimento, sinais da voragem, dos tempos, frio, calor, sol, chuva, vento, brisa, terrenos cuidados e ao abandono, o malfadado eucalipto, ali mesmo na beira da estrada plantado, à espera que o próximo incêndio deixe tudo arrasado. Ainda assistimos à transformação da N2 em Regional (R2) despromoção que não me pareceu justa e ainda podemos encontrar duas N2, paralelas entre Vila de Rei e Abrantes, a saber; •

 * Uma N2, mais antiga, daí existirem marcos com a designação de Antiga N2 em vez de simplesmente N2, que passa na Praia Fluvial de Penedo Furado, local com a particularidade de ficar na extrema do Distrito de Castelo Branco com o distrito de Santarém. Foi esta a estrada que optámos por fazer •

 *Outra, mais moderna que segue um trajecto mais a nascente e que passa próximo de Sardoal.

Conduzir nesta estrada revelou-se agradável, talvez porque muito do trânsito (se calhar não tanto como seria desejável pelo preço das portagens) foi desviado para as vias rápidas. Voltar à estrada faz-nos reaprender a conduzir, obriga a mais atenção e muito mais acção, não provoca tanta sonolência e a paisagem é muito mais variada. Ao mesmo tempo, porque paramos com mais frequência, tira-se uma foto, relaxa-se e minimizamos o cansaço.

Os automobilistas portugueses sempre se queixaram da má sinalização das estradas nacionais.

Ao longo destes 738 km fui reparando que nos locais onde a estrada estava bem sinalizada, quer do ponto de vista da sinalização vertical, quer das pinturas no pavimento, esta era desrespeitada com muita facilidade. Até dentro de localidades, com limite de velocidade de 50Km/h com traço contínuo bem visível, fui ultrapassado. Por outro lado, em zonas onde a sinalização era mais fraca, o tipo de condução não variava muito, pelo que conclui que a maioria dos condutores, pura e simplesmente, ignora a sinalização e conduz à vista, com base na intuição que julga ser a correcta, a sua, obviamente! Sempre é um bocadinho melhor conduzir à vista do que com a vista no telemóvel ou com ele à vista, o que suponho que acontecia nos casos em que me deparei com veículos fora de mão, aos quais tive que buzinar fortemente e fazer sinais de luzes, para evitar males maiores.

O regresso de Faro a Sintra foi feito por estrada até Beja, apanhando a A2 até casa, no nó de acesso a esta cidade. O objectivo de fazer a N2, como um regresso nostálgico às estradas, foi cumprido. Contudo, há muito mais para ver e explorar em redor da N2, história, cultura, natureza, gastronomia, pelo que fiquei com vontade de repetir o percurso de forma mais demorada. Iniciei a viagem na Primavera, a 16 de Junho e cheguei a Faro no Verão, a 21 de Junho.

Percorri 2.119 km, sendo que 531 Km correspondem à ligação Sintra Chaves e 388 Km à ligação Faro, Alcoutim, Beja, Sintra. Na N2 foram percorridos 1200 km, ou seja 738,5km para percorrer a estrada e o remanescente 461,5km nas voltinhas à sua volta. Parecia que não havia volta a dar, mas tal como no mar, há ir e voltar, aqui também foi ir explorar e voltar à N2.

Posso concluir que as expectativas ficaram muito acima do esperado e os receios eram, felizmente, totalmente infundados.

Fazer a N2 significou reviver o passado, perceber melhor o país, conviver com pessoas sem necessitar de redes sociais, ver o que fomos e o que somos, e entender que somos melhores do que pensamos.

Esta estrada foi instituída em 11 de Maio de 1945, altura em que foi publicado o Decreto Lei 34.593 com o Plano Rodoviário de 1945, com as normas de classificação das Estradas Nacionais, Municipais e Caminhos Públicos. Com este plano criou-se a N2 como a estrada mais longa do País, que pretendia ser a espinha dorsal em termos de vias de comunicação, o que tinha a sua lógica, já que atravessar o país pelo meio, seria uma forma de não privilegiar o litoral em detrimento do interior.

A grande dúvida com que fiquei foi a de que país seríamos hoje em termos demográficos, se tivéssemos apostado nesta estrada central, que até poderia ter sido uma Auto Estrada.

A N2 não era, na época, apenas uma estrada mas sim um sinal de desenvolvimento e de organização. O litoral acabou por se desenvolver à custa do despovoamento do interior e assim chegámos ao tempo actual em que a desertificação do interior é uma realidade.

30
Abr19

A nossa Caixa Geral de Depósitos de Mercedes

Vagueando

A CGD, ao que parece, está a enviar emails aos seus clientes para vender a crédito, bem certo, sendo certo que esta política não é um estímulo ao endividamento, automóveis da marca Mercedes Benz, Classe A.

Estranha forma de vida; Quem precisa, coitado, nem vai ao Banco porque sabe que leva uma nega, a não ser que tenha vasto património (ou não) que cubra bem o valor que necessita. Para quem não precisa, o Banco, por acaso público, consciente do papel fulcral que desempenha na dinamização da economia, vai lembrar o cliente, que comprar Mercedes Benz, Classe A é bom para a economia, para o cliente e para a Caixa.

Na gíria diz-se ganhas tu, ganho eu, ganhamos todos.

Faz bem, porque os clientes alvo do email, provavelmente, ainda não se aperceberam que a CGD paga a quem tem poupanças, uma taxa de juro tão pequenina que mais vale gastar do que poupar.

A escolha do Modelo, Classe A, presumo, deriva dos Bancos preferirem dar crédito a pessoas e entidades cujo rating seja o mais próximo de A. Se a Mercedes tivesse um Classe AAA ou, vá lá, A+, era ainda melhor; Assim em vez do desconto agressivo na taxa de juro poderia ter um risco menos agressivo de crédito e um valor (ainda mais) acrescentado com estas operações.

Mais estranho ainda é a justificação do Banco público para seguir esta estratégia, que se deve ao facto de ter que atingir metas exigentíssimas, por lhe ter sido aprovado um plano de recapitalização (necessário devido ao crédito mal parado) que, foi aprovado pelas autoridades Europeias, as quais também já tinham apadrinhado o PEC IV! Ao menos este tipo de crédito não vai ficar mal parado, excepto se o condutor/cliente do Mercedes o estacionar em local proibido ou se o carro avariar, coisa rara numa marca de prestígio.

Não discuto a estratégia da CGD, nem a exigência das autoridades europeias, nem eventualmente as exigências dos contribuintes que não são chamados a opinar, apenas a contribuir para a injecção de capital. Mas porquê a compra de Mercedes Benz?

Ainda se fosse para recuperar jipes da marca nacional UMM, com um passado histórico brilhante, aliás um hino desportivo (José Megre, Carlos Barbosa – Tucha, Pedro Vilas Boas, lembram-se?) à indústria automóvel nacional eu compreendia. Parece que os UMM já estão mais ao serviço dos estrangeiros que nos visitam do que ao serviço dos portugueses. Até no aeroporto de Lisboa, porta grande do turismo em Portugal, tem pelo menos um UMM a exibir-se aos turistas. Assim como assim, se voltar a ser chamado (que devo ser se ainda estiver vivo) a pagar os próximos prejuízos sempre dói menos.

É que esta coisa de ter um número de contribuinte agregado ao cartão de cidadão impede-nos de desertar dos impostos e de rasgar o cartão de sócio das Finanças quando estamos zangados com este clube.

Não obstante, quero deixar um conselho à CGD; Não se esqueça de enviar um email ao comendador Berardo, para que ele faça um crédito destes, com a condição do Mercedes, Classe A, sair directamente do Stand para a sua garagem no Funchal e depois, voilá, penhorar a garagem que estará fortemente valorizada com tão prestigioso automóvel. É que pelo menos a garagem passa ter um rating de Classe A, não dá para AAA, mas sempre ajuda o devedor a fazer Ah, Ah, Ah, com menos vergonha.

26
Jan19

VAR - Vamos ali rever o video árbitro

Vagueando

 

O VAR, digo eu, nasceu sob o lema, acabar com a polémica e trazer mais verdade desportiva o futebol.

O mundo está cheio de boas intenções, de boas práticas, mas praticamente, na prática, não se vê nada.

O VAR, não sejamos egoístas, nem bota abaixistas, trouxe sim, mais rigor científico-visual à polémica, quiçá descobriu algumas carecas, grava para memória futura os casos dos jogos, deu emprego a mais árbitros, trouxe negócio às empresas de audiovisual, tornou-se numa óptima ferramenta de arremesso entre os comentadores desportivos avençados dos clubes.

O VAR veio permitir, de forma rigorosa e probatória, a estes comentadores verem o que ninguém vê, verem o que não se mostra e demonstrar que uma imagem, afinal, não vale por mil palavras, mas gera muito mais que mil palavras para justificar o injustificável ou demonstrar que, o que efectivamente se vê naquela imagem, em particular, é particularmente duvidoso porque, sendo a imagem esclarecedora, o esclarecimento da mesma, demonstra justamente o contrário.

 Confuso? Acredito.

Não é por acaso que o provérbio de que uma imagem vale por mil palavras é da autoria do filósofo chinês Confúcio.

Continuando no campo das melhorias trazidas pelo VAR, este instrumento humano-tecnológico, trouxe valor acrescentado aos debates nacionais, que contam com a presença dos melhores especialistas, ainda que, no final, sejam mais as dúvidas que as certezas. Concluo que os melhores especialistas, são bem mais eficazes a demonstrar incertezas do que evidenciar certezas.

Nada escapa ao VAR, embora as pessoas que interpretam o manancial de informação visual gerada, tenham vindo a queixar-se de serem mal interpretadas, o que dificulta bastante o seu trabalho. O Presidente da República já se disponibilizou para passar algum tempo com o VAR, para se inteirar de todas estas dificuldades e daí retirar todas as ilações inerentes à sua Função Presidencial.

Convém não confundir VAR(e) e VAR(a) esposa do VAR - porque essa fica em casa a cozinhar novas técnicas de análise, ainda que a sua opinião não seja tida em conta, por ser demasiadamente evoluída e temperada de bom senso - para que não se levantem outros debates inflamados em torno do acompanhamento que o PR se propôs fazer ao VAR(e).

Gostaria de salientar que o impacto (financeiro, bem entendido) nas Televisões tem sido de tal ordem, que levou já a RTP a afirmar que está em condições de sobreviver sem o recurso à taxa de radio difusão, que a EDP gentilmente cobra aos portugueses, ao jeito de renda, quiçá excessiva.

Não consigo encontrar nada de negativo no VAR. Até os treinadores de bancada, vulgo comentadores das redes sociais, não destoam das interpretações oficiais dos comentadores avençados pelos clubes e estão sempre de acordo com as interpretações a favor dos seus clubes e contra se assim não for. Não é só uma questão de lealdade ao clube é, essencialmente uma questão de (in)coerência.

Parece-me que a única classe que está profundamente desapontada com o VAR, são os oftalmologistas. É que eles não encontram nenhuma razão plausível, do ponto de vista científico, para que os óculos receitados não funcionem quando estão em frente ao VAR.

Em suma o VAR que começou por ser um grito de Ipiranga, do tipo Vamos Alterar as Regras a bem do futebol, cedo passou a ser Vamos Adulterar  Regras a bem (dizer também) do futebol das conversas de cafés e barbeiros. A revolta continua, mas inovação foi um sucesso.

 

10
Jan19

Complicar ou inovar, eis a questão.

Vagueando

Disco.jpgSinal (2).jpg

O meu primeiro carro foi um boguinhas de cor verde, conhecido por Carocha, ou seja VW 1200, matrícula GF-38 qualquer coisa. Ano de nascimento 1960, tudo muito simples, duas portas, um porta bagagens à frente, onde se encontrava também o depósito de gasolina normal, motor atrás ainda mais simples que a simplicidade do carro e nada de cintos de segurança. Apenas duas fechaduras, uma para a porta do condutor, outra para a tampa do compartimento do motor.

Tudo era fácil. No tablier só se encontravam três botões, um para o limpa vidros (só de uma velocidade, lenta por sinal) e o dos faróis, que, com duas posições, ligava os mínimos e estes mais os médios. O botão que alternava entre os médios e os máximos era um pequeno interruptor accionado pelo esquerdo ao lado da embraiagem. Os faróis alimentados por uma bateria de 6V, montada debaixo do banco traseiro, eram tão fracos que muitas vezes saia do carro para confirmar se estavam mesmo ligados. O terceiro botão, servia para puxar um cabo que fechava a entrada de ar no carburador e assim facilitava o arranque do motor a frio. Após o motor arrancar, esperava-se uns segundos, empurrava-se aquilo para dentro e toca a andar.

O painel de instrumentos era composto apenas e só por um velocímetro com 4 luzinhas, uma azul que indicava máximos ligados, uma vermelha que era sinal de motor quente (nunca acendeu), uma amarela que indicava problemas de carregamento da bateria e uma verde que indicava se o pisca estava a funcionar. Nada de Auto Rádio porque, para 6V, também rareavam na altura e eram caros.

Indicador do nível da gasolina nem pensar, muito menos o botãozinho mágico que liga os 4 piscas ao mesmo tempo. Nem sem como seria a vida dos portugueses sem esta grande invenção da indústria automóvel, que tanto jeito dá para largar o carro de qualquer maneira, vai-se tomar um café ou, sei lá, fumar uma cigarrada ou estaciona-se em cima do passeio ou da passadeira de peões.

O motor não precisava de água, tinha um pequeno radiador que arrefecia o óleo de lubrificação, cujo arrefecimento era assegurado com o ar que era forçado, pelo próprio motor, em direção do referido radiador.

Essas coisas de desembaciador do vidro e chauffage eram coisas assim um bocado supérfluas e esquisitas, o sistema de desembaciar o vidro da frente era mais embaciador, pelo que no meio dos bancos da frente andavam sempre umas folhas do jornal O Século para esfregar o vidro nos dias de chuva e chauffage nunca se ligava porque era necessário dar muitas voltas a uma torneira (leram bem era mesmo uma torneira) que existia ao lado do travão de mão e quando se chegava ao fim, o pouco calor que entrava no habitáculo era acompanhado de um forte cheiro a óleo.

Só falta falar dos travões, de tambor às quatro rodas, com bomba hidráulica central, que, curiosamente, já dispunham de ABS, não como o conhecem hoje mas era um ABS muito especial porque quando se travava o carro Abrandava Basicamente Solto.

Eram tempos de contas de cabeça, pois a malta como não tinha indicador de gasolina atestava o depósito e depois era só fazer as contas aos quilómetros que se conseguia percorrer sem voltar à bomba. Como também não havia contador parcial dos quilómetros ou se os memorizava ou se apontavam num papelinho ou, pura e simplesmente, ficava-se sem gasolina.

Quando se andava de cabeça perdida usava-se um ferro, que também servia para fazer subir o macaco. Colocava-se, à vertical, dentro do depósito e a parte que ficava molhada, correspondia à gasolina lá existia. Não era uma medida expressa em litros mas sim em mais ou menos.

Vem esta lenga lenga a propósito de quê? Pois bem para falar do que foi transformar as coisas simples em coisas complicadas e, pior que isso, apelidar essa transformação de inovação quando lhe deveriam, justamente, chamar, complicação.

Com o aumento do número de carros em circulação o estacionamento, em especial nas grandes cidades começou a ser um problema.

Neste sentido, para facilitar a vida a todos, dentro das cidades, criou-se umas zonas de estacionamento com duração limitada. Essas zonas eram conhecidas por “Zona Azul”.

Para se estacionar nestas zonas era obrigatório possuir um Disco de Fiscalização que eram aprovados pelas Câmaras Municipais.

O procedimento não podia ser mais simples. Quando se estacionava nesses locais, marcava-se a hora de chegada no disco e, nesse mesmo disco, ficava logo indicada a hora até à qual o estacionamento estava autorizado. Tão simples, nada de moedas, nada de trocos, nada de ir ao parquímetro, nada de apps, nada de cartões pré comprados, apenas e só um disco que durava toda a vida, ainda por cima era gratuito, porque as próprias marcas de automóveis e outras empresas ofereciam-nos aos automobilistas.

Parece-me que o estacionamento à superfície nas cidades, deveria ser todo regulado desta forma porque se trata de espaço público que as Câmaras têm vindo, em meu entender, abusivamente, a ceder a Empresas Municipais de Estacionamento que fiscalizam ferozmente estes espaços, por vezes até exploram lugares em contravenção com o disposto no Código da Estrada, tudo em nome do NEGÓCIO. Lugares pagos só em parques de estacionamento construídos especificamente para o efeito.

A inovação é tão grande nesta área que até se esquece da complicação que este negócio trouxe às cidades e que consiste em perseguir-se os automobilistas que do ponto de vista da segurança e fluidez de tráfego (missão fundamental do Código da Estrada) têm os seus veículos bem estacionados, deixando impunes todos os outros que estacionam em cima do passeio, na faixa de rodagem, nas passadeiras de peões, a bloquear bocas de ataque a incêndios a bloquear saídas de garagens, ou seja, em clara contravenção com o Código da Estrada. E esta inversão de valores só acontece porque os automobilistas estão, cientes de que o risco de ser multado nestas condições é bem menor do que o risco de ser multado num lugar pago sem pagar. É o que se chama trabalhar-se para aumentar drasticamente o sentimento de impunidade.

Ironia das ironias até as carrinhas da EMEL estacionam na faixa de rodagem enquanto cumprem a sua missão de bloquear, multar e desbloquear.

Afinal o que queremos inovação ou complicação?

 

06
Jan19

Vacina da gripe ou a gripe?

Vagueando

A gripe no Inverno é como os fogos no Verão, é certinho que vai aparecer, mas ninguém se preocupa em prevenir.

Num inquérito levado a cabo pelo Portal Sapo, a propósito da vacinação contra a gripe a que responderam 10.110 pessoas, conclui-se que apenas 25% se vacinou, sendo que 69% não se vacinam (atenção que não é não se vacinaram) e 5%, embora se tenham vacinado em anos anteriores, este ano optaram por não o fazer.

Ainda que se trate de um universo reduzido, acredito que a maioria dos portugueses não se vacine, uns por desleixo, outras por serem anti-vacinas, outras porque acham que é uma mariquice, outras porque consideram que as campanhas de prevenção levadas a cabo pelo Estado a favor da vacinação, neste caso, contra a gripe, mais não são que maquiavélicos negócios levados a cabo em conluio com a indústria farmacêutica, por políticos corruptos.

Depois, na crista do problema do entupimento dos hospitais por causa da gripe, aparece todo o rol de especialistas falar, sempre para puxar a brasa à sua sardinha, com o intuito de lançar achas para a fogueira destinada a alimentar os seus interesses.

Retirei de órgãos de comunicação social algumas afirmações sobre esta situação;
Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, refere que há uma ausência de resposta nos cuidados de saúde primários, tanto ao nível dos horários como do número de profissionais (enfermeiros incluídos).

Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Indica que uma das estratégias [para combater a vaga de frio] pode passar por reduzir a actividade cirúrgica programada, o que acaba por permitir que possam ser internados mais doentes.

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, não tem dúvidas: Se houver um pico grande, a maioria dos hospitais não está preparada. E acrescenta que os serviços que os hospitais disponibilizam são, na grande maioria, os que já oferecem nos outros meses, o que significa que caso haja um pico de gripe, os doentes vão ficar mais tempo à espera.

Contudo não deixa de ser irónico que se noticie que os tempos de espera nos hospitais para doentes com gripe, rondam as 8 a 10h (quem espera 8h a 10h por uma consulta no hospital não pode ser um doente grave), mesmo assim, é para lá que as pessoas vão.

Só para se perceber a incoerência disto tudo, constatou-se que as consultas de gripe e infecções respiratórias nos centros de saúde, durante o mês de dezembro, foram em média de 208 por dia. Em igual período de 2017, foram 503 e, em 2016, tinham sido 1040.

Em resumo, continuamos a privilegiar o remédio em vez da prevenção, continuamos a privilegiar a defesa das quintinhas de cada um em vez da cooperação institucional no sentido de resolver estas disfuncionalidades. Ou seja, repetimos, todos os anos, os mesmos erros e até estamos a agravá-lo, quando se foge do centro de saúde para o hospital.

O povo, que tanto gosta de criticar e de aparecer nos telejornais aos gritos contra o ministro da Saúde e, pior, por vezes com agressão aos profissionais de saúde, prefere desconfiar do Estado no que se refere à prevenção, ignorando as campanhas de vacinação, tomando as vacinas que nalguns casos até são gratuitas, mas exige ao mesmo Estado que tenha montada uma estrutura gigantesca, com custos enormes que não está disposto a pagar através de impostos, para fazer face a um mês de gripe que, provavelmente, não atingiria estas proporções, caso a maioria da população estivesse vacinada.

Por outro lado, a gripe ainda está relacionada com a péssima qualidade de construção da maioria das casas, cuja eficácia energética é deplorável e com o consequente custo (de eficiência e preço da energia) para as manter a temperaturas amenas que poderiam mitigar este problema.

Por fim uma palavra para os media que também abordam o problema da gripe sempre das mesma forma, ou seja, a culpa é do Estado que cria nas pessoas o péssimo hábito de reclamar mas nada fazer para evitar o surto gripal.

Em conclusão; Lamentável.

30
Dez18

Sinistralidade ou Irresponsabilidade

Vagueando

QUESTÃO

Data Inquérito

 

Em 2017 teve alguma multa de trânsito

22/12/2018

%

Sim, e paguei

1905

17%

Sim, mas ignorei

331

3%

Não, mas houve vários motivos para ser multado

1873

17%

Não, mas também não fiz nada que justificasse multa

6817

62%

 

10926

 

QUESTÃO

Data Inquérito

 

Em 6 dias de operação Natal Tranquilo houve 15 mortos nas estradas portuguesas. Qual o erro que mais vezes comete ao conduzir?

27/12/2018

%

Ando com excesso de velocidade

2437

19%

Uso o telemóvel enquanto conduzo

1202

9%

Conduzo depois de beber álcool

407

3%

Conduzo com sono

576

4%

Arrisco um bocado nas ultrapassagens e em outras manobras

576

4%

Irrito-me quando há muito trânsito e não adequo a condução a essa circunstância

684

5%

Outro

1197

9%

Eu ando sempre bem, o problema são os outros

5919

46%

 

12998

 

 

Realizou o portal Sapo, em 22 e 27 de Dezembro passado, dois inquéritos (quadros acima) relacionados com o cumprimento ou não do Código da Estrada (CE), ao qual responderam 23.924 leitores.

Numa altura em que estamos ainda a digerir o fracasso da Operação Natal Tranquilo e Operação Ano Novo, os resultados destes inquéritos vieram, mais uma vez, confirmar que mesmo sem a ocorrência de chuva, neve ou nevoeiro, ou seja as chamadas condições adversas, quão péssimos são os portugueses a conduzir.

As respostas indicam que a esmagadora maioria dos portugueses, não só acha que cumpre fielmente o CE, como também considera que o problema da sinistralidade deriva do comportamento dos outros condutores.

Faz-me lembrar aquela anedota (infelizmente tantas vezes real) em que o indivíduo que segue em contramão em plena AE, acha que todos os outros é que vão mal.

Os resultados dos inquéritos não são surpreendentes. Apenas revelam que a maioria dos condutores não tem a mais pálida ideia das regras do CE, sendo surpreendente, isso sim, como, nesta imensa ignorância das regras, não ocorrem ainda mais acidentes.

Infelizmente as Escolas de Condução não ensinam a conduzir um automóvel, nem os perigos que isso representa. Ensinam sim, como fazer andar um carro, a prática vem depois, com o tempo. Se, com o tempo vier uma ou mais, más práticas, ninguém as vai corrigir, até ao dia em que as estatísticas acrescentam mais um acidente à lista.

E este desconhecimento das regras, não deriva só do (mau) ensino da condução e da iliteracia de muitos dos condutores relativamente ao CE, que aprendem a empinar para fazer o teste, mas sem nunca perceber o que está subjacente a cada resposta que acertam. Está também em causa o facto de as autoridades repisarem sempre as mesmas infrações; Falar ao telemóvel, o excesso de velocidade e o excesso de álcool no sangue, que, embora sendo infrações muito graves, nem sempre são a causa directa dos acidentes.

A falta da percepção do risco associado à condução é assustador, a falta de atenção na condução é sistemática, o desrespeito pelo código é prática corrente e, pior, na maior parte das vezes quem as pratica, nem tem a noção que infringiu qualquer regra do CE.

Eis alguns exemplos do que refiro;

Falta de percepção do risco – Frequentemente vê-se automobilistas que circulam em dias de chuva e nevoeiro com luzes apagadas. Será que têm consciência de que assim não são vistos e isso constitui um enorme perigo para a sua integridade física, para não falar na dos outros?

Falta de atenção – Milhares de manobras de mudança de direcção são realizadas diariamente sem que sejam devidamente assinaladas. Os automobilistas estão conscientes do risco que isso acarreta e os constrangimentos que isso causa à fluidez do tráfego? Será que não sabem que as regras do Código da Estrada se destinam a assegurar a segurança, mas também a fluidez do tráfego? Quem nunca ficou parado num entroncamento devido ao trânsito existente, o qual sai à direita, sem sinalizar essa manobra e que se tivessem dado essa indicação teríamos entrado sem qualquer problema? Quando estiver numa fila demorada, lembre-se que uma das razões da demora, pode residir nesta falta de respeito.

Junto a cada entroncamento nas vias rápidas e AE existem linhas mistas, uma contínua e outra descontínua, sendo que as mesmas se destinam a evitar, por exemplo que quem segue na faixa da esquerda ou do meio, não possa sair no entroncamento tarde de mais e assim colocar em risco que circula na faixa da direita. O desrespeito por esta linha contínua é tão banal como beber um café e acredito que muitos nem se apercebam da sua presença e do que significa.

Falta de respeito pelo Código da Estrada – Reiteradamente se circula colado ao carro da frente, muitas vezes o carro da frente é uma daquelas carrinhas de caixa fechada, ou seja, não se vê um palmo à frente do nariz e mesmo assim segue-se colado, muitas vezes a velocidades altas sem o mínimo de visibilidade.

Uma das regras básicas do CE, é que a circulação se faz pela via direita e no caso das vias rápidas e AE, pela via mais à direita. Esta regra está para o CE, como o abecedário e a tabuada estão para a Instrução Primária. Ainda não percebi porque se insiste em circular na via do meio ou à esquerda quando não há trânsito à direita. Contudo, já percebi das conversas que vou explorando com outros automobilistas, a ideia é, se não há trânsito porque não posso circular ao meio. A minha pergunta é, se não há trânsito porque não circular à direita. Nunca obtive uma resposta aceitável.

Em resumo, com todos estes problemas, considero que o número de acidentes até é baixo. Ao que parece porque a Nossa Senhora de Fátima e/ou todas as outras, ainda fazem milagres nas estradas portuguesas.

15
Out18

A Rota Vicentina

Vagueando

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A Rota Vicentina é composta por conjunto percursos pedestres no sudoeste do país e liga Santiago do Cacém ao Cabo de S. Vicente. Trata-se de uma zona de que gosto bastante tendo já percorrido a pé a totalidade do percurso, ou seja, 450 km. Esta rota é composta por dois caminhos, o histórico e os trilhos dos pescadores. 

O primeiro também é ciclável, o qual também já estou a fazer em BTT e o trilho dos pescadores segue pelo costa e pelas praias.

Não vou tomar partido pela maior de belza de um ou de outro, apenas e sáo deixar o meu contributo e homenagem a este excelente projecto que aconselho vivamente a fazer.

 

 

Vêm de fora, passar o tempo, ver o que desprezamos

Onde estão os famosos portugueses descobridores

Que fizeram a nossa história, com a qual nos regozijamos

Cegos, nem com cão guia, apreciam tão grandes valores

 

É triste e desolador, caminhar por tão bela alegoria

Isto não vai lá sem o cliché – De cortar a respiração

E depois não ver portugueses a fazer esta bela travessia

Não fazer esta rota, caminhar por ela,  parece uma traição

 

Andar, caminhar, respirar, observar, conversar, contemplar

Na rota há tudo o que precisa, está tudo ligado em rede

É só, pé ante pé, caminhar, caminhar, sem se enganar

Basta de seguir as marcas e não esquecer de matar a sede

 

Há dois Caminhos a escolher, o Histórico e o dos Pescadores

Se tiver dificuldade em acertar com o que fazer, não escolha

Um primeiro, a seguir o outro ou melhor, baralhe os odores

Faça-os, sim a ambos, como quiser e vai ver, fica novo em folha

 

Antes de começar pode-lhe parecer que é muito, olhe que não

Depois de se iniciar, nem quer pensar senão em rápido acabar

Pode descansar entre etapas, sem ter que dormir no chão

Um Turismo Rural por si sempre espera para o bem acomodar

 

A gastronomia alentejana é sempre boa aos dias úteis

Mas é ainda muito melhor nos outros dias da semana

Não comemos, perdemos a noção, ficamos fracos,  inúteis

E, pior que tudo, a moleza ataca, só queremos uma cama

 

 

A Rota não liga com cama, muito menos com acomodação

Não precisa gastar muita energia, mas sim ganhar alegria

Quando começar, vai logo querer acabar, é tudo motivação

Atento que estará  às marcações, nem precisa de qualquer guia

 

Cada metro palmilhado, a subir ou a descer, é para distrair

É melhor que ao seu pulmão tirar uma qualquer radiografia

Para o efeito dizem; Não respire, não respire, parece implodir

Aqui é só respirar, ar puro, tão puro, que fica bem na fotografia

 

Chegado ao fim, nem acredita que o fez, vai querer outra vez

Já não há percursos, mantenha-se atento, novos estão na calha

É só aguardar, ou ajudar a procurar novas rotas, dará jeito talvez

É que contribuir para a divulgação da região, merece uma medalha

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